terça-feira, 30 de abril de 2013

Organismo primitivo respirava oxigénio antes da fotossíntese

 O organismo primitivo vivia em ambientes extremos de elevada temperatura, como as atuais fontes hidrotermais. Na foto, uma fonte hidrotermal com quase 100 netros de largura do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA
O organismo primitivo vivia em ambientes extremos de elevada temperatura, como as atuais fontes hidrotermais. Na foto, uma fonte hidrotermal com quase 100 netros de largura do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA
Estudo de equipa internacional publicado na Science, que inclui cientista da Universidade do Minho, admite que existiu organismo na Terra primitiva que respirava oxigénio antes de surgir a fotossíntese das plantas.


É possível que se respirasse oxigénio no planeta Terra antes de ter sido desenvolvida a fotossíntese pelas plantas, sugere um estudo publicado na revista científica americana "Science" por uma equipa que inclui um investigador da Universidade do Minho, Alfons Stams.
Alfons Stams, investigador do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho
Universidade do Minho
Alfons Stams, investigador do Centro de
 Engenharia Biológica da Universidade
do Minho
Os cientistas descobriram que um organismo primitivo - chamado archaeoglobus fulgidus - que sobrevivia a altas temperaturas, respirava perclorato, uma substância que é hoje usada em explosivos, combustíveis para foguetões, fogo-de-artifício ou fertilizantes. Os percloratos são sais produzidos por processos naturais ou artificiais.

Este organismo era uma arquea, domínio de seres vivos relacionados com as bactérias, muitos dos quais sobrevivem em condições extremas como fontes hidrotermais, lagos ou mares muito salinos, pântanos, etc, sendo por isso chamados extremófilos.

A fotossíntese é o processo usado pelas plantas para converter a energia solar em energia química, que depois é usada para a alimentar.

Alfons Stams, investigador holandês do Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho e professor catedrático da Universidade de Wageningen (Holanda), afirma que "a capacidade de respirar perclorato pode ter ocorrido desde tempos ancestrais".

Microrganismos capazes de respirar perclorato

E acrescenta que a diversidade de microrganismos capazes de respirar perclorato "é muito mais ampla do que o estimado até ao momento". Esta substância ocorre naturalmente na Terra e em Marte e a sua degradação por via biológica é feita por bactérias, resultando na produção de cloreto e de oxigénio.
O artigo publicado na "Science" (com o título "Archaeal perchlorate reduction at high temperature") é assinado por investigadores das universidades do Minho, de Wageningen e de Delft (Holanda), bem como da Shell Global Solutions International (também da Holanda).

Alfons Stams recebeu recentemente uma bolsa avançada (Advanced Grant) de 2,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para o projeto "Novos anaeróbios para uma economia baseada na biologia", a desenvolver na Universidade do Minho.

A pesquisa pretende analisar novos microrganismos que atuam na ausência de oxigénio e, assim, contribuir para a conservação de energia e produção de compostos de valor económico.

"O potencial biotecnológico da diversidade microbiana é muito grande", explica o Stams, holandês que trabalha há dois anos no grupo Bridge (Bioresources, Bioremediation and Biorefinery) do CEB.

O Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho é um centro de investigação que une a ciência fundamental com a engenharia para obter processos ou produtos de valor acrescentado nas indústrias da alimentação, química, biotecnologia e ambiente.

Fonte: Expresso

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