quinta-feira, 30 de maio de 2013

FBI acusado de executar amigo dos irmãos Tsarnaev

Abdul-Baki, pai de Todashev, acusa o FBI de ter "executado" o filho com "sete tiros à queima-roupa"
Abdul-Baki, pai de Todashev, acusa o FBI de ter "executado" o filho com "sete tiros à queima-roupa"
Maxim Shipenkov/EPA
Autoridades americanas desconhecem se Todashev (na imagem) conhecia os planos de Tamerlan Tsarnaev fazer explodir duas bombas na linha de meta da maratona de Boston
Orange County/EPA Autoridades americanas desconhecem se Todashev
 (na imagem) conhecia os planos de Tamerlan Tsarnaev  fazer explodir duas bombas na linha de meta da maratona de Boston

Ibragim Todashev foi interrogado e morto pelo FBI, que procurava informações sobre um dos alegados bombistas de Boston. Vítima estava desarmada e terá sido executada com sete tiros à queima-roupa.

Perito em artes marciais, Ibragim Todashev espancou um indivíduo há um mês, num parque de estacionamento de um centro comercial na cidade de Orlando, Florida, após uma breve discussão. 

Não se sabe quem desferiu o primeiro golpe, mas o elo mais fraco da rixa terminou o dia no hospital, com vários hematomas, um corte de três centímetros no lábio superior e menos dois dentes.

Todashev seria libertado após o pagamento de uma caução de 3500 dólares (cerca de 2700 euros).

Na semana passada, o cidadão tchetcheno de 27 anos tentou, alegadamente, o mesmo contra um agente da Polícia Federal Americana (FBI), que o interrogava há mais de cinco horas, recolhendo informações sobre os irmãos Tsarnaev (Tamerlan e Dzhokhar), os suspeitos dos atentados da maratona de Boston, no passado dia 15 de abril.

O FBI e a polícia estadual de Massachusetts suspeitam que Todashev e Tamerlan tenham cometido um triplo homicídio, nos arredores de Boston, a 11 de Setembro de 2011. 

Ibragim Todashev levou a pior no confronto e foi morto com sete tiros, um deles na cabeça.

Contactada pelo Expresso, a porta-voz do FBI, Rebecca Callahan, reconhece que o incidente está a ser "revisto", algo que a impede de fornecer detalhes sobre o que se passou, confirmando apenas que "o jovem tchetcheno atacou o agente e este foi obrigado a defender-se".

Sete tiros contra um homem desarmado

"Queremos uma investigação independente ao que se passou. Não tem só a ver com Todashev e a sua família, mas também com respeito à defesa dos direitos constitucionais e do estado de direito. Um interrogatório de cinco horas sem mandado e sete tiros disparados contra um homem que não está armado?", questiona Hassan Shibly, diretor da Council on American Islamic Relations, a maior organização de defesa dos direitos civis da população muçulmana nos EUA.

Ontem à tarde, em Moscovo, Abdul-Baki, pai de Todashev, acusou o FBI de ter "executado" o filho com "sete tiros à queima-roupa".

Shibly explica-nos que a única arma que existia na casa do jovem tchetcheno era uma espada, que servia como peça decorativa numa das paredes da sala. "Não estava afiada e tinha a pega partida".

Fontes anónimas indicaram ao diário "The Washington Post" que Todashev não estava armado, ao contrário das primeiras informações dadas, na semana passada, pela CNN, que revelava que o suspeito teria uma faca.

O FBI aguarda pelos resultados dos testes de laboratório, que irão verificar se existem amostras de ADN de Tamerlan e Todashev nos objetos recolhidos no apartamento onde ocorreu o triplo homicídio, há dois anos.

Suspeita-se que ambos os indivíduos terão degolado as vítimas e espalhado milhares de dólares e vários quilos de haxixe sobre os corpos, numa operação de ajuste de contas relacionada com o tráfico de droga.

As autoridades americanas desconhecem se Todashev conhecia os planos do amigo para fazer explodir as duas bombas na linha de meta da maratona de Boston. 

Todashev mudou-se para Orlando há dois anos, depois de ter vivido nos arredores de Boston, num período em que obteve o estatuto de exilado político.

Conheceu Tamerlan nos ginásios locais onde ambos treinavam artes marciais, participando no fórum online sherdog.com, dedicado àquelas modalidades.

Fonte: Expresso

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