domingo, 31 de maio de 2015

A primeira escrita da Península Ibérica

A primeira escrita da Península Ibérica

Estela de xisto está exposta em museu de Almodôvar.

São sinais enigmáticos, o que significam é um mistério ainda por desvendar, mas uma certeza existe: aquela é a primeira escrita nascida na Península Ibérica, entre há 2700 e 2500 anos. Há menos de cem carateres gravados nesta laje de xisto, a estela do Monte Novo do Visconde, que está em exposição desde sexta-feira em Almodôvar, Alentejo, no Museu da Escrita do Sudoeste.

Esta escrita pré-românica deve o nome à área da península onde existe a maior concentração destas lajes gravadas, entre Ourique e Loulé, na zona de transição montanhosa entre o Alentejo e o Algarve. Só que ainda não se encontrou a sua Pedra de Roseta - a chave para a sua decifração. Com 95 centímetros de altura, por 34 de largura e 22 de espessura, a estela do Monte Novo do Visconde foi encontrada em 1979 em Casével, na região de Castro Verde, e entregue ao arqueólogo Caetano de Mello Beirão, que depois escavou o local do achado, onde encontrou ainda os restos de uma antiga necrópole, com cerca de 2500 anos, da I Idade do Ferro no Sudoeste da península.

Google Maps, Chrome e Youtube vão funcionar sem internet

Google Maps, Chrome e Youtube vão funcionar sem internet

Gigante da internet está a desenvolver versões offline destas aplicações. Google Maps vai passar a ter comando por voz

Google Maps, Chrome e Youtube são as aplicações da Google que vão poder ser utilizadas sem uma ligação à internet. O anúncio foi feito durante a Google I/O, a maior conferência anual organizada pela empresa norte-americana. O sistema operativo dos telemóveis android requer uma ligação permanente à internet para a utilização destas aplicações, algo que não vai ser necessário com o novo Android M.

O funcionamento offline destas aplicações não é, propriamente, uma novidade. O Youtube offline está disponível na Índia, na Indonésia, nas Filipinas e no Vietnam. "Tornar a informação acessível a utilizadores de todo o mundo está no espírito daquilo que a Google faz, desde o início" disse Jen Fitzpatrick, engenheiro da empresa, durante a conferência. Jen também defendeu que os telemóveis vão chegar a milhões de pessoas em mercados emergentes durante o próximo ano.

Além das versões offline para telemóveis android, o gigante da internet apresentou outras novidades. O Google Maps vai passar a integrar uma função que permite o comando por voz. Por sua vez, o browser Google Chrome fará uma utilização menos intensiva de dados, de modo a melhorar o seu funcionamento. 



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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Especialistas alertam: desactive o recurso de localização no Facebook Messenger

Especialistas alertam: desactive o recurso de localização no Facebook Messenger

Recorda-se do mapa usado pelo Harry Potter para localizar (e acompanhar o movimento de) qualquer pessoa dentro de Hogwarts? Agora, uma extensão para Chrome com funções parecidas identifica a localização e traça o movimento dos seus contactos no Facebook Messenger.

Chamada de «Marauder’s Map» (nome original de Mapa do Maroto, em inglês), a extensão usa os dados de GPS do Messenger - que são armazenados pela aplicação - para localizar e formar o trajecto feito pelos utilizadores. A ferramenta não funciona em tempo real, mas ainda assim é um tanto preocupante a forma como o mapa traça o percurso feitos pelos seus contactos.

Aran Khanna, estudante de ciências de computação de Harvard e autor da extensão, explica que o Messenger utiliza coordenadas de latitude e longitude com mais de cinco decimais de precisão, tornando possível identificar a localização de um utilizador com metros de exactidão.

Para exemplificar como o GPS do Messenger é terrivelmente preciso, Khanna mostra a rotina de um conhecido dele: o app identifica o local exacto do dormitório deste contacto na universidade, além de expor o trajecto feito por ele durante a semana. O mapa faz até mesmo actualizações hora a hora da localização de alguém.

No entanto, o que mais preocupou Khanna é o facto de não ser necessário ser amigo de alguém no Facebook para ter acesso ao seu mapa de localização – basta enviar uma mensagem e esperar pela resposta. Se a pessoa responder, pode ter acesso à geolocalização dela com alta precisão.

Partilhar a própria localização é algo já habitual nesta geração e está longe de ser a primeira aplicação a fazer este tipo de coisa — o Google Latitude (descontinuado há alguns anos) usava o Google Maps para localizar os seus amigos em tempo real; o Foursquare e o Swarm permitem que você faça check-in em estabelecimentos, divulgando a sua localização aos amigos.

O Messenger, por outro lado, é usado para conversas instantâneas, não para divulgar geolocalizações — e muitos talvez nem saibam que está é uma função presente e padrão da aplicação, algo que Khanna menciona ser usado com certa frequência no comportamento humano: são poucos os que dedicam o mínimo de esforço para desactivar funções padrão manualmente.

Khanna expôs um problema até então ignorado (ou não percebido) por utilizadores do Facebook. Partilhar a nossa localização tornou-se algo banal, mas talvez não tenhamos noção das possíveis consequências que esta exposição pode trazer. Ele explica:

«Decidi escrever esta extensão porque dizem-nos constantemente como estamos a perder a nossa privacidade com o aumento da digitalização das nossas vidas, entretanto, as consequências nunca parecem tangíveis. Com este código, pode ver por conta própria como a informação que partilha é potencialmente invasiva, e pode decidir por si mesmo se isso é algo que o preocupa.»

Pode fazer o download desta extensão neste link, mas talvez não consiga usá-la: o estudante explica que atingiu o limite de tráfego e pode apresentar erros no funcionamento.

Ainda segundo Khanna, o Facebook está consciente do problema e já estuda uma correcção - a brincadeira vai durar pouco, mas serve de alerta para todos. Enquanto isso, convém desligar a geolocalização no app do Messenger: toque no símbolo da engrenagem e desactive a opção «Localização».

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Google Maps funcionará offline em breve

Google Maps funcionará offline em breve

Mais uma novidade directamente do Google I/O 2015: em breve o Google Maps para dispositivos móveis também funcionará offline.

Basta que o telemóvel tenha sincronizado os mapas em algum momento; depois disso será possível navegar por estes mesmo que não tenha acesso à Internet.

O Google ainda não divulgou uma data de lançamento para a actualização - apenas informou que acontecerá ainda este ano - e não deu mais detalhes. Resta saber qual o tamanho do mapa que será baixado, para visualização e navegação offline, e se isso será configurável.

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Saiba se foi excluído ou bloqueado por um amigo no Facebook

Saiba se foi excluído ou bloqueado por um amigo no Facebook
Se um amigo seu desapareceu do feed de notícias do Facebook ou não consegue encontrá-lo no motor de busca da rede social, pode ser que ele o tenha excluído ou bloqueado. Acompanhe a seguir como pode identificar em qual dos casos você se encaixa.

A diferença entre ser excluído ou bloqueado no Facebook é subtil. Na primeira opção, a pessoa deixará de aparecer na sua lista de amigos, mas estará visível caso digite o nome dela na busca do site. Você, inclusive, pode pedir para adicioná-la novamente se quiser.

Agora, quando alguém o bloqueia na rede social, essa pessoa não aparecerá mais no motor de busca. Para saber se este contacto realmente o restringiu ou se apenas excluiu o próprio perfil no Facebook, peça a um amigo em comum para verificar se ele continua na sua rede. Em caso afirmativo, pode confirmar o bloqueio.

Vale lembrar também que, em caso de bloqueio, como não consegue encontrar essa pessoa, não será possível adicioná-la na sua lista. Só voltarão a ter uma ligação se o contacto voltar a desbloqueá-lo do Facebook e enviar o pedido de amizade novamente.

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«Os Simpsons» gabam-se de ter premeditado prisão de dirigentes da FIFA


Com a prisão dos dirigentes da FIFA na quarta-feira, em Zurique, a série de televisão «Os Simpsons» decidiu aproveitar a oportunidade para se vangloriar de ter premeditado o evento.

Através de um vídeo publicado na página oficial da série, foi lembrado que, durante o episódio especial sobre o Mundial no Brasil, o programa encenou a prisão de um vice-presidente da instituição máxima do futebol.

Em diálogo com o protagonista Homer, o dirigente diz: «Por favor, ajude-nos, há podridão em toda a parte. Na verdade, acho que até eu mesmo estou prestes a ser preso por corrupção». Em seguida, o personagem é algemado e substituído por outro.

Na mensagem que acompanha o vídeo no Facebook a produção do programa gaba-se: «Os Simpsons avisaram.» Além disso, o post reitera que a série também previu que a Alemanha se consagraria campeã do Mundial de Futebol em 2014.


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"Flike", a bicicleta voadora


Uma bicicleta (bike) que voa (fly), eis como se apresenta o projeto "Flike".

A bicicleta voadora "Flike" nasceu na Hungria e o vídeo disponibilizado pela empresa corresponde ao que terá sido o primeiro voo experimental, que decorreu em março no aeródromo de Miskolc, na Hungria.

O aparelho tem uma autonomia de cerca de 20 minutos.

A empresa que está por trás do projeto, a "Bay Zoltan Nonprofit Ltd.", é financiada pelo governo húngaro a partir de um centro de investigação.


Fonte: TSF

Novo serviço Google Photos é gratuito e tem armazenamento ilimitado


Problemas de armazenamento no smartphone? Resolvido, diz a Google

Vai estar disponível esta quintafeira e poderá armazenar fotos até 16 megapixeis e vídeos em alta definição 1080p, sem qualquer limite

Problemas de armazenamento no smartphone? Resolvido, diz a Google. A empresa acaba de lançar o seu novo serviço Google Photos, que estará disponível ainda hoje para Android, iOS e desktop de forma gratuita. A grande novidade: não tem qualquer limite. Não é um terabyte, como o Flickr, mas ilimitado. Estará disponível mais logo em photos.google.com.

O serviço foi anunciado durante a sessão de abertura do evento anual de programadores, Google I/O, que está a decorrer em São Francisco. É uma plataforma "standalone" (um spin-off da rede Google+, na verdade) que faz backup imediato das fotos e vídeos assim que são captados pela câmara, para a Google Drive. Armazena fotos até 16 megapixeis e vídeos de alta definição 1080p.

"Pensávamos que tirar mais fotos e vídeos tornaria mais fácil reviver os momentos que importam, mas na verdade tornou-o mais difícil", disse Anil Sabharwal, diretor do Google Photos. "Por isso, construímos uma experiência completamente nova, de raiz", revelou, mostrando a interface do serviço, que organiza as fotos e vídeos em "Momentos" (faz lembrar a organização da app Photos no Mac).

Permite novos gestos, como selecionar várias fotos ao mesmo tempo simplesmente deslizando o dedo por cima delas. A plataforma também agrupa fotos com a mesma pessoa ao longo do tempo, tornando mais fácil navegar sem ter de andar à procura entre milhares de fotos - deve-se à funcionalidade de etiqueta automática. Para demonstrar o serviço, o diretor tirou uma "selfie" em palco com o executivo Dave Lee, que imediatamente apareceu nos arquivos da sua conta.

Este anúncio marcou um dos momentos que arrancou mais aplausos no evento, principalmente por ser um serviço gratuito e que faz backup automático. "Você poderá ficar descansado, sabendo que as suas fotos e memórias estão seguras", concluiu Sabharwal.

A Google apresentou já o sistema operativo Brillo, para a Internet das Coisas, e está a revelar as novidades da próxima versão de Android, com nome de código "M".

Fonte: DV

NSA quer identificar pessoas através dos toques nos ecrãs de telemóveis



O swipe é uma popular forma de desbloqueio do smartphone. A NSA tem em marcha o desenvolvimento de tecnologias que permitam associar cada gesto a um utilizador.

A NSA está a colaborar com a Lockheed IT and Security Solutions para desenvolver uma tecnologia de reconhecimento de gestos, como o swipe ou a escrita no ecrã tátil. A agência de espionagem pretende que este método seja usado para identificar os utilizadores, noticia o Hacker News.

O desenvolvimento da tecnologia foi confirmado por executivos da Lockheed que adiantaram o nome de código do projeto, Mandrake. «Ninguém tem o mesmo toque. É possível forjar a escrita de uma pessoa em duas dimensões, mas não é possível fazê-lo em três ou quatro dimensões», disse John Mears.

A terceira dimensão é a pressão exercida sobre o ecrã e a quarta dimensão é o tempo. Será difícil, se não impossível, forjar o swipe de um utilizador, se estas quatro dimensões estiverem a ser analisadas.

Mears explica que a tecnologia está pronta a ser colocada no mercado e que até pode já estar a ser usada pela NSA como parte do programa de vigilância e de recolha de dados.

Ainda não há confirmações oficiais por parte da NSA ou de agências como o FBI sobre se este tipo de tecnologias já existe e se está a ser usado na vida real.

Fonte: EI

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Nova lâmpada é alimentada pela gravidade e não requer energia

Nova lâmpada é alimentada pela gravidade e não requer energia

Cerca de mil milhões de pessoas vivem sem electricidade, e frequentemente fazem uso de lamparinas de querosene – uma maneira perigosa e cancerígena de produzir luz, que pode, inclusive, transformar uma casa inteira em cinzas. Uma nova campanha do Indiegogo quer oferecer uma maneira segura e reutilizável de produzir luz que não exija nenhuma fonte de alimentação.

Chamada de GravityLight 2, parece-se com uma daquelas lanternas que funcionam a dínamo. Mas, em vez de girar a manivela por dez minutos para produzir luz, a GravityLight é alimentada pela gravidade.

A inovação consiste numa polia pendurada no tecto. E é simples de usar: levanta-se um peso de mais ou menos 10 kg (pedras, areia ou o que quer que seja) por uma corda, soltando-o quando este atingir o topo. Com a força da gravidade, o peso desce devagar, movimentando uma engrenagem que produz energia e ilumina uma luz LED. Quando o peso chega ao chão, é só repetir o processo. A luz pode durar entre 20 a 30 minutos para cada ciclo.

Lâmpadas à base de querosene, além de produzirem fumo perigoso, não são baratas: a equipa do GravityLight diz que chegam a consumir até 30% de um rendimento familiar. A GravityLight, por sua vez, custa menos de 10 dólares.

A campanha está especificamente a procurar ajudar famílias de países em desenvolvimento que não têm acesso à electricidade, com atenção especial para as famílias do Quénia, país no qual esperam criar empregos com a produção local de GravityLights.

Faltando um mês para terminar, a campanha do Indiegogo arrecadou já metade do seu objectivo de 199 mil dólares para tornar a GravityLight uma realidade.

No ano passado, a equipa conseguiu financiar um modelo beta da lâmpada, que foi testado em mais de 30 países. Mas este modelo brilha mais e é fácil de usar, a iluminação dura por um período maior e a lâmpada acende-se enquanto é carregada.


Fonte: DD

Sabe porque é que o queijo suíço tem buracos?


O mistério é agora revelado pelas autoridades científicas da Confederação Helvética, após um século de investigação.

O mistério dos buracos no queijo suíço foi finalmente desvendado, após um século de investigação, com a conclusão de que são provocados por pequenas partículas de feno que caem no leite durante a ordenha das vacas.

O anúncio da descoberta foi feito pelas autoridades científicas da Confederação Helvética que se dedicaram ao estudo do fenómeno: os investigadores do Agroscope, o instituto das ciências alimentares, sediado em Berna, associados aos do Laboratório Federal Suíço de Testes de Materiais e Investigação (Empa).

Os famosos "buracos" de queijos como o Emmental e o Appenzell resultam dos gases produzidos pelas partículas de feno durante o processo de fermentação, explicou o Agroscope em comunicado.

O enigma dos buracos no queijo, que "fascinava tanto as crianças quanto os adultos", está por fim resolvido, congratulou-se o Agroscope.

Os "buracos" tendem a desaparecer depois de o leite ter passado a ser extraído por meio de técnicas mais modernas, constataram os investigadores.

"É o desaparecimento do tradicional balde", colocado sob o úbere da vaca, substituído por técnicas mais modernas e mais higiénicas que está na origem do desaparecimento dos buracos, disse um porta-voz do Agroscope citado pela agência de notícias francesa AFP.

Segundo o instituto científico suíço, já em 1917 o norte-americano William Clark publicara um artigo aprofundado sobre a formação dos buracos no Emmental.

Nesse artigo, Clark tentava explicar à luz dos conhecimentos da época o enigma da formação dos buracos no queijo, formulando a hipótese de os buracos resultarem da ação do dióxido de carbono produzido por bactérias.

Depois de Clark, os cientistas que continuaram a interrogar-se sobre a origem desses buracos constataram que os queijos fabricados nos últimos 10 ou 15 anos tinham cada vez menos buracos.

Os investigadores do Agroscope debruçaram-se então sobre a mudança de métodos de ordenha das vacas e a redução de micropartículas de feno e de bactérias no leite.

Para validar a hipótese, observaram a formação dos buracos durante um período de 130 dias, durante o processo de maturação do queijo, utilizando instrumentos como a tomografia axial computorizada (TAC).

"A ordenha tradicional no estábulo com baldes abertos foi substituída nas últimas décadas por sistemas de ordenha fechados", explicou o instituto científico suíço, acrescentando que as novas técnicas "suprimiram totalmente as micropartículas de feno no leite". Em consequência, "há menos 'germes de buracos' no queijo", observou o porta-voz.

"É uma descoberta que foi feita completamente por acidente, como todas as grandes descobertas", concluiu o porta-voz do Agroscope.

Os produtores de queijo sabem agora que, jogando com a dosagem das micropartículas de feno, podem praticamente controlar o número de buracos desejados nos seus queijos.

O queijo é um assunto sério na Suíça, onde a criação de gado bovino é abundante.

Em 2014, o consumo médio anual de queijo por habitante na Suíça foi de 21,3 quilos. Os queijos suíços representaram dois terços deste consumo.

Fonte: TSF 

A aplicação que mostra como o nível do mar pode subir à sua porta


Ver como a subida do nível do mar pode submergir o Terreiro do Paço, em Lisboa, por exemplo, é um dos cenários traçados pelo Sealevels.info. O portal interativo, que tem dedo português, permite cruzar de uma forma simples informação científica de origem diversa. 

Em 2100, a Praça do Comércio poderá assemelhar-se à de S.Marco, em Veneza, na maré alta. E a Ria Formosa, no Algarve, poderá deixar de ter ilhas e ilhotes e submergir parte do aeroporto de Faro. Estes são dois cenário possíveis no futuro, pensando num aumento médio do nível do mar de apenas um metro, se nada for feito para defender estes espaços e infraestruturas e adaptá-los às alterações climáticas.

A imagem que descrevemos salta à vista (na nossa imaginação) quando entramos no site da Sealevels, um portal interativo inovador que permite cruzar de uma forma simples informação científica sobre a subida do nível do mar em todo o Planeta. A patente é da empresa Scientinel, dirigida por um cientista de origem portuguesa, Diogo de Gusmão Sørensen, que vive em Copenhaga.

À distância de dois cliques qualquer pessoa pode observar quanto o nível do mar irá subir quase à sua porta, na cidade onde vive ou em qualquer ponto costeiro ou ribeirinho do globo. A viagem virtual é gratuita e está disponível desde meados de maio a qualquer pessoa interessada. 

Basta abrir http://sealevels.info, carregar em “start”, aceitar as regras, procurar a zona do globo que pretende perscrutar e fazer “zoom in” duas vezes para visualizar as manchas violeta, que simbolizam áreas de potencial inundação no mundo inteiro. Ao clicar num “pop up” surgem as projeções da subida do nível do mar com base num aumento de dois graus da temperatura média do planeta, traçadas pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) para diferentes regiões do globo, para cenários atuais e para daqui a 10, 35 ou 75 anos. 

UMA QUESTÃO DE ZOOM

Fazendo o zoom a Portugal, verifica-se que a projeção mais elevada para a costa de Lisboa indica que o mar pode subir até quase um metro no fim do século XXI, o que pode deixar a Praça do Comércio debaixo de água e inundar toda a zona da Lezíria do Tejo, submergindo a área para onde chegou a ser pensado o novo aeroporto de Alcochete. 

A sul, no litoral de Faro, apesar de a subida do nível do mar ser um pouco menor (0,85 centímetros), percebe-se como a ria deixará de o ser, passando a um contínuo de mar se nada for feito para evitá-lo. É que estas projeções não têm em conta obras de defesa costeira em curso ou projetadas para o futuro, mas apenas aquilo que os satélites da NASA captaram das marés e que a Scientinel cruzou com as projeções do IPCC para 2015, 2050 e 2100.

Em tom violeta surgem as áreas inundáveis, a laranja as principais redes de transporte rodoviário, ferroviário, portuário ou aeroportuário, a verde os estabelecimentos de saúde, a amarelo os de ensino e a vermelho os edifícios ou infraestruturas de Estado que podem ser afetados por futuras inundações. 


PIONEIRO

“Existem vários portais que mostram áreas inundáveis no mundo inteiro, mas o sealevels.info é único porque permite cruzar a informação da IPCC com dados da NASA e fornecer informação fácil de compreender por qualquer pessoa”, explica Diogo de Gusmão-Sørensen, diretor da empresa que elaborou este projeto, a Scientinel, sediada em Copenhaga. 

“O objetivo é transferir informação científica complexa para uma plataforma de acesso público de fácil compreensão”, explica o investigador e empresário, de dupla nacionalidade (portuguesa e britânica), que montou este projeto de levar a ciência para o domínio público. Para tal contou com apoio do fundo escandinavo EEA Grants e da ONU. O projeto foi apresentado publicamente a 12 de maio, em Copenhaga, na conferência dedicada à Adaptação às Alterações climáticas — “Bridging the Gap Between Climate Science and Adaptation”.

Para empresas privadas, a Scientinel “dispõe de informação paga com melhor resolução e pormenor”, explica o diretor. Entre os clientes encontram-se “empresas de transporte marítimo e de construção de portos que querem saber o que devem esperar para se adaptarem à subida do nível do mar”, explica Gusmão-Sørensen, assim “como grupos hoteleiros que querem saber se vale a pena erguer novos complexos turísticos em determinadas zonas do litoral”.

“NÃO TERMINOU AQUI”

Diogo de Gusmão nasceu em Lisboa há 42 anos. Aos 20 anos largou o curso de engenharia informática no Instituto Superior Técnico e rumou a Inglaterra, onde enveredou pelas ciências do ambiente, na Universidade de Bradford, seguindo-se uma pós-graduação em Gestão Ambiental na Universidade de Aberdeen (Escócia). 

Findos os estudos, trabalhou como gestor de risco de cheias na Agência do Ambiente inglesa e como climatologista no Met Office Hadley Centre, em Inglaterra. Foi revisor especialista do capítulo sobre sistemas costeiros, impactos, adaptação e vulnerabilidade do quinto relatório do IPCC. O casamento com um dinamarquês levou-o a mudar-se para Copenhaga e a acrescentar Sørensen ao nome.

Foi na capital da Dinamarca que nasceu a Scientinel. Em dois anos, a pequena empresa desenvolveu o Sealevels.info. “Mas o projeto não terminou aqui”, afiança Diogo. Novos dados do IPCC surgirão no futuro e já receberam “pedidos para acelerar os mecanismos de partilha de informação, assim como adicionar outras infraestruturas críticas, nomeadamente relacionadas com a geração e distribuição de energia, isto para o mundo inteiro”, conta. Porém, acrescenta, “terá de haver um investimento para que haja uma expansão, e sinceramente, para já pelo menos, do ponto de vista comercial esta não é uma prioridade”.

Diogo Gusmão Sorensen

O QUE A CIÊNCIA NOS DIZ

Há incertezas em relação ao degelo nas zonas polares, mas um artigo recente publicado na revista “Science” indica que os glaciares da Antártida estão a derreter a um ritmo muito mais rápido do que era habitual. Uma equipa coordenada por Bert Wouters, da Universidade de Bristol, fez cálculos que indicam que os glaciares estão a sofrer um degelo anual de 60 quilómetros cúbicos, o que equivale a um aumento extra de 0,16 milímetros anuais do nível médio do mar. 

A comprovar-se a veracidade destes dados, as projeções do próximo relatório do IPCC terão de ser alteradas. “O que a ciência nos diz é que isto é mais rápido do que se estava à espera”, lembra Gusmão- Sørense. “O cenário mais alto do IPCC indica que, em 2025, o nível médio das águas do mar terá subido 20 centímetros. Mas sabemos que na Europa já estamos 18 centímetros acima do padrão de 1990”, acrescenta. E, sem querer ser alarmista, lembra: “Se a Gronelândia derreter isso levará a uma subida de 5,5 metros do nível do mar... e quando começamos a adicionar tudo isto e juntamos o degelo das calotas polares, temos de pensar em nos adaptarmos”.

Cidades como Copenhaga já começam a preparar medidas de adaptação perante cenários de elevação do nível do mar, nomeadamente pensando erguer uma barreira de betão no mar ao largo da cidade, para atenuar inundações. “Também países como a Noruega e a Holanda têm já planeado e concretizado soluções de adaptação às alterações climáticas, sobretudo medidas de defesa de infraestruturas críticas como aeroportos ou hospitais”, explica Gusmão-Sørensen.

Em Portugal, projetos científicos como o ClimaAdaPt, coordenado por Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (também financiado por fundos EEA Grants), têm desenvolvido parcerias com várias autarquias. “Almada e Cascais são dois dos municípios que estão a desenvolver medidas de adaptação às alterações climáticas”, esclarece o investigador. Mas, lembra, para pôr em prática a estratégia nacional de adaptação necessária “é preciso dinheiro”.

Com a Cimeira do Clima à porta, marcada para dezembro em Paris, comunicar de forma simples o que pode aí vir pode ser uma forma de pressionar os Estados a agir, já que a comunidade científica teme que os seus alertas não sejam suficientes e que os líderes políticos não se entendam sobre um compromisso global para minimizar as alterações climáticas e as suas consequências até ao final do século.

Conheça Melissa, uma sereia de verdade

Conheça Melissa, uma sereia de verdade

As sereias são retratadas em diversos livros e filmes, mas uma norte-americana fez disso uma carreira. Mermaid Melissa (Sereia Melissa) – sim, ela mudou legalmente o seu nome – nada um pouco por todo o mundo com uma gigantesca cauda de sereia.

Nascida em Saint Augustine, na Florida, Melissa apercebeu-se aos 12 anos que conseguia suster a respiração durante mais de dois minutos. Após apurar a técnica, ainda adolescente Melissa começou a trabalhar em parques temáticos em Orlando, na Florida.






Aos 15 anos trabalhava já para a Universal Studios.

Actualmente, Melissa consegue mergulhar em apneia durante cinco minutos.



Entretanto, Melissa decidiu transformar-se numa sereia para os seus espectáculos.

Melissa diz que as suas performances visam passar uma mensagem: «Vamos salvar os oceanos antes que todas as criaturas se tornem míticas».


Fonte: DD

Novos fósseis da Etiópia vêm complicar mais a história da evolução humana

A maxila com os dentes do novo hominíneo encontrado na Etiópia
YOHANNES HAILE-SELASSIE
Muito perto do sítio onde se tinha descoberto, em 1974, o esqueleto de Lucy, o australopiteco mais famoso, encontraram-se agora alguns ossos da cara de um pré-humano. Têm cerca de 3,5 milhões de anos e a equipa que os descobriu diz que são de uma nova espécie de australopiteco. Mas há cientistas que já discordam.

Primeiro os factos: a revista Nature publica esta quinta-feira um artigo científico que anuncia a descoberta de uma nova espécie de australopiteco. A equipa de Yohannes Haile-Selassie, do Museu de História Natural de Cleveland, nos EUA, chama-lhe Australopithecus deyiremeda e fundamenta a existência deste novo australopiteco na descoberta de duas mandíbulas e de um maxilar, com 3,3 a 3,5 milhões de anos, na região de Afar, na Etiópia, em 2011. Muito perto desse sítio tinha-se encontrado, em 1974, o celebérrimo esqueleto de Lucy, uma fêmea da espécie Australopithecus afarensis. Para a equipa, os novos fósseis são uma confirmação indubitável de que pelo menos duas espécies de pré-humanos viveram na mesma região e ao mesmo tempo, numa altura em que já não faltava muito para o aparecimento do géneroHomo — ou seja, dos primeiros humanos.

Actualmente, já se sabe que entre há três e quatro milhões de anos, na época do Plioceno Médio, o planeta era povoado por mais do que uma espécie de hominíneos — a subfamília de todos os nossos antepassados a seguir à separação do ramo dos chimpanzés, o que ocorreu há cerca de oito milhões de anos. Hoje, somos o único membro dessa subfamília. Mas nem sempre a ideia de existência de vários hominíneos no Plioceno Médio, e na mesma área geográfica, foi facilmente aceite. Essa altura é particularmente importante na história da evolução humana por ser pouco tempo antes do aparecimento dos humanos.

Pedaço de uma das mandíbulas descobertas
YOHANNES HAILE-SELASSIE
Durante muito tempo, parecia que uma espécie de hominíneos tinha dado lugar a outra e depois esta a outra, até que apareceram os primeiros Homo, há 2,8 milhões de anos. Era pelo menos o que se pensava que indicavam os fósseis que se iam descobrindo. Só que a árvore da evolução humana tem muitos ramos, alguns simultâneos, que secaram pelo caminho — no fundo, experiências evolutivas que não desembocaram em nada.

A ideia da coexistência de vários hominíneos ganhou peso com a descoberta dos fósseis do Australopithecus bahrelghazali (embora hoje haja dúvidas de que se trate de um novo australopiteco e muitos cientistas consideram-no, afinal, um Australopithecus afarensis), em 1995 no Chade, e doKenyanthropus platyops, em 1998 no Quénia. Tanto o Australopithecus bahrelghazali como o Kenyanthropus platyops (ou “homem do Quénia com face plana”) viveram justamente há cerca de 3,5 milhões de anos no Leste de África — ou seja, na mesma altura e na mesma área geográfica de Lucy, cuja descoberta representou um marco na paleoantropologia e ainda hoje é uma super-estrela entre os fósseis pré-humanos.

Classificada logo em 1978 como Australopithecus afarensis, a Lucy viveu há 3,2 milhões de anos, media cerca de um metro de altura e — o mais surpreendente — já era bípede. Até à descoberta do seu esqueleto, não existiam provas concretas desse modo de locomoção numa espécie de hominíneos com mais de dois milhões de anos. Os ossos da bacia, das pernas e dos pés de Lucy foram provas essenciais. Além de caminharem em duas pernas, sabemos agora que os indivíduos da mesma espécie de Lucy — que existiu num período de tempo entre há 3,8 e 2,9 milhões de anos — também se sentiam confortáveis em trepar às árvores.
Modelo dos fósseis
LAURA DEMPSEY
Agora, a equipa coordenada por Yohannes Haile-Selassie encontrou o maxilar, ainda com os dentes, e as duas mandíbulas (de indivíduos diferentes, portanto) de um hominíneo na área de Woranso-Mille, na região de Afar. Em Março de 2011, os cientistas estavam à procura de fósseis naquela área porque já tinham encontrado aí a impressão parcial de uma pegada de hominíneo, datada com 3,4 milhões de anos e que consideraram, num artigo na revistaNature em 2012, revelar uma nova maneira de andar e confirmar a diversidade nos hominíneos do Plioceno Médio. “O espécime era contemporâneo do Australopithecus afarensis, mas demonstrava a existência de um modo distinto de locomoção bípede”, lembra agora a equipa de Yohannes Haile-Selassie no artigo desta quinta-feira. Mas sem ossos do crânio, incluindo mandíbulas, maxilares e dentes, era difícil identificar o autor da pegada parcial.

Encontraram realmente ossos, mas como nenhum estava associado à pegada parcial, continua a não ser possível atribuir-lhe um autor. Mas a equipa considerou que lhe saiu na mesma a sorte grande, uma vez que classificou os ossos como sendo de uma nova espécie de australopiteco. Os cientistas consideraram que, apesar de os ossos da cara e os dentes terem mais características de australopiteco do que de outros hominíneos, tinham diferenças suficientes para serem atribuídos a uma espécie nova de australopiteco. Eis assim o Australopithecus deyiremeda, em que a designação específica é composta por duas palavras da língua da região de Afar: deyi, que significa “próximo”, e remeda, que quer dizer “parente”, porque, argumentam os cientistas, “esta espécie é um parente próximo de todos os hominíneos posteriores”.

A zona onde se encontraram os fósseis fica apenas a cerca de 35 quilómetros a norte do sítio onde estava o esqueleto de Lucy (e a 520 quilómetros da capital da Etiópia). “Esta nova espécie (...) mostra que havia pelo menos duas espécies de hominíneos contemporâneas na região etíope de Afar a viver entre há 3,3 e 3,5 milhões de anos e é uma confirmação adicional da diversidade taxonómica dos primeiros hominíneos no Leste de África durante a época do Plioceno Médio”, escrevem os cientistas no artigo na Nature. “A diversidade de espécies do Plioceno Médio tem sido alvo de debate nas últimas duas décadas, particularmente depois da classificação doAustralopithecus bahrelghazali e do Kenyanthropus platyops, que se juntaram à bem conhecida espécie Australopithecus afarensis. Análises posteriores fundamentam a proposta de que diversas espécies de hominíneos co-existiram durante esse período”, justificam ainda no artigo.

Como não muito longe da Etiópia, no Quénia, vivia ainda o Kenyanthropus platyops, a equipa defende agora que pelo menos três espécies de hominíneos viveram há cerca de 3,5 milhões de anos em grande proximidade geográfica.

Mas a própria equipa reconhece que a proposta de uma nova espécie pode acabar por complicar ainda mais a já complicada árvore da evolução humana, como se lê também no artigo na Nature: “As relações taxonómicas e filogenéticas dos primeiros hominíneos estão a tornar-se cada vez mais complicadas à medida que se acrescentam novos taxa [unidades de classificação, como os géneros e espécies] ao registo fóssil do Plioceno Médio e se reconsidera a distribuição temporal (...) dos primeiros Homo.”

Splitters versus lumpers
Antecipando críticas da comunidade científica, até porque a evolução humana costuma suscitar debates científicos acalorados, Yohannes Haile-Selassie já lhes está a responder num comunicado do Museu de História Natural de Cleveland: “Esta nova espécie da Etiópia leva para outro nível o debate em curso sobre a diversidade dos primeiros hominíneos. Alguns dos nossos colegas vão ficar cépticos em relação a esta nova espécie, o que não é invulgar. Mas penso que é altura de olharmos para as fases iniciais da nossa evolução com a mente aberta e examinarmos os fósseis disponíveis, em vez de rejeitarmos imediatamente aqueles que não encaixam em hipóteses antigas.”

Eugénia Cunha, especialista em evolução humana e antropóloga forense da Universidade de Coimbra, está entre os cientistas que têm dúvidas quanto à robustez das provas apresentadas na Nature. Quando se lhe pergunta qual a importância da descoberta, a investigadora comenta: “É uma descoberta importante, porque é mais um fóssil a provar a diversidade de hominíneos há 3,3-3,5 milhões de anos. No entanto, diversidade não tem de equacionar obrigatoriamente novas espécies.” E acrescenta: “Os autores da descoberta acham que as características dentognáticas [dos dentes e mandíbulas] são suficientes para a criação de uma nova espécie, mas pode não ser assim. O futuro o dirá. Não tenho nada contra a existência de uma nova espécie, mas os argumentos que excluem a possibilidade de ser a mesma espécie doKenyanthropus platyops não são completamente convincentes.”

A investigadora diz ainda mais sobre as características morfológicas usadas para classificar os fósseis como sendo de novo australopiteco: “Essas características morfológicas tiram força para a manutenção doKenyanthropus platyops como um novo género e uma nova espécie, porque as características distintivas do Kenyanthropus estão presentes nesta nova espécie.”

O investigador Yohannes Haile-Selassie
LAURA DEMPSEY/MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE CLEVELAND
Portanto, ou os novos fósseis são de um Kenyanthropus platyops ou os fósseis do Kenyanthropus platyops acabam por vir a ser considerados como o novo Australopithecus deyiremeda? “Tanto pode ser uma coisa como outra. Creio que poderá ser esta nova espécie a vingar, porque o Kenyanthropusquase caiu no esquecimento. Mas se a face distintiva do Kenyanthropus não estiver preservada nesta nova espécie, não se pode comprar o que não é comparável”, responde Eugénia Cunha. “É uma hipótese que para mim fica em aberto: poderá o Kenyanthropus vir a ser englobado nesta espécie, não obstante os autores desta descoberta apontarem para umas particularidades, quase subtilezas, de distinção? Fico com a dúvida.”

Subjacente a todo a este debate está, no fundo, o confronto entre duas correntes de classificação dos seres vivos: aquela que considera que as diferenças encontradas num exemplar justificam logo a criação de uma nova espécie e aquela que agrupa mais esse exemplar numa mesma espécie. “É a velha questão do confronto de perspectivas dos splitters [divisores] versus lumpers [agrupadores]”, resume Eugénia Cunha a propósito do novo australopiteco. “Haverá sempre a tendência em dar nomes novos a novas descobertas, até que, uns anos depois, se chega à conclusão de que era quase tudo o mesmo. A diversidade pode ser acomodada dentro de uma mesma espécie. No fundo, esta questão de dar nomes é artificial. O que importante é saber que éramos muito diversos.”

Quanto a Eugénia Cunha, é mais uma lumper: “Veja o que tem acontecido com os primeiros Homo. Agora dizem que, apesar da grande diversidade, oHomo rudolfensis, habilis, ergaster, erectus e georgicus são todos a mesma espécie.”

Sejam de um novo australopiteco ou não, o certo é que os novos fósseis revelam a diversidade entre os pré-humanos. Mas ainda não respondem a uma das grandes questões sobre o nosso passado: qual é o antepassado directo do género Homo? Nem o Australopithecus deyiremeda nem Australopithecus afarensis fizeram a transição directa para os primeiros humanos, explica Eugénia Cunha. “Sem dúvida que neste período entre 3,3 e 3,5 milhões de anos coexistiam várias espécies e até géneros, o que contrasta fortemente com a situação actual. Terá havido várias tentativas para o bipedismo, umas bem-sucedidas e outras não, e nem todas com as mesmas adaptações morfológicas. Tudo fortemente dependente do ambiente e da dieta. Quem é que seguiu em frente é, todavia, uma questão que não tem resposta.”

Fonte: Publico
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