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sábado, 20 de junho de 2020

PJ: Atenção às burlas informáticas e falsificação de documentos


A falsificação de documentos não é uma prática recente. No entanto, com as novas tecnologias, torna-se cada vez mais difícil detetar, numa primeira análise, se estamos perante um documento original ou falsificado.

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), em estreita colaboração com as autoridades policiais de Espanha, França e do Reino Unido, procedeu, durante esta semana à detenção em flagrante delito de quatro indivíduos pela prática de crimes falsificação de documentos.

De acordo com a informação publicada no site da PJ, os detidos, todos do género masculino, sendo um português e três estrangeiros, foram detidos na sequência de buscas domiciliárias às suas residências, estando fortemente indiciados pela prática de crimes de branqueamento.

A investigação conduzida permitiu apurar que estes indivíduos integrarão uma organização criminosa internacional que utiliza o sistema bancário nacional para branqueamento de elevadas somas, obtidas ilicitamente através da prática de burlas de natureza informática em países estrangeiros.

Foi possível determinar que esta organização terá estado envolvida em situações com estas características desde pelo menos 2018. Para tal a organização recrutou várias pessoas, portuguesas e estrangeiras que terão aberto contas bancárias visando a receção dos fundos, em alguns casos recorrendo a identidades falsas.

Após a abertura das contas as mesmas começaram a ser creditadas com várias transferências todas de origem internacional (o que permite indiciar que esta organização apenas usaria Portugal para fins de branqueamento) seguidas de múltiplas transferências internacionais com o objetivo de dissimular a origem dos fundos.

Estima-se que os valores creditados nestas contas ascendam a centenas de milhares de euros.


Fonte: Pplware

quarta-feira, 17 de junho de 2020

"Fizeram história". Portugal despede-se dos helicópteros Alouette ao fim de 57 anos

O Alouette "salvaram vidas em conta" ao longo dos 57 anos da sua operação, 
frisou o ministro da Defesa

Equipamento estreou-se na Guerra Colonial, em junho de 1963. Ministro da Defesa anunciou que Portugal poderá avançar para a compra de mais dois helicópteros Koala para reforçar dispositivo de combate a incêndios

O ministro da Defesa Nacional deslocou-se hoje à Base Aérea 11 (BA11), em Beja, onde efetuou um voo a bordo do helicóptero Alouette III (ALIII), para assinalar o final de serviço desta aeronave, após 57 anos de operação na Força Aérea Portuguesa (FAP). João Gomes Cravinho considerou que os ALIII, cujo primeiro helicóptero fez voo de estreia na guerra colonial, a 18 de junho de 1963, em Luanda, "fizeram história".

"Foram comprados para fazer a guerra colonial, foi o que aconteceu ao longo daqueles anos, entre 1963 e 1974" e, desde então e até hoje, "cumpriram inúmeras missões civis e militares, mas sobretudo civis. Foram vidas sem conta que foram salvas por estes ALIII", destacou.

Os helicópteros, da Esquadra 552, "serviram também, ao longo de quatro décadas, para coordenação aérea de combate a incêndios", indicou igualmente, como exemplo, o ministro.

Os ALIII "marcaram a FAP, marcaram a vida dos portugueses", até mesmo de muitos que, sem terem consciência das aeronaves, "beneficiaram do trabalho feito por gerações e gerações de militares que operaram estas máquinas extraordinárias".

"Este último dos ALIII ainda com capacidade de voo esgota amanhã [quarta-feira] o seu prazo de utilidade e é um momento histórico. Ao fim de 57 anos ao serviço da FAP, retiram-se agora" estes helicópteros "para dar lugar a uma nova geração, o 'Koala'", os quais "já começaram a operar", frisou.

Questionado sobre se a cerimónia desta terça-feira, que marcou simbolicamente o fim do serviço dos ALIII - visto que só na quarta-feira é o último voo -, não merecia a presença dos militares que, ao longo de décadas, pilotaram ou trabalharam nestes helicópteros, o governante aludiu à pandemia de covid-19. "Estão fisicamente ausentes, mas estão no nosso pensamento", afirmou João Gomes Cravinho, justificando que a pandemia obriga a "alterações" daquilo que "são as cerimónias habituais".

A foto oficial da despedida dos Alouette, em Beja
© Nuno Veiga / Lusa

A despedida de foi feita "com um sentimento misto de saudade, mas também de agradecimento e de grande satisfação" pelo "investimento significativo de Portugal" nestes helicópteros, mas que deu frutos: "Quando os investimentos são bem feitos, o retorno é muito grande e esse retorno foi infinitamente superior àquilo que foi o investimento".

Dispositivo de Koalas pode ser reforçado com mais dois aparelhos

O ministro da Defesa revelou também que a Força Aérea já recebeu quatro dos cinco novos helicópteros AW119MK II - "Koala" e que Portugal está "a pensar" comprar "mais dois" para integrar no dispositivo de combate a incêndios.

"Já recebemos quatro dos cinco 'Koala' que foram adquiridos" para a Força Aérea Portuguesa (FAP), disse o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, adiantando que "o quinto chegará durante este verão, dentro de um mês" ou "mês e meio".
Os novos helicópteros Koala

Segundo o governante, com a chegada deste último AW119MK II -- "Koala", ficará completa a aquisição feita pelo Estado português, mas Portugal ainda tem a "opção de compra de mais dois" destes helicópteros. E é esta opção de compra que o Governo está "a pensar exercer" para integrar no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios, revelou.

"Há uma mudança de paradigma e, a partir de 2023, o Estado português operará, essencialmente, com meios próprios e, portanto, estamos a pensar que os dois 'Koala' que fazem parte da opção poderão ser adquiridos também, para integrar essa capacidade nova do Estado", frisou.

Fonte: DN

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Tecnologia em Estado de Emergência: Preparação da Nova Ordem Mundial Totalitária?


Muitas pessoas têm contestado a falta de liberdades à qual a quarentena mundial está a obrigar. Todo o processo está centralizado na Organização Mundial de Saúde, instituição subordinada da Organização das Nações Unidas. 

Já em 2012 Diogo Freitas do Amaral, então ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, declarava publicamente numa entrevista ao DN a 16 de maio, de que precisávamos de uma Nova Ordem Mundial (NOM). Na sua opinião a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), tal como criada em 1948, estava a perder a sua força perante os novos desafios globais. 

Por essa razão teria de ser dada nova redação à DUDH para que pudesse ser eficaz no mundo complexo e superpovoado de hoje. A Ordem Mundial que saiu dos escombros da II Guerra Mundial chegou ao fim do seu ciclo com o fim do poder soviético, com a perda de força dos EUA e com o poder chinês a emergir como candidato à potência líder do mundo. A corrida ao nuclear, seja para mísseis bélicos seja para construção de centrais geradoras de eletricidade, é preocupante em países tendencialmente totalitários, os quais têm feito alianças militares ainda mais perturbadoras como é o caso da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) que pretende ser uma anti-NATO. 

A ONU tem sido demasiado suave a tratar estas questões globais com diplomacia burocrática e ineficaz. E sem uma gestão eficaz dos problemas globais, o mundo pode começar a perder o pouco equilíbrio que tem. Um exemplo disso é a resposta distinta que todos os países do mundo estão a dar perante a mais perigosa pandemia deste século, que pode (ainda não sabemos) tornar-se em algo realmente descontrolado, pondo em risco o modo de vida humano, tal como o conhecíamos do séc. XX. Em apenas 4 meses já virou a economia do avesso e gerou pobreza a uma velocidade nunca imaginada. E só estes problemas vão demorar vários anos até serem ultrapassados, isto num cenário desta crise vir a ser ultrapassada.

Com o pretexto da preocupação em resolver certos problemas sociais associados à pandemia, temos assistido à introdução de algumas tecnologias que são perturbadoras, quando pensamos que podem rapidamente tornar-se “normais” e levarem à assumpção de estados totalitários, onde os indivíduos são totalmente controlados a todo o momento. O caso da China já é conhecido e tem sido o mais falado nos últimos anos. Uma sociedade controlada a 100% pela tecnologia mais sofisticada de sempre de reconhecimento facial e corporal onde a cada cidadão é penalizado por todas as violações que comete no dia a dia, podendo perder privilégios ou acesso a determinadas profissões ou serviços, tudo isto feito em tempo real, tal como previsto na série Black Mirror

Ainda assim, tentou subornar a OMS para que não revelasse a verdade da pandemia em Wuhan. O primeiro país europeu a assumir medidas draconianas foi a Itália quando foi decretado o Estado de Emergência. Primeiro o isolamento da Lombardia, depois cidades fechadas e finalmente toda a Itália em lockdown. Depois a Espanha. 

E rapidamente aceitámos como normal um quase Estado de Sítio, não muito diferente da Lei Marcial. Pela primeira vez, a OMS consegue que a Nova Ordem Mundial se assuma pela via da força. 

Sob a ameaça de uma pandemia da qual os contornos conspiratórios ainda não são nada claros, aquilo que se tornou visível para os cidadãos comuns é que os Estados mandam nas suas vidas, nas suas empresas, nos seus negócios, nas suas economias. Num curto espaço de tempo foram tomadas medidas por comissões específicas para tal, país a país, para comandar e condicionar a vida da população mundial, sem que para o efeito houvesse um consenso mundial. 

O que deu imediatamente azo a abusos por parte de alguns países, de que é o caso mais evidente, o Brasil.

Dos Estados Unidos começam a chegar também notícias preocupantes. À semelhança de Bolsonaro, Trump começou por desvalorizar a crise do novo coronavírus, mas aos poucos foi aceitando a realidade pandémica. No entanto, tem instigado grupos radicais a apoiá-lo veladamente nas ruas, contra o lockdown, para que a economia norte-americana não sofra um impacto negativo tão forte. 

E estes grupos não estão minimamente preocupados com a perda de liberdades, mas sim com os seus bolsos. No entanto, criada a confusão na opinião pública, a OMS continua a estimular que os Estados tomem medidas para evitar a disseminação do vírus e esta semana o Estado de Kentucky lançou a pulseira eletrónica como medida para manter cidadãos testados positivamente para Covid-19 em suas casas

A medida pode parecer lógica, mas ao mesmo tempo, significa tratar cidadãos como potenciais criminosos. E este princípio é o mesmo do medo que muitos estados totalitários pretendem disseminar junto de toda a sociedade, até conseguirem os seus fins últimos. 

Depois de apagar milhões de posts e vídeos contra a vacinação obrigatória, o Facebook prepara-se agora para criar uma “instância independente”, um conselho de 20 personalidades de todo o mundo que moderará os conteúdos mais polémicos da rede. A liberdade da internet passa a ter um controlo cada vez mais apertado, já que obedecerá a leis locais dos países, mais do que a princípios de transparência, liberdade de expressão e justiça, apesar do Zuckerberg negar este facto. 

Por exemplo, o Facebook já foi várias vezes acusado de não apagar muitos posts que suportam o Fascismo italiano, alegando que se trata de um movimento político legal em Itália, reconhecido historicamente. Esta rede social também já foi acusada em tribunal de apoiar determinados candidatos políticos, apagando posts dos opositores, um pouco por todo o mundo. 


Também desde o escândalo da Cambridge Analytics que a rede social assumiu a sua política de cookies ainda mais agressivamente. Com um logaritmo aplicado a cada usuário, toda a informação e publicidade da internet é dirigida a esse mesmo usuário em função das suas buscas em sites, motores de busca ou likes.

Ainda mais preocupantes foram as declarações da OMS em abril passado sobre a possibilidade de as autoridades terem poderes para entrarem em casas particulares para retirar membros de famílias que estejam infetados para serem isolados de forma “adequada”. 

Esta declaração foi proferida por Michael O’Brien, responsável da OMS, enquanto estava sentado ao lado do diretor-geral Tedros Adhanom. A mesma OMS tem sido acusada de estar a fabricar o pânico mundial para fomentar o uso global de uma vacina, que trará a algumas farmacêuticas de renome contratos de biliões com a maioria dos países, por muitos anos. Para além disso, a obrigação de regras de higiene sanitária mundiais estão já a fazer lucrar todo o setor da medicina e da farmacêutica, pública e privada. E no meio da confusão gerada pela OMS, a qual está incluída na ONU, que defende uma Nova Ordem Mundial, muitos países estão a aproveitar para lucrarem milhões em negócios com a China para equipamentos de proteção. 

Ainda segundo a opinião de muitos, o lockdown reduz o contágio numa 1.ª vaga, mas vai causar a curto e médio prazos falta de imunidade natural, gerando vagas de Covid-19 posteriores muito mais violentas e mortais. No meio de muitas histórias mal contadas, há também o caso dos médicos-chefes de serviços ligados ao combate da Covid-19, a serem aparentemente assassinados ou silenciados por serviços secretos. Brevemente vários países democráticos pensam adotar a aplicação de telemóvel que já foi adotada na China, de classificação de cidadãos como “vermelho”, “amarelo” ou “verde” relativamente ao seu estado de infeção à Covid-19.

Outra situação preocupante é a utilização e banalização da robótica para controlar humanos em tempo de pandemia. Nos hospitais que combatem na frente de batalha o Covid-19, foram introduzidos dezenas de robots auxiliares, sob o pretexto de reduzirem o contágio entre pacientes. 

Drones estão a ser usados para controlar cidades, praias, jardins e outros espaços públicos, um pouco por todo o mundo. No Brasil esta tecnologia está a ser usada massivamente para alertar pessoas nas ruas a manterem o distanciamento, mas foi usada em 2018 para combater cidadãos nas favelas que foram massivamente abatidos a tiro pela polícia federal, sem direito a prisão e julgamento. Também preocupante foi a notícia esta semana de que em Singapura um cão-robot fazia o patrulhamento de um parque urbano. Este tipo de imagens já vimos em séries pós-apocalípticas e não parece ser um bom presságio dos tempos futuros. 

Porque razão, justamente quando o mundo inteiro está fechado em suas casas são lançados robots para criarem a ideia de um Estado de Polícia, frio, desumano, controlado por máquinas, automaticamente? Nalguns países, nos EUA por exemplo, a própria polícia parece estar a aproveitar-se da situação de crise pandémica, para exercer perseguições racistas, sob o pretexto de fazer aplicar normas do Estado de Emergência. 

Um pouco por todo o lado, cidadãos são multados por não usarem máscaras (como em Portugal) em locais obrigatórios ou até agredidos violentamente, como na Índia. Em vez dos Estados estarem a contribuir para a solução, estão a agravar a situação das famílias com multas absolutamente desproporcionais aos seus baixos salários?

Também as quarentenas em hotéis estão a levantar questões jurídicas sérias aos direitos e liberdades de quem viaja, mesmo considerando que estamos em tempo de pandemia. Todo o transtorno causado à vida das pessoas está a ser empolado e exagerado criando o medo de sair à rua, de conviver, de demonstrar afetos. 

Muitas vezes os governos lançam as medidas para a pandemia mas a previsão da sua aplicabilidade à realidade não é compatível com a vida das pessoas. O fator humano parece estar a ser retirado da equação. Mas este novo mundo ainda está por desbravar. Vem aí o verão e vamos ser controlados como insignificantes humanos, com cercas, drones e militares nos areais.

 Muita confusão se prevê, prisões, multas, conflitos. E sempre o mesmo Estado de Medo e Autoridade presente em todas as atividades humanas. 

Sem previsão ainda de uma vacina, se este estado de coisas se mantiver, certamente muitos países, em nome da “Ordem” social, continuarão a aplicar as suas políticas cada vez mais restritivas das liberdades individuais. E a pergunta que se deve colocar neste momento, até quando?

Texto de Pedro M. Duarte

Microsoft despede jornalistas para os substituir por Inteligência Artificial


O Homem continua a ser substituído pela máquina em muitas áreas. Trata-se, na verdade, de uma evolução natural que ocorre já desde a primeira Revolução Industrial no final do século XVIII e início do século XIX. Mas este continua a ser um tema que provoca contestações por causa dos empregos que são substituídos no curto prazo.

A substituição de jornalistas por sistemas de Inteligência Artificial não é um tema novo, só que agora chegou a uma das grandes empresas de tecnologia. A Microsoft está a despedir jornalistas para dar lugar à Inteligência Artificial para a seleção e edição de artigos nas plataformas Microsoft News e MSN.

Jornalistas da Microsoft substituídos por Inteligência Artificial

A Microsoft conta com uma equipa de jornalistas dedicada à seleção de notícias e histórias que surgem nas suas plataformas dedicadas, como são o MSN e o Microsoft News. No entanto, a empresa começou a dispensar estes profissionais para colocar a Inteligência Artificial (AI) a escolher as notícias e outros conteúdos aí apresentados.

Pelo mundo inteiro, a imprensa foi gravemente afetada pela pandemia COVID-19, com quebras abruptas nas receitas de publicidade. Contudo, a Microsoft garante que esta medida nada tem a ver com a pandemia, tratando-se apenas de mais uma reestruturação da empresa.

Como todas as empresas, avaliamos os nossos negócios regularmente. Daí pode resultar um aumento do investimento em algumas áreas e, de tempos em tempos, ajustes noutras. Estas decisões não são o resultado da atual pandemia.

Refere um porta-voz da empresa.

Segundo o Business Insider, cerca de 50 empregos serão afetados nos Estados Unidos. Mas não será só no país de Trump que haverá perdas, por exemplo, no Reino Unido, serão mais 27 pessoas.


Há cerca de 2 anos, com o lançamento do serviço Microsoft News, a empresa chegou a revelar que contava com mais de 800 editores a trabalhar em 50 locais diferentes, um pouco por todo o mundo.

A Microsoft tem vindo gradualmente a introduzir a AI na criação e seleção dos seus conteúdos jornalísticos, e este ajuste é só mais um passo neste processo.

Fonte: Pplware

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Confirmada existência de outra 'Terra' orbitando estrela mais próxima do Sistema Solar


Astrónomos confirmaram existência de um planeta com características semelhantes à Terra a cerca de 4,2 anos-luz de distância do Sol, na zona habitável do sistema estelar Proxima Centauri.

Segundo o estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, as primeiras pistas sobre o planeta rochoso Proxima b foram encontradas em 2016, mas as pesquisas mais recentes se basearam em dados do novo espectrógrafo ESPRESSO, permitindo calcular com mais exactidão suas características.

Pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE) observaram que o exoplaneta é pouco maior que a Terra, localiza-se na zona habitável de seu sistema estelar e completa uma órbita em torno de sua estrela a cada 11,2 dias.

As novas medições revelaram que, embora o Proxima b seja cerca de 20 vezes mais próximo de sua estrela do que a Terra do Sol, ele recebe aproximadamente a mesma quantidade de energia.

Os cientistas estimam que a temperatura da superfície desse exoplaneta pode variar de -90 a 30 graus Celsius, sugerindo que poderia ser encontrada água líquida em sua superfície.

Determinar dados mais precisos sobre o Proxima b é um grande passo na busca pela vida em exoplanetas, acredita a equipe de cientistas.

"Estamos realmente satisfeitos que o ESPRESSO possa produzir medições ainda melhores, e é gratificante e recompensador pelo trabalho em equipe nos últimos quase 10 anos", disse Francesco Pepe, líder da equipe de pesquisa, citado pelo Science Daily.

Embora o Proxima b seja um candidato ideal para a pesquisa de biomarcadores, os cientistas sabem que ainda há um longo caminho a percorrer antes que possam sugerir a existência de vida na superfície do planeta. 

Uma das desvantagens é que a estrela Proxima Centauri é uma anã vermelha activa que bombardeia seu planeta com altos níveis de raios X, aproximadamente 400 vezes mais que a Terra.

Fonte: Sputnik News

sábado, 23 de maio de 2020

Nova fábrica de aeronáutica em Évora


É fruto do investimento e parceria do CEiiA que se prevê venha a nascer uma nova fábrica de aeronáutica no Alentejo.

Nesta unidade fabril vai ser fabricado o avião ATL-100. O investimento inicial é na ordem dos 20 milhões de euros, em 3 anos, e o ATL-100 já tem compradores interessados de várias partes do mundo, segundo o diretor do CEiiA para a Aeronáutica e Defesa, Miguel Braga, em entrevista ao Diário de Notícias.

A experiência acumulada pelo CEiiA, durante mais de uma década de cooperação com dos maiores fabricantes de helicópteros do mundo e com a construção do avião cargueiro militar brasileiro da Embraer, o KC390, e que vai substituir os Hercules C-130 da Força Aérea nacional, foram muito relevantes na hora de estabelecer esta nova parceria com a Desaer, uma empresa brasileira dedicada à aeronáutica.

O ATL-100 surge da parceria com a Desaer, sendo que o CEiiA irá ser corresponsável pelo desenvolvimento, fabrico, montagem e comercialização da ATL 100.

Para este projeto, o CEiiA – criado em 1999 – disponibilizará uma equipa de até 60 engenheiros, consoante o desenvolvimento do projeto, uma equipa que terá por sede o Parque de Ciência e Tecnologia de Évora. A Desaer participará com o dobro dos engenheiros.

Os responsáveis do CEiiA preveem boas perspetivas na criação de emprego e de novos postos de trabalho. É intenção criar duas unidades fabris quando chegue a fase do fabrico: uma no Brasil e outra em Évora. Ao montar a aeronave em Portugal, o impacto pode estender-se a Beja e a Ponte de Sor

A Atl – 100 é uma aeronave de transporte leve, para uso civil, de transporte de passageiros, de carga, de serviços postais ou até para usos agrícolas ou até militares.

Entre as características da ATL está o facto de levantar e aterra em pistas de dimensão muito curta, impróprias para a grande maioria das aeronaves.

Imagem de aereo.jor.br

Fonte: Tribuna

segunda-feira, 18 de maio de 2020

X37-B: o misterioso avião que vai ficar a orbitar dois anos à volta da Terra


As más condições meteorológicas levaram a que o lançamento do X37-B à boleia de um foguetão Atlas V só pudesse ser realizado no domingo. O misterioso avião partiu para o espaço e deve ficar dois anos em órbita

Esta é a primeira vez que a recém-criada Força Espacial dos EUA organiza e mantém a missão espacial que leva o X-37B à órbita da Terra. O lançamento esteve previsto para sábado, foi adiado algumas vezes para o próprio dia, mas acabou por acontecer apenas no domingo de manhã, a partir do Cabo Canaveral, na Flórida, EUA. Originalmente marcada para as 12h24 (GMT) de sábado, a missão de lançamento acabou por acontecer apenas às 13h14 (GMT) de domingo, devido ao mau tempo que se fazia sentir naquela região.

O avião X-37B partiu para a sua sexta missão a bordo de um Atlas V, depois de já o ter feito por outras quatro vezes no passado e uma quinta vez a bordo de um Falcon 9 da SpaceX, lembra o ArsTechnica. Esta é a primeira vez que o avião construído pela Boeing leva um módulo a bordo que lhe permite maiores capacidades de investigação e de experimentação. Uma das experiências que os cientistas pretendem realizar a bordo envolve a transformação da radiação solar em energia microondas na frequência de rádio. O objetivo é perceber o potencial de se transmitir energia solar para a Terra.

Este veículo, que se assemelha a um pequeno vaivém, esteve mais de 700 dias no espaço na sua última missão. Ao todo, o avião já passou mais de sete anos e dez meses em órbita.

A United Launch Alliance, responsável pelo foguetão que colocou o avião no espaço filmou e transmitiu em direto no YouTube toda a operação.


domingo, 17 de maio de 2020

Deputado do PS defende que há crianças trocadas nas maternidades a mando das Secretas


Movimento é encabeçado por Luís Pedro Gonçalves, o deputado do PS na Assembleia Municipal do Seixal

Há vários cartazes espalhados pelas ruas e quem os anda a colar pelas zonas do Marquês de Pombal, pelas ruas e estradas do Porto, por Almada, Seixal, Alenquer, Alverca, Montijo, Barreiro, Figueira da Foz, Caldas da Rainha, Óbidos, Moita, Amadora, Sintra, Oeiras, Castanheira do Ribatejo, Alenquer e Carregado, é um deputado do PS do Seixal, que fundou em 2016 uma ONG com o mesmo nome, escreve a Visão. 

“Não Troquem os Nossos Bebés”, é esta a mensagem dos cartazes e o deputado defende que há crianças que andam a ser trocadas nas maternidades portuguesas, a mando dos serviços de Informações portugueses.

Já a página do Facebook é a voz online de um movimento que, em julho de 2016, se transformou numa organização não governamental (ONG) e acredita que existe uma prática “de troca de bebés em maternidades portuguesas promovida por técnicos ao serviço do Estado Português”.

Mas afinal, em que é que o deputado se baseia para fazer uma afirmação destas? Ora, se o tom de pele da criança é mais claro ou mais escuro que o dos progenitores, “então certamente houve troca”. Se um filho não é parecido aos seus pais ou se dois irmãos têm tons de pele claramente distintos é porque “há troca de bebés”, refere a mesma publicação. 

Mas há mais. “Nesta foto, parece-lhe reconhecer os traçoes do americano Leonardo Di Caprio mas com ‘uns quilinhos a mais’? Na realidade é o russo Roman Burtsev, um óbvio parente, (afinal não reconheceu de imediato os traços do americano)? É que ou o ADN é relevante, ou não…e já vimos que é! Sim, USA e Rússia trocam bebés!”, pode ler-se numa das publicações feitas na página do Facebook.

O movimento é encabeçado por Luís Pedro Gonçalves, o deputado do PS na Assembleia Municipal do Seixal e, em declarações à Visão, afirmou que o movimento foi feito por razões pessoais: “A minha família é trocada. Ainda não sou pai, mas quando for não quero correr esse risco. Adoro a minha família, mas não tenho vínculo biológico com os meus pais.”, disse o responsável, ao que a revista perguntou: “Mas é adotado?”. O deputado esclarece. “Sinto-me como se fosse. Não quero falar muito sobre isso, em consideração aos meus pais. Volto a dizer: eu adoro-os. Mas não tenho qualquer semelhança física com eles. Em vez disso, já me cruzei com pessoas que têm as mesmas características físicas que eu mas que oficialmente não são meus familiares.”

A mesma publicação insistia e perguntava ao socialista se não acharia normal “que possam existir pessoas parecidas que não sejam familiares”. “Parentes biológicos devem ter um nível de semelhança física. Os filhos são sempre parecidos com os pais. Se os dois pais são da mesma altura, por exemplo, um filho não pode ser muito mais baixo nem muito mais alto. A falta de semelhanças significa que foram trocados.”, respondeu Luís Pedro Gonçalves.

Na mesma conversa, a Visão perguntava ao homem por que razão as Secretas teriam interesse em trocar crianças nas maternidades, a resposta dada foi esta: “Não sei muito bem o interesse, mas que acontece, acontece. O poder político em algum momento deu essa ordem. As secretas obedecem ao poder político.”

O homem acabava sempre por responder muito vagamente às questões que lhe eram colocadas, tendo sempre dado exemplos concretos de famosos. “Não conheço ninguém que junte dois Rotweiler e faça nascer um pastor alemão. Não é assim que a natureza funciona.”. 

No entanto, o deputado socialista explica que este movimento nada tem a ver com questões políticas, fundamento racial ou objetivos de propaganda, esclarecendo que todos os cartazes foram pagos por si, uma vez que a organização “não aceita donativos em dinheiro”.

“Quem nos quiser ajudar poderá pagar diretamente os cartazes e ajudar a afixá-los, mas não poderá dar dinheiro. Não estamos a fazer isto para cobrar nada a ninguém. Não estamos a vender nada. Ficou definido que aqui todas as pessoas trabalham pro bono. Já me perguntaram se patrocino alguma clínica ou se vendo testes de ADN, o nosso objetivo não é esse. Queremos simplesmente denunciar, apelar a que as pessoas denunciem, informar os portugueses e pressionar os políticos para que se pare com esta prática. Apoiaremos um candidato à Presidência da República que queira fazê-lo. Não queremos estimular revoltas, apenas questionar. A nossa página é compatível com a democracia.”, revelou Luís Pedro Gonçalves.

Além dos cartazes e da página do Facebook, os criadores do movimento explicam como é que a ONG funciona, afirmando que esta pretende defender o fim da prática da troca de bebés que tem sido realizada durante gerações.


Fonte: Jornal SOL

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Pivots de telejornais acometidos por um estranho vírus


Os noticiários na televisão são a melhor forma de medir o estado da nação. Enquanto existiram apenas dois canais generalistas, a pessoas dividiam-se entre aqueles que viam o Telejornal e os que viam o Jornal das Nove do segundo canal. 

Os telejornais eram-nos servidos por pessoas que respeitávamos, que faziam uma apresentação distanciada dos assuntos, independente; sem flores. Estavam sempre em nossa casa mas não os considerávamos próximos; até que, com os novos canais, os pivots sentiram a necessidade de deixar de ser apenas os tipos que nos visitavam e fazer parte da família. 

Quiseram estreitar laços. Agarrar o espectador na luta pelas audiências. Começaram-nos a piscar o olho! Adoro aquele post scriptum de Vasco Pulido Valente, num texto de 2014, que termina com chave de ouro: “Imploro ao sr. José Rodrigues dos Santos que não me pisque mais o olho”. Sempre houve quem tomasse “liberdades”, mas com a competitividade acrescida e as receitas da publicidade a diminuir, os pivots da informação tiveram que ‘inovar’ cada vez mais. E se nos últimos anos muito mudou, com estes meses que já levamos de pandemia a coisa só piorou. A angústia de estar em casa levou a uma maior procura de informação que prendeu as pessoas aos diferentes serviços informativos na televisão. 

Os directores dos canais foram estendendo o lençol informativo enquanto iam agarrando as audiências. Os telejornais foram alargando para mais de uma hora e meia, até passaram a incluir os melhores ‘gags virais’ das redes sociais; secundarizando as novelas, as séries e tudo o resto. Uma batalha difícil que conheci por dentro na direcção de informação de um canal generalista onde era imperioso tentar agarrar um espectador com um perfil cada vez menos esclarecido. O que aconteceu a Rodrigo? 

Durante muitos anos admirei a qualidade, sobriedade e solidez de Rodrigo Guedes de Carvalho; mesmo quando metia uma colherada mais pessoal como aquela no final de uma noite de eleições: “o meu pai foi o médico que pôs a Bárbara Guimarães ao mundo”. Rodrigo era simples, conciso, tinha graça. E sobretudo, era oportuno. Só que algo se passou nos últimos tempos, como tão bem evidenciou Joana Marques em três episódios radiofónicos do “Extremamente Desagradável”. Rodrigo extravasou do cunho pessoal para a conversa de café e fila da farmácia. 

Comentou com frases de sofá. Parecia que gostava de se ouvir com “uma frase que não é minha, que li nas redes sociais, mas que me apetece muito partilhar», ou lições de moral reforçadas de um «deixe-me frisar bem isto», ou ralhetes que terminavam com um simples «tenham noção!» O Rodrigo bem preparado para as entrevistas foi substituído por um tom acintoso de tiradas como «uma coisa não tem nada a ver com a outra, eu estou a falar de…», ou a arrogância do «muito bem…» seguido de um «Senhora ministra em quê que ficamos?». Rodrigo apropriou-se da conversa de café para fazer a mediação entre o primeiro-ministro e o resto dos portugueses com questões como: «tem falado com Mário Centeno? 

Ele está a suar? Vocês ainda não conseguem saber nesta altura o tamanho da pancada, pois não?». Em vez de, pedagogicamente, ajudar na elevação do discurso político, Rodrigo chafurdou nele. O pior é que, não manteve a coragem para persistir no tom agressivo e no final soltou a lisonja exagerada ao entrevistado elogiando seu papel na luta contra a pandemia em tom piegas. Rodrigo passou a ser mais importante que o entrevistado, a sua função deixou de ser fazer que o entrevistado exponha, com o respectivo contraditório, as suas razões da forma mais clara possível. 

Rodrigo Guedes de Carvalho passou a sobrepor-se a tudo e a todos com remates como «que eu espero bem que aconteça…», «eu tudo farei para que…», e mimos como «os portugueses não entendem…», «eu hoje expliquei mais uma vez a questão…» ou o inesquecível: «têm mais é que se portar bem…». Rodrigo está imparável. A despromoção de se ser político Proliferaram neste período alguns jornalistas justiceiros que atiram perguntas, fazendo de imediato o contraditório e quase não permitindo ao entrevistado falar. 

Pois têm ainda mais perguntas e não há tempo para respostas longas. Seguem-se novamente perguntas, em que utilizam um contraditório contrário ao anteriormente utilizado… confuso? Digamos que, o entrevistado neste tempo é preso por decidir, por não decidir nada e por decidir qualquer coisa que fosse. É criticado por tomar decisões de contenção, que não sendo ideais, são necessárias na mitigação de qualquer crise. Um jornalista deve questionar o político sobre as decisões tomadas, o seu papel deve, sobretudo, contribuir para que este se expresse na melhor forma e consiga esclarecer das razões que consubstanciam cada decisão. 

Cabe a cada um de nós cidadão fazer o seu juízo. Só que há entrevistadores que, fazendo contraditórios sucessivos e não permitindo o entrevistado explicar qualquer base de decisão, acabam por ser nocivos transmitindo a ideia de que todos os políticos, por serem políticos, estão sob suspeição. Confesso que, nunca fui muito submisso a graduações académicas, tanto nos primórdios da minha vida escolar, como mais recentemente. Sempre fui algo ‘disruptivo’ e acutilante para com os professores; ainda assim, custou-me ver a forma como o jornalista Rodrigo Pratas entrevistou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa. 

Fazia as perguntas de forma demasiado veemente. Um certo nervosinho no ar. Enunciava uma série de contraditórios às decisões anunciadas, e cada vez que, o responsável ia tentar explicar a base de suporte de cada decisão, era interrompido. Nunca havia tempo. As soluções propostas na área do ensino (que não são ideais por tentar dar uma resposta à inesperada pandemia), eram todas erradas, mal pensadas, nos outros países havia sempre algo melhor para contrapor. Nunca permitiu que se explicasse a substância que estava por detrás de cada medida. 

A facilidade com que se é veemente com um político na televisão nos dias de hoje é incrível. Há uma atitude persecutória constante. Como nada sabia sobre aquele senhor, fui tentar perceber como conseguia ter aquela atitude pedagógica para com um entrevistador agressivo. Fui tentar perceber a razão de ser da forma estóica como respondia sem nunca se eriçar. Pelos vistos João Costa é Professor Catedrático de Linguística da Universidade Nova, Doutorado aos vinte e poucos anos em Linguística pela Universidade de Leiden, visitante do MIT. 

Foi Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, Presidente do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia, membro do Conselho Científico do Plano Nacional de Leitura, da Comissão Nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do Conselho Consultivo do Instituto Camões. Presidente da Associação Portuguesa de Linguística. Professor convidado em universidades estrangeiras. 

Enfim… duvido que, se o entrevistassem como professor, e não como político, alguma vez o tratassem daquela forma. Fiquei mesmo admirado com a persistência de João Costa, com a sua atitude pedagógica de explicar, mesmo quando não lhe davam tempo. Como se bateu por cada decisão, mesmo sabendo que não são soluções ideais, mas apenas as possíveis de mitigação no actual contexto. Já preparei muita gente em media training e confesso que eu não conseguiria manter o sangue frio que João Costa teve. Pivots com opinião Atenção! O facto de os pivots passarem a querer ter opinião não é em si um problema. O problema é o modo pouco esclarecedor como o fazem. 

No Brasil, por exemplo, há noticiários de referência em que o pivot expressa a sua opinião num processo muito simples: olha a direito para a câmara e lê a notícia, depois vira-se e olha para a outra câmara à sua direita, e dá a sua opinião. Expressando-se na primeira pessoa e com o uso total da verrina: «eu acho que esse sujeitinho…». Pode-se pensar que é apenas uma questão de forma, ou de formato, mas é a pequena diferença que aclara e faz os espectadores destrinçarem entre informação e opinião. 

Quem como eu gosta deste tema não pode deixar de ver uma série que é muito elucidativa sobre todo este processo. Chama-se The Newsroom, e foi criada pelo grande Aaron Sorkin. É a história de um pivot republicano chamado Will McAvoy (Jeff Daniels), e da sua equipe, na sua luta contra todos os obstáculos a uma boa informação. Uma narrativa que vai evidenciando todos os constrangimentos pessoais, comerciais e corporativos que envolvem cada emissão de um telejornal. 

O enredo de The Newsroom é uma ficção, mas foi criado para evidenciar o peso cada vez maior do Tea Party Movement, um movimento populista que quase tomou conta do Partido Republicano dos Estados Unidos; e que em grande medida é responsável pela degradação que deu origem à eleição de Trump como candidato republicano e, consequentemente, Presidente. Sorkin observou e estudou vários canais de notícias em todo o mundo, e sobretudo, americanos para demonstrar através da sua narrativa o poder real do lobbing naquele país.

Queria concretamente demonstrar que os irmãos Charles e David Koch, proprietários da Koch Industries, têm uma grande influência na política dos Estados Unidos através de constantes donativos alavancado num património superior a 108 mil milhões de dólares. As Koch Industries é a segunda maior empresa de capital fechado dos EUA. 

Os cinco minutos iniciais do primeiro episódio, são para mim do melhor que já se fez em televisão. Quando Will McAvoy, pivot e editor do programa News Night é obrigado a responder numa conferência à pergunta: «why america is the greatest country in the world?» (Trump viria a usar esta mensagem subliminar para slogan da sua campanha, imagine-se!) Will McAvoy desmonta essa concepção dizendo porque a América já não é o maior país do mundo e explica o porquê. Afirma que a América deixou de ser o melhor país do mundo porque deixou de ter jornalistas que fossem referência na mediação com a realidade.

Fonte : Dinheiro Vivo

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Segredos e vigilâncias. Uma viagem ao mundo da ciberdefesa militar


Há um ciber exército a crescer nas Forças Armadas Portuguesas. O que faz, onde está e como vai para a guerra todos os dias? Os inimigos são, muitas vezes, hackers a soldo de estados estrangeiros

Percorre-se um longo corredor com portas codificadas e segurança até chegar à "frente de batalha". Não há trincheiras, não cheira a morte, nem há feridos caídos. Há militares fardados sentados em frente a computadores, com as retinas fixadas nos números 0 e 1 que preenchem os monitores.

Há uma parede totalmente coberta por um ecrã gigante onde se vêm mapas do mundo, com diversos pontos assinalados por luzinhas de várias cores, gráficos, tabelas, muitos números e nomes de alguns países. Não há armas, mas dali pode partir uma guerra. Ali há batalhas diárias contra muitos inimigos estrangeiros, por vezes a soldo de governos.

Desde que foi criado em 2015 a equipa do Centro de Ciberdefesa triplicou e em 2023 terá 10 vezes mais soldados  © Ricardo Pinho / EMGFA

Os estragos que podem provocar são tremendos. Podem parar um país, roubar segredos, enfraquecer Estados e comprometer alianças. A defesa é, por isso, muito robusta e permanente.

Estamos no Centro de Ciberdefesa (CCD), situado no coração do quartel-general do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), um dos pontos nevrálgicos melhor guardados dos militares, onde cresce um autêntico exército de "ciberoperacionais" - desde que foi criado em 2015 a equipa triplicou e em 2023 terá 10 vezes mais soldados.

Protegem toda a rede de informações e comunicações da Defesa Nacional, que é a "espinha dorsal" do comando e controlo das Forças Armadas, por onde passam muitos documentos estratégicos e operacionais de organizações internacionais que Portugal integra, como a NATO.

Cyberpunks e mercenários

"A guerra existe e está a acontecer. Os ataques são diários e cada vez mais sofisticados. Há todos os dias centenas de tentativas de penetração nos nossos sistemas de defesa, como que a tentar arrombar as portas de um quartel. Grande parte é praticada pelos chamados cyberpunks, ou hacktivistas, que andam permanentemente a tentar encontrar nos nossos serviços alguma "frincha" para entrar. Depois há os mais graves, de hackers mercenários, contratados por governos de outros países, que têm vindo a aumentar nos últimos tempos, para uma média diária de cerca de uma dúzia", admite o Vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, adjunto de Planeamento e Coordenação EMGFA, responsável pela estratégia deste que é o mais recente domínio operacional militar, a par do ar, mar e terra - o ciberespaço.

O comandante do Centro de Ciberdefesa, Helder Fialho (de pé) dá instruções ao ciberoperacional  © Ricardo Pinho / EMGFA

Revela que para esta "guerra" conta também com civis, "alguns jovens universitários" que fazem parte duma rede informal de "voluntários" que "trabalham em conjunto com os militares de forma cooperativa para a preservação de alguma soberania digital".

"Os ciberataques, com sucesso, podem afetar a nossa economia, a propriedade intelectual, as decisões políticas, a atividade militar, as forças de segurança, em resumo o Estado em geral"

Usam software "open source", numa estratégia para evitar portas de intrusão escondidas, colocadas por empresas, ou agências especializadas, na procura de soluções para tornar os sistemas mais seguros. "Chamamos-lhes os "hackers do bem"", sorri este oficial da Marinha. "Os ciberataques, com sucesso, podem afetar a nossa economia, a propriedade intelectual, as decisões políticas, a atividade militar, as forças de segurança, em resumo o Estado em geral", alerta.

Para tirar a fotografia da grande sala de operações, o ecrã gigante é provisoriamente desligado - fica só um fundo azul e o símbolo do Centro de Ciberdefesa - pois quem analisasse à lupa a imagem poderia ver identificados países, que se encontram entre os principais suspeitos das tentativas de entrada nos sistemas de defesa portugueses e dos aliados da NATO. Ou endereços de internet que estão na lista negra dos que já foram usados por hackers profissionais noutros países.

Ameaça de Moscovo?

Faz parte das regras não revelar se houve ataques com sucesso pois isso seria assumir fraquezas. Mas é de conhecimento público que no ano passado houve um um grave ciberataque que atingiu o sistema de correio eletrónico de militares e civis no ministério da Defesa Nacional. Foi o próprio Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, Almirante Silva Ribeiro, a confessá-lo num programa de debate televisivo.

Foram os serviços de informações de países aliados europeus da NATO que alertaram as autoridades portuguesas para ações de espionagem russa

Segundo o jornal Público, foram os serviços de informações de países aliados europeus da NATO que alertaram as autoridades portuguesas para ações de espionagem russa. Questionado se confirmava o ataque, Gouveia e Melo fechou o seu rosto compenetrado de submarinista (esteve embarcado 18 anos nos submarinos da Marinha) habituado ao silencioso serviço do mar profundo. Não disfarçou o incómodo da pergunta mas recusou-se a comentar.

O vice-Almirante Gouveia e Melo, adjunto para o planeamento do EMGFA, com o comandante do CCD e com o responsável da área tecnológica  © Ricardo Pinho / EMGFA

Diversos países estavam, no outono passado, a braços com hackers que os diferentes serviços de informações relacionavam com Moscovo. Silva Ribeiro não concretizou a origem dos ataques - nem Gouveia e Melo o quis agora fazer. "Não é uma pessoa normal, sozinha, que faz isto. Requer capacidades tecnológicas, um Estado por detrás a sustentar isto", frisou, na altura, o CEMGFA.

Aprenderam-se lições e corrigiram-se os pontos fracos, parte deles erros humanos de procedimentos de segurança. "A defesa dos sistemas e a nossa capacidade de deteção e eliminação dos ataques saíram muitíssimo reforçadas", afiança Gouveia e Melo

Aprenderam-se lições e corrigiram-se os pontos fracos, parte deles erros humanos de procedimentos de segurança. "A defesa dos sistemas e a nossa capacidade de deteção e eliminação dos ataques saíram muitíssimo reforçadas", afiança Gouveia e Melo.

"Ganhámos uma batalha, mas a guerra continua. Apesar de todos sabermos qual é a proveniência dos ciberataques mais sofisticados, através de toda a partilha de informação que existe entre os aliados da NATO e serviços de informações, é sempre muito difícil, quase impossível, prová-lo", prossegue.

Multiplicar por 10 os ciberoperacionais

Este Oficial General prefere não revelar quantos militares estão agora aqui destacados - todos com formação superior em tecnologias de informação, informática e outras especialidades - porque entende que isso revelará as nossas capacidades e poderá ser usado pelos "inimigos". No entanto, estima-se que o objetivo é que este ciber exército integre, pelo menos, cerca de uma centena de peritos. Até 2030 está previsto um investimento neste "ramo" da ordem dos 45,4 milhões de euros, no âmbito da Lei de Programação Militar.

Devido às medidas de prevenção contra a covid-19 o número de operacionais presentes é reduzido. Tal como em todas as unidades das Forças Armadas foram criadas equipas "espelho" que se vão revezando todos os 14 dias.

Gouveia e Melo sublinha que "desde o início da pandemia os ataques triplicaram; primeiro porque as infraestruturas do Estado tiveram de rapidamente começar a operar em teletrabalho, sem tempo para aplicar soluções seguras, o que as torna mais vulneráveis; segundo, porque houve uma visão oportunista do outro lado para aproveitar a preocupação das pessoas com a doença, enviando, por correio eletrónico, mensagens de phishing com suposta informação útil e científica, para infetar os computadores".

Neste momento, afiança este oficial, está a ser criado um novo sistema de comunicações interno, que pode substituir um Whatsapp, Zoom ou Microsoft Teams, só para o EMGFA. "É fulcral garantir a segurança das informações", sublinha.

Identificar atores do ciberespaço

O comandante do Centro de Ciberdefesa é Helder Fialho, um oficial da Marinha, com especialização em Comunicações e Guerra Eletrónica e Pós-graduado em Sistemas de Informação pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC). É notório o seu entusiasmo e a sua dedicação quando nos descreve o trabalho que coordena.

Helder Fialho comanda o Centro de Ciberdefesa. É oficial da Marinha especialista em comuniações e guerra eletrónica  © Ricardo Pinho / EMGFA

Na sala de operações, explica, "há uma frontline de sargentos, que fazem a primeira triagem das tentativas de intrusão, monitorizando alterações de padrão. Numa segunda linha estão oficiais peritos que analisam a informação do incidente e verificam o nível do ataque. Numa terceira linha é feita uma análise mais aprofundada, o cruzamento de dados com outros países e a caracterização detalhada do incidente".

Nesta área de operações do CCD existe uma "célula de informações" do ciberespaço, que procura e analisa informações de eventuais ameaças, através de operações exploratórias, e lança alertas às várias entidades nacionais.

Uma das funções é identificar os chamados TTP (Tactics, Techniques and Procedures) de grupos/atores do ciberespaço que possam comprometer a segurança das redes da Defesa. São uma espécie de profilers. Sabendo o seu modus operandi, são criados sistemas de defesa preventiva para potenciais ataques.

"A grande força da ciberdefesa é a partilha de informação. Temos uma rede gigantesca", completa Gouveia e Melo. O CCD integra em Portugal o designado G4, juntamente com o Centro de Cibersegurança, o Serviço de Informações de Segurança e a Polícia Judiciária, que prestam "um excelente serviço".

Internacionalmente, a mais valia da partilha de informação para as Forças Armadas vai para a NATO, em cujas plataformas de segurança do ciberespaço os aliados partilham todas as informações dos incidentes que os atingem.

Fonte: DN
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