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sábado, 11 de janeiro de 2020

Mais de 100 crianças acusadas de feitiçaria atiradas ao rio em Angola


Mais de 100 crianças acusadas de práticas de feitiçaria nas províncias de Cabinda, Zaire, Malanje e Bengo, nos últimos três anos, foram atiradas aos rios pelos familiares.

A informação foi avançada por uma equipa de investigadores do Centro de Estudos e Investigação em População (CEIP), e citada pelo Jornal de Angola.

O fenómeno “feitiçaria” contra menores constitui um problema social que tem preocupado os investigadores e as organizações sociais ligadas à causa. Ndonga Mfuwa, diretor do CEIP, disse ao matutino ter constatado no terreno que muitos pais e encarregados de educação lançam os filhos e educandos aos rios para, depois, serem devorados pelos jacarés.

Alguns progenitores, além de acusarem os filhos de serem feiticeiros, expulsam-nos do seio familiar. Mais tarde, segundo o investigador, arrependem-se do que fizeram e entram em conflito com as entidades acolhedoras.

Ndonga Mfuwa explicou que os dados foram obtidos mediante um trabalho realizado em vários município do país, com destaque para as províncias do Norte, como Cabinda, Zaire, Uíge, Bengo e Malanje.

Apesar de nestas províncias a população acreditar em feitiçaria, “não conseguem provar que um determinado individuo é feiticeiro”, disse Mfuwa, referindo que, das investigações realizadas em algumas regiões do país, ninguém conseguiu demonstrar, materialmente, a existência do fenómeno “feitiço”.

O responsável sublinhou ainda que o fenómeno ‘feitiço’ deve ser combatido para evitar que as crianças se desenvolvam na sociedade de forma desequilibrada. “Como investigadores, vamos trabalhar com as autoridades civis e do Estado para pôr termo a este fenómeno.”

Fonte: ZAP

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Portugueses descobrem novo mecanismo celular que evita anomalias ligadas ao cancro


Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, descobriram um "novo mecanismo" usado pelas células que, ao garantir a correta distribuição dos cromossomas durante a divisão celular, evita o desenvolvimento de anomalias associadas ao cancro.

Em entrevista à agência Lusa, o investigador Carlos Conde, explicou que o estudo, publicado hoje na revista científica ‘Journal of Cell Biology’, destinava-se a "perceber como é que as células, quando se dividem, transmitem corretamente o material genético".

"Queríamos identificar os mecanismos moleculares que garantem que, quando as células se dividem, a separação do material genético ocorre de forma correta", disse o investigador do grupo 'Cell Division & Genomic Stability' do i3S.

De acordo com Carlos Conde, o mecanismo agora descrito, resultado de uma investigação que durou seis anos, está inteiramente associado a uma proteína: a MAD1.

"Sabemos agora que a MAD1 está inicialmente na membrana nuclear que envolve o material genético, mas que quando começa a divisão celular, se liberta e move para os cinetocoros [estruturas nos cromossomas que circundam o material genético]", explicou, adiantando que é a partir destas estruturas que a proteína desempenha "o papel regulador" da divisão celular.

Foi através de testes laboratoriais em "mosquinhas da fruta" que os investigadores perceberam que, se a proteína "não viajar" dentro da célula, isto é, não se libertar da membrana nuclear, "os cromossomas são distribuídos de forma desigual pelas células filhas".

"Se não acontecer essa desassociação, isto é, se a proteína não conseguir sair do núcleo, ocorrem erros na divisão dos cromossomas que estão muitas vezes na origem de cancro", salientou Carlos Conde.

À Lusa, o investigador revelou que a identificação deste mecanismo poderá ser "bastante útil", nomeadamente, no contexto do cancro.

"Se soubermos que alvo está desregulado, podemos intervir naquele ponto no sentido de melhorar o cenário. Portanto, este mecanismo cria novos alvos moleculares para a terapia de cancro. Além de que, como identificámos mutações específicas numa proteína que está associada quando este mecanismo não funciona, ele serve como uma potencial ferramenta de diagnóstico", frisou.

Segundo Carlos Conde, os investigadores vão continuar a estudar o tema e tentar perceber "o que motiva a proteína a libertar-se da membrana nuclear".

Sinal de David: médico descobre sinal escondido na escultura de Miguel Ângelo


Daniel Gelfman foi o primeiro, em mais de 500 anos, a reparar na veia jugular distendida de David.

O médico norte-americano, Daniel Gelfman, observou durante uma visita à Galeria da Academia de Belas Artes, em Florença, Itália, a escultura David de Miguel Ângelo. Ao apreciar a obra, o médico ficou impressionado com algo que encontrou: a veia jugular externa no lado direito do pescoço de David está distendida bem acima da clavícula.

Um estudo realizado pelo médico norte-americano e publicado na revista JAMA Cardiology, mostrou que Miguel Ângelo conhecia factos sobre o sistema circulatório humano que os cientistas e os médicos ainda não tinham descoberto. Prova disso é a veia jugular que esculpiu em David.

Em declarações ao USA Today, Gelfman explicou que o artista estava ciente desta distenção "venosa temporária da jugular em indivíduos saudáveis que estão ansiosos". A veia jugular externa distendida não podia fazer mais sentido, uma vez que David estava ansioso e empolgado por enfrentar Golias. 

Os médicos só descobriram a natureza do sistema circulatório em 1628. A escultura de David foi publicamente revelada em 1504, o que demonstra que o escultor tinha conhecimentos anatómicos.

O médico norte-americano foi o primeiro a reparar na representação de Miguel Ângelo da jugular distendida, o que significa que a mesma esteve "escondida à vista por mais de 500 anos", acrescentou.

Miguel Ângelo não era o único artista com conhecimentos anatómicos na época do Renascimento. Leonardo da Vinci foi o primeiro a descrever o coração como um músculo e não um órgão com quatro cavidades.

Fonte: Sábado

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

De olho em exoplanetas: método inovador pode ser a chave para encontrar vida longe da Terra


Com a ajuda de um observatório em construção, a procura de oxigénio em planetas extras solares poderá levar eventualmente à descoberta de vida longe do Sistema Solar.

Os cientistas podem ter encontrado uma forma de localizar planetas distantes capazes de nutrir vida alienígena, afirma um estudo publicado na segunda-feira (6) na revista Nature Astronomy.

Enquanto a ciência continua na sua busca por sinais de vida para além do planeta Terra, o estudo dos exoplanetas (planetas orbitando outras estrelas) é uma das áreas de crescimento mais rápido na astronomia, mantendo a promessa de pistas essenciais para compreender se e onde a vida pode existir em outros locais do Universo.

Pesquisas recentes, financiadas em parte pela instituição que estuda exoplanetas SEEC e pela financiadora de cientistas internos do departamento de ciência planetária da NASA, identificaram um forte sinal que as moléculas de oxigénio produzem quando colidem. 

O novo método de busca de sinais de vida envolveria a procura de oxigénio na atmosfera de exoplanetas.
Na Terra, o oxigénio é gerado quando organismos como as plantas usam a fotossíntese para converter a luz solar em energia química.

Os cientistas esperam agora que o Telescópio Espacial James Webb da NASA seja capaz de detectar este sinal de molécula de oxigénio nas atmosferas de exoplanetas, oferecendo, assim, um avanço instrumental na busca de vida alienígena.

A descoberta de exoplanetas despertou um interesse renovado na busca de vida extraterrestre, pois os planetas que orbitam na zona habitável de uma estrela, onde é possível a existência de água líquida na superfície, abriram um novo campo para os astrónomos.

No entanto, a investigação de exoplanetas tem que acontecer de longe, porque com a tecnologia actual, não podemos alcançá-los.

A arma "secreta"

O telescópio espacial James Webb fornece uma sensibilidade incrível para leituras de luz em comparação com seu predecessor, segundo a NASA, que trabalhou com astrónomos na Universidade da Califórnia Riverside, EUA, para desenvolver o novo método.

"Antes de nosso trabalho, pensava-se que o oxigénio em níveis semelhantes aos da Terra era indetectável com Webb, mas identificamos uma maneira promissora de detectá-lo em sistemas planetários próximos", disse Thomas Fauchez, da Associação de Pesquisas Espaciais Universitárias no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, e autor principal do estudo.

"Este sinal de oxigénio é conhecido desde o início dos anos 80 dos estudos atmosféricos da Terra, mas nunca foi estudado para pesquisa de exoplanetas", acrescentou.

Um membro da equipe de estudo, Edward Schwieterman, um astrobiólogo da Universidade da Califórnia Riverside, reforçou:

"O oxigénio é uma das moléculas mais excitantes de detectar devido à sua ligação com a vida, mas não sabemos se a vida é a única causa de oxigénio em uma atmosfera. Este método nos permitirá encontrar oxigénio em planetas tanto vivos quanto mortos."

Quando moléculas de oxigénio colidem, elas bloqueiam partes do espectro da luz infravermelha de serem vistas por um telescópio.

Complicações na teoria

No entanto, é examinando padrões nessa luz que os cientistas esperam determinar a composição da atmosfera do planeta. Os pesquisadores advertem que uma abundância de oxigénio em um exoplaneta pode não significar necessariamente vida, pois também pode indicar uma história de perda de água devido à evaporação dos oceanos.

"É importante saber se e quanto planetas mortos geram oxigénio atmosférico, para que possamos reconhecer melhor quando um planeta está vivo ou não", disse Schwieterman.

Embora o sinal de oxigénio seja forte, considerando as vastas distâncias cósmicas, os exoplanetas terão que estar relativamente próximos para que o Webb possa detectar o sinal das atmosferas.

Webb, um projecto internacional liderado pela NASA com seus parceiros, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a Agência Espacial Canadiana, será o principal observatório de ciência espacial do mundo, quando for lançado em 2021, com a promessa de resolver muitos mistérios no sistema solar e olhar além para mundos distantes ao redor de outras estrelas.

Fonte: Sputnik News

Astronauta Helen Sherman: extraterrestres existem e podem já estar aqui


Helen Sharman foi o primeiro astronauta britânico e, em 1991, tornou-se a primeira mulher a visitar a estação espacial Soviet Mir. 

Numa entrevista publicada no The Guardian ontem, ela fez um comentário sobre extraterrestres, a última parte da qual é um levantar de sobrancelhas:

"Os alienígenas existem, não há dois caminhos. 
Há tantos biliões de estrelas no universo que deve haver todos os tipos de formas de vida diferentes. Serão como você e eu, feitos de carbono e nitrogénio? Talvez não. 
É possível que eles estejam aqui agora e nós simplesmente não podemos vê-los. "

Fonte: boingboing

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Um computador feito de ADN pode calcular a raiz quadrada de 900


Um computador feito de filamentos de ADN num tubo de ensaio pode calcular a raiz quadrada de números até 900.

Chunlei Guo, da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, e colegas desenvolveram um computador que usa 32 filamentos de ADN para armazenar e processar informações. Ele pode calcular a raiz quadrada dos números quadrados 1, 4, 9, 16, 25 e assim por diante até 900.

O computador de ADN usa um processo conhecido como hibridação, que ocorre quando duas fitas de ADN se unem para formar o ADN de fita dupla.

Para começar, a equipe codifica um número no ADN usando uma combinação de dez blocos de construção. Cada combinação representa um número diferente de até 900 e é anexada a um marcador de fluorescência.

A equipe então controla a hibridação de forma a alterar o sinal fluorescente geral, de modo a corresponder à raiz quadrada do número original. O número pode ser deduzido da cor.

O computador de ADN pode ajudar a desenvolver circuitos de computação mais complexos, diz Guo. "A computação em ADN ainda está na sua infância, mas é uma grande promessa para resolver problemas que são muito difíceis ou mesmo impossíveis de lidar com os actuais computadores baseados em silicone", diz ele.

Guo acredita que os computadores de ADN podem um dia substituir os computadores tradicionais por cálculos complexos.

Fonte: NewScientist

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Ratos bebés nasceram de óvulos (que antes não eram óvulos)


As células que rodeiam um óvulo no ovário, conhecidas como células da granulosa, foram transformadas em óvulos funcionais em ratos, por cientistas chineses. Depois, foram fertilizadas para produzir crias saudáveis.

Normalmente, as células da granulosa são colhidas junto como os óvulos como parte de um procedimento de fertilização in vitro. Neste caso, os investigadores pensaram que, se pudessem transformar as células em óvulos funcionais, poderia estar a “matar dois coelhos de uma cajadada só”.

Para conseguirem este feito, os cientistas chineses usaram um cocktail de químicos para transformar as células em óvulos funcionais. Estes acabaram por fertilizar em ratos bebés saudáveis que, segundo o Scimex, têm também uma fertilidade normal.

Dar o salto de ratos para seres humanos ainda é um passo maior do que a perna. No entanto, os investigadores realçam que este pode ser um importante avanço para preservar a fertilidade nos humanos. “Acho que tem mais perspetivas de preservar a fertilidade e a função endócrina do que no tratamento da infertilidade”, sugere o autor principal, Lin Liu.

“A questão da fertilização in vitro é que eles usam apenas o óvulo para o procedimento”, realça Lin Liu. “Após a recuperação do óvulo, as células da granulosa no folículo são descartadas. Isso fez-nos pensar: e se pudéssemos utilizar as células da granulosa?”, explicou o asiático.

A combinação de químicos feita pelos cientistas preveniu a morte das células e promoveu a sua proliferação. “É um resultado surpreendente”, admite Lin Liu, no comunicado de imprensa da Cell. O estudo foi publicado, este mês, na revista científica Cell Reports.

Os autores do estudo garantem ainda que este tratamento químico fornece ainda uma maior capacidade de controlo comparativamente aos métodos tradicionais de indução de células estaminais, que reprogramam as células introduzindo fatores de transcrição em células somáticas.

“Esta é a primeira vez que transformamos células da granulosa em óvulos, é um trabalho crucial e interessante em biologia do desenvolvimento e da reprodução”, salienta. “Mas implementar esta investigação em humanos a partir de ratos ainda tem um longo caminho a percorrer”, acrescenta.

Fonte: ZAP

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Veneno de aranha pode ajudar no tratamento da disfunção erétil


A aranha armadeira é considerada uma das mais perigosas do mundo: além de ser tóxica, viaja pelo mundo em cachos de bananas, causando o pânico nos lugares mais inesperados. No entanto, o seu veneno tem potencial para melhorar a vida sexual das pessoas.

A armadeira é uma grande aranha errante, de aspeto imponente e comportamento agressivo, medindo o equivalente a uma palma de uma mão humana. Este animal é muito veloz, podendo deslocar-se a 40 quilómetros por hora.

Quando se sente ameaçada, assume uma posição quase vertical para parecer maior, levantando as patas e deixando a barriga exposta, assim como as suas grandes e assustadoras quelíceras – espécie de garras de coloração avermelhada.

Esta espécie de aracnídeo tem hábitos noturnos. A aranha não tece qualquer teia para caçar: em vez disso, surpreende as suas presas com ataques mortíferos, combinando rapidez com veneno muito potente.

As picadas destas aranhas em humanos provocam uma dor muito forte, ardor e inchaço. Em casos mais graves, que ocorrem com mais frequência em crianças do que em adultos, as consequências podem mesmo ser mortais.

Além disso, segundo a Sputnik News, o priapismo é outro dos possíveis sintomas em casos graves. Trata-se de uma ereção involuntária e muito dolorosa do pénis, que pode durar horas.

Uma equipa de cientistas decidiu estudar, em particular, este sintoma e a pesquisa resultou em descobertas interessantes relativamente ao tratamento da disfunção erétil.

De acordo com o artigo científico, publicado este ano, o peptídeo sintetizado do veneno da aranha armadeira provou ser efetivo para melhorar a função erétil em roedores diabéticos e hipertensos, sem qualquer efeito secundário. A investigação revelou que este composto é um possível tratamento para a disfunção erétil de aplicação localizada em pessoas com hipertensão arterial e diabetes.

A aranha armadeira é natural do Brasil, mas também pode ser encontrada na Colômbia, no Paraguai, no norte da Argentina e no Uruguai.


Fonte: ZAP

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Para tornar os robôs mais eficazes, é preciso fazê-los temer a própria morte


Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, sugerem que a estratégia ideal para fazer com que os robôs funcionem melhor passa por programá-los para temer a morte.

É certo que a Inteligência Artificial está a avançar a passos largos, mas levá-la ao próximo nível pode exigir uma abordagem mais drástica: tentar dar à IA uma sensação de perigo e a fragilidade da sua própria existência.

Uma equipa de investigadores desta universidade norte-americana sugere que forçar os robôs a operar em termos de autopreservação traz melhores resultados, tornando-os mais produtivos. Os cientistas suspeitam que o medo da morte pode ser um importante passo na caminho para a verdadeira Inteligência Artificial.

O objetivo é conseguir construir robôs e sistemas de Inteligência Artificial capazes de avaliar o seu próprio comportamento. Assim que consigam aprender as ações que podem levar à sua morte, os robôs podem aprender a exercer restrições quando for apropriado, segundo o artigo científico, publicado na Nature Machine Intelligence.

Isso levaria a sentimentos simulados – ou, pelo menos, ao equivalente robótico dos nossos sentimentos -, apontam os cientistas. A equipa defende que a melhor forma de tornar os robôs resistentes não passa por torná-los impenetravelmente fortes, mas sim por torná-los vulneráveis.

Dar sentimentos aos robôs também daria aos cientistas uma plataforma para investigar a própria natureza dos sentimentos e da consciência humana. Os investigadores acreditam que, dadas as melhorias que estão a ser feitas no campo da robótica, esta ideia de um robô autoconsciente pode não ser assim tão fantasiosa.

Além disso, os cientistas defendem que tornar a IA mais parecida com os humanos – seja com sentimentos ou com a capacidade de sonhar – pode ser o necessário para tornar estes sistemas ainda mais úteis.

Fonte: ZAP

domingo, 29 de dezembro de 2019

Cientistas explicam o que acontecerá se asteroide gigante colidir com Terra


Pesquisadores apresentaram a descrição detalhada do que pode acontecer se uma das rochas espaciais colidir realmente com a superfície da Terra.

De acordo com o jornal Daily Express, os meteorologistas Simon King e Clare Nasir explicaram, num livro chamado "What Does Rain Smell Like?" (A Que Cheira a Chuva?), que a colisão de um asteroide de diâmetro entre 25 e 1.000 metros com a Terra causaria "danos a nível local", enquanto a colisão com uma rocha maior pode levar à destruição "a nível global".

"As consequências mais letais da colisão com um grande asteroide serão rajadas de vento e ondas de choque. O pico da pressão do ar poderia romper os órgãos internos e as rajadas de vento atirariam corpos pelo ar e esmagariam as construções e florestas", explicam os meteorologistas.

Eles adicionam que as outras consequências devastadoras incluiriam "calor intenso, destroços voadores, tsunamis, sismos e destruições devido ao impacto directo e à formação de crateras".

No entanto, os autores sublinham que os asteroides, tal como os outros objectos do espaço, são sujeitos às forças gravitacionais e, portanto, têm suas próprias órbitas, o que torna suas trajectórias "relativamente previsíveis".

"A catalogação dos Objectos Próximos à Terra (NEO, em inglês) é uma tarefa titânica, o espaço está muito lotado e parece ficar até mais lotado a cada década que passa. O mapeamento dos NEOs contra o fundo de outros destroços orbitando no espaço poderia ser descrito como a busca de uma agulha num palheiro, mas os astrofísicos fizeram grandes progressos nessa questão", explicam os cientistas.

Fonte: Sputnik News

Terapia antienvelhecimento vai ser testada em humanos (e custa 1 milhão de dólares)


Uma empresa vai iniciar os testes clínicos em humanos para uma terapia antienvelhecimento. Os voluntários terão de pagar 1 milhão de euros para participarem.

O “elixir da juventude” é uma realidade cada vez maior. A Libella Gene Therapeutics está a dar um grande passo na indústria ao iniciar os testes em humanos de uma terapia de antienvelhecimento. Os voluntários que estejam interessados em participar terão de pagar 1 milhão de dólares.

Apesar de ainda estar em fase experimental, a empresa garante que esta terapia consegue reverter o envelhecimento em até 20 anos. Ainda sem a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), os testes clínicos serão feitos na Colômbia.

Segundo o SingularityHub, à medida que envelhecemos, os nossos telómeros — extremidades dos cromossomas — vão diminuindo. O objetivo da terapia é tentar reparar os telómeros, que são uma das estruturas que se acredita serem responsáveis pelo envelhecimento.

Embora seja apelativo a muitas pessoas, esta terapia poderá ter algumas consequências que não foram calculadas pelos cientistas da Libella Gene Therapeutics. Alguns especialistas defendem que os testes são antiéticos, mal planeados e representam um sério risco para os voluntários, podendo ativar células cancerígenas adormecidas.

Cada vez mais os investigadores acreditam que é possível reverter o envelhecimento e os esforços para o conseguir fazer são contínuos. Apesar do preço, muitos milionários não se importarão de gastar uma parcela da sua fortuna para parecem e sentirem-se mais novos.

Ainda em maio deste ano, cientistas anunciaram que uma experiência no Espaço pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias antienvelhecimento. O objetivo é testar os efeitos da microgravidade em células vivas misturadas com pequenas partículas de cerâmica.

No futuro, estes possíveis avanços poderiam resultar em terapias promissoras. A nanoceria tem o potencial de prevenir a atrofia muscular em astronautas, além de agir como uma terapia antienvelhecimento para pessoas idosas ou vítimas de Parkinson e outras formas de atrofia muscular.

A Agência Espacial Europeia prevê ainda aplicações cosméticas, como “tratamentos para uma pele mais brilhante e jovem”.

Fonte: ZAP

sábado, 28 de dezembro de 2019

Vamos ter as doenças que os políticos quiserem

Sobrinho Simões e Elsa Lagartinho falam sobre as doenças do futuro 
© Leonel de Castro/ Global Imagens

Sobrinho Simões, médico, 71 anos, investigador na área do cancro, e Elsa Logarinho, 46 anos, especialista em genética e líder da equipa que descobriu o gene da juventude, falam sobre as doenças e a sociedade que aí vem.

Uma hora e dois minutos. Foi quanto bastou para que Sobrinho Simões e Elsa Logarinho lançassem algumas questões sobre o futuro. Poderiam ter sido duas, quatro, quantas pudessem levar-nos a esmiuçar o sentido de cada palavra, de cada pensamento de um e de outro, para melhor aprofundarmos o que de inquietante aí vem. Mas sempre no pressuposto de que o que dizemos hoje pode não ser verdade em 2064. Tudo vai depender dos políticos que mandarem no mundo e das políticas que definirem. Fala-se muito do esgotamento dos recursos naturais mas, na opinião dos cientistas, a política, a comunicação e os relacionamentos também se esgotaram. «Hoje já não somos só o que comemos, somos muito mais e seremos cada vez mais aquilo que os políticos definirem para o nosso bem-estar, desde as políticas ambientais, de saúde, de trabalho, de natalidade, de compensação, etc.», diz Sobrinho Simões.

Seremos tudo o que conseguirmos prevenir e fazer para mudar a nossa vida. Sem medos nem receios da palavra envelhecimento, porque este é o caminho a partir do momento em que se nasce. «Começamos a envelhecer assim que nascemos», diz Elsa Logarinho. Afinal, é esta a doença que aí vem, de forma crónica, não aguda, e para todos, «se não dermos antes cabo do mundo», alerta o professor.

Hospital de São João, no Porto, numa manhã de terça-feira antes do Natal. As agendas dos dois cientistas estão recheadas de compromissos, mas um e outro adaptaram-nas. Para a conversa levaram pensamentos, ideias para discutir, mas também uma só pergunta: o que vai acontecer? O DN lançou outra.

Que doenças vamos ter em 2064? «Muitas, não tenho dúvidas, e a Elsa? Não sabemos o que nos vai acontecer, isso é impossível. Sabemos que vamos ficar muito velhinhos, vamos esticar tanto a idade das pessoas que vamos ter mais doenças, mas de outro tipo. Os cancros, por exemplo, serão pequeninos. O corpo de um velhinho não tem energia para que um cancro se desenvolva. Vão aparecer na mesma, até mais, mas quanto mais velhinhos ficarmos mais pequeninos serão.»

"Os políticos podem decidir que a partir de hoje ninguém come carne, ninguém anda de carro e ninguém usa plásticos. Nós obedecemos e assim acredito que possa haver mudanças."

«O que tem graça é que os cancros vão aumentar muito como incidência, mas não como causa de mortalidade», completa Elsa. «Vamos morrer de outras coisas. Em relação às doenças neurodegenerativas e ao Alzheimer, está previsto que em 2050 dupliquem, mas a esperança média de vida também vai aumentar para os 80 e muitos anos. Se hoje uma pessoa com 65 é capaz de procurar um geriatra, em 2064 projeto que só o faremos com 75 ou mais anos.»

Mas quais são as doenças que nos vão atacar mais?, insistimos. As que já existem, como o cancro, a diabetes, a artrite reumatoide, ou outras? Para o professor Sobrinho Simões, «vamos ter é insuficiência cardíaca, doenças cardiovasculares, insuficiência sistémica, essas vão ser as grandes doenças». Elsa Logarinho fala em «infeções e doenças virais. «Nem vai ser preciso que sejam vírus de estirpes muito raras, podem até ser de estirpes banais, mas se atacarem alguém em idade mais avançada será difícil dar a volta à infeção. Consegue fazer-se isso em pessoas mais jovens, mas com idade avançada não, porque já houve uma perda de resposta autoimune.»


O professor olha para a doutora e explica: «O que a Elsa está a dizer é muito importante. Vêm aí as doenças por falência da capacidade de resposta do organismo, porque vamos chegar a muito velhinhos e perder cada vez mais a eficiência na reparação de erros no nosso organismo, os erros que se vão acumulando ao longo do tempo. Só que seremos tão velhinhos que nada disto será dramático.»

Não? Nem assustador ou doloroso? O envelhecimento não nos fará sentir assim? «Não. Nada será dramático», responde o professor já reformado. Pelo contrário, «vai ser a possibilidade que temos de sobreviver com uma qualidade de vida muito longa».

"Vêm aí as doenças por falência da capacidade de resposta do organismo, porque vamos chegar a muito velhinhos e perder cada vez mais a eficiência na reparação de erros no nosso organismo."

Lado a lado na sala de reuniões do serviço de patologia, o diálogo entre os dois faz-nos perceber que vamos chegar a velhos, a muito velhinhos, com cancros, infeções e sem resposta imunitária para algumas situações. «À medida que temos envelhecimento vamos tendo ou não resposta imunitária à inflamação. Por isso, hoje usamos muito uma palavra, inflammaging», diz Sobrinho Simões.

O que é o envelhecimento senão um estado inflamatório? A diferença, diz Elsa Logarinho, «é que é um estado inflamatório crónico e não agudo. Não é como uma gripe». A bioquímica, que aos 15 anos soube que queria seguir investigação, esclarece: «O nosso organismo vai acumulando células velhinhas, zombies, senescentes, e essas células são pró-inflamatórias, enviam para o sistema imunitário químicos e proteínas que provocam estados inflamatórios. Mesmo as células saudáveis que estão vivas e na vizinhança acabam por estar sujeitas a essa inflamação. Daí o inflammaging.»

Sobrinho Simões interrompe: «Em 2064, as pessoas vão ter mais de 100 anos. A doutora sabe disto muito mais do que eu. Ela estuda o envelhecimento. Mas há algo que eu sei: temos muito pouca tradição de começarmos a cuidar-nos desde o nascimento.»

A conversa toca num ponto essencial: «Temos a palavra cuidar, mas ao contrário do que se pensa o cuidar não é compaixão - que também é importante. Mas este cuidar tem que ver com a ética do care. É o cuidar desde o nascimento. Portanto, a primeira coisa a fazer para se ter um velhinho razoável, saudável, é que seja cuidado desde recém-nascido, para já não falar da gravidez», afirma o patologista, acrescentando que se há mudanças que temos de fazer no futuro esta é uma delas. «As pessoas têm de começar a pensar em cuidar-se muito antes. As crianças têm de brincar, saltar à corda, têm de se mexer e têm de se relacionar.»

"A falta de atenção, de tempo, de ausência de relacionamentos, pode levar-nos a doenças ainda mais graves: às sociopatias. Serão estas as doenças do futuro? Não, Estas já são doenças do presente."

Elsa Logarinho interrompe-o também: «Isso é muito interessante. Os estudos sobre o envelhecimento estão a tentar perceber qual é o impacto a nível celular de todas as receitas que conhecemos, como as dietas, a restrição calórica, os períodos de jejuns, a importância do sono, o respeitar o ciclo circadiano, o exercício físico. Todos estes fatores estão a ser testados no modelo animal para se perceber a nível celular e molecular como podem influenciar e aumentar a esperança de vida no modelo animal e, depois, certamente no humano.»

Sobrinho Simões lança a dica da fome à investigadora e ela responde: «A fome é um aspeto muito curioso. Quando ficamos doentes, o que nos acontece logo? Deixamos de comer. É uma resposta ao estado inflamatório do nosso organismo. Faz-nos jejuar para baixarmos a inflamação.»

Ele acrescenta: «É uma resposta inteligente do organismo. As pessoas têm de dormir, as crianças têm de brincar, de aprender a lavar os dentes, não podem ter cáries, tudo isto importa.» E ela garante: «O pior no envelhecimento é o açúcar.»

Sobrinho Simões continua: «Há dietas que podem associar-se a certos tratamentos de doenças. Não são aquelas em que nos dizem que podemos comer muitos brócolos. Gostam de brócolos? Comam, mas não se encham disso. Temos é de ter esta noção: diminuir os hidratos de carbono. Os portugueses fazem uma alimentação hipercalórica, encharcam-se em açúcar.» Neste momento, e de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), trinta por cento das nossas crianças sofrem de obesidade. Não pode ser, algo tem de mudar. E a carne? Há que eliminá-la de vez da alimentação?, perguntamos. «Isso não, mas consumi-la com bom senso», defende o professor.

«A carne também tem o problema da sustentabilidade ambiental. A sua produção está a destruir o ambiente», argumenta a investigadora. O professor brinca: «As vacas é que estão a dar cabo disto tudo, mas nós gostamos tanto de carne... A grande descoberta é que em dois milhões de anos o ser humano ficou muito esperto. É algo extraordinário, e não sou crente. Saiu melhor do que as encomendas, mas agora podemos dar cabo de tudo.»


Dar cabo do mundo? «Claro», responde o professor. «Não é o capitalismo que vai dar cabo disto. Muito antes de acabar o capitalismo acaba o mundo, literalmente. As pessoas não fazem ideia do que está a acontecer com o clima ou com a biodiversidade.» A investigadora do I3S, que integra o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), interrompe-o: «O desequilíbrio da biodiversidade compromete o futuro e, em termos de projeções de doenças, podemos dizer que os grandes predadores - ratos, insetos, mosquitos -, que estão a ter migrações muito atípicas, são os maiores portadores de vírus. Na pior das projeções para 2064, posso prever que apareçam novas estirpes de vírus que não conseguiremos controlar. Estirpes com outras temperaturas, humidades. Por exemplo, o degelo do Ártico. Está tudo preocupado com o aumento do nível do mar, e com o que está no gelo? É que ali também estão vírus e bactérias que desconhecemos e que podem chegar cá.»

O ambiente e a biodiversidade entram na conversa. «Havia uma diversidade brutal de espécies e um equilíbrio que nos mantinha, mas se rebentarmos com ele ninguém consegue prever o que vai acontecer... e certamente que não é bom. Depois, em 2064, não vamos caber todos, seremos uns dez mil milhões a ocupar o solo, a usar a água e todos os outros recursos. Não vamos aguentar.»

Mas se há doenças que prevê para o futuro são as infeções e a falência do sistema. Todas as outras já nos acompanham e vão ser tratadas ou retardadas. «Estamos a esquecer-nos de uma coisa: os implantes», alerta Elsa. «Os ciborgues», ataca o professor. «Mas tudo quanto é prótese e implante só irá funcionar para cinco por cento da população. Pode haver um ciborgue para um Simões, mas para um milhão será difícil.» Ri-se: «Gosto muito dela porque pensa muito bem. Está a pensar melhor do que eu pensava [riem-se]. Nós cientistas devíamos conversar mais vezes.»

Como cientistas muito têm falado do fim dos recursos naturais - da água, do esgotamento dos solos, mas há outros dois pontos que se esgotaram: «A política esgotou-se. Por isso temos um desequilíbrio brutal. Veja a erupção dos populismos disparatados. E há outra coisa que queria discutir : a pouca disponibilidade para termos atenção. Ninguém tem atenção, não acha?», questiona o patologista.

«Acho. Isso é o que algumas pessoas chamam de personalidade computorizada. Estamos a tornar-nos pessoas do yes, no, like, delete. Transpondo isso para as doenças, serão as que implicam questões psicológicas.»

Sobrinho Simões vai mais longe e defende que a falta de atenção, de tempo, de ausência de relacionamentos, pode levar-nos a doenças ainda mais graves. «Às sociopatias.» Serão estas as doenças do futuro? Não, diz, estas já são doenças do presente, mas «podem agravar-se no futuro».

A cientista concorda: «Serão mais graves porque há a perda de contacto com a natureza, com a comunicação. As pessoas sabem cada vez menos relacionar-se. Já não contam histórias uns aos outros», comenta o professor, contador nato de experiências vividas. «A falta dessa componente afetiva e emotiva vai refletir-se social e economicamente», argumenta Elsa Logarinho. «Às vezes penso que quando há grandes desequilíbrios na sociedade aparecem medidas retificativas. No futuro, quero acreditar que vai acontecer o mesmo e que alguma coisa será feita.»


«Tem de ser feita alguma coisa, quanto mais não seja por medo», argumenta o cientista. A investigadora reforça: «Tem de haver uma mobilização mundial. Independentemente dos políticos doidos ou não, tem de haver algo que permita convergir no sentido de medidas retificativas e eficazes, quer no ambiente quer no trabalho ou em todas as outras políticas. Os políticos podem decidir que a partir de hoje ninguém come carne, ninguém anda de carro e ninguém usa plásticos. Nós obedecemos e assim acredito que possa haver mudanças...»

A sociedade de que falam, a que não tem disponibilidade para a atenção, tempo para relacionamentos, deixará de ser competitiva?

«Não sei», responde o professor. Será uma sociedade repleta de personalidades computorizada? «Já é uma sociedade do imediatismo, em que acabou toda e qualquer forma de nos expressarmos que não seja por uma emoção. Não há tempo para os sentimentos, já ninguém os quer. O imediatismo trouxe a recompensa imediata para tudo. Por isso pergunto à Dra. Elsa: o que vai acontecer? Como serão estes miúdos dos computadores? Serão competidores? O que vão eles trazer-nos?»

«Eles podem ser competidores ou não, mas a adição à tecnologia é um comportamento aditivo e isso nunca é saudável. Ou seja, pode acontecer que muitas das pessoas desta geração, ao terem este comportamento aditivo, percam uma certa noção da responsabilidade com o trabalho, com a família e isso...» O professor interrompe e lança mais uma certeza: «A família acabou. E não só. E o sexo? Como vai ser? É que isto também tem importância.»

«O sexo será virtual», diz Elsa Logarinho a rir. O professor insiste: «Isto é muito importante. Há muitos estudos que dizem que os jovens fazem cada vez menos sexo.» E isso vai tornar-se uma doença? Vai influenciar o envelhecimento? «Vai afetar a demografia», responde Sobrinho Simões. «Acabaram as crianças nas sociedades desenvolvidas, eu não vejo crianças, só vejo corpos velhinhos. Mas não sei o que vai acontecer, sou de uma geração em que o sexo era das melhores coisas que havia. Agora, parece que dá um trabalhão, que é uma chatice.»

O sexo será ou não uma compensação para o ser humano? Uma expressão de afeto? Será só uma necessidade? Poderá ser substituído por outros estímulos? As perguntas ficam no ar. Elsa ri-se. «Eu tenho miúdos pequenos e fico passada quando me dizem que não têm nada para fazer, se a televisão está desligada ou se estão sem o tablet. Digo-lhes logo: vão brincar. Mas isto é o que acontece hoje, tanto crianças como jovens têm pouco contacto com o exterior. E isso vai influenciar também a forma como vamos envelhecer.»

Vivemos a geração das crianças superesterilizadas. Onde é que isso irá levar-nos? A mais autoimunidades? Sobrinho Simões reage: «As alergias estão a aumentar extraordinariamente, em parte por isso. É assustador. Os pais e os professores têm medo de que as crianças brinquem, que se sujem, que tenham contacto com a água ou com a terra. Eu não queria acreditar quando li que um terço das crianças portuguesas não sabiam saltar à corda.»

Para os cientistas, esta questão é importante e faz-nos regressar às doenças. Quais vão ser piores? Quais as que são o mal menor? Como as prevenir? O investigador não tem dúvida: «Para mim, as piores, se não estiver diminuído mentalmente, serão as que estão associadas à falta de mobilidade, visão e audição. E o mais engraçado é que estas aparecem em grande parte porque não temos a tal ética do cuidar, do care, de um estilo de vida que nos leve a viver muito mais fora do que dentro.»

A investigadora do I3S, também nascida e criada no Porto, curso feito na universidade da cidade, relembra que «o envelhecimento é contínuo, nós próprios adiamos a nossa idade desde o dia em que nascemos». Por isso, tudo o que se fizer para o nosso bem-estar «tem de ser preventivo e não retificativo. Espero que em 2064 a sociedade esteja mais informada sobre qualidade de vida, acredito que haverá maior tendência para seguir boas dietas, para se fazer exercício físico regularmente e que tudo isto ajude a aumentar a esperança média de vida, porque a que se alcançou até agora foi pela melhoria dos cuidados médicos.»

Agora é a vez da medicina. O que nos trará no futuro a área que progrediu à velocidade da luz no último século - da penicilina à robótica? «Vamos ter mais capacidade para tratar, prestar cuidados médicos», diz Sobrinho Simões.» O mais interessante vai ser perceber «quanto mais a medicina e a investigação poderão estender a nossa longevidade pelo tratamento dos órgãos», lança a bioquímica.

«Se nos mantivermos todos com os nossos órgãos, se não fizermos substituições de peças, até onde poderemos ir? Há um estudo sobre a esperança média de vida para indivíduos com 100 anos que é igual tanto para o início do século xx como para o xxi. Parece que os 100 anos são a nossa base genética. O que acha?» Sobrinho Simões responde: «A espécie tem limites. Individualmente, poderemos ir até aos 110 ou 120, mas no geral não.»

Sendo o cérebro o órgão mais difícil de tratar e estando as doenças neurodegenerativas a aumentar, o futuro é assustador? «Não. O que é preciso é estimular a regeneração», explica o patologista. «Sabemos que as células pró-inflamatórias no cérebro estão a contribuir para a incidência ou para o agravamento das doenças neurodegenerativas, como Alzheimer ou Parkinson. Se conseguirmos retificar estes estados inflamatórios, através de melhor qualidade de vida, ou de medicação que se descubra entretanto, talvez possa adiar-se a neurodegeneração», diz a investigadora.

O que envelhece primeiro no nosso organismo? É possível saber? Não, dizem-nos. Os órgãos comunicam uns com os outros. Mas o que é pior? Ter um fígado velho com um cérebro jovem ou um cérebro mais velho e um fígado novo? Isto será inevitável? «Não, mas é uma verdade», diz o professor. «Pode haver assimetrias em que nem a cabeça nem o corpo funcionam», adianta Elsa Logarinho, que espera que o futuro traga «terapias antienvelhecimento eficazes».

E a depressão? O tempo que tinham para conversar está a terminar e ainda não se falou da doença que dizem ser a epidemia deste século. Portugal é dos países da Europa onde mais se consome ansiolíticos e antidepressivos. A perspetiva de uma sociedade computorizada levará a que a doença aumente ainda mais? Para a investigadora, «a depressão vai crescer», mas diz que esta não é a sua área e que tem muita dificuldade em classificar as doenças. «O que me preocupa é o rótulo dado a estas doenças.» Sobrinho Simões comenta: «Há muitas demências, mas não sei se há mais depressão. O que sei é que somos dos povos do mundo que mais medicamentos tomamos para a depressão. Somos grandes consumidores de pastilhas, pingos e TAC.»

«Eu tomo algumas. Só de pensar que vou ter uma dor de cabeça tomo logo uma pastilha», confessa. Elsa assume: «Não tomo nada. Mas no caso do professor parece funcionar, pelo menos previne.»

Depois do riso, a preocupação. «Ninguém sabe se a depressão está a aumentar, o que está a aumentar são os velhinhos. E voltamos ao mesmo, às doenças do futuro, que, no fundo, será uma só: o envelhecimento.»

Doenças previsíveis como artrite reumatoide, artroses, diabetes, cancro e Alzheimer vão acompanhar-nos. Disto não há que duvidar. Poderemos ser surpreendidos pelas imprevisíveis: as virais. E a surpresa pode chegar pelo simples facto de se rejeitar a vacinação. «Podemos voltar a ter doenças que pensávamos estarem erradicadas», alerta Elsa. «Mas podem trazer algo mais sério, como o que aconteceu na viragem do século xxi, o vírus HN1, ou até uma peste. É catastrófico, eu sei, mas é o imprevisível.»

Para 2064, Sobrinho Simões tem um grande receio: «Como vai ser o poder? Vai ser mais concentrado, mais capitalista, de face chinesa ou americana? Vão ser poucos a mandar e o resto a trabalhar? Vão querer que sejamos muito saudáveis e felizes para sermos mais produtivos? Ou vão querer apenas mão-de-obra barata e tratar-nos à bruta? Esta é a grande questão: como vai ser a política?»

«Se não forem parvos, vão querer que sejamos civilizados, magrinhos, saudáveis, simpáticos, bem-educados», diz a rir-se. Elsa acrescenta: «E põem-nos a trabalhar até aos 80 anos.» «Exatamente. Não tenho dúvidas de que as doenças do futuro serão aquelas que os políticos quiserem, aquelas que surgirão das políticas que aprovarem quer a nível ambiental quer de trabalho, natalidade, lazer, prazer. Tudo isto importa.»

No final, ainda há tempo para elogios, perguntas e comentários entre os dois. «Aprendi imenso com ela. Pensa muito bem. Ainda está na fase em que pensa que é praticamente imortal. Eu já estou na fase em que não estou assustado, mas triste com a velhice. A Dra. Elsa ainda tem o olho brilhante quando fala de tudo.»

Elsa Logarinho contra-argumenta: «Eu é que continuo a aprender com o professor. É um exemplo do que é o envelhecimento ativo. Portanto, não pode estar pessimista. É o que todos deveríamos projetar para nós em 2064.» Ele, que já passou por um acidente vascular cerebral, confessa: «Sabe, tenho uma toxicodependência: o trabalho. É uma fuga em frente.» Ela responde de forma positiva: «Apesar de tudo, não é bom estar aqui?» «Sim, é bom. Se pudermos levantar-nos de manhã», responde o professor a rir-se. O tempo acabou. Agora esperava-o uma reunião em Coimbra.

Será esta a receita para 2064?

Fonte: DN

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Das “alterações climáticas” ao 5G: será que estão preocupados connosco?


No momento em que está previsto o leilão da banda de frequências para permitir o 5G em Portugal para Abril, é importante que os portugueses vejam também “o outro lado da moeda”.

A energia como bem fundamental da existência humana está no epicentro da estratégia política delineada pela União Europeia e, portanto, a política energética nacional é apenas um reflexo das decisões políticas tomadas pela mencionada União. Esta política é dominada pela chamada “transição energética” que, no fundo, está a ser imposta como uma agenda política e não como uma solução tecnológica viável dum ponto de vista técnico e económico.

Revendo os documentos europeus, p.e. Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, sobre este tema, surge sistematicamente a temática das “alterações climáticas” como pano de fundo e justificação para a dita “transição energética”, onde poucos pontos de vista discrepantes destes são permitidos.

Por esse motivo, como nunca até agora, é importante debater-se este assunto, uma vez que assistimos a uma crescente politização da ciência. Onde argumentos científicos como as “alterações climáticas” são usados por políticos sem que tenham uma compreensão do que realmente está em causa. Em ciência não existem “resultados definitivos” e, portanto, estes não podem ser utilizados como forma de justificar uma agenda política. Num contexto em que tal acontece, os ditos argumentos devem ser ouvidos, debatidos e interpretados com reflexão e maturidade.

É claro o objectivo de se criar a conexão total entre os indivíduos, promovendo para tal tecnologias que apresentam graves perigos para a saúde pública, e, portanto, para o fazerem tem de haver um argumento, uma justificação e a ciência tem sido usada para esse fim.

Numa típica relação Problema-Reacção-Solução (referida por Hegel), o problema das “alterações climáticas” foi levantado, sobre as quais não se permite um debate sério, o que tem causado uma reacção de histeria e pânico global, como representado pela actuação e notoriedade duma criança chamada Greta Thunberg, e cuja solução é a “transição energética” onde, entre outras coisas, se promove a “internet das coisas”. Para que tal se torne real, o uso da quinta geração de telecomunicações, 5G, é imprescindível, sendo até promovido no novo decreto Decreto-Lei n.º 162/2019 para o autoconsumo. Se fossemos levados directamente para a “internet das coisas”, esta não seria aceite dada a perda de privacidade pessoal, a imensa possibilidade de controlo e, naturalmente, os graves perigos de saúde pública* que esta tecnologia representa. De resto, o aumento de consumo de energia requerido pela operação da tecnologia 5G, assim como os custos reais da sua implementação, são absolutamente desconhecidos pela opinião pública.

Neste sentido, aliar política energética europeia com o desenvolvimento da quinta geração de telecomunicações é, no fundo, o revelar duma política federalista com a vontade de se criar um mercado interno europeu regulado pelo Banco Central Europeu e pela União Europeia e os seus mentores.

Em tal contexto de Política Europeia, não admira que tenha sido removido de todo o debate público a questão dos impactos na vida humana e natural das telecomunicações móveis, muito embora exista extensa literatura testemunhando a gravidade da situação [1]. No momento em que está previsto o leilão da banda de frequências para permitir o 5G em Portugal para Abril, é importante que os portugueses vejam também “o outro lado da moeda”.

Para que haja um enquadramento mais alargado é importante mencionar que, a nível internacional, várias têm sido as campanhas de alerta, algumas das quais aqui listadas, e que merecem a atenção por parte das autoridades responsáveis:





A estes movimentos se acrescenta o facto de mais de 40 cidades mundiais terem já banido o 5G.

De entre os problemas de saúde listados na literatura científica encontramos os seguintes [2]: stresse oxidativo, danos testiculares, efeitos neuropsiquiátricos, apoptose celular, danos do DNA celular, alterações endócrinas e sobrecarga de cálcio. Estes problemas levam, em muitos casos, ao desenvolvimento de doenças graves como cancros, mutações genéticas, perda de fertilidade, entre outras.

Uma exposição clara sobre o assunto pode ser encontrada aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wIMHFU4PP50&feature=youtu.be

De facto, as comunicações sem-fios são transmitidas através de radiação electromagnética, designada por não-ionizante, por não ter capacidade para ionizar átomos ou moléculas, e, por esse motivo, a avaliação de risco deste tipo de radiação é feita, no domínio público, quase exclusivamente pelo efeito térmico que produzem [2]. Este efeito, normalmente, não é significativo, no entanto, os efeitos de iteração electromagnética são enormemente significativos e são a causa dos danos anteriormente listados.

Para agravar a situação, a “International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection” (ICNIRP), usada muitas vezes para fundamentar a ausência de efeitos prejudiciais para saúde, tem sido sistematicamente considerada como inaceitável [3]. Neste artigo, o autor do mesmo menciona vários casos de conflitos de interesse dentro do ICNIRP, além da omissão de variadíssimos estudos que revelam resultados preocupantes para a saúde pública.

Toda esta temática se deve a que os organismos biológicos (humano, plantas, etc.) são constituídos por elementos que respondem ativamente aos campos eletromagnéticos. Para se ter uma ideia deste tipo de feitos este artigo [4] diz o seguinte: “The applied levels of MMW power are three orders of magnitude below the existing safe limit for human exposure of 1 mW cm−2. Surprisingly, even at these low power levels, MMWs were able to produce considerable changes in neuronal firing rate and plasma membrane properties”, em que MMW significa ondas milimétricas.

Finalmente, esta quinta geração de telecomunicações, 5G, é preocupante para a saúde pública por três motivos:

1) utiliza uma banda de comprimentos de ondas mais curtos (chamadas ondas milimétricas) e, portanto, são mais energéticos que as anteriores gerações;

2) devido aos comprimentos de onda serem mais curtos, para esta tecnologia funcionar têm de ser instaladas variadíssimas mini-antenas para garantirem rede;

3) esta tecnologia usa altas frequências pulsadas que têm a capacidade de interferir directamente com o sistema neurológico.

Ou seja, seremos expostos a muito mais radiação e mais energética, o que deverá aumentar a incidência dos problemas antes descritos.

Convido a todos, segundo o vosso critério, a reflectirem sobre este assunto. Caso estejam interessados podem consultar, assinar e divulgar a petição criada para promover atenção sobre este assunto: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT92866

Referências

[1] Handbook of Biological Effects of Electromagnetic Fields, Fourth Edition – Two Volume Set, Edited by Ben Greenebaum and Frank Barnes, CRC Press, Taylor & Francis Group (2019) https://www.taylorfrancis.com/books/9781315217734

[2] M.L. Pall, Wi-Fi is an important threat to human health, Environmental Research 164, 405-416 (2018). https://doi.org/10.1016/j.envres.2018.01.035

[3] S.J. Starkey, Inaccurate official assessment of radiofrequency safety by the Advisory Group on Non-ionising Radiation, Rev Environ Health 31(4), 493–503 (2016). https://doi.org/10.1515/reveh-2016-0060

[4] V. Pikov, X. Arakaki, M. Harrington, S.E. Fraser, and P.H. Siegel, Modulation of neuronal activity and plasma membrane properties with low-power millimeter waves in organotypic cortical slices, Journal of Neural Engineering, 7, 045003 (2010) https://doi.org/10.1088/1741-2560/7/4/045003

*O ponto 8 do Artigo 114 (relativo ao mercado interno da Europa) do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, na sua versão consolidada de 2016, diz o seguinte:

“8. Sempre que um Estado-membro levante um problema específico em matéria de saúde pública num domínio que tenha sido previamente objeto de medidas de harmonização, informará do facto a Comissão, que ponderará imediatamente se deve propor ao Conselho medidas adequadas.”

Este pode ser um bom enquadramento legal para o bloqueio à instalação do 5G.

Hugo Gonçalves Silva
Investigador auxiliar da Universidade de Évora

Fonte: Popular
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