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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Israel mostra suas novas 'espadas laser' que abaterão mísseis e drones


Os militares de Israel consideram seu novo sistema de defesa aérea como "um avanço tecnológico".

O Ministério da Defesa de Israel mostrou seus novos lasers de alta energia capazes de interceptar "ameaças de longo alcance". "Essa tecnologia promoverá uma mudança estratégica nas capacidades de defesa do Estado de Israel", afirmou o Ministério.

O novo sistema de defesa aérea é um grande "avanço tecnológico", afirma o exército  de Israel. Os lasers são colocados em plataformas móveis e podem interceptar mísseis, projécteis de argamassa e artilharia e até drones e mísseis guiados.

Uma das vantagens deste sistema antiaéreo é que ele pode ser usado continuamente a baixo custo, detalha a declaração oficial do Ministério da Defesa de Israel.


Fonte: RT

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O reconhecimento facial abre caminho para o pesadelo de George Orwell


Tecnologia ameaça a privacidade das pessoas e abre as portas à distopia descrita no livro '1984'. Por outro lado, permite identificar em tempo recorde terroristas logo após cometerem atentados

Alguém pode tirar sua foto na rua e conseguir saber quem você é para contactá-lo. Acontece na Rússia. Alguém pode atravessar a faixa de pedestres quando não for permitido e ver que as autoridades lhe multam e pegam sua foto atravessando indevidamente nas paragens de autocarro após identificá-lo com a imagem captada por uma câmara de segurança. Acontece na China

Uma pessoa pode receber a visita inoportuna da polícia porque o algoritmo falhou e a identificou erroneamente. Aconteceu nos Estados Unidos, em cinco ocasiões, com cinco pessoas, em 2015, como admitiu a polícia de Nova York. Tudo isso pode ter acontecido em outros momentos da história, mas nunca foi tão fácil como agora. 

A tecnologia do reconhecimento facial tem inúmeras comodidades, sim, de promessas de uma maior segurança, certo. Mas, paralelamente, a expansão de toda uma indústria de segurança que gira em torno dela transforma o pesadelo orwelliano de uma sociedade de pessoas controladas em algo mais do que uma possibilidade futura.

Derivada da inteligência artificial, ela deu seus primeiros passos em meados dos anos sessenta. Aquelas primeiras tentativas de usar um computador para reconhecer um rosto humano resultaram em uma tecnologia que alcançou um nível de plenitude assombroso.
 
Prova disso é o iPhone X, que realiza algo que há alguns anos pertencia ao domínio da ficção científica: desbloquear um telemóvel com a imagem de nosso rosto. “Quando você encontra uma tecnologia como essa em um aparelho de consumo como o telemóvel”, afirma Enrique Dans, professor de Inovação no IE Business School, “quer dizer que já se pode fazer de tudo com ela”.

Na China, país que fixou como meta se transformar no líder em pesquisa e aplicativos de inteligência artificial em 2030, as pessoas já podem scanear o rosto com o aplicativo para telemóvel Xiaohua Qianbao e pedir um empréstimo ao banco virtual operado pela Xiaohua; ir a um Kentucky Fried Chicken da cidade de Hangzhou e pagar com um sorriso – o Smile to Pay (“sorria para pagar”) é o mais recente sistema desenvolvido pela empresa de pagamentos online Alipay −, e controlar a frequência às aulas de alunos da Universidade de Comunicações de Nanquim.

Ali, a tecnologia avança com os passos firmes da Face++, startup chinesa que derrotou no fim de outubro equipes do Facebook, Google e Microsoft em provas de reconhecimento de imagem na Conferência Internacional de Visão por Computador realizada na Itália. Naquele mesmo mês, a companhia levantou 460 milhões de dólares em uma rodada de financiamento.

Mas a expansão do fenómeno não se limita a esse território. Lojas de Toronto utilizam a tecnologia para detectar ladrões. O Facebook a usa faz tempo para identificar quem aparece nas fotos. De facto, em 2015 já anunciou que podia identificar uma pessoa com 83% de sucesso sem ver sua cara: o tipo de corpo, o penteado e a postura são elementos suficientes. 

Agora, o novo desafio dos pesquisadores é conseguir identificar pessoas que usem óculos escuros, véu, máscara, balaclava (espécie de gorro com finalidades desportivas): na Universidade da Basileia, Suíça, o professor Bernhard Egger trabalha em um sistema que cria um padrão do rosto em 3D a partir das zonas descobertas da face.

Assim, o mercado do reconhecimento facial já movimenta mais de 3,3 biliões de dólares no mundo e poderia chegar a 7,7 biliões de dólares em 2022, segundo a consultora MarketsandMarkets. Bancos, companhias aéreas, telecomunicações, fabricantes de computadores, todos se abrem a esta nova forma de identificação biométrica que significa um salto à frente em comparação com a impressão digital e a íris.

Mas o rosto não é a mesma coisa que a impressão digital. Quando vamos renovar nosso documento de identidade, concordamos em ceder esse dado biométrico às autoridades. Mas nosso rosto pode ser captado por qualquer um sem nosso consentimento. Por meio de qualquer câmara na rua, em qualquer lugar.

Esta tecnologia tem duas modalidades básicas, como explica por telefone de Michigan o grande especialista Anil K. Jain, professor de engenharia informática e director do grupo de pesquisas biométricas da Universidade de Michigan. Uma é a de autenticação ou detecção de rosto (face detection), na qual o sistema compara duas imagens: a que temos armazenada no telefone − no caso do iPhone − e um modelo em 3D criado a partir do rosto que se apresenta diante da tela. 

E a outra é a de busca de rosto (face search), na qual se cruza uma imagem com as que estão armazenadas em um banco de dados para ver se coincidem − para identificar desconhecidos. “Nesta segunda é muito mais fácil cometer erros”, explica Jain. “São necessários computadores potentes e grandes bancos de dados com milhões de rostos.”

Essa segunda modalidade foi a que desencadeou um debate inflamado sobre a privacidade e as liberdades. Sua combinação com a crescente auto exposição nas redes sociais está acabando com a era do anonimato. 

O melhor exemplo é dado pelo aplicativo FindFace, que no ano passado causou muita polémica na Rússia: uma pessoa pega o telemóvel e tira uma foto do passageiro à sua frente no metro; o algoritmo do aplicativo compara a imagem com as existentes na rede social Vkontakte (que conta com mais de 400 milhões de perfis) e, com uma eficácia de 70%, permite saber quem é essa pessoa. Uma ferramenta perigosa em tempos marcados pelo assédio.

Tecnologia permite identificar em tempo recorde terroristas que acabam de cometer um atentado

E tem mais. Em 2014, os professores Alessandro Acquisti, Ralph Gross e Fred Stutzman demonstraram com o estudo Reconhecimento Facial e Privacidade na Era da Realidade Aumentada o quanto é fácil identificar um desconhecido na era das redes sociais. Com uma webcam e um bom programa de reconhecimento facial, puderam identificar um de cada três alunos que circulavam pela Universidade Carnegie Mellon. 

Tiveram apenas de cruzar a imagem obtida com as oferecidas pelo mecanismo de busca do Google ou pelos perfis do Facebook. Em alguns casos, o algoritmo permitia até mesmo aceder ao número do Seguro Social da pessoa fotografada.

Dito isso, nem tudo é perigoso. O aperfeiçoamento dos algoritmos e das técnicas de análise de dados e a ampliação exponencial dos bancos de imagens de rostos têm proporcionado às forças de segurança um instrumento formidável para identificar em tempo recorde criminosos e terroristas que acabam de cometer um atentado. 

O professor Anil K. Jain, de facto, publicou em 2013 um trabalho científico no qual demonstrou que era possível identificar um dos dois irmãos que detonaram duas bombas na maratona de Boston em abril de 2013 usando, simplesmente, as imagens divulgadas pelos canais de televisão. 

“A precisão da detecção de rostos chega às vezes a 90% com as imagens analisadas nas esquadras policiais”, diz. Ou seja, na modalidade de face detection. No entanto, quando se trabalha com imagens de uma câmara de vídeo de segurança da rua (face search), a coisa muda. “Aí tudo dependerá da qualidade da imagem que se obtenha.”

Para que o aparato de segurança que está sendo configurando neste início do século XXI funcione a plena capacidade, são necessários algoritmos cada vez mais precisos, sim. Mas a chave é manter os bancos de dados bem abastecidos. De rostos. E a China já dispõe de um banco de dados com um bilião de fotos de seus cidadãos, o maior do mundo. 

O gigante asiático conta, além disso, com uma ampla rede de câmaras para captar imagens na rua. A Face++, segundo o Financial Times, está ajudando o Governo chinês a rastrear 1,3 biliões de habitantes do país através de imagens de câmaras de segurança. Scanear placas de carro, scanear rostos. O pesadelo imaginado por Orwell em seu livro 1984 vai tomando forma.

Os norte-americanos não ficam atrás. Um relatório feito no ano passado pelo Law’s Center on Privacy and Technology, o centro sobre privacidade e tecnologia da faculdade de direito da Universidade de Georgetown, estima que 117 milhões de cidadãos já estejam nos bancos de dados que a polícia pode usar. 

Em conversa telefónica de Nova Iorque, o director executivo do centro, Álvaro Bedoya, afirma que o total a esta altura já chega a 125 milhões. “Isto nunca ocorreu na história dos EUA”, protesta. “Os bancos de dados de ADN e impressões digitais eram compostos por pessoas com antecedentes penais. Está sendo criado um banco de dados biométricos de pessoas que respeitam a lei, atravessou-se o Rubicão.”

Bedoya, um destacado jurista, considera que a tecnologia só deve ser usada para crimes graves, não de forma ilimitada: “Na Rússia ela é usada para identificar manifestantes. Nos EUA, também. Caminhamos para uma sociedade de controle. Pode-se identificar qualquer um, a qualquer momento, por qualquer motivo”.

A tecnologia também é usada em ações de policiamento preventivo. O uso de inteligência artificial permite seguir alguém através das câmaras de segurança existentes em espaços públicos e analisar seus movimentos, sua linguagem corporal. Com essa enorme recolha de dados se pretende, por meio de modelos estatísticos, prever onde pode ocorrer um crime e quem pode cometê-lo.

“Na Rússia ela é usada para identificar manifestantes. Nos EUA, também”, alerta o jurista Álvaro Bedoya

O problema é onde vai parar nosso rosto. O jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos que indicam que o procurador-geral da Austrália manteve conversas com empresas de comunicações e bancos para o uso privado de seu serviço de verificação facial em 2018. E os especialistas em protecção de dados se preocupam com o uso que as empresas possam fazer dos bancos de rostos de seus clientes. 

Uma investigação do jornal The Washington Post revelou em novembro que Apple estava compartilhando informações de rostos com alguns aplicativos e, como consequência da investigação jornalística, realizou uma mudança, exigindo que um aplicativo informasse seus usuários sobre isso em sua política de privacidade.

Facebook, Google e Snapchat, por sua vez, são três das empresas que já foram processadas em Illinois por captar e armazenar imagens dos usuários sem seu consentimento. Por acaso podemos confiar em que as empresas da nova economia digital não comercializarão nossos rostos?

“O problema é que há uma total falta de transparência”, diz Kelly Gates, professora da Universidade da Califórnia em San Diego e autora do livro Our Biometric Future: Facial Recognition Technology and the Culture of Surveillance (“nosso futuro biométrico: tecnologia do reconhecimento facial e a cultura da vigilância”). “A polícia, assim como o Exército, experimenta, mas não sabemos o que estão fazendo.”

Essa pesquisadora, que agora estuda as técnicas de análise forense de vídeo, ressalta que há uma proliferação de vídeos e dados procedentes de drones, câmaras de rua e de estabelecimentos comerciais cuja análise é terceirizada para empresas privadas. “Os cientistas dizem que é uma tecnologia com a qual se cometem muitos erros. Não há uma ciência que a respalde e, mesmo assim, ela continua sendo utilizada”, assinala Gates.

Que seja feito tudo para que não aconteça na realidade o que ocorre na distopia assinada por Terry Gilliam, Brazil, filme de 1985 no qual um erro de dados leva à detenção do senhor Buttle quando o objectivo era deter o senhor Tuttle. 

Algo que, nas mãos de um integrante do Monty Python, é muito engraçado, mas no mundo real, não tem graça nenhuma. Gates é incisiva: “Está sendo buscada uma segurança perfeita que nunca será alcançada. Pensar que, em contextos de violência, tudo isto é a grande solução é como comprar mais aparelhos de ar condicionado para resolver os problemas representados pela mudança climática”.

No fim das contas, a questão é em quais mãos recai o uso desta tecnologia e de nossos dados. Com ela, países com problemas de direitos humanos e restrições às liberdades têm um tremendo instrumento de perseguição de dissidentes. 

O controle, como se não fosse suficiente aquele que pode ser exercido por meio dos dispositivos que já temos, atravessa uma nova fronteira. Alguém imagina esta tecnologia nas mãos de um Governo de extrema direita na Europa? 
Ou em um país governado por fundamentalistas muçulmanos?

Fonte: El Pais

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Missão TESS da NASA descobre seu primeiro planeta com duas estrelas


Em 2019, quando Wolf Cukier terminou seu primeiro ano na Scarsdale High School, em Nova York, ele ingressou no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, como estagiário de verão. Seu trabalho era examinar as variações no brilho das estrelas captadas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e enviadas para o projecto de ciência cidadã Planet Hunters TESS .

"Eu estava procurando nos dados tudo o que os voluntários sinalizaram como um binário eclipsante, um sistema em que duas estrelas circulam entre si e, do nosso ponto de vista, eclipsam-se a cada órbita", disse Cukier. “Cerca de três dias após o estágio, vi um sinal de um sistema chamado TOI 1338. No começo, pensei que fosse um eclipse estelar, mas o tempo estava errado. Acabou sendo um planeta.

O TOI 1338 b, como é agora chamado, é o primeiro planeta circumbinário do TESS, um mundo orbitando duas estrelas. A descoberta foi apresentada em um painel de discussão na segunda-feira, 6 de janeiro, na 235ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Honolulu. Um artigo, que Cukier foi co-autor, juntamente com cientistas de Goddard, Universidade Estadual de San Diego, Universidade de Chicago e outras instituições, foi submetido a uma revista científica.

O sistema TOI 1338 fica a 1300 anos-luz de distância na constelação Pictor . As duas estrelas orbitam-se a cada 15 dias. Uma é cerca de 10% mais massiva que o nosso Sol, enquanto a outra é mais fria, mais escura e apenas um terço da massa do Sol.

O TOI 1338 b é o único planeta conhecido no sistema. É cerca de 6,9 ​​vezes maior que a Terra, ou entre os tamanhos de Neptuno e Saturno. O planeta orbita quase exactamente no mesmo plano que as estrelas, então experimenta eclipses estelares regulares.

A TESS possui quatro câmaras, que captam uma imagem em tamanho completo de um pedaço do céu a cada 30 minutos por 27 dias. Os cientistas usam as observações para gerar gráficos de como o brilho das estrelas muda ao longo do tempo. Quando um planeta cruza a frente de sua estrela da nossa perspectiva, um evento chamado trânsito, sua passagem causa um distinto mergulho no brilho da estrela.

Mas os planetas que orbitam duas estrelas são mais difíceis de detectar do que aqueles que orbitam uma. Os trânsitos do TOI 1338 b são irregulares, entre a cada 93 e 95 dias, e variam em profundidade e duração graças ao movimento orbital de suas estrelas. TESS apenas vê os trânsitos cruzando a estrela maior; os trânsitos da estrela menor são muito fracos para serem detectados.

"Esses são os tipos de sinais com os quais os algoritmos realmente enfrentam", disse o principal autor Veselin Kostov, cientista do SETI Institute e Goddard. "O olho humano é extremamente bom em encontrar padrões nos dados, especialmente padrões não periódicos, como aqueles que vemos nos trânsitos desses sistemas".

Isso explica por que Cukier teve que examinar visualmente cada potencial trânsito. Por exemplo, ele inicialmente pensou que o trânsito da TOI 1338 b era o resultado da estrela menor do sistema passando na frente da maior - ambas causam quedas semelhantes no brilho. Mas o momento estava errado para um eclipse.

Após identificar o TOI 1338 b, a equipe de pesquisa usou um pacote de software chamado eleanor, com o nome de Eleanor Arroway, o personagem central do romance “Contact”, de Carl Sagan, para confirmar que os trânsitos eram reais e não eram resultado de artefactos instrumentais.

"Em todas as suas imagens, o TESS está monitorizando milhões de estrelas", disse a coautora Adina Feinstein, uma estudante de graduação da Universidade de Chicago . “É por isso que nossa equipe criou eleanor. É uma maneira acessível de baixar, analisar e visualizar dados de trânsito. Nós o projectamos com planetas em mente, mas outros membros da comunidade o usam para estudar estrelas, asteróides e até galáxias. ”

O TOI 1338 já havia sido estudado a partir do solo por pesquisas de velocidade radial, que medem o movimento ao longo de nossa linha de visão. A equipe de Kostov usou esses dados de arquivo para analisar o sistema e confirmar o planeta. Sua órbita é estável pelos próximos 10 milhões de anos. O ângulo da órbita em relação a nós, no entanto, muda o suficiente para que o trânsito do planeta pare depois de novembro de 2023 e volte oito anos depois. 

As missões Kepler e K2 da NASA descobriram anteriormente 12 planetas circumbinários em 10 sistemas, todos semelhantes ao TOI 1338 b. Observações de sistemas binários são tendenciosas para encontrar planetas maiores, disse Kostov. Os trânsitos de corpos menores não têm um efeito tão grande no brilho das estrelas. Espera-se que o TESS observe centenas de milhares de binários eclipsantes durante sua missão inicial de dois anos; muitos desses planetas circumbinários devem estar aguardando a descoberta.

O TESS é uma missão da NASA Astrophysics Explorer liderada e operada pelo MIT em Cambridge, Massachusetts, e gerenciada pelo Goddard Space Flight Center da NASA. 

Parceiros adicionais incluem Northrop Grumman, com sede em Falls Church, Virginia; O Ames Research Center da NASA, no Vale do Silício, na Califórnia; o Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, Massachusetts; Laboratório Lincoln do MIT; e o Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, em Baltimore. Mais de uma dúzia de universidades, institutos de pesquisa e observatórios em todo o mundo são participantes da missão.

Faixa: O TOI 1338 b é mostrado em silhueta por suas estrelas hospedeiras. O TESS detecta apenas trânsitos da estrela maior. Crédito: Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA / Chris Smith



Pesquisadores que trabalham com dados do Transess Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA descobriram o primeiro planeta circumbinário da missão, um planeta orbitando duas estrelas. 

O planeta, chamado TOI 1338 b, é cerca de 6,9 ​​vezes maior que a Terra, ou entre os tamanhos de Neptuno e Saturno. Encontra-se num sistema a 1300 anos-luz de distância na constelação Pictor. 

As estrelas no sistema formam um binário eclipsante, que ocorre quando os companheiros estelares se circundam em nosso plano de visão. Um é cerca de 10% mais massivo que o nosso Sol, enquanto o outro é mais frio, mais escuro e apenas um terço da massa do Sol. 

Os trânsitos do TOI 1338 b são irregulares, entre a cada 93 e 95 dias, e variam em profundidade e duração graças ao movimento orbital de suas estrelas. TESS apenas vê os trânsitos cruzando a estrela maior - os trânsitos da estrela menor são muito fracos para serem detectados. 

Sua órbita é estável pelos próximos 10 milhões de anos. O ângulo da órbita em relação a nós, no entanto, muda o suficiente para que o trânsito do planeta pare depois de novembro de 2023 e volte oito anos depois.

Créditos: Goddard Space Flight Center da NASA

Fonte: NASA

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Um computador feito de ADN pode calcular a raiz quadrada de 900


Um computador feito de filamentos de ADN num tubo de ensaio pode calcular a raiz quadrada de números até 900.

Chunlei Guo, da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, e colegas desenvolveram um computador que usa 32 filamentos de ADN para armazenar e processar informações. Ele pode calcular a raiz quadrada dos números quadrados 1, 4, 9, 16, 25 e assim por diante até 900.

O computador de ADN usa um processo conhecido como hibridação, que ocorre quando duas fitas de ADN se unem para formar o ADN de fita dupla.

Para começar, a equipe codifica um número no ADN usando uma combinação de dez blocos de construção. Cada combinação representa um número diferente de até 900 e é anexada a um marcador de fluorescência.

A equipe então controla a hibridação de forma a alterar o sinal fluorescente geral, de modo a corresponder à raiz quadrada do número original. O número pode ser deduzido da cor.

O computador de ADN pode ajudar a desenvolver circuitos de computação mais complexos, diz Guo. "A computação em ADN ainda está na sua infância, mas é uma grande promessa para resolver problemas que são muito difíceis ou mesmo impossíveis de lidar com os actuais computadores baseados em silicone", diz ele.

Guo acredita que os computadores de ADN podem um dia substituir os computadores tradicionais por cálculos complexos.

Fonte: NewScientist

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A extraordinária vida dos transístores e dos chips


São cada vez mais pequenos e dão-nos cada vez mais em todo o tipo de objetos eletrónicos. Esta é a história dos velhinhos chips (e dos transístores): como chegámos aqui e como será o futuro, recorrendo à luz ou ao papel para transmitir dados. A caminho da computação quântica.

São o cérebro dos sistemas computadorizados que, hoje, damos por garantidos no nosso dia-a-dia. São cada vez mais pequenos, conectados e integrados em circuitos que são verdadeiros sistemas de planetas minúsculos no cosmos que é o mundo digital. Os chamados chips de computação podem parecer pequenos, mas escondem um sem-fim de transístores que têm crescido em número e decrescido em tamanho de forma vertiginosa ao longo dos anos.

São eles que permitem dar funções específicas a uma infinidade de aparelhos eletrónicos. Se no passado, começando nos eletrodomésticos, a sua capacidade era muito limitada, agora temos supercomputadores, smartphones, tablets, aspiradores robôs, colunas digitais inteligentes e sensores da chamada internet das coisas (que alimentam cidades e casas inteligentes e podem ir de caixotes de lixo a lugares de estacionamento que transmitem informação).

Estes pequenos transístores não são, no entanto, componentes isoladas ou individuais, fazem parte do chamado circuito integrado (também conhecido como microchip) ou dos processadores (que podem ser de diferentes tipos - úteis para tarefas muito diferentes), nos quais os transístores trabalham de forma concertada para ajudar o sistema computadorizado a completar os seus cálculos.

Como começou a era dos chips?

Em menos de 60 anos evoluiu-se mais na sofisticação da computação de máquinas do que em milénios de evolução humana. As várias guerras e a própria era espacial que, nos anos 1960, culminou com a chegada do primeiro homem à Lua - neste ano cumpriram-se 50 anos que Neil Armstrong pisou o solo lunar - foram fulcrais para evolução da computação em geral e dos chips em particular. Foram precisas algumas décadas de experimentação para que materiais sólidos, os transístores, pudessem substituir a tecnologia anterior: tubos de vácuo que eram o meio utilizado para canalizar os eletrões.

Robert Noyce, cofundador da Fairchild e da Intel, é um dos pais do microchip, 
desenvolvido em Stanford, em Silicon Valley.

O autor norte-americano James Jay Carafano explica, no livro Wiki at War (ed. Texas A&M University Press), que "os novos transístores sólidos surgidos na década de 1960 eram mais pequenos, precisavam de menos potência e eram bem mais rápidos". E tudo começou com a Força Aérea dos EUA, já que foram eram eles a promover o desenvolvimento dos transístores a pensar no espaço reduzido disponíveis nos aviões.

Em várias investigações patrocinadas pela Força Aérea, houve uma que se destacou, desenvolvida pela empresa Fairchild Camera and Instrument Corporation - conhecida por fornecer câmaras durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria a pensar na espionagem. A Fairchild tinha fortes ligações à Universidade de Stanford, na Califórnia, e foi dali que a empresa lançou comercialmente, em 1961, o primeiro circuito integrado com chips de silicone que a Força Aérea usou em computadores e mísseis. O sucesso foi tal que a Fairchild passou a chamar-se Fairchild Semiconductor e Stanford tornou-se o coração da zona que hoje conhecemos como Silicon Valley.

Alcides Fonseca, professor e investigador em Computação Evolucionária da Universidade de Lisboa, lembra uma lei muito referida nos anos 1990 para explicar esta evolução dos chips. A Lei de Moore baseia-se numa investigação de 1965 de Gordon Moore - cofundador da Fairchild e da Intel (nascida em 1968) - que indicava que o número de componentes num circuito integrado poderia duplicar anualmente durante dez anos e, depois disso, passaria a duplicar a cada dois anos. O professor admite que essa evolução já é diferente do que diz a lei, já que "o ritmo de aumento de transístores num chip pode duplicar de dois em dois anos, mas a rapidez dos dados que passam por eles não cresce ao mesmo ritmo".

O investigador dá o exemplo do último iPhone 11 Pro e do seu processador A13, para explicar como este tipo de chips tem evoluído: embora um processador possa ter muitos núcleos (cores), estes têm naturezas distintas e fazem coisas diferentes. "O novo iPhone tem no A13 seis núcleos, em que dois são mais rápidos do que os outros quatro, que são mais eficientes no consumo de energia - todas as combinações são possíveis tendo em conta os que estão ativos."

Quando o telefone executa coisas simples, usa os processadores mais lentos para poupar bateria, quanto se joga um jogo mais exigente, "ativa todos porque precisa da potência máxima e "ainda vai buscar quatro núcleos da placa gráfica, para gerar o que vemos no ecrã". Existem ainda oito núcleos neuronais no iPhone, que incluem técnicas de machine learning que já permitem melhorar a qualidade das imagens e vídeos em tempo real. "Daí a que, hoje, quando filmamos um vídeo com um telefone estamos a usar vários tipos processadores. Só para filmar são os processadores normais que executam todo o tipo de tarefas, já os processadores gráficos mostram-nos no ecrã o vídeo que estamos a fazer e os neuronais ajustam a luminosidade ou o foco através de machine learning." Alcides Fonseca admite que hoje temos nos nossos bolsos o que seria considerado um supercomputador há uns anos.

Nunca houve a nível tecnológico na história da humanidade uma onda tão rápida de redução de custos, aumento de simplicidade e crescimento de fiabilidade e eficácia quanto aquela a que os computadores navegaram.

Os chips de silicone são também centrais na criação da chamada Internet 2.0, explica ainda Carafano. Sem a criação do tal semicondutor integrado, a tecnologia computadorizada não teria feito a transição para ser uma ferramenta de ligação social entre humanos - onde o imediatismo e a facilidade de envio de texto, áudio e vídeo também trouxe desafios sociais e de privacidade inesperados. O chip tornou, desta forma, o computador acessível a uma grande parte da humanidade.

O futuro da computação: chips com luz

Já apelidada por publicações especializadas como "o futuro da computação", esta é uma solução com chips que usam luz para transmitir os dados, embora se trate na mesma de uma computação eletrónica. "Estamos a desenvolver chips optoeletrónicos que permitem reduzir a energia gasta na computação e aumentar a velocidade que já não era possível alcançar com os transístores de cobre. É um design único com componentes que transmitem os dados usando ondas de luz, mas em que mantemos o uso dos chips de silicone", explica a CEO da empresa que já começou a aplicar os avanços feitos em centros de dados de gigantes como Facebook e Amazon.

Wright-Gladstein admite que é possível reduzir os gastos energéticos até 95% nas comunicações entre chips e aumentar a rapidez até dez vezes além do que os chips de cobre permitem, graças à investigação de dez anos. Nos centros de dados dos gigantes de tecnologia, têm conseguido reduzir o consumo energético entre 30 a 50%. "Neste momento, há um bloqueio nos centros de dados grandes em relação à rapidez de transmissão de dados que esperamos melhorar significativamente." A doutorada do MIT admite que o objetivo é levar estes chips para os supercomputadores, mas também para carros autónomos, aparelhos médicos ou de realidade aumentada em que, além de melhorar a potência de computação, "podemos tornar estas tecnologias mais baratas e acessíveis". "Estamos entusiasmados com o que poderá desbloquear no futuro", diz.

Chips de papel made in Portugal

Há soluções bem criativas no mundo dos chips, para outros tipos de uso, e uma delas está a ser desenvolvida em Portugal e permite criar um papel eletrónico (Paper-E) que chegou já a finalista do Prémio Inventor Europeu do Ano, em 2016. Elvira Fortunato lidera a equipa da Universidade Nova de Lisboa (UNL) que criou estes transístores com papel, uma descoberta que irá permitir a criação de sistemas eletrónicos descartáveis a baixo custo, o que vai ajudar a explorar de forma mais fácil a chamada internet das coisas.

A solução usa celulose em vez de silicone ou silício e, embora não seja uma opção tão boa a nível de rapidez e de desempenho de computação, "permite dobrar-se sem se estragar e explorar várias ideias que vão de ecrãs de papel a etiquetas e pacotes inteligentes, chips de identificação ou aplicações médicas de vários tipos", diz a investigadora premiada, que também é vice-reitora da UNL e acredita que este trabalho vai chegar ao comum dos mortais num futuro próximo.

O segredo acaba por estar na tinta aplicada no papel. "Em vez de usarmos as tintas apenas para dar cor, usamo-las também com outras funções, como conectividade, com propriedades semicondutoras."

E tudo a computação quântica quer levar

Há muito que se fala na promessa revolucionária da computação quântica, que poderá mudar a forma como as máquinas funcionam e processam informação, desbloqueando mais-valias inimagináveis para a ciência, a saúde, a logística e a economia. Para o investigador Alcides Fonseca, a dificuldade maior neste momento "é manter a qualidade das leituras porque os qubits mudam o jogo como o conhecemos".

E o que são os qubits? Ao contrário dos bits num computador digital, que registam 1 ou 0, os bits quânticos - conhecidos como qubits -, podem ser ambos ao mesmo tempo. Essa possibilidade abre caminho a que os sistemas consigam lidar com problemas muito mais complexos. Recentemente, a Google anunciou que o processador quântico da empresa "executou em três minutos e 20 segundos um cálculo que o computador clássico mais avançado levaria aproximadamente dez mil anos" - uma demonstração da supremacia quântica, de acordo com os investigadores.

Yasser Omar, investigador português do Instituto de Telecomunicações e do Instituto Superior Técnico, membro do grupo internacional Physics of Information and Quantum Technologies, explica-nos que, embora a promessa revolucionária seja real, "a área ainda está na sua infância e pode demorar alguns anos a ter efeitos práticos na sociedade, dependendo de como a tecnologia evoluir".

Em dezembro deste ano, a Intel anunciou um chip chamado Horse Ridge, feito para computadores quânticos, que promete dar soluções para simplificar estes aparelhos complexos. A solução promete ajudar a tornar estes computadores uma realidade para usos mais práticos e convencionais do que tem sido possível até agora.

Fonte: DN

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Gmail: anexe emails aos seus emails para reencaminhar várias mensagens ao mesmo destinatário


Uma nova funcionalidade do Gmail simplifica um processo que era, até agora, pouco eficiente e muito repetitivo.

A Google tem agora uma solução para aquelas ocasiões em que precisa de reencaminhar vários emails para a mesma pessoa. A implementação de uma nova funcionalidade permite-lhe agora anexar emails sem que, para isso, tenha de descarregar, copiar ou reecaminhar quaisquer mensagens para o destinatário. Em vez disso, os emails que quer enviar podem agora ser anexados, de forma simples, a um mail base. Para tal, basta selecionar os emails que pretende enviar e arrastá-los a todos para a janela de composição do mail que vai remeter para o destinatário.


Em alternativa, é também possível selecionar os emails que pretende enviar e selecionar a opção "Enviar como anexo". Este método permite-lhe construir o anexo antes de começar a escrever a mensagem.

A Google explica que a funcionalidade vai ser disponibilizada de forma gradual, pelo que ainda pode demorar algum tempo a chegar à sua conta de Gmail. Para saber se já está habilitado a anexar mails aos seus emails, procure pela opção "Enviar como anexo" no menu de opções que surge sempre que seleciona uma mensagem.

Fonte: SapoTek

Para tornar os robôs mais eficazes, é preciso fazê-los temer a própria morte


Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, sugerem que a estratégia ideal para fazer com que os robôs funcionem melhor passa por programá-los para temer a morte.

É certo que a Inteligência Artificial está a avançar a passos largos, mas levá-la ao próximo nível pode exigir uma abordagem mais drástica: tentar dar à IA uma sensação de perigo e a fragilidade da sua própria existência.

Uma equipa de investigadores desta universidade norte-americana sugere que forçar os robôs a operar em termos de autopreservação traz melhores resultados, tornando-os mais produtivos. Os cientistas suspeitam que o medo da morte pode ser um importante passo na caminho para a verdadeira Inteligência Artificial.

O objetivo é conseguir construir robôs e sistemas de Inteligência Artificial capazes de avaliar o seu próprio comportamento. Assim que consigam aprender as ações que podem levar à sua morte, os robôs podem aprender a exercer restrições quando for apropriado, segundo o artigo científico, publicado na Nature Machine Intelligence.

Isso levaria a sentimentos simulados – ou, pelo menos, ao equivalente robótico dos nossos sentimentos -, apontam os cientistas. A equipa defende que a melhor forma de tornar os robôs resistentes não passa por torná-los impenetravelmente fortes, mas sim por torná-los vulneráveis.

Dar sentimentos aos robôs também daria aos cientistas uma plataforma para investigar a própria natureza dos sentimentos e da consciência humana. Os investigadores acreditam que, dadas as melhorias que estão a ser feitas no campo da robótica, esta ideia de um robô autoconsciente pode não ser assim tão fantasiosa.

Além disso, os cientistas defendem que tornar a IA mais parecida com os humanos – seja com sentimentos ou com a capacidade de sonhar – pode ser o necessário para tornar estes sistemas ainda mais úteis.

Fonte: ZAP

Homem-máquina: cérebro humano poderá receber chip em breve, segundo especialista


Tecnologia que permitirá seres humanos utilizarem inteligência artificial para programar o cérebro e reproduzir fantasias está perto de ser criada, segundo cientista.

De acordo com a pesquisadora Isabel Millar, especialista em inteligência artificial, os seres humanos poderão em breve carregar no seu cérebro chips capazes de promover fantasias diversas, o que, segundo ela, levanta muitas questões.

Conforme publicou o jornal Daily Star, o desenvolvimento da inteligência artificial permitirá, além da integração dos chips com o cérebro humano, passar as personalidades humanas a robots e vice-versa.

Contudo, a fusão entre homem e máquina levanta a dúvida até onde o ser humano seria um indivíduo.

"Quando começarmos a ter a ideia de programar genuinamente partes do cérebro e a subjectividade das pessoas, então iremos falar sobre diferentes questões quanto a consentimento e relacionamentos", declarou a especialista em uma conferência da empresa de inteligência artificial Raspberry Dream Labs, em Londres.

Falando sobre quando a tecnologia atingirá tal estágio, Millar disse que "estamos chegando ao ponto onde estas coisas possivelmente vão acontecer".

'Ressuscitando mortos'

Na conferência também participou o professor em Ciências da Computação David Levy.

Segundo ele, implantar a personalidade de um ser humano real num robot será possível, o que permitirá uma "conversa" com entes queridos já falecidos, ou com uma pessoa amada.

"Uma vez que isso ocorra, logo em seguida será possível criar uma pessoa que é uma réplica de alguém vivo ou morto", declarou David Levy.

Fonte: Sputnik News

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Das “alterações climáticas” ao 5G: será que estão preocupados connosco?


No momento em que está previsto o leilão da banda de frequências para permitir o 5G em Portugal para Abril, é importante que os portugueses vejam também “o outro lado da moeda”.

A energia como bem fundamental da existência humana está no epicentro da estratégia política delineada pela União Europeia e, portanto, a política energética nacional é apenas um reflexo das decisões políticas tomadas pela mencionada União. Esta política é dominada pela chamada “transição energética” que, no fundo, está a ser imposta como uma agenda política e não como uma solução tecnológica viável dum ponto de vista técnico e económico.

Revendo os documentos europeus, p.e. Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, sobre este tema, surge sistematicamente a temática das “alterações climáticas” como pano de fundo e justificação para a dita “transição energética”, onde poucos pontos de vista discrepantes destes são permitidos.

Por esse motivo, como nunca até agora, é importante debater-se este assunto, uma vez que assistimos a uma crescente politização da ciência. Onde argumentos científicos como as “alterações climáticas” são usados por políticos sem que tenham uma compreensão do que realmente está em causa. Em ciência não existem “resultados definitivos” e, portanto, estes não podem ser utilizados como forma de justificar uma agenda política. Num contexto em que tal acontece, os ditos argumentos devem ser ouvidos, debatidos e interpretados com reflexão e maturidade.

É claro o objectivo de se criar a conexão total entre os indivíduos, promovendo para tal tecnologias que apresentam graves perigos para a saúde pública, e, portanto, para o fazerem tem de haver um argumento, uma justificação e a ciência tem sido usada para esse fim.

Numa típica relação Problema-Reacção-Solução (referida por Hegel), o problema das “alterações climáticas” foi levantado, sobre as quais não se permite um debate sério, o que tem causado uma reacção de histeria e pânico global, como representado pela actuação e notoriedade duma criança chamada Greta Thunberg, e cuja solução é a “transição energética” onde, entre outras coisas, se promove a “internet das coisas”. Para que tal se torne real, o uso da quinta geração de telecomunicações, 5G, é imprescindível, sendo até promovido no novo decreto Decreto-Lei n.º 162/2019 para o autoconsumo. Se fossemos levados directamente para a “internet das coisas”, esta não seria aceite dada a perda de privacidade pessoal, a imensa possibilidade de controlo e, naturalmente, os graves perigos de saúde pública* que esta tecnologia representa. De resto, o aumento de consumo de energia requerido pela operação da tecnologia 5G, assim como os custos reais da sua implementação, são absolutamente desconhecidos pela opinião pública.

Neste sentido, aliar política energética europeia com o desenvolvimento da quinta geração de telecomunicações é, no fundo, o revelar duma política federalista com a vontade de se criar um mercado interno europeu regulado pelo Banco Central Europeu e pela União Europeia e os seus mentores.

Em tal contexto de Política Europeia, não admira que tenha sido removido de todo o debate público a questão dos impactos na vida humana e natural das telecomunicações móveis, muito embora exista extensa literatura testemunhando a gravidade da situação [1]. No momento em que está previsto o leilão da banda de frequências para permitir o 5G em Portugal para Abril, é importante que os portugueses vejam também “o outro lado da moeda”.

Para que haja um enquadramento mais alargado é importante mencionar que, a nível internacional, várias têm sido as campanhas de alerta, algumas das quais aqui listadas, e que merecem a atenção por parte das autoridades responsáveis:





A estes movimentos se acrescenta o facto de mais de 40 cidades mundiais terem já banido o 5G.

De entre os problemas de saúde listados na literatura científica encontramos os seguintes [2]: stresse oxidativo, danos testiculares, efeitos neuropsiquiátricos, apoptose celular, danos do DNA celular, alterações endócrinas e sobrecarga de cálcio. Estes problemas levam, em muitos casos, ao desenvolvimento de doenças graves como cancros, mutações genéticas, perda de fertilidade, entre outras.

Uma exposição clara sobre o assunto pode ser encontrada aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wIMHFU4PP50&feature=youtu.be

De facto, as comunicações sem-fios são transmitidas através de radiação electromagnética, designada por não-ionizante, por não ter capacidade para ionizar átomos ou moléculas, e, por esse motivo, a avaliação de risco deste tipo de radiação é feita, no domínio público, quase exclusivamente pelo efeito térmico que produzem [2]. Este efeito, normalmente, não é significativo, no entanto, os efeitos de iteração electromagnética são enormemente significativos e são a causa dos danos anteriormente listados.

Para agravar a situação, a “International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection” (ICNIRP), usada muitas vezes para fundamentar a ausência de efeitos prejudiciais para saúde, tem sido sistematicamente considerada como inaceitável [3]. Neste artigo, o autor do mesmo menciona vários casos de conflitos de interesse dentro do ICNIRP, além da omissão de variadíssimos estudos que revelam resultados preocupantes para a saúde pública.

Toda esta temática se deve a que os organismos biológicos (humano, plantas, etc.) são constituídos por elementos que respondem ativamente aos campos eletromagnéticos. Para se ter uma ideia deste tipo de feitos este artigo [4] diz o seguinte: “The applied levels of MMW power are three orders of magnitude below the existing safe limit for human exposure of 1 mW cm−2. Surprisingly, even at these low power levels, MMWs were able to produce considerable changes in neuronal firing rate and plasma membrane properties”, em que MMW significa ondas milimétricas.

Finalmente, esta quinta geração de telecomunicações, 5G, é preocupante para a saúde pública por três motivos:

1) utiliza uma banda de comprimentos de ondas mais curtos (chamadas ondas milimétricas) e, portanto, são mais energéticos que as anteriores gerações;

2) devido aos comprimentos de onda serem mais curtos, para esta tecnologia funcionar têm de ser instaladas variadíssimas mini-antenas para garantirem rede;

3) esta tecnologia usa altas frequências pulsadas que têm a capacidade de interferir directamente com o sistema neurológico.

Ou seja, seremos expostos a muito mais radiação e mais energética, o que deverá aumentar a incidência dos problemas antes descritos.

Convido a todos, segundo o vosso critério, a reflectirem sobre este assunto. Caso estejam interessados podem consultar, assinar e divulgar a petição criada para promover atenção sobre este assunto: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT92866

Referências

[1] Handbook of Biological Effects of Electromagnetic Fields, Fourth Edition – Two Volume Set, Edited by Ben Greenebaum and Frank Barnes, CRC Press, Taylor & Francis Group (2019) https://www.taylorfrancis.com/books/9781315217734

[2] M.L. Pall, Wi-Fi is an important threat to human health, Environmental Research 164, 405-416 (2018). https://doi.org/10.1016/j.envres.2018.01.035

[3] S.J. Starkey, Inaccurate official assessment of radiofrequency safety by the Advisory Group on Non-ionising Radiation, Rev Environ Health 31(4), 493–503 (2016). https://doi.org/10.1515/reveh-2016-0060

[4] V. Pikov, X. Arakaki, M. Harrington, S.E. Fraser, and P.H. Siegel, Modulation of neuronal activity and plasma membrane properties with low-power millimeter waves in organotypic cortical slices, Journal of Neural Engineering, 7, 045003 (2010) https://doi.org/10.1088/1741-2560/7/4/045003

*O ponto 8 do Artigo 114 (relativo ao mercado interno da Europa) do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, na sua versão consolidada de 2016, diz o seguinte:

“8. Sempre que um Estado-membro levante um problema específico em matéria de saúde pública num domínio que tenha sido previamente objeto de medidas de harmonização, informará do facto a Comissão, que ponderará imediatamente se deve propor ao Conselho medidas adequadas.”

Este pode ser um bom enquadramento legal para o bloqueio à instalação do 5G.

Hugo Gonçalves Silva
Investigador auxiliar da Universidade de Évora

Fonte: Popular

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Há um megadrone israelita a vigiar o mar europeu e os pilotos são portugueses


A Agência Marítima Europeia juntou Israel e Portugal num projeto inédito de cooperação para vigiar o Mediterrâneo. Portugueses foram treinados pelos israelitas para pilotar o gigante Hermes 900

Oito pilotos portugueses estão já a trabalhar em Tympaki, na ilha grega de Creta, no Centro de Controlo Terrestre onde é feita a vigilância de uma zona do mar Mediterrâneo, que é uma das principais rotas de refugiados em direção à Europa. Contratados pela Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), estão em missão a pedido da Frontex (Agência Europeia de Guarda de Fronteiras). Foram treinados para pilotar um dos maiores drones do mundo - o Hermes 900 (o maior é o norte-americano Northrop Grumman RQ-4 Global Hawk) - fabricado pela Elbit, um gigante israelita da indústria de defesa.,


Como se fosse um jogo de PlayStation, é com um joy stick e teclados que os portugueses fazem o Hermes 900 levantar voo, aterrar e sobrevoar o mar grego, enquanto observam os ecrãs com as imagens de satélite. É a primeira vez que aquele mega drone é pilotado por portugueses, recrutados por um consórcio nacional de aeronáutica, o CEIIA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento). Fazem parte de um projeto da EMSA, que disponibiliza drones aos estados membros que o pretendam para operações de vigilância marítima - controlo das pescas e da poluição do mar, tráfico de droga e imigração ilegal -, bem como para operações de busca e salvamento.

O primeiro teste a esta inédita aliança luso-israelita teve lugar na Islândia, durante os últimos seis meses, já depois de os portugueses, com idades entre os 25 e os 45 anos, terem recebido formação na sede da Elbit, em Telavive. As autoridades islandesas pediram à EMSA que este drone apoiasse a guarda costeira na vigilância do mar gelado da sua zona económica exclusiva, principalmente na monitorização de pesca ilegal.


Nesta missão, os portugueses ainda estiveram acompanhados por pilotos israelitas, mas agora na Grécia estão por sua conta. "É uma experiência única na vida e um grande privilégio fazer parte desta equipa excecional. É um projeto de grande potencial, com resultados surpreendentes", sublinha João, de 25 anos, residente em Lisboa (os nomes dos pilotos são fictícios, a pedido da CEIIA, por razões de segurança). Nunca antes tinha pilotado e interrompeu o curso de Engenharia Mecânica para viajar para Israel. Rafael, 37 anos, de Lagos, já tinha experiência de pilotagem de helicópteros e assinala que estar ao comando deste drone "é igualmente gratificante", tratando-se de uma missão que, "não tendo, naturalmente, o risco pessoal associado", necessita de todo "o rigor e exigência que são uma constante no mundo da aeronáutica".

O DN contactou a Elbit para comentar este projeto, mas não recebeu resposta. Da parte da empresa portuguesa, fonte oficial sublinha a "grande satisfação de poder participar nesta operação com a Elbit, a maior empresa de defesa de Israel, com grande prestígio e capacidade tecnológica". A CEIIA destaca que a cooperação estabelecida com Portugal, com a operação dos drones a ficar sob responsabilidade de um país estrangeiro, "é única no mundo". "Criou-se um ambiente de grande confiança", assinala a empresa.

Além dos pilotos, cujos perfis a CEIIA procurou que fossem "variados, com mais e menos experiência, mais novos e mais velhos", foram também recrutados em Portugal seis mecânicos - ou seja, no total, a operação do Hermes 900 envolve 14 portugueses.

Com estes drones, explica o porta-voz da EMSA, "os Estados membros dispõem de vigilância marítima que não poderia ser alcançada com os meios clássicos (terrestres, satélites e aeronaves tripuladas). Os RPAS (remotely piloted aircraft systems) oferecem a capacidade única de fornecer dados de alta resolução a uma grande distância e têm a capacidade de permanecer imobilizados no ar em situações no mar, "como num caso de busca e salvamento".


O Hermes 900, acrescenta a EMSA, "tem a grande vantagem de ter uma autonomia de 12 a 14 horas, muito maior do que alguns aparelhos tripulados, como helicópteros e aviões, que normalmente têm uma resistência menor (quatro a seis horas), devido à necessidade de mudança de tripulação e de abastecimento de combustível".

A CEIIA e a Elbit ganharam este concurso - no valor de 56 milhões de euros - em 2018 e a sua missão na Islândia teve início em abril deste ano. O contrato é por dois anos, mas prolongável por mais dois. Com esta aliança, a empresa portuguesa ganhou pilotos com formação de alto nível para poder concorrer a outros concursos internacionais. "Foi construída uma capacidade de base", salienta a CEIIA.

Fonte: DN
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