quinta-feira, 7 de outubro de 2010

UTILIZADOR PAGADOR

Para descontrair. Está engraçado… é o que se chama rir da nossa desgraça.


Contribuinte – Gostava de comprar um carro.
Estado – Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte – Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?
Estado – Sim. De acordo com o valor do carro (IVA)
Contribuinte – Ah. Só isso.
Estado – e uma "coisinha" para o por a circular (selo)
Contribuinte – Ah!
Estado – e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)
Contribuinte – mas sem gasolina eu não circulo.
Estado – Eu sei.
Contribuinte – mas eu já pago para circular.
Estado – claro.
Contribuinte – então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado – também. mas isso é o IVA. o ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte - diferente?
Estado - muito. o ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte - porque existe?
Estado - há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petroleo. e você paga.   
Contribuinte – só isso?
Estado – Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.

Contribuinte – como assim?
Estado – Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte – para o estacionar?
Estado – Exacto.
Contribuinte – Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado – Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.  
Contribuinte – Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado – Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte – Novo?
Estado – é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte – Pago para você ver se pode cobrar?
Estado – Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha…
Contribuinte – Mais uma coisinha?
Estado – Para circular em auto-estradas
Contribuinte – mas eu já pago imposto de circulação.
Estado – mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte – Diferente?
Estado – Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte – Só mais isso?
Estado – Sim. Só mais isso.
Contribuinte – E acabou?
Estado – Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte – Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado – Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros é quanto custa.
Contribuinte – custa o quê?
Estado – Pagar.
Contribuinte – custa pagar?
Estado – sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte – Pagar custa 25 euros?
Estado – Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte – Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado – Imagine que um dia quer…tem que pagar
Contribuinte – tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado – Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte – E se eu não quiser?
Estado – Paga multa.
Fonte: Recebido por Correio Electrónico

terça-feira, 5 de outubro de 2010

HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NOS AÇORES EFEMÉRIDES AÇORES 1919 – 1940

Com o acentuado progresso que a aviação atingiu durante a 1." Guerra Mundial, logo após a assinatura do armistício em 1918, a França, a Alemanha, a Itália, a Inglaterra e mais tarde os Estados Unidos procuraram desenvolver as suas indústrias aeronáuticas e simultaneamente explorar o avião como meio de transporte.

O aperfeiçoamento dos aviões e a busca de pontos estratégicos para encurtar distâncias foram as providências preliminares tomadas pelos países empenhados nesse audacioso empreendimento.

O Arquipélago dos Açores, situado a meio do Atlântico, entre o Velho e o Novo Mundo, apresentava-se como ponto ideal para apoio dos Aviões saídos da Europa ou que a ela demandavam.

A aventura que foi a aviação em luta com este imenso Oceano em que nos situamos, é impossível descrevê-la em tão poucas linhas. Optamos, por isso, pelas efemérides de relevo, tendo como fulcro o Arquipélago, no período compreendido entre 1919, ano em que se efectuou o primeiro voo transatlântico bem sucedido e Junho de 1941, data da chegada das Esquadrilhas de Caça Gladiador aos Açores.

Na fase dos grandes raides aéreos, entre outros feitos que tiveram por palco os Açores, a história leva-nos a rememorar os seguintes:

- 17 de Maio de 1919, três Hidroaviões Curtis Flyer chegaram aos Açores. O NC-1, NC-3 e NC-4 voaram em formação assistidos na navegação por Navios de Guerra Norte Americanos que chegaram a atingir o número de 119 entre os EUA e o Faial, em trânsito de Rochway, Nova Iorque para Inglaterra. Eram comandados pelo Capitão-Tenente Read da Armada dos EUA.

- Fevereiro de 1921, a companhia Napier anuncia em Londres a construção de um motor de 1000 HP com um alcance superior a 1000 quilómetros. Equipararia um avião em 24 horas, ligaria Londres a Nova Iorque com escala nos Açores.

- Outubro de 1921, uma companhia francesa propõe ao Governo Português o estabelecimento duma carreira entre o Continente, os Açores e Madeira. Em Setembro do ano seguinte a firma Buzaglos, Santos Morais, Limitada, de Lisboa, requer ao Governo a concessão para explorar uma linha de características idênticas.

- Junho de 1922, o famoso inventor italiano Gugliciano Marconi escala o Arquipélago e pronuncia-se a favor da ligação das Ilhas "por aparelhos de telefonia sem fios modernos».

- 13 de Outubro de 1924, sobrevoou Angra do Heroísmo o dirigível LZ 126, R3, que largara da margem do Lago Constança no dia anterior. Equipado com cinco motores Mayybach de 200 cavalos cada, com 200 metros de comprimento, 28 metros de diâmetro, 70 000 metros cúbicos de volume para gás, podia manter-se em voo durante 130 horas e voar a 62 milhas hora. Tinha capacidade para 30 tripulantes e 80 passageiros. Chegou a Nova Iorque cobrindo 5000 milhas em 81 horas.

- 17 de Outubro de 1925, "os Açorianos residentes na América do Norte ... » oferecem um Avião "à Aviação Portuguesa» com a condição desse aparelho ser utilizado na primeira viagem Aérea aos Açores, tripulado por oficiais aviadores Açorianos.

- 9 de Maio de 1926, chega a Ponta Delgada o Hidroavião Fokker, tripulado pelos Tenentes da Armada Moreira Campos e Neves Ferreira, mecânico João Bastos. O «Fokker» deslocou de Lisboa a 20 de Abril de 1926, rumo ao Funchal, devendo chegar a Ponta Delgada a 21. No entanto, devido a avarias, foi obrigado a amarar nas proximidades de Porto Santo. A 23 de Abril chega ao Funchal pelos seus próprios meios. Chegou a Ponta Delgada a 9 de Maio, depois de ter descolado da Madeira no mesmo dia. Foi a primeira ligação aérea Nacional Lisboa – Açores.

- 22 de Maio de 1927, amarou sem combustível a Noroeste das Flores, sendo rebocado por um navio Italiano para a Horta, o «Santa Maria», tripulado pelos italianos de Pinedo, Carlo dei Prete e Victale Zachette, todos pertencentes à Força Aérea Italiana. Reabastecido voa para as Flores como programado. A 10 de Junho de 1927, ruma a Ponta Delgada e no dia seguinte chega a Lisboa. O objectivo do voo: reconhecimento da travessia do Atlântico Sul e ligação Roma - Rio da Janeiro.

- Julho de 1927, o Comandante Byrd despenha-se nas proximidades do Continente Europeu. Salvo, Paris acolhe-o como herói.

- Outubro de 1927, os Faialenses recebem festivamente na Horta o Junker 0-1230 que contava entre os seus tripulantes com a actriz Austríaca Lilli Oilenz e dias depois igual acolhimento é dispensado aos 3 ocupantes do Heinkel 1220, também com rumo às costas ocidentais do Atlântico. Em 13 de mesmo mês, foi o susto: ao descolar o Heinkel «afocinhou» e afundou-se logo de seguida. Os tripulantes salvaram-se.

Outros desastres houve e a segurança é posta em relevo:

- Técnicos Franceses de Aeronáutica, em relação ao desastre de Byrd, dadas as grandes distâncias que separam os Continentes, sugerem escalas na Islândia, Açores e Terra Nova.
- Os EUA proíbem o Aviador Francês Fonck de se fazer acompanhar no voo Nova Iorque/Paris que realizou em 28 horas.

- Nos Açores, conclui-se também que, devido ao «haule» (onda larga) o Canal entre S. Jorge e Pico é perigoso.

Fala-se na Baía da Praia da Vitória e põe-se a questão da TSF nas Faleiras que, melhorada, oferecerá boas condições.

- 12 de Outubro de 1927, amarou a Oeste da Terceira um monomotor tripulado pela americana Ruth Elder, e o seu compatriota Holdman. Missão:

travessia Nova Iorque/Paris. Gastaram 35 horas entre Nova Iorque e a Terceira.

Entretanto vários sucessos e desastres tomam lugar.

Mas, há já quase uma dezena de anos que os Açorianos sabem da importância do Arquipélago e embora sem sucesso são frequentes os esforços que vêm desenvolvendo no sentido da sua promoção. Não causa admiração que, em 18 de Julho de 1929, se escreva no Jornal Vespertino «A União» sob o título: «No interesse da Nossa Terra»: « ... Basta por isso um campo provisório e esse será indicado com aprovação dos nossos aviadores ... ». «E um momento único que se oferece à nossa terra de marcar o seu lugar na questão da aviação ... »

Na realidade o estado de coisas que se vivia não podia continuar. No mês seguinte anuncia-se que a Junta Geral vai iniciar por si as obras de terraplanagem «em faixa de terreno nos baldios dos Burratens, junta à Estrada da Achada» conforme planos há muito existentes.

De facto, o tempo urgia e para além da ligação Açores/Continente o inimigo não era só a falta de campos. Embora os dirigíveis parecessem ter o futuro assegurado e entre os hidroaviões e os «aviões com rodas», ainda muito houvesse que decidir, outras questões se levantavam, tanto mais que num descompasso rítmico de vários ramos da ciência, a fragilidade e pouca autonomia dos aviões tinha já levado ao início da construção de oceanódromos nos Estados Unidos e estas ilhas artificiais entre as costas do Oceano seriam um primor de apetrechamento.

Os reparos, sugestões, não se fazem esperar. Em Lisboa, num artigo de 30 de Julho de 1929, um Açoriano «FB» em o Século, defendendo a construção da pista da Terceira diz: «Por todos os motivos, de lamentar que se não tenha dado execução ... quase a seguir são dois desastres de aviação estrangeiros, sem que no Arquipélago houvesse os serviços de aviação necessários ou para os evitar». «Tenhamos por assente que o futuro da Ilha Terceira está na Aviação.»

Num local da Imprensa Terceirense, em que está em causa a TSF das Faleiras: «uma vez fornecidos os simples pedaços de ebonite de que a Estação carece, esta não fica ainda apta a comunicar com facilidade, com toda e qualquer aeronave que demande os Açores.

Do mesmo jornal, no mesmo período, a propósito da dimensão que terá o Campo da Achada: « ... resultaria contraproducente dizer-se que se tinha um campo que afinal não podia dar entrada e saída» a todo o tipo de aviões.

Ainda antes de se saber do insucesso do avião suíço, também Gago Coutinho se debruçava sobre o assunto em entrevista ao Diário de Lisboa: «Os Açores de dia, acham-se sempre. Se não se encontra uma Ilha, encontra-se outra ... daí por diante é que é a parte difícil».

- 14 de Setembro de 1929, desembarcou em Angra do Heroísmo o tenente Coronel Cifka Duarte para «in loco» se inteirar do curso dos trabalhos da Achada.

- 16 de Setembro de 1930, chegou a bordo do vapor Lima o Capitão Frederico de Meio. Missão: efectuar o primeiro voo a partir duma pista terrestre do Arquipélago.

Campo da Achada

Reconhecida a necessidade imperiosa da construção de um campo de aviação na Ilha Terceira, a Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito de Angra do Heroísmo, presidida pelo Dr. Manuel de Sousa Menezes, seguindo o parecer do Inspector da Aeronáutica, Tenente-Coronel Cifka Duarte, escolheu um terreno situado nas pastagens a nascente do lugar dos Burraténs.

Nesse sentido, a Comissão Administrativa, na sua sessão ordinária de 8 de Agosto de 1929, deliberou o dispêndio da quantia de 50 contos, tendo-se iniciado quase de imediato as negociações entre a Junta Geral e o procurador do proprietário dos terrenos, assentando-se no quantitativo da sua aquisição.

Entretanto, o campo começava a nascer. Com a participação de trabalhadores da Junta Geral, de muitos assalariados e praças do Regimento de Infantaria 22, cedidos pelo Governador Militar dos Açores, o rectângulo da pista, com 600 metros de comprimento por 70 de largura, surgia lentamente, paralelo à estrada nacional.

A 7 de Agosto de 1929, o jornal micaelense «Diário dos Açores» no seu editorial, dá especial relevo a este empreendimento, vincando o facto de a Ilha Terceira prescindir de tutela estranha "olhos fitos no futuro", sem recorrer a auxílio estrangeiro.

Cerca de um ano mais tarde, a 16 de Setembro de 1930, desembarca do vapor "Lima", o Capitão Piloto Aviador Frederico Coelho de Meio, natural da freguesia dos Altares, nesta mesma ilha. Ao distinto aviador que ao tempo exercia as funções de professor da Escola de Aviação Militar, foram-lhe dispensadas as mais entusiásticas manifestações de apreço e amizade.

Finalmente, a 4 de Outubro de 1930, foi inaugurado solenemente o Campo da Achada. O povo que ocorreu ao local desde o alvorecer, utilizou todos os meios ao dispor para ali se deslocar, tendo-se aglomerado em torno do "Hangar", construído à direita da estrada, na margem do campo.

Pelo meio-dia, o Prelado Diocesano dirigiu-se junto do Avro e acompanhado pelo Vigário Geral e pelo Mestre de Cerimónias, na presença do Capitão Piloto Frederico de Meio, das autoridades civis e militares, procedeu à bênção do campo e do aparelho.

O avião utilizado, um mono motor o Avro, biplano, que viera juntamente com o piloto, recebeu na ocasião o nome de "Açor" tendo-se tornado no primeiro aparelho a descolar do solo terceirense.

No ar o "Açor" traçou algumas evoluções acrobáticas, para deslumbramento geral dos presentes. Seguidamente sobrevoou a Ilha lançando panfletos contendo uma mensagem alusiva ao acto.

Contudo, alguns anos depois, o Campo da Achada, era, já, considerado obsoleto quer pelas suas exíguas dimensões quer pelos intensos nevoeiros que cobriam frequentemente a região.

Hoje, volvidos cinquenta e um anos, quem passar na estrada rumo ao Aeródromo das Lajes jamais se aperceberá que naquelas pastagens verdes se iniciou a história da Aviação "terrestre" nos Açores.

Se de 1929 para 1930 o número de passageiros transportados nas linhas aéreas internacionais já existentes tinha triplicado a quilometragem, se o número de aeroportos era superior em 18 por cento e havia mais de 60 por cento de pilotos, podia dizer-se que para tal tinham concorrido também os Açorianos. Mas até 10 anos depois, malgrado os esforços do Major José Agostinho e de tantos outros interessados que fazem conferências e dão entrevistas relacionadas com a aviação do arquipélago, nada se produziu e a Achada acabou no esquecimento. Volta a ser referida como de grande utilidade, quando em 1941 é designada Campo de Recurso da Esquadrilha de Caça nº 2 da Aeronáutica Militar. Em abono da verdade, tornou-se evidente que a Achada tinha certas limitações de ordem técnica. No entanto, chega-se a 1939 sem dar corpo a uma alternativa. Entretanto, alguns acontecimentos:

Março de 1931

- Completamento dos cadernos de encargos para o estabelecimento de Linhas Aéreas Continente/Madeira/ /Açores.

- O Correio dos Açores, em entrevista em Lisboa, ao Administrador Geral dos Correios e Telégrafos: Urgente efectuar melhoramentos na Estação TSF das Faleiras.

Setembro de 1932

- A Companhia Portuguesa de Aviação solicita conhecimento da data em que o Governo enviará aos Açores uma Comissão para Estudos do novo Aeroporto.

Julho de 1934

- Carlos Bleck, numa conferência na Sociedade de Geografia, invoca a (atenção dos altos poderes do Estado» ... para a situação dos Açores.

Portugal não pode perder a oportunidade no que respeita à ligação Europa - América, passando pelos Açores, para Norte, e por Cabo Verde, para sul. E informa que naquele preciso momento um aviador Português acompanha uma missão Italiana que efectua estudos em Cabo Verde.

- Entretanto, por incumbência do Ministro da Guerra, o Comandante Militar dos Açores, Coronel Gomes da Silva inicia o estudo em que indica a planície das Lajes como o local para a construção dum aeroporto.


Dezembro de 1935

- O Comandante Nommy, após a visita de uma missão Francesa para estudar as condições do Arquipélago para futuras linhas aéreas Europa - América diz que a questão levanta «problemas delicados» embora os Açores sejam um posto de escala do mais alto interesse.

Janeiro de 1938

- O «Evening Standard» destaca a importância dos Açores e diz que Portugal está a ser cortejado por diversas potências. Remata acrescentando que, à margem deste desenvolvimento surgirão problemas que dizem respeito a todas as potências com interesse no litoral do Mediterrâneo ou Atlântico.

Março de 1938

- A propósito duma visita duma Missão Militar Britânica a Portugal, a revista militar «United Service Reeview» afirmava que «se os Açores estivessem em nosso poder ou estivessem à nossa livre disposição, mediante um acordo com a nossa velha aliada, tirar-nos-iam grandes embaraços».

Junho de 1938

- A Luftansa é autorizada a efectuar 14 voos de experiência na carreira Lisboa/Açores/América do Norte.

A Air France, com a condição de escalar Lisboa e a Madeira é autorizada a utilizar os Açores nos seus voos para a América do Norte.

Janeiro de 1939

- Encontram-se nos Açores técnicos para estudos de carreiras técnicas da Pan – América e da Imperial Airrways.

Maio de 1939

- «Deve ter-se em vista que a ligação aérea dos Açores com o Continente, que vai iniciar-se, deve persistir mesmo quando os progressos da aviação venham de futuro a dispensar a escala dos Açores na ligação entre a Europa e a América, e que não se pode afirmar que venha a acontecer». Escreve um articulista na secção insular do Diário de Notícias que, mais à frente, diz também: (futuramente) «o avião de rodas será o mais apropriado para a grande travessia". em tal caso ter-se-ia de voltar à questão do Campo de Aviação das Lajes, agora já desimpedido das dificuldades que não consentiram que fosse levado por diante. Sendo compreensíveis as razões que não aconselham a que fosse feita a estrangeiros, a concessão dessa construção, impõe-se ao Estado Português levá-la por diante».

Abril de 1940

- O Piloto Francês Henri Guillauumet, declara ao Diário de Lisboa, a propósito das Lajes: «Os Açores serão sempre a placa giratória do Atlântico Norte". o Aeródromo da Terceira seria o ideal, a escala segura», reflecte uma opinião já generalizada.

É fácil reconhecer ter sido o Arquipélago dos Açores, palco de grandes feitos aviatórios nas décadas de 19199-1940, como foi durante a 2." Grande Guerra Mundial, e como está sendo na era espacial, através da importância estratégica da Base Aérea das Lajes, ainda hoje, um baluarte do Ocidente, a reverenciar a memória das gerações pretéritas e dos pioneiros da aviação que dedicaram ou sacrificaram as suas Vidas em benefício do desenvolvimento avia tório e através dele lançando um desafio à capacidade e ao entendimento estratégico nacional.

Fonte: Revista Ecos do Atlântico - Força Aérea Portuguesa

Arquipélago dos Açores

Os Açores, oficialmente designados por Região Autónoma dos Açores, são um arquipélago transcontinental e um território autónomo da República Portuguesa, situado no Atlântico nordeste, dotado de autonomia política e administrativa consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Os Açores integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido nos artigos 349.º e 355.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

Localização Geográfica
Os Açores são um arquipélago que, embora situado precisamente sobre a Dorsal Média Atlântica, devido à sua proximidade com o continente europeu e à sua integração política na República Portuguesa e na União Europeia é geralmente englobado na Europa.
O arquipélago situa-se no nordeste do Oceano Atlântico entre os 36º e os 43º de latitude Norte e os 25º e os 31º de longitude Oeste. Os territórios mais próximos são a Península Ibérica, a cerca de 2000 km a leste, a Madeira a 1200 km a sueste, a Nova Escócia a 2300 km a noroeste e a Bermuda a 3500 km a sudoeste. Integra a região biogeográfica da Macaronésia. As coordenadas geográficas das principais localidades dos Açores são as seguintes:
Local
Lat. (N)
Long. (W)
39º 40.1´
31º 06.5´
39º 27.2´
31º 07.2´
39º 22.6´
31º 09.9´
39º 05.0´
27º 59.9´
38º 43.9´
27º 03.5´
38º 40.8´
28º 12.3´
38º 39.0´
27º 13.4´
38º 36.0´
28º 00.7´
38º 32.5´
27º 45.6´
38º 32.0´
28º 37.3´
38º 31.7´
28º 19.2´
38º 23.9´
28º 15.4´
37º 44.1´
25º 40.3´
37º 17.0´
24º 53.0´
36º 56.7´
25º 08.9

O arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas principais divididas em três grupos distintos:

A sua localização na zona central do Atlântico Norte, fez com que as ilhas açorianas constituíssem durante séculos uma autêntica encruzilhada nas rotas transatlânticas.
Na fase da navegação à vela, devido ao regime de ventos e correntes que obrigava à "volta do largo", as embarcações provenientes do Atlântico Sul (da Índia, Extremo Oriente e outras partes da Ásia, de África, do Brasil e outras partes da América do Sul) e das Caraíbas (das chamadas "Índias de Castela") faziam uma larga rotação no sentido dos ponteiros do relógio que as trazia até às proximidades do Grupo Ocidental, cruzando depois o arquipélago em direcção à Europa. É esse o percurso que ainda hoje faz a navegação de recreio, utilizando como ponto de apoio o porto da Horta, ilha do Faial.
Com o aparecimento da navegação a vapor, os portos dos Açores, particularmente os de Ponta Delgada e Horta, os únicos com molhes de protecção e cais acostáveis de dimensão apreciável, assumiram importante papel no fornecimento de carvão.
Com o advento da aviação, os Açores cedo ganharam importância como ponto de apoio. As primeiras travessias aéreas do Atlântico escalaram os Açores, e a Horta, com a sua baía abrigada e ligações telegráficas intercontinentais via cabo submarino, foi uma importante escala nas ligações entre a Europa e a América por hidroavião (os clippers) no período imediatamente anterior à II Guerra Mundial.
Terminada a guerra, a base norte-americana da ilha de Santa Maria rapidamente se transformou num aeroporto internacional e centro de escalas técnicas para as aeronaves que cruzavam o Atlântico entre as Américas, o sul da Europa, o norte de África e o Médio Oriente. Igual papel, mas para a aviação militar, teve (e continua a ter) a Base das Lajes, na ilha Terceira, onde, após a saída do contingente britânico chegado em 1943, se instalou um destacamento militar dos Estados Unidos naquela que é a Base Área n.º 4 da Força Aérea Portuguesa (ainda em pleno funcionamento).
As discussões em torno do papel geo-estratégico dos Açores e da função do arquipélago como ponto de fronteira entre as esferas de interesse norte-americana e europeia ainda assume papel relevante na discussão política açoriana e na postura da classe política face aos interesses portugueses no Atlântico. As questões em torno da alocação de contrapartidas concedidas pelos Estados Unidos pela utilização da Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira têm ocupado, embora de forma estéril, a actividade parlamentar e são presença constante na negociação com Portugal e com os Estados Unidos.
Mais recentemente, o facto das águas da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores serem de longe as maiores da União Europeia, com os seus 994 000 quilómetros quadrados, e por isso constituirem o grosso das chamadas "águas ocidentais" da União, tem levado a acesos debates sobre as vantagens da integração açoriana na União Europeia. Nos termos dos tratados em vigor, e do projecto de tratado para a Constituição Europeia, a gestão dos recursos biológicos marinhos é competência exclusiva da União, o que levou já à abertura parcial da pesca (entre as 100 e as 200 milhas náuticas) a embarcações comunitárias contra a vontade do governo açoriano.
Para se compreender a posição do arquipélago atente-se nas seguintes distâncias medidas ao longo da ortodrómica (grande círculo) a partir de um ponto sito no centro geográfico dos Açores (38º 35’ N; 28º 05’ W).

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