segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vídeo: Impactos de asteróides "maltrataram" a superfície da Terra

© NASA

Terra como a conhecemos é o resultado de uma série de eventos geológicos que ocorreram à 4000 milhões de anos pelo impacto de asteróides, de acordo com um novo estudo.


De acordo com as conclusões da investigação orientada pela NASA e publicado na revista ' Nature ', há 4000 milhões de anos, a superfície da Terra teria derretido e misturado e foi enterrada como resultado do impacto de pelo menos quatro asteróides. 

Este novo modelo de 'bombardeio' terrestre mostra o desempenhado desse impacto sobre a evolução das camadas superiores da Terra primitiva durante eón geológico chamado "Hadean ', cerca de 4500 milhões de anos. 

"O grande impacto de um asteróide poderia ter derretido uma quantidade substancial da crosta, o que teria significado que permanecem enterradas ", dizem os autores da pesquisa.

"Este novo modelo ajuda a explicar como essas colisões repetidas poderiam ter enterrado as rochas mais antigas da Terra", acrescentam. 

A pesquisa revela que os asteróides não só perturbaram fortemente a geologia  Hadean eón da Terra, mas também susceptíveis de desempenhar um papel importante na evolução posterior da vida na terra. 

"Há 4000 milhões de anos, nenhuma região da superfície da Terra ficou intacta pelos asteróides e seus efeitos [...] A nova imagem da Terra Hadean que emerge deste trabalho tem implicações importantes para a sua habitabilidade ", explicaram os pesquisadores.


Tradução Google

Exército norte-americano desenvolve bala que persegue alvo


Foram necessários seis anos e 25 milhões de dólares para que o Exército norte-americano tornasse realidade algo que antes só existia nos filmes: uma bala que persegue o seu alvo.

O protótipo acaba de ser testado pela Agência de Projectos de Pesquisa em Defesa Avançada (Darpa), braço militar americano responsável por desenvolver as armas do futuro.

O vídeo da agência mostra o disparo de uma arma de calibre .50 em que atirador mira não no alvo, mas noutro ponto próximo. Mesmo assim, a bala ajusta o seu curso.

O vídeo :

Vídeo: O misterioso lago que nasceu num deserto da Tunísia


Os investigadores ainda procuram respostas para explicar o fenómeno: no meio da areia do deserto da cidade de Gafsa, na Tunísia, nasceu um lago. Tem cerca de 10 mil metros quadrados e mais de 15 metros de profundidade. De onde surgiu tanta água? Já há teorias... Veja o vídeo.

Depois das misteriosas crateras da Sibéria, um novo fenómeno deixou os cientistas intrigados. Trata-se de um lago, com 10 mil metros quadrados e mais de 15 metros de profundidade, que nasceu do nada.

O “nada” é um deserto. Não houve precipitação, pelo que as águas brotaram do chão. E como se explica que das areias nasça um lago?

As primeiras teorias apontam para a ‘erupção’ de uma reserva subterrânea de água, que saiu das profundezas depois de se ter libertado de uma camada rochosa, partida por um abalo sísmico.

Uma fenda nessa camada rochosa permitiu que as águas encontrassem a luz do dia, formando o lago.

Alheios a estas questões da ciência, os cidadãos de Gafsa, bem como alguns turistas, vão tomar banhos. O que os investigadores desaconselham, pelo menos até se perceber qual a razão que está por detrás do fenómeno.

Com as areias a rodear o lago, há quem chame ao local “a praia de Gafsa”. Veja as imagens:


Fonte: PTJornal

Mamíferos e moscas alimentam-se da mesma forma

Mamíferos e moscas alimentam-se da mesma forma

A forma como os mamíferos e as moscas se alimentam é semelhante, revela um estudo hoje divulgado, que utilizou uma nova tecnologia de investigação e que permitirá compreender e tratar disfunções como a obesidade ou a anorexia.

O trabalho vem hoje divulgado na revista científica Nature Communications e foi feito por investigadores do Programa Champalimaud de Neurociências, em Lisboa, em colaboração com investigadores da Universidade de Washington, Seattle, Estados Unidos.

Carlos Ribeiro, um dos investigadores, explicou à agência Lusa que o trabalho se centrou na chamada mosca da fruta e que, a par das revelações, tem também como grande novidade a técnica de estudo, "com potencial para avançar outros estudos, como os ligados à memória, aprendizagem ou interação".

Para entender o comportamento e a forma como come a mosca da fruta, os investigadores desenvolveram o que chamaram de "flyPAD", um dispositivo sensível idêntico ao que é utilizado nos novos telemóveis de toque. "Cada vez que a mosca toca na comida, o flyPAD deteta esse movimento, permitindo-nos seguir e registar os detalhes da alimentação em alta resolução e em tempo real", disse o investigador.

Mas, depois, era necessário perceber quando é que o alimento chega ao sistema nervoso das moscas. O que fizeram os investigadores foi colocar no cérebro das moscas uma proteína do pirilampo e, no alimento, uma substância capaz de ativar a proteína do brilho.

Este método "simples" está a entusiasmar investigadores do mundo inteiro, disse à Lusa Carlos Ribeiro, investigador principal do laboratório Behaviour and Metabolism, do Programa Champalimaud de Neurociências. "Muita gente vai utilizar esta tecnologia, com potencial para muitas outras coisas", disse.

Agora, acrescentou, a investigação vai continuar, para tentar perceber a lógica de escolha de determinados nutrientes. O corpo dá instruções ao cérebro sobre o que precisa? Que instruções são essas? Como é que o animal sabe o que lhe falta?

Estas são perguntas de Carlos Ribeiro, para as quais espera encontrar as respostas, nos próximos tempos - porque entender nas moscas os genes que levam à tendência para comer mais, pode "abrir portas" para o ser humano; e porque, disse o investigador, "a estrutura de como a mosca come é muito parecida com a dos ratinhos e, a certo nível, com a forma como os humanos comem".

Essa é já, salientou, uma das grandes novidades do estudo, a de que "a mosca da fruta organiza a refeição em muitos aspetos igual a um ser humano".

No trabalho hoje publicado, Carlos Ribeiro diz que o próximo passo é usar a nova tecnologia para perceber como é que o cérebro regula a ingestão de alimentos.

"Queremos identificar os neurónios e os genes que controlam e estão na base deste comportamento, em tempo real. Uma vez que a regulação da alimentação parece ser semelhante entre moscas e vertebrados, existe a possibilidade fascinante de os circuitos ou os genes usados para controlar a alimentação em vertebrados serem semelhantes aos da mosca. Este estudo traz-nos assim para mais perto de compreender como podemos escolher o que comemos e quanto comemos", afirmou.

sábado, 2 de agosto de 2014

Tempestade Solar à vista: A Terra deve-se preparar para um golpe "iminente"

© Nasa.gov

O perigo de uma super tempestade solar sobre a Terra é "iminente", como têm alertado os cientistas, da Universidade de Bristol, Reino Unido.

O investigador Dale Ashley que trabalha na identificação dos riscos de uma tempestade solar, como parte do grupo internacional SolarMAX, diz que é "apenas uma questão de tempo para uma tempestade solar excepcionalmente violenta "atingir a Terra e" devastar "seus sistemas de comunicação e fornecimento de electricidade."

Sem eletricidade, as pessoas têm dificuldade para reabastecer seus carros ou tirar dinheiro do banco. Além disso, os sistemas de água e esgotos seriam afetados também, o que criaria epidemias nas áreas urbanas, com o retorno de doenças que pensávamos que tínhamos deixado para trás à séculos ", garantiu Dale Ashley à revista "Physics World '.

Os sistemas de água e esgotos seriam afetados, o que criaria epidemias nas áreas urbanas

Esta informação também foi divulgada pela Sociedade Astronómica Americana (AAS, de acordo com a sua sigla em Inglês), explicando que esses fenómenos são causados ​​por "violentas erupções" na superfície do Sol e acompanhadas pelas chamadas de ejeções de massa corporal (CME, sigla em Inglês), durante o qual a estrela lança para o espaço grandes bolhas de plasma e campos magnéticos. 

Neste sentido, a agência acrescenta que, quando uma CME de " intensidade suficiente " entra no campo magnético da Terra e o rompe, uma super tempestade solar que libera enormes correntes elétricas que podem causar interrupções generalizadas de luz e danos em componentes elétricos fundamentais.

O ciclo deve ser fechado

Dale afirmou que este tipo de evento é "inevitável" e recordou que, de acordo com os cálculos de previsão da NASA em média a cada 150 anos, a Terra torna-se vulnerável a uma super tempestade solar, de grande magnitude, como ocorreu em 1859 e foi chamada de Carrington Event. 

Por isso, acrescenta, a última "deveria ter acontecido há cinco anos." 

De acordo com a ASA, o Evento Carrington 1859 constitui a maior super tempestade solar que atingiu a Terra desde que os registos começaram, com cerca de 1.022 quilojoules de energia liberada (equivalente à explosão simultânea de 10.000 milhões de bombas de Hiroshima) e um bilião de quilos de partículas eletricamente carregadas que voavam a uma velocidade de 3.000 quilómetros por segundo, sem grandes consequências para os terráqueos.

A agência dos EUA indicou que durante o última reunião do grupo de trabalho SolarMAX 2013, em Estrasburgo (França), uma equipe de pesquisadores concluiu que a previsão avançada meteorológico espacial é a "melhor solução" e propôs a enviar 16 pequenos satélites de órbita solares cúbicos para fornecer informações com antecedência de possíveis tempestades solares. 

Dale, por sua vez, sugeriu que o projeto de satélites e naves espaciais são feitas pensando em fazer instrumentos menos "sensíveis" a bordo e estão "melhor protegidos" contra os aumentos dramáticos da radiação, resultado de tempestades solares. 

Tradução Google


Batalha pode explicar o mistério do exército persa desaparecido no Egipto

A cartela com o nome Petubastis III mostra que houve um templo mandado
erigir por este faraó
BRUNO BAZZANI

A lenda é de Heródoto: uma tempestade de areia fez desaparecer 50.000 soldados persas no Egipto. Desde o século XIX que os arqueólogos tentam encontrar vestígios do exército. A descoberta de um templo romano aponta agora para uma batalha fatal.

À História pode estar associada a ideia de sedimentação. Ela, a História, revela-se em estratos por baixo de estratos com testemunhos enterrados da civilização, que nos fazem vislumbrar acontecimentos de séculos cada vez mais distantes. Mas o templo romano encontrado em 2005 no oásis de Dakhla, no Egipto, remete para o conceito da metamorfose das rochas, que quando são engolidas e comprimidas no interior da crosta terrestre se alteram física e quimicamente, ganhando uma nova identidade.

Este edifício religioso foi erigido no século I d.C. com blocos de templos construídos e destruídos no passado, alguns muito antigos, de 1000 anos antes. É a História dentro da História, transformada.

Dois destes blocos, encontrados por uma equipa de arqueólogos que inclui Olaf Kaper, um egiptólogo da Universidade de Leiden, na Holanda, viraram do avesso um mistério com 2450 anos. Heródoto, um famoso grego do século V a.C., considerado o primeiro historiador, conta na sua famosa obra Histórias o caso de 50.000 soldados persas que desapareceram no deserto, tendo sido apanhados por uma tempestade de areia, por volta de 524 a.C., no século VI a.C.

Segundo Heródoto, estes 50.000 soldados tinham sido enviados pelo rei persa Cambises II para capturar os habitantes e destruir um templo de uma povoação, associada hoje pelos historiadores ao oásis de Dakhla. Na altura, o monarca já tinha conquistado cidades egípcias como Mênfis ou Tebas, expandindo o império persa até àquela região. Mas o estranho desaparecimento daqueles soldados passou a ser um mistério para os arqueólogos, que desde o século XIX procuraram por vestígios do exército. Agora, os dois blocos descobertos do templo romano indicam, segundo Olaf Kaper, que estes 50.000 soldados foram, afinal, derrotados pelas forças de Petubastis III, um líder rebelde egípcio que durante um par de anos conseguiu recuperar parcialmente o império egípcio aos persas e foi coroado faraó.

“Heródoto viajou no Norte do Egipto e escreveu o que ouviu”, explica Olaf Kaper ao PÚBLICO, que apresentou a sua nova teoria no congresso internacional Memória Política durante e depois do Império Persa, na Universidade de Leiden, em Junho. O antigo historiador grego terá nascido em 484 a.C. na cidade grega de Halicarnasso, situada junto à costa mediterrânica, que hoje ficaria no Sudoeste turco. As suas viagens ao Egipto terão ocorrido por volta das décadas de 460 e 450 a.C.. Do que ouviu, “o desaparecimento do exército era claro, mas os persas tornaram o acontecimento menos devastador ao culparem o clima”, defende o egiptólogo.

A escuridão do passado

Sem provas físicas, os historiadores têm tentado interpretar as palavras de Heródoto com a ajuda do contexto: a geografia, o que já se conhece sobre os impérios egípcio e persa daquela altura, até os fenómenos meteorológicos como as tempestades de areia.

É um trabalho de detective em que a escuridão do passado entrelaça e transforma cada novo dado, permitindo inúmeras interpretações. No seu livroFour Ways to Forgiveness (O Dia do Perdão, na edição portuguesa), a premiada escritora norte-americana de ficção científica Ursula K. Le Guin leva esta ideia de transformação e metamorfose da História ao extremo, quando fala de uma raça alienígena civilizada há três milhões de anos: “Os acontecimentos dos primeiros dois milhões de anos, tal como as camadas de rocha metamórfica, estavam tão comprimidos, tão distorcidos pelo peso dos milénios que se sucederam e dos seus infinitos acontecimentos, que dos poucos detalhes que sobreviveram só se podia reconstruir as generalidades mais abrangentes.”

A escala temporal da civilização humana, com cerca de 8000 anos, é completamente diferente. Mesmo assim, os documentos que sobreviveram até hoje dos poucos milénios de História que temos são um pequeno fragmento de tudo o que foi escrito. Nos nove livros da obra Histórias, Heródoto relata pela primeira vez as guerras greco-persas e os seus antecedentes, graças à pesquisa que fez. O documento é a mais antiga janela que temos de acontecimentos fundamentais sobre o início da história do Ocidente, como a ascensão da cidade grega de Atenas, de onde saíram figuras e uma cultura que marcaram para sempre a Europa. E serve de ponto de partida para a historiografia que se fez a seguir. Mesmo informações secundárias, como o desaparecimento do exército persa, permitem olhar, perguntar e estabelecer relações com vestígios descobertos nas escavações arqueológicas de hoje.

“A História Antiga é escrita a partir de informação arqueológica como a minha. Temos Heródoto como o primeiro historiador, mas é evidente que ele não estava sempre certo, longe disso”, aponta Olaf Kaper.

Roma no Egipto

O templo descoberto em 2005 pertence a uma vila romana chamada Amheida, no oásis de Dakhla, cujo projecto arqueológico está a ser liderado por Roger Bagnall, do Instituto para o Estudo do Mundo Antigo da Universidade de Nova Iorque, Estados Unidos. “Em dez anos, escavámos algumas casas, uma que tem pinturas nas paredes, banhos romanos e uma igreja, além dos vestígios do templo”, explica Olaf Kaper. O oásis de Dakhla é enorme, tem um comprimento de 80 quilómetros de leste a oeste, e uma largura máxima de 25 quilómetros. A área situa-se a 500 quilómetros a oeste da antiga cidade egípcia de Tebas, hoje Luxor, que fica junto ao rio Nilo, a cerca de 600 quilómetros a sul do Cairo.

Ao contrário dos oásis do delta do Nilo, o de Dakhla nunca foi muito povoado, a cidade de Amheida ficou desabitada após o IV século d.C.. “Não há muitas cidades egípcias da altura do domínio romano que tenham sobrevivido em condições tão boas como Amheida”, acrescenta o investigador.

O templo romano foi demolido, mas abaixo da superfície do sítio arqueológico estavam milhares de blocos enterrados. “Quando escavámos o local, descobrimos que era um templo do período romano, da altura dos imperadores Tito e Domiciano, em estilo egípcio, o que era uma prática comum, construído com os blocos de templos de fases anteriores. Ao analisar os vestígios, sei agora que existiram nove fases diferentes de construção. E uma das fases é de Petubastis III”, explica Olaf Kaper.

Os primeiros indícios sobre Petubastis III surgiram logo em 2005, quando descobriram uma cartela com o nome real Petubastis — a cartela é um bloco com o nome de um faraó em hieróglifos e uma linha ovalada à volta da inscrição. Mas ninguém poderia dizer a qual Petubastis se referia a cartela, se aos dois faraós com o mesmo nome que viveram séculos antes, ou ao terceiro. Só em 2014, com a descoberta de uma segunda cartela onde estava escrito “shr-ib-Ra”, o nome de coroação de Petubastis III, que reinou entre 522 e 520 a.C., é que foi possível identificar o faraó certo.

Para o egiptólogo, aquele templo diz muito da importância que o local tinha para Petubastis III. “O facto de este rei desconhecido e efémero, que governou apenas parte do país durante a ocupação persa, ter construído um templo em Dakhla, mostra que este local era muito especial para ele. Os templos são construídos com dinheiro público, e normalmente isto é feito em grandes cidades ou nos locais de origem dos reis”, defende o egiptólogo. “A única explicação para a existência deste templo é que Petubastis III usou o oásis como um centro de poder.”

É neste lugar que os escritos de Heródoto, o desaparecimento do exército persa de Cambises II e a origem de Petubastis III se conjugam. Segundo o investigador, o rebelde egípcio era uma força a temer. Por isso, para Olaf Kaper, Cambises II pôs os seus homens em movimento — num exército com um tamanho bastante razoável para a época — para o derrotar por volta de 524 a.C.: “O exército desapareceu, Heródoto apresenta-nos a história de uma tempestade de areia. Isto é demasiado improvável para ser verdade, certamente não é para ser tido como um facto, uma explicação muito melhor é que o exército tenha sido derrotado. Agora que temos um poderoso inimigo dos persas em Dakhla, este cenário é o mais provável.”

Apesar de o exército persa estar mais equipado, Olaf Kaper especula que as forças de Petubastis III conheceriam melhor o terreno, o que lhes daria uma vantagem determinante.

Uma reconstituição do que terá sido a entrada do templo da
antiga vila romana de Amheida
MARTIN HENSE
Apagar a História

Cambises II ficou por Tebas enquanto o seu exército tomou o caminho do deserto e desapareceu nos confins da História. Depois, o rei voltou para a Pérsia onde acabou por morrer. Dois anos depois, Petubastis III entrava em Mênfis, onde foi coroado, mas foi faraó por pouco tempo. Dario I, que sucedeu a Cambises II, lançou as suas forças contra o recém-coroado monarca e em 519 a.C. já tinha recuperado o território.

A escuridão que envolve esta batalha deve-se primeiro a Cambises II e principalmente a Dario I. “Quando Cambises II soube do desastre, ele fez com que a notícia não se espalhasse para não encorajar mais uma revolta”, defendeu o egiptólogo na apresentação que fez no congresso de Junho. Depois, “Dario I conseguiu restabelecer o controlo [do Egipto] e apagou todas as referências a Petubastis III nas listas dos reis”.

Quanto à possibilidade de virem a descobrir vestígios do exército persa ou da batalha, Olaf Kaper responde-nos que não tem muita esperança: “Claro que gostaríamos de saber mais sobre a batalha entre os egípcios rebeldes e o exército persa, mas não deve haver novidades, porque o acontecimento foi apagado da história por Dario I. A não ser que encontremos o local da batalha algures preservado no deserto, mas acho improvável.”

O novo monarca do império persa quis, por isso, refazer a História. É um hábito velho. Mas os acontecimentos deixam lastro e deixam rasto. A descoberta feita no oásis de Dakhla transformou agora o destino daqueles 50.000 homens: a tempestade de areia foi engolida por uma batalha.

Não sabemos, no entanto, o que a história deste exército ainda nos reserva. O futuro pode trazer mais descobertas e metamorfosear esta lenda outra e outra vez. No imenso passado de três milhões de anos da raça alienígena inventada pela escritora Ursula K. Le Guin, a descoberta de um documento histórico provoca angústia. “Um rei governou em Azbahan; o império caiu nas mãos dos infiéis; um foguetão aterrou no planeta Ve. Mas existiram incontáveis reis, impérios, invenções, milhares de milhões de vidas vividas em milhões de países, monarquias, democracias, oligarquias, anarquias, idades de caos e idades de ordem, panteão por cima de panteão de deuses, guerras infinitas e tempos de paz, incessantes descobertas e esquecimentos, inúmeros horrores e triunfos, uma repetição sem fim de contínuas novidades”, lê-se no romance. “Qual é a utilidade em tentar descrever o fluxo de um rio num dado momento e depois no momento a seguir, e depois no seguinte, e no seguinte, e no seguinte? Fica-se cansado. Diz-se antes: existe um rio enorme que corre nesta terra, e chamámos-lhe História.”

Fonte: Publico

Beija-flor é «mais eficiente» do que um helicóptero

Beija-flor é «mais eficiente» do que um helicóptero

A engenharia ainda não conseguiu equiparar-se à natureza quando o assunto é voar, segundo um estudo que compara colibris a helicópteros.

Investigadores afirmam que as «melhores» espécies de aves são 20% mais eficientes que um dos mais avançados micro-helicópteros do mundo. A comparação leva em conta a energia usada por ambos para se manter em voo.

Quando se comparam helicópteros à média dos beija-flores, a tecnologia consegue empatar.

O estudo, coordenado pelo professor David Lentink, da universidade de Stanford, na Califórnia, foi publicado na revista especializada Interface da Royal Society Journal britânica.

Uma das maiores dificuldades do estudo foi medir a energia despendida pelos pássaros ao flutuar no ar.

«Imagine um pássaro de 4g: as forças são mínimas», afirmou à BBC.

«O resultado disso é que o arrasto nas asas de um beija-flor nunca foi medido com precisão.»

O arrasto é a força contrária à força criada pelo bater das asas dos colibris.

Lentink e a sua equipa tentaram verificar se as asas do beija-flor são mais eficientes. Ou seja, se aplicam menos energia para superar a força do arrasto –do que as lâminas da hélice de um helicóptero de dimensões parecidas.

A comparação foi feita com um micro-helicóptero avançado, o Black Hornet, que pesa 16g e é usado por militares britânicos em operações de vigilância no Afeganistão.

Para realizar as medições em laboratório, os cientistas usaram asas de espécimes de colibri mantidos em museus.

As asas, avulsas, foram ligadas a um equipamento chamado girador de asa. Desta forma, a equipa foi capaz de medir exactamente quanta energia precisa de ser aplicada no bater de asas para levantar o peso do pássaro.

Colaboradores do professor Lentink na universidade de British Columbia, no Canadá, registaram o voo de beija-flores selvagens para medir os movimentos exactos das suas asas, que batem até 80 vezes por segundo.

«Ao combinarmos o movimento das asas com o arrasto (medido em laboratório), pudemos calcular a energia aerodinâmica que os músculos do beija-flor precisam de gerar para sustentar o voo parado», afirmou Lentink.

Uma espécie norte-americana de colibri, o Calypte anna, foi o campeão, flutuando com muito mais eficiência do que o helicóptero.

«Isso prova que se formos capazes de projectar asas melhor, podemos construir helicópteros que voam parados com tanta eficiência, se não mais, quanto os colibris», disse o especialista.

Ele concluiu ainda que em diversas áreas relativas ao voo, a tecnologia não chega nem perto da natureza.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NASA divulga fotos de Portugal visto do espaço

Portugal visto do espaço (NASA)

As duas imagens foram publicadas esta sexta-feira no site da NASA

A NASA divulgou duas fotografias de Portugal à noite visto do espaço. As imagens foram captadas no sábado passado, mas só esta sexta-feira foram divulgadas em destaque no site da agência do dos Estados Unidos da América.

Portugal visto do espaço (NASA)

Os milhares de pontos de luz no escuro espacial foram captados por um dos membros da Expedição 40 a bordo da Estação Espacial Internacional. A NASA destaca que as imagens mostram a totalidade da Penísula Ibérica e deixam ainda perceber parte de França, Andorra, Estreito de Gibraltar e Marrocos. 

Ainda no sábado, a expecição espacial captou ainda uma imagem noturna de Itália.

Itália vista do espaço (NASA)

Fonte: TVI

Técnica que deixa corpo transparente facilita diagnósticos

Técnica que deixa corpo transparente facilita diagnósticos

Cientistas desenvolveram uma forma de fazer um corpo inteiro ficar transparente. Numa pesquisa publicada na revista Cell, a equipa, que estuda roedores, descreve uma técnica que mantém os tecidos intactos, mas permite que as partes-chave do corpo e ligações internas possam ser vistas.

Os cientistas dizem que a técnica pode ajudar a visualizar como órgãos separados interagem e apontar o caminho para uma nova geração de tratamentos. O método também pode ser utilizado para detectar a propagação de vírus e cancros em tecidos humanos.

Há um século os cientistas têm estado a tentar elevar a transparência de órgãos opacos. Mas a maioria das técnicas danificava tecidos, o que interrompeu testes mais aprofundados.

As moléculas de lipídio (gordura) presentes nas células do corpo distorcem os raios de luz, o que deixa os tecidos opacos. Até hoje, os processos usados para dissolver essas moléculas privavam os órgãos de elemento-chave para o seu suporte estrutural, o que resultava numa massa amorfa de material.

Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia dizem ter conseguido atingir o sonho dos biólogos.

Com base em trabalhos anteriores a equipa desenvolveu uma técnica com três estágios:

Primeiro, uma malha macia feita de uma espécie de plástico dá suporte para os tecidos. Em seguida, um detergente molecular é administrado na corrente sanguínea, dissolvendo lipídios e tornando os órgãos transparentes. Corantes de rastreamento e de marcação de moléculas específicas podem ser adicionados à infusão para destacar as conexões mais importantes.

Usando este método em roedores, os pesquisadores conseguiram tornar rins inteiros, corações, pulmões e intestinos transparentes dentro de três dias, e todo o corpo dentro de duas semanas.

O teste do procedimento em pacientes com cancro permitiu que os cientistas visualizassem o alcance da disseminação da doença.

A pesquisa foi realizada em ratos sacrificados e amostras de tecido humano tiradas durante operações, mas ainda não foi aplicada a organismos vivos.

Os cientistas afirmam que a técnica pode ter diversos usos futuros, desde o mapeamento do caminho de fibras nervosas do cérebro para o resto do corpo ao rastreamento dos locais onde diferentes vírus se escondem nos tecidos.

A equipa, agora, está a colaborar com outros cientistas para examinar o tecido cerebral de pessoas com deficiências cognitivas. Ao comparar essas amostras com outras saudáveis, os cientistas querem identificar diferenças nunca antes vistas nos padrões celulares.

Dinossauros encolheram ao longo de 50 milhões de anos e tornaram-se aves

Uma ilustração de pássaros Longirostravis em cima de um terópode Yutyrannus, há 120 milhões de anos BRIAN CHOO
Estudo analisou a evolução de 1549 características anatómicas em 120 espécies de dinossauros carnívoros e concluiu que o aparecimento das aves foi fruto de uma impressionante evolução numa única direcção.

Um dia, uma linhagem de répteis encolheu de tamanho, viu que era possível subir às árvores e acabou a voar. Pode-se resumir assim o aparecimento das aves, há cerca de 150 milhões de anos, nos jardins do Jurássico, quando o mundo era dominado pelos dinossauros. Uma equipa de cientistas analisou características anatómicas nos terópodes, os dinossauros carnívoros bípedes cujo representante mais emblemático é o Tyrannosaurus rex, e concluiu que houve uma linhagem que não parou de diminuir.

Em cerca de 50 milhões de anos, um animal com uma massa média de 163 quilos deu lugar ao Archaeopteryx, que viveu há 150 milhões de anos, por muitos considerada a primeira ave, com apenas 800 gramas, era 12 vezes mais pequeno do que o seu antepassado. O artigo, publicado hoje na revistaScience, conclui que o processo evolutivo que deu origem às aves foi 150 vezes mais rápido do que o normal.

“Não há outro grupo de dinossauro que sofreu um período tão longo e de tão extensa miniaturização”, explicou Michael Lee, da Universidade de Adelaide, na Austrália, ao PÚBLICO. O investigador é um dos autores do projecto, a equipa recorreu a ferramentas estatísticas desenvolvidas pelos geneticistas para estudar a evolução molecular dos vírus na década passada.

No caso dos dinossauros, os cientistas analisaram 1549 características no esqueleto dos fósseis de 120 espécies de terópodes. Há várias características anatómicas que separam as aves dos dinossauros e apareceram durante este período como a fúrcula, o osso em forma de forquilha que resulta da fusão das clavículas, um esqueleto oco, membros superiores maiores, ou penas complexas. Além destas, muitas outras características anatómicas foram consideradas e contabilizadas nas 120 espécies.

A partir desta sopa de informação, e usando os métodos estatísticos da genética molecular, a equipa construiu uma árvore evolutiva dos terópodes e aves que começou há 240 milhões de anos, ainda no Triássico, e terminou há menos de 80 milhões de anos, em pleno Cretácico, o último período da era dos dinossauros que viram o seu ocaso há 65 milhões de anos. Os investigadores estimaram o grau de parentesco entre as espécies, os períodos temporais entre as separações evolutivas das espécies e a rapidez com que a evolução foi acontecendo nas linhagens.

A equipa descobriu que a linhagem onde as aves apareceram era a mais rápida a evoluir. “As aves apareceram dos dinossauros que tinham uma ‘maior capacidade de evoluir’”, defendeu Michael Lee. Por outro lado, cada linhagem que se foi separando e foi evoluindo até aparecerem as aves foi diminuindo de tamanho.

“A mudança de um dinossauro do tamanho de um cavalo para uma ave do tamanho de uma galinha durante 50 milhões de anos é impressionante, mas está completamente dentro das balizas da evolução normal. Afinal, o antepassado de todos os mamíferos placentários, do tamanho de um rato, evoluiu para a baleia-azul com 100 toneladas, em menos de 70 milhões de anos”, diz o cientista. “Porém, o mais impressionante foi a consistência da mudança de tamanho durante a transição de dinossauro para ave — cada dinossauro que aparecia era mais pequeno do que o seu antepassado. A linhagem foi continuamente testando os limites da vida em corpos cada vez mais pequenos.”

É difícil olhar para uma sequência de características que foram aparecendo e produziram uma ave. As penas, por exemplo, apareceram muito antes de funcionarem para o voo, como ornamento para atrair parceiros sexuais. Mais tarde, à medida que o tamanho dos dinossauros foi diminuindo, as penas tornaram-se importantes para isolar e aquecer estes répteis. Só depois é que surgiram as penas mais complexas e importantes para o voo.

Salto para as árvores

Mas uma mudança de nicho ecológico pode estar por trás desta evolução. “Um motor essencial poderá ter sido quando se deu o movimento para as árvores, talvez para escapar dos predadores ou para explorar novos recursos alimentares”, escreve Michael Benton, da Universidade de Bristol, Reino Unido, num artigo de análise da revista Science que acompanha o novo estudo.

Nas árvores, características destes animais como os olhos grandes para uma visão tridimensional, um cérebro maior, ou membros superiores mais alongados com uma superfície de voo expandida, terão permitido saltos de árvore em árvore cada vez mais arriscados, explica Michael Benton.

Mas esta mudança só foi possível por haver um espaço que ainda não tinha sido aproveitado pelos vertebrados. “Acho que o nicho ecológico para os pássaros (animais voadores que vivem nas árvores) existiu desde que os dinossauros apareceram, mas os dinossauros demoraram muito tempo a encontrá-lo”, defende por sua vez Michael Lee. “Originalmente, eram demasiado grandes para explorar um estilo de vida arbóreo e aéreo, e demorou algum tempo até que uma linhagem tenha evoluído gradualmente para ser suficientemente pequena.”

Este novo território foi entretanto colonizado pelos primatas ou pelos voadores morcegos, descendentes dos mamíferos que aproveitaram o vácuo deixado pelo desaparecimento dos dinossauros para se espalharem pela Terra. Mesmo aves como as avestruzes ou as emas reaprenderam a viver nos solo, neste vaivém a que a evolução permite. Mas uma nova subida às árvores parece, no entanto, complicada, defende Michael Lee: “Agora que existem 10.000 espécies de aves a preencher este nicho, seria difícil que outra linhagem colonizasse esta zona.”

Fonte: Publico
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