Dossier teorias da conspiração
Suicídio, overdose ou homicídio? Há quem garanta que a loira mais famosa do mundo foi assassinada por saber de mais: andava a dormir com o presidente americano, o irmão de Kennedy e um líder da máfia
Teorias da conspiração: Conjunto de teorias não provadas, mas que angariam grande número de adeptos, e que normalmente envolvem alegados planos secretos de governos. Há de assassinatos, de extraterrestres e, claro, de sociedades secretas que dominam do mundo. Durante o Verão, o i selecciona as teorias mais obscuras, as mais absurdas e as mais populares para lhe contar. Mas atenção, não as leve demasiado a sério…
Na madrugada de 5 de Agosto de 1962, às 4h35 em ponto, um homem telefonou para a polícia de Los Angeles. "A Marilyn Monroe morreu com uma overdose." "Como?", respondeu o agente Clemmons, o polícia que atendeu a chamada. A mesma voz masculina repetiu: "A Marilyn Monroe morreu." Minutos depois, os helicópteros sobrevoavam a casa da diva em Bretwood. Marilyn morreu enquanto dormia. Tinha 36 anos.
Os relatórios oficiais são claros: a actriz tomou 15 caixas de barbitúricos - que consumia frequentemente - e a toma não foi acidental. Norma Jeane, criada em orfanatos e filha de pai incerto e de uma artista falhada e emocionalmente instável, sofria de bipolaridade, fez psicanálise durante anos e era há muito seguida por um psiquiatra. Suicidou-se.
Foi o médico particular de Marilyn quem telefonou para a polícia. Quando Clemmons chegou à casa da actriz foi recebido pela empregada. Enquanto acompanhava o agente ao quarto onde estava o cadáver, Eunice Murray contou que encontrara o corpo pouco depois da meia-noite. Marilyn estava nua, caída na diagonal em cima da cama, de barriga para baixo, com os pés enrolados na colcha e o braço direito esticado a segurar o telefone. Junto à cama estavam o médico particular da actriz, Engelberg, e o psiquiatra que a seguia, Greenson. Nenhum dos dois abriu a boca e Greenson limitou-se a apontar para a mesa-de-cabeceira onde estavam 15 frascos de Nembutal vazios. O corpo de Marilyn foi autopsiado e confirmou-se a presença de doses excessivas do medicamento. Apesar da especulação da imprensa, o caso foi dado como encerrado.
As teorias de conspiração em torno da morte de Marilyn Monroe perduraram e multiplicaram-se ao longo do tempo. Quase 50 anos depois da morte, em 2011, um detective americano lançou a bomba: a actriz terá sido assassinada pela CIA para proteger os interesses da Casa Branca. Milo Speriglio investigou o suposto suicídio durante décadas e chegou à conclusão de que os ficheiros relacionados com a investigação às causas da morte foram apagados pelo FBI, que o relatório oficial da autópsia foi falseado, que o relatório do agente Clemmons sobre a noite do suicídio foi adulterado e que todas as divisões da casa e os telefones de Marilyn estavam sob escuta.
Marilyn Monroe, segundo relatórios secretos do FBI, terá tido um caso com o presidente americano e chegou a dormir "mais de duas dúzias de vezes" na Casa Branca. O relacionamento com John Kennedy terá no entanto durado pouco, porque o presidente, casado, não podia assumir a relação. Depois de romperem, Marilyn envolveu-se com o irmão, Robert Kennedy. Os amigos garantem que a diva nunca se apaixonou por Bob. Queria só continuar perto de JFK. O FBI e a CIA sabiam que, na cama, Robert lhe confidenciava muitas informações sobre a Casa Branca, incluindo segredos de Estado que poderiam comprometer o irmão.
Na tarde antes de morrer, Marilyn terá discutido com Bob - que ameaçou pôr um ponto final na relação e a actriz garantiu que iria vingar-se e marcar uma conferência de imprensa para contar "tudo" o que sabia. Milo Speriglio sustenta este detalhe com o facto de todas as divisões da casa estarem sob escuta. E garante que teve acesso às gravações. Aquilo que a loira sabia era demasiado grave: além dos irmãos Kennedy, a actriz andaria também a dormir com um chefe da máfia, Sam Giancana - alegadamente contratado em 1961 pela CIA para delinear um plano com o governo americano para matar Fidel Castro. No negócio todos ganhavam: JFK fazia cair o comunismo em Cuba e a máfia recuperava o controlo das redes do narcotráfico.
A teoria é suportada por dezenas de pistas e de documentos que provam que a morte não foi acidental, e muito menos um suicídio. No verdadeiro relatório policial, o agente Clemmons terá escrito: "Posso afirmar que foi ele [o psiquiatra] quem aplicou a injecção letal de Nembutal líquido. Vale a pena lembrar que naquele dia, naquele momento, era a oportunidade de calar Marilyn. Não esquecer que ela havia dito que ia marcar uma conferência de imprensa para contar tudo." De que injecção letal fala o polícia se, segundo os relatórios oficiais, Marilyn Monroe ingeriu comprimidos? O verdadeiro relatório da autópsia, redigido pelo médico legista Noguchi - que entretanto admitiu publicamente ter sofrido pressões para avançar com a tese de suicídio -, revela que a actriz nunca poderia ter tomado comprimidos antes de morrer: o estômago e o intestino estavam vazios e as análises mostraram que o medicamento apresentava níveis altos no sangue e não no fígado, o que sugere que a medicação foi administrada em injecção e não por via oral. O agente Clemmons terá escrito no relatório que achou entranha a disposição do quarto: numa overdose medicamentosa há falta de ar e convulsões violentíssimas entre a toma das drogas e a morte. O quarto e a cama de Marilyn teriam de estar completamente desarrumados, mas na realidade havia roupas meticulosamente dobradas junto à cama. E às 4h30 da manhã, quando a polícia chegou à casa, a empregada estava a lavar e a secar toneladas de roupa em duas máquinas e a carregar caixotes para um carro. Hora estranha para fazer arrumações, terá escrito o polícia. Mais: a primeira análise ao cadáver, ainda no local, terá permitido concluir que a morte não ocorreu à meia-noite. O cadáver estava rígido e estabeleceram-se as 20h30 como hora da morte. Cinquenta anos depois, o último serão de Marilyn Monroe permanece um mistério.
Outras teorias:
Paul is dead. A lenda da morte de Paul McCartney
Paul McCartney morreu num acidente em 1966 e foi substituído por um sósia. A suposta morte do Beatle foi noticiada pela primeira vez a 12 de Outubro de 1969 numa rádio de Detroit pelo locutor Russ Gibb, que recebeu um telefonema de um ouvinte com pistas sobre uma das mais famosas teorias da conspiração. A notícia espalhou-se rapidamente e McCartney, de férias na Escócia, foi obrigado a dar uma entrevista à “Life” para desmentir os rumores. O Beatle terá morrido num acidente de carro em Novembro de 1966. A colisão com outro carro foi de tal forma grave que a cabeça de Paul terá ficado completamente esmagada e os dentes terão desaparecido – o que impossibilitou a identificação do corpo (na altura ainda não havia testes de ADN). Para não perder o mediatismo, a banda substituiu-o por um sósia, escolhido num casting nacional.
Quem matou JFK? O homicídio que gerou mais conspirações
É, provavelmente, a morte em torno da qual se criaram mais teorias da conspiração. O presidente americano John F. Kennedy (JFK) foi assassinado a tiro a 22 de Novembro de 1963, em Dallas, ao meio-dia em ponto. Lee Harvey Oswald, empregado de armazém, foi acusado do homicídio, disse-se inocente e foi assassinado dois dias depois de JFK. A CIA, o KGB e os cubanos são os responsáveis mais referidos. Os russos queriam vingar-se da humilhação da União Soviética na crise dos mísseis de Cuba, em 1962. A CIA teria recebido indicações de que JFK ia aniquilar a agência e os cubanos acreditavam que os EUA queriam matar Fidel Castro e anteciparam-se. Mas há mais suspeitos: a máfia estaria a ser investigada pelo governo, Lyndon B. Johnson (o sucessor de Kennedy) queria ser presidente e a sociedade secreta dos Illuminati estaria em conflito com JFK.