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quarta-feira, 17 de junho de 2020

"Fizeram história". Portugal despede-se dos helicópteros Alouette ao fim de 57 anos

O Alouette "salvaram vidas em conta" ao longo dos 57 anos da sua operação, 
frisou o ministro da Defesa

Equipamento estreou-se na Guerra Colonial, em junho de 1963. Ministro da Defesa anunciou que Portugal poderá avançar para a compra de mais dois helicópteros Koala para reforçar dispositivo de combate a incêndios

O ministro da Defesa Nacional deslocou-se hoje à Base Aérea 11 (BA11), em Beja, onde efetuou um voo a bordo do helicóptero Alouette III (ALIII), para assinalar o final de serviço desta aeronave, após 57 anos de operação na Força Aérea Portuguesa (FAP). João Gomes Cravinho considerou que os ALIII, cujo primeiro helicóptero fez voo de estreia na guerra colonial, a 18 de junho de 1963, em Luanda, "fizeram história".

"Foram comprados para fazer a guerra colonial, foi o que aconteceu ao longo daqueles anos, entre 1963 e 1974" e, desde então e até hoje, "cumpriram inúmeras missões civis e militares, mas sobretudo civis. Foram vidas sem conta que foram salvas por estes ALIII", destacou.

Os helicópteros, da Esquadra 552, "serviram também, ao longo de quatro décadas, para coordenação aérea de combate a incêndios", indicou igualmente, como exemplo, o ministro.

Os ALIII "marcaram a FAP, marcaram a vida dos portugueses", até mesmo de muitos que, sem terem consciência das aeronaves, "beneficiaram do trabalho feito por gerações e gerações de militares que operaram estas máquinas extraordinárias".

"Este último dos ALIII ainda com capacidade de voo esgota amanhã [quarta-feira] o seu prazo de utilidade e é um momento histórico. Ao fim de 57 anos ao serviço da FAP, retiram-se agora" estes helicópteros "para dar lugar a uma nova geração, o 'Koala'", os quais "já começaram a operar", frisou.

Questionado sobre se a cerimónia desta terça-feira, que marcou simbolicamente o fim do serviço dos ALIII - visto que só na quarta-feira é o último voo -, não merecia a presença dos militares que, ao longo de décadas, pilotaram ou trabalharam nestes helicópteros, o governante aludiu à pandemia de covid-19. "Estão fisicamente ausentes, mas estão no nosso pensamento", afirmou João Gomes Cravinho, justificando que a pandemia obriga a "alterações" daquilo que "são as cerimónias habituais".

A foto oficial da despedida dos Alouette, em Beja
© Nuno Veiga / Lusa

A despedida de foi feita "com um sentimento misto de saudade, mas também de agradecimento e de grande satisfação" pelo "investimento significativo de Portugal" nestes helicópteros, mas que deu frutos: "Quando os investimentos são bem feitos, o retorno é muito grande e esse retorno foi infinitamente superior àquilo que foi o investimento".

Dispositivo de Koalas pode ser reforçado com mais dois aparelhos

O ministro da Defesa revelou também que a Força Aérea já recebeu quatro dos cinco novos helicópteros AW119MK II - "Koala" e que Portugal está "a pensar" comprar "mais dois" para integrar no dispositivo de combate a incêndios.

"Já recebemos quatro dos cinco 'Koala' que foram adquiridos" para a Força Aérea Portuguesa (FAP), disse o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, adiantando que "o quinto chegará durante este verão, dentro de um mês" ou "mês e meio".
Os novos helicópteros Koala

Segundo o governante, com a chegada deste último AW119MK II -- "Koala", ficará completa a aquisição feita pelo Estado português, mas Portugal ainda tem a "opção de compra de mais dois" destes helicópteros. E é esta opção de compra que o Governo está "a pensar exercer" para integrar no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios, revelou.

"Há uma mudança de paradigma e, a partir de 2023, o Estado português operará, essencialmente, com meios próprios e, portanto, estamos a pensar que os dois 'Koala' que fazem parte da opção poderão ser adquiridos também, para integrar essa capacidade nova do Estado", frisou.

Fonte: DN

terça-feira, 16 de junho de 2020

Aqua-Fi: Criado o primeiro “Wi-Fi subaquático” que usa LEDs e lasers


As comunicações sem fios dentro de água são cada vez mais requisitadas. O mercado do entretenimento e mesmo a utilização profissional tem esbarrado nas dificuldades do sinal Wi-Fi dentro de água. Assim, para tentar ultrapassar a dificuldade que os mergulhadores têm para receber e transmitir informações sem fio para a superfície, investigadores das universidades de Waterloo, no Canadá, e da Universidade de Ciência e Tecnologia da Arábia Saudita apresentaram o Aqua-Fi.

Este é um novo sistema experimental baseado em tecnologia a laser que permitirá o envio veloz de informações através da água.

Aqua-Fi: o Wi-Fi que poderá levar a internet para dentro de água

Aqua-Fi é o nome do projeto que pretende fornecer internet debaixo de água, recorrendo a redes óticas sem fio. Estas tecnologias terão a missão de enviar dados em tempo real da e para a superfície. Embora a tecnologia Wi-Fi seja encontrada em milhões de dispositivos, ainda é difícil ter uma ligação sem fios que funcione corretamente debaixo de água.

A internet é uma ferramenta de comunicação indispensável que liga milhões de dispositivos em todo o mundo. A possibilidade de ter Wi-Fi dentro de água iria potenciar as ações dos mergulhadores. Estes conseguiriam maior liberdade de movimentos e uma comunicação permanente com a superfície.

Enviar dados para a superfície com lasers e um Raspberry Pi

A comunicação subaquática é possível com sinais de rádio, acústicos e de luz visível. No entanto, o rádio pode transportar dados apenas a curtas distâncias, enquanto os sinais acústicos suportam longas distâncias, mas com uma taxa de dados muito limitada. A luz visível pode viajar longe e transportar muitos dados, mas os estreitos feixes de luz exigem uma linha de visão clara entre os transmissores e recetores.

Assim, a equipa de Basem Shihada, o investigador responsável pelo projeto, construiu um sistema sem fio subaquático, o Aqua-Fi. Esta tecnologia suporta serviços de Internet, como o envio de mensagens multimédia, recorrendo a LEDs ou lasers. Os LEDs oferecem uma opção de baixo consumo de energia para comunicação a curta distância. Já os lasers podem levar os dados adiante, mas precisam de mais energia.


O protótipo Aqua-Fi usa LEDs verdes ou um laser de 520 nanómetros para enviar dados de um computador pequeno e simples para um detetor de luz conectado a outro computador. O primeiro computador converte fotos e vídeos numa série de 1s e 0s, que são traduzidos em feixes de luz ligando e desligando em velocidades muito altas.

O detetor de luz deteta esta variação e transforma-a novamente em 1s e 0s, que o computador recetor converte novamente na mensagem original.

Criada a primeira internet wireless a funcionar dentro de água

Os investigadores testaram o sistema carregando e baixando multimédia simultaneamente entre dois computadores separados a poucos metros em água estática. Eles registaram uma velocidade máxima de transferência de dados de 2,11 megabytes por segundo e um atraso médio de 1,00 milissegundo para uma ida e volta.

É a primeira vez que alguém usa a Internet debaixo de água completamente sem fio.

Referiu Shihada.


No mundo real, o Aqua-Fi usava ondas de rádio para enviar dados do smartphone de um mergulhador para um dispositivo “gateway” ligado ao equipamento. Então, como um amplificador que amplia o alcance Wi-Fi de um router doméstico de Internet, este gateway envia os dados através de um feixe de luz para um computador na superfície ligado à internet via satélite.

O Aqua-Fi não estará disponível até que os investigadores superem vários obstáculos.

Esperamos melhorar a qualidade do link e o alcance da transmissão com componentes eletrónicos mais rápidos.

Disse o investigador.

O feixe de luz também deve permanecer perfeitamente alinhado com o recetor em águas em movimento e a equipa está a considerar um recetor esférico que pode capturar luz de todos os ângulos.

Criamos uma maneira relativamente barata e flexível de ligar ambientes subaquáticos à Internet global. Esperamos que um dia o Aqua-Fi seja tão amplamente usado debaixo de água quanto o Wi-Fi que existe acima da água.

Concluiu Shihada.

Assim, com esta nova forma de comunicar, poderemos um dia ter um combinar de internet no espaço, na superfície e dentro de água.

Fonte: Pplware

sábado, 13 de junho de 2020

NASA “mostra as várias cores” de Fobos, a maior lua marciana


Novas imagens térmicas capturadas pela sonda Mars Odyssey da NASA apresentam Fobos, a maior das duas luas de Marte, com cores diferentes.

As imagens agora divulgadas e captadas através de uma câmara infravermelha da sonda, fornecem informações sobre a composição e as propriedades físicas desta lua de Marte, explicou a agência espacial norte-americana em comunicado.

Em algumas ocasiões, este satélite aparece envolto em sombras, havendo ainda outros momentos em que está completamente banhado pela luz solar.

NASA

No passado 25 de fevereiro, Fobos foi observada durante um eclipse lunar, durante o qual Marte bloqueou totalmente a luz solar desta luz, gerando as temperaturas mais baixas já registadas pelos cientistas neste satélite.

Os termómetros chegaram aos -123 graus Celsius.

“Estas observações também estão a ajudar a caractertizar a composição de Fobos. As futuras observações fornecerão uma imagem mais completa das temperaturas extremas na superfície da Lua”, disse o especialista Christopher Edwards, da Universidade do Norte do Arizona, nos Estados Unidos, que liderou o processamento e a análise das imagens.

Fonte: ZAP

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Encontrados fragmentos de meteorito que caiu na Espanha em 1703


Pesquisadores da Catalunha encontraram os restos de um raro meteorito que caiu na região no Natal de 1703.

Uma equipe de pesquisadores, liderada pelo professor Jordi Llorca da Universidade Politécnica da Catalunha, descobriu dois fragmentos do meteorito de Barcelona, que caiu em 25 de dezembro de 1703 no município catalão de Terrassa, segundo comunicou a instituição.

Pesquisador Jordi Llorca estuda fragmentos do meteorito de Barcelona

Llorca explicou que até agora se acreditava que nenhum fragmento deste objecto espacial teria sido preservado. Seus pedaços, de 50 e 34 gramas, foram encontrados em um frasco de vidro junto com uma etiqueta incompleta, na colecção da família Salvador, de Barcelona.

A família pertence a uma famosa linhagem de naturalistas locais, que entre os séculos XVII e XIX reuniram importantes colecções científicas, conforme o recente estudo publicado pela revista Meteoritics and Planetary Science.

Os resultados de diferentes análises realizadas com o uso de tecnologias avançadas, como a tomografia de raios X, microscopia e micro sonda electrónica, revelaram que os fragmentos são compostos por silicatos e pequenas partículas metálicas, o que permitiu chegar à conclusão de que o meteorito era proveniente de um asteroide primitivo que orbitava entre Marte e Júpiter.

Fragmentos catalogados de meteorito na Universidade Politécnica da Catalunha (Espanha)

Além do mais, os cientistas compararam os fragmentos com outros quatro meteoritos que caíram ou foram encontrados na Catalunha entre 1851 e 1905, concluindo que os fragmentos recentemente descobertos são diferentes e não podem ser confundidos com os demais. "Este estudo científico [...] É uma janela para observar a formação e evolução do Sistema Solar", salientou Llorca e agregou que o meteorito de Barcelona é "o sétimo mais antigo" conservado em todo o mundo.

Fonte: Sputnik News

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Portugal vai fazer parte do projeto de construção do maior telescópio solar da Europa


O Telescópio Solar Europeu será instalado nas Ilhas Canárias e deverá começar a observar a atividade do Sol a partir de 2027, colmatando as lacunas das atuais ferramentas espaciais e terrestres. O projeto poderá desempenhar um papel importante na prevenção e mitigação do impacto das tempestades solares na Terra.

A Portugal Space vai participar no desenvolvimento do novo Telescópio Solar Europeu (TSE). A Agência Espacial Portuguesa integra agora a direção do consórcio de 30 instituições de 18 países que vai estudar a viabilidade científica e económica do projeto que tem em vista a construção do maior telescópio solar alguma vez construído na Europa.

Em comunicado, a Portugal Space explica que, após a fase preparatória que terminará no fim de 2020, o consórcio e as organizações financiadoras do projeto vão traçar um plano detalhado acerca da instalação do telescópio, analisando os custos e os possíveis riscos. Ao todo, estima-se que o projeto tenha um custo de obra de 180 milhões de euros.

Com um espelho primário de quatro metros, construído e operado pela Associação Europeia de Telescópios Solares, o TSE vai permitir colmatar as lacunas das atuais ferramentas espaciais e terrestres.


De acordo com a Agência Espacial Portuguesa, o TSE conseguirá examinar a união magnética na atmosfera solar, desde as camadas mais profundas da fotosfera até aos estratos mais altos da cromosfera. Além disso, poderá dar a conhecer os atributos térmicos, dinâmicos e magnéticos do plasma solar em alta resolução espacial e temporal.

O TSE será instalado nas Ilhas Canárias e deverá começar a observar a atividade do Sol a partir de 2027. A Portugal Space afirma que o projeto será fundamental para prever e mitigar o impacto das tempestades solares na Terra. O fenómeno pode afetar os sistemas elétricos mais sensíveis, causando interrupções nas comunicações por satélite e falhas nos sistemas de navegação e redes de energia internacionais.

Segundo Chiara Manfletti, presidente da Portugal Space, as observações realizadas a partir do TSE vão complementar as descobertas do Solar Orbiter, a missão da ESA que conta com tecnologia portuguesa.

A Critical Software desenvolveu vários sistemas de software para a missão, incluindo programas centrais de comando e controlo, de deteção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico. A Active Space Technologies produziu componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação da sonda com a Terra e para os canais para a passagem de luz que atravessam o escudo térmico do aparelho.

Já a Deimos Engenharia, que também ajudou a desenvolver a componente científica do Cheops, o satélite da ESA que pretende medir os planetas fora do sistema solar, trabalhou na definição e implementação da estratégia para testar os sistemas de voo do equipamento.

Fonte: SapoTek

segunda-feira, 18 de maio de 2020

É altura de levar o tema dos OVNIs a sério? Este conceituado professor pensa que sim


Os três vídeos que mostram objetos voadores não identificados, cuja autenticidade o Pentágono confirmou no final do mês passado, são inquietantes. Alexander Wendt, um reputado professor de ciência política norte-americano, acredita que é altura de acabar com o tabu e estudar a fundo o assunto

São três videos datados de 2013 e 2014 que já circulavam há anos, mas que só foram libertados oficialmente pelo Pentágono a 27 de Abril passado, num relatório que confirmou a sua autenticidade. Com o mundo embrenhado numa pandemia, o tema passou relativamente despercebido. Mas neste documento são detalhados três encontros de aviões militares norte-americanos com o que é designado de “fenómenos aéreos não identificados”. O relatório descreve as aeronaves não identificadas avistadas, identificando-as como pequenos “sistemas aéreos não tripulados”. Durante um dos incidentes, o avião americano passou a 300 metros de distância do objeto, mas foi incapaz de determinar a identidade da aeronave. Noutro encontro, o piloto da Marinha disse que esse objeto tinha cerca de 2,5 metros de largura e estava pintado de branco. Um dos vídeos mostra uma aeronave que tem um voo rápido e irregular, em ziguezague.


Segundo o New York Times já tinha escrito, o Pentágono gastou 22 milhões de dólares constituindo uma equipa para um programa secreto que visava estudar estes avistamentos e que se prolongou entre 2007 e 2012. “Há evidências que talvez nós não estamos sozinhos”, disse depois Luiz Elizondo, que liderou a investigação, disse à CNN em 2017. “Essas aeronaves mostram características que nem os Estados Unidos nem outros países possuem em seus inventários”, afirmou.

Neste relatório agora libertado pelo pentágono, nunca se menciona que os objetos possam ser de origem extraterrestre. E coloca-se como hipótese mais consistente que sejam apenas artefactos secretos criados para a espionagem pela Rússia ou pela China.

Alexander Wendt (DR)

Porém, nem todos pensam assim.

Alexander Wendt é uma das vozes que dizem que é preciso estudar o tema a fundo sem excluir quaisquer hipóteses. Wendt é alma mater da Universidade do Minesota e professor universitário em Ohio, depois de ter passado por Yale e Universidade de Chicago, e é um dos principais académicos no campo das relações internacionais, área onde é um precursor da escola do construtivismo e da teoria social da política internacional.

Há anos que Wendt se dedica, paralelamente à sua carreira académica, ao estudo dos OVNIs, que diz condenado a ser um tema tabu profundamente enraizado nas áreas científicas e académicas, em relação ao qual há um embargo de pesquisa. Em 2008 publicou um artigo que até hoje se mantém atual, chamado “Soberania e OVNIs ”, onde explana esta teoria, que reafirmou novamente numa palestra da Ted-X Columbus no final do ano passado que correu mundo. Nesta palestra, Wendt arranca precisamente com os três vídeos cuja autenticidade foi agora confirmada pelo pentágono.


“A primeira responsabilidade dos académicos é dizer a verdade. E a verdade é que não temos ideia do que são os Ovnis, e ninguém em posição de poder ou autoridade está a tentar descobrir. Isso deveria surpreender e perturbar todos nós ”, afirma. Como o estado moderno é antropocêntrico, há quem entenda que a soberania do estado pode estar em causa se forem encontradas outras formas de vida que não sejam terrestres, defende.

Numa entrevista que deu agora à Vox, Wendt sublinha que a conspiração de silêncio persiste, mesmod epois da confirmação oficial dos vídeos. “Embora a Marinha agora diga: “Ei, temos OVNIs em filme, aqui estão eles”, os cientistas ainda não vão estudá-los. Parece haver algo que impede a comunidade científica de se centrar neste fenómeno, mesmo que qualquer outra coisa tão remotamente interessante possa gerar dinheiro ilimitado para pesquisa”, acusa.

Diz que recebeu “muitos emails de cientistas individuais em resposta à palestra no TEDx. “Todos disseram a mesma coisa, ou seja, “Obrigado, gostaríamos de poder estudar isso, mas não podemos, porque nossas vidas dependem de receber doações do governo e de outros institutos de investigação. Se se alguém começa a assustar-se porque estão interessados ​​em OVNIs, boom, não recebem um centavo e suas carreiras estarão no charco”, conta.

Sobre a questão de fundo, ou seja, se existe vida-extraterrestre, diz: “ Certamente acredito que é muito provável que exista vida extraterrestre em algum lugar do universo, e suspeito que até a maioria dos cientistas possa concordar com isso agora”. E acrescenta: “Acho que as chances são altas o suficiente para que devamos investigá-lo. É simples.”

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Segredos e vigilâncias. Uma viagem ao mundo da ciberdefesa militar


Há um ciber exército a crescer nas Forças Armadas Portuguesas. O que faz, onde está e como vai para a guerra todos os dias? Os inimigos são, muitas vezes, hackers a soldo de estados estrangeiros

Percorre-se um longo corredor com portas codificadas e segurança até chegar à "frente de batalha". Não há trincheiras, não cheira a morte, nem há feridos caídos. Há militares fardados sentados em frente a computadores, com as retinas fixadas nos números 0 e 1 que preenchem os monitores.

Há uma parede totalmente coberta por um ecrã gigante onde se vêm mapas do mundo, com diversos pontos assinalados por luzinhas de várias cores, gráficos, tabelas, muitos números e nomes de alguns países. Não há armas, mas dali pode partir uma guerra. Ali há batalhas diárias contra muitos inimigos estrangeiros, por vezes a soldo de governos.

Desde que foi criado em 2015 a equipa do Centro de Ciberdefesa triplicou e em 2023 terá 10 vezes mais soldados  © Ricardo Pinho / EMGFA

Os estragos que podem provocar são tremendos. Podem parar um país, roubar segredos, enfraquecer Estados e comprometer alianças. A defesa é, por isso, muito robusta e permanente.

Estamos no Centro de Ciberdefesa (CCD), situado no coração do quartel-general do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), um dos pontos nevrálgicos melhor guardados dos militares, onde cresce um autêntico exército de "ciberoperacionais" - desde que foi criado em 2015 a equipa triplicou e em 2023 terá 10 vezes mais soldados.

Protegem toda a rede de informações e comunicações da Defesa Nacional, que é a "espinha dorsal" do comando e controlo das Forças Armadas, por onde passam muitos documentos estratégicos e operacionais de organizações internacionais que Portugal integra, como a NATO.

Cyberpunks e mercenários

"A guerra existe e está a acontecer. Os ataques são diários e cada vez mais sofisticados. Há todos os dias centenas de tentativas de penetração nos nossos sistemas de defesa, como que a tentar arrombar as portas de um quartel. Grande parte é praticada pelos chamados cyberpunks, ou hacktivistas, que andam permanentemente a tentar encontrar nos nossos serviços alguma "frincha" para entrar. Depois há os mais graves, de hackers mercenários, contratados por governos de outros países, que têm vindo a aumentar nos últimos tempos, para uma média diária de cerca de uma dúzia", admite o Vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, adjunto de Planeamento e Coordenação EMGFA, responsável pela estratégia deste que é o mais recente domínio operacional militar, a par do ar, mar e terra - o ciberespaço.

O comandante do Centro de Ciberdefesa, Helder Fialho (de pé) dá instruções ao ciberoperacional  © Ricardo Pinho / EMGFA

Revela que para esta "guerra" conta também com civis, "alguns jovens universitários" que fazem parte duma rede informal de "voluntários" que "trabalham em conjunto com os militares de forma cooperativa para a preservação de alguma soberania digital".

"Os ciberataques, com sucesso, podem afetar a nossa economia, a propriedade intelectual, as decisões políticas, a atividade militar, as forças de segurança, em resumo o Estado em geral"

Usam software "open source", numa estratégia para evitar portas de intrusão escondidas, colocadas por empresas, ou agências especializadas, na procura de soluções para tornar os sistemas mais seguros. "Chamamos-lhes os "hackers do bem"", sorri este oficial da Marinha. "Os ciberataques, com sucesso, podem afetar a nossa economia, a propriedade intelectual, as decisões políticas, a atividade militar, as forças de segurança, em resumo o Estado em geral", alerta.

Para tirar a fotografia da grande sala de operações, o ecrã gigante é provisoriamente desligado - fica só um fundo azul e o símbolo do Centro de Ciberdefesa - pois quem analisasse à lupa a imagem poderia ver identificados países, que se encontram entre os principais suspeitos das tentativas de entrada nos sistemas de defesa portugueses e dos aliados da NATO. Ou endereços de internet que estão na lista negra dos que já foram usados por hackers profissionais noutros países.

Ameaça de Moscovo?

Faz parte das regras não revelar se houve ataques com sucesso pois isso seria assumir fraquezas. Mas é de conhecimento público que no ano passado houve um um grave ciberataque que atingiu o sistema de correio eletrónico de militares e civis no ministério da Defesa Nacional. Foi o próprio Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, Almirante Silva Ribeiro, a confessá-lo num programa de debate televisivo.

Foram os serviços de informações de países aliados europeus da NATO que alertaram as autoridades portuguesas para ações de espionagem russa

Segundo o jornal Público, foram os serviços de informações de países aliados europeus da NATO que alertaram as autoridades portuguesas para ações de espionagem russa. Questionado se confirmava o ataque, Gouveia e Melo fechou o seu rosto compenetrado de submarinista (esteve embarcado 18 anos nos submarinos da Marinha) habituado ao silencioso serviço do mar profundo. Não disfarçou o incómodo da pergunta mas recusou-se a comentar.

O vice-Almirante Gouveia e Melo, adjunto para o planeamento do EMGFA, com o comandante do CCD e com o responsável da área tecnológica  © Ricardo Pinho / EMGFA

Diversos países estavam, no outono passado, a braços com hackers que os diferentes serviços de informações relacionavam com Moscovo. Silva Ribeiro não concretizou a origem dos ataques - nem Gouveia e Melo o quis agora fazer. "Não é uma pessoa normal, sozinha, que faz isto. Requer capacidades tecnológicas, um Estado por detrás a sustentar isto", frisou, na altura, o CEMGFA.

Aprenderam-se lições e corrigiram-se os pontos fracos, parte deles erros humanos de procedimentos de segurança. "A defesa dos sistemas e a nossa capacidade de deteção e eliminação dos ataques saíram muitíssimo reforçadas", afiança Gouveia e Melo

Aprenderam-se lições e corrigiram-se os pontos fracos, parte deles erros humanos de procedimentos de segurança. "A defesa dos sistemas e a nossa capacidade de deteção e eliminação dos ataques saíram muitíssimo reforçadas", afiança Gouveia e Melo.

"Ganhámos uma batalha, mas a guerra continua. Apesar de todos sabermos qual é a proveniência dos ciberataques mais sofisticados, através de toda a partilha de informação que existe entre os aliados da NATO e serviços de informações, é sempre muito difícil, quase impossível, prová-lo", prossegue.

Multiplicar por 10 os ciberoperacionais

Este Oficial General prefere não revelar quantos militares estão agora aqui destacados - todos com formação superior em tecnologias de informação, informática e outras especialidades - porque entende que isso revelará as nossas capacidades e poderá ser usado pelos "inimigos". No entanto, estima-se que o objetivo é que este ciber exército integre, pelo menos, cerca de uma centena de peritos. Até 2030 está previsto um investimento neste "ramo" da ordem dos 45,4 milhões de euros, no âmbito da Lei de Programação Militar.

Devido às medidas de prevenção contra a covid-19 o número de operacionais presentes é reduzido. Tal como em todas as unidades das Forças Armadas foram criadas equipas "espelho" que se vão revezando todos os 14 dias.

Gouveia e Melo sublinha que "desde o início da pandemia os ataques triplicaram; primeiro porque as infraestruturas do Estado tiveram de rapidamente começar a operar em teletrabalho, sem tempo para aplicar soluções seguras, o que as torna mais vulneráveis; segundo, porque houve uma visão oportunista do outro lado para aproveitar a preocupação das pessoas com a doença, enviando, por correio eletrónico, mensagens de phishing com suposta informação útil e científica, para infetar os computadores".

Neste momento, afiança este oficial, está a ser criado um novo sistema de comunicações interno, que pode substituir um Whatsapp, Zoom ou Microsoft Teams, só para o EMGFA. "É fulcral garantir a segurança das informações", sublinha.

Identificar atores do ciberespaço

O comandante do Centro de Ciberdefesa é Helder Fialho, um oficial da Marinha, com especialização em Comunicações e Guerra Eletrónica e Pós-graduado em Sistemas de Informação pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC). É notório o seu entusiasmo e a sua dedicação quando nos descreve o trabalho que coordena.

Helder Fialho comanda o Centro de Ciberdefesa. É oficial da Marinha especialista em comuniações e guerra eletrónica  © Ricardo Pinho / EMGFA

Na sala de operações, explica, "há uma frontline de sargentos, que fazem a primeira triagem das tentativas de intrusão, monitorizando alterações de padrão. Numa segunda linha estão oficiais peritos que analisam a informação do incidente e verificam o nível do ataque. Numa terceira linha é feita uma análise mais aprofundada, o cruzamento de dados com outros países e a caracterização detalhada do incidente".

Nesta área de operações do CCD existe uma "célula de informações" do ciberespaço, que procura e analisa informações de eventuais ameaças, através de operações exploratórias, e lança alertas às várias entidades nacionais.

Uma das funções é identificar os chamados TTP (Tactics, Techniques and Procedures) de grupos/atores do ciberespaço que possam comprometer a segurança das redes da Defesa. São uma espécie de profilers. Sabendo o seu modus operandi, são criados sistemas de defesa preventiva para potenciais ataques.

"A grande força da ciberdefesa é a partilha de informação. Temos uma rede gigantesca", completa Gouveia e Melo. O CCD integra em Portugal o designado G4, juntamente com o Centro de Cibersegurança, o Serviço de Informações de Segurança e a Polícia Judiciária, que prestam "um excelente serviço".

Internacionalmente, a mais valia da partilha de informação para as Forças Armadas vai para a NATO, em cujas plataformas de segurança do ciberespaço os aliados partilham todas as informações dos incidentes que os atingem.

Fonte: DN

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Buraco negro “silencioso e invisível” descoberto próximo da Terra


Há um buraco negro situado a apenas 1.000 anos-luz da Terra, distância que o transforma no objeto do género mais próximo do nosso Sistema Solar.

A existência foi comprovada por uma equipa de astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) e de outras instituições, que identificou evidências do objeto invisível ao seguir as suas duas estrelas companheiras com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla.

Os cientistas dizem que este sistema pode ser apenas a ponta do iceberg, já que muitos outros buracos negros semelhantes poderão ser descobertos no futuro.

Situado na constelação do Telescópio, o sistema encontra-se tão perto da Terra que as suas estrelas podem ser vistas a partir do hemisfério sul numa noite escura e límpida sem binóculos ou telescópio. “Este sistema contém o buraco negro mais próximo da Terra que conhecemos”, disse Thomas Rivinius, cientista do ESO que liderou o estudo publicado hoje na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics, citado em comunicado.



A equipa observou originalmente o sistema, chamado HR 6819, no âmbito de um estudo de sistemas estelares duplos e, ao analisar as observações, verificou que estas revelavam um terceiro corpo previamente desconhecido em HR 6819: um buraco negro.

As observações levadas a cabo com o espectrógrafo FEROS montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros em La Silla mostraram que uma das duas estrelas visíveis orbita um objeto invisível com um período de 40 dias, enquanto a segunda estrela se encontra a maior distância do par mais interior.

FICÁMOS BASTANTE SURPREENDIDOS QUANDO COMPREENDEMOS QUE ESTE É O PRIMEIRO SISTEMA ESTELAR COM UM BURACO NEGRO QUE PODEMOS OBSERVAR A OLHO NU,” PETR HADRAVA, ACADEMIA DE CIÊNCIAS DA REPÚBLICA CHECA

O buraco negro escondido no HR 6819 é um dos primeiros buracos negros estelares descoberto que não interage violentamente com o meio que o circunda e, portanto parece ser verdadeiramente negro. Apesar disso, a equipa conseguiu detetar a sua presença e calcular a sua massa ao estudar a órbita da estrela do par interior.

Até à data, os astrónomos descobriram apenas cerca de duas dúzias de buracos negros na Via Láctea, quase todos em interação violenta com o seu meio envolvente e dando provas da sua presença pela emissão de fortes raios X. No entanto, os cientistas estimam que durante todo o tempo que a Via Láctea já viveu, muitas estrelas tenham colapsado sob a forma de buracos negros no final das suas vidas.

A DESCOBERTA DE UM BURACO NEGRO SILENCIOSO E INVISÍVEL NO SISTEMA HR 6819 FORNECE PISTAS SOBRE ONDE POSSAM ESTAR ESCONDIDOS MUITOS DOS BURACOS NEGROS DA VIA LÁCTEA

Nesta altura, os astrónomos acreditam que esta descoberta pode ajudar já a compreender um segundo sistema, chamado LB-1, possa também ser um sistema triplo deste tipo, apesar de serem necessárias mais observações para ter a certeza.

As descobertas de sistemas triplos com um par mais interno e uma estrela distante poderão também fornecer pistas sobre as fusões cósmicas violentas que libertam ondas gravitacionais suficientemente fortes para serem detetadas a partir da Terra.

Alguns astrónomos acreditam que as fusões podem ocorrer em sistemas com configurações semelhantes a HR 6819 ou LB-1, mas onde o par interior seria constituído por dois buracos negros ou um buraco negro e uma estrela de neutrões. O objeto exterior mais distante poderia ter um impacto gravitacional no par interior de modo a dar origem a uma fusão e consequentemente à libertação de ondas gravitacionais, explica-se no comunicado.

Apesar de terem apenas um buraco negro e nenhuma estrela de neutrões, os sistemas HR 6819 e LB-1 poderão ainda assim ajudar os cientistas a compreender como é que as colisões estelares podem ocorrer em sistemas estelares triplos, refere-se.


Fonte: SapoTek

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Novas FOTOS de asteroide gigante de 'máscara' que se aproxima da Terra


O asteroide 52768 (1998 OR2) gigante, que actualmente está vindo na direcção da Terra a uma velocidade de cerca de 31.320 km/h, foi fotografado com qualidade sem precedentes por astrónomos.

A gigantesca rocha espacial, de 4,1 quilómetros de comprimento por 1,8 quilómetros de largura, deverá sobrevoar o mais próximo do nosso planeta em 29 de abril a uma distância segura de 6,3 milhões de quilómetros, ou seja, mais de 16 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Tanto o projecto Telescópio Virtual, em Roma, quanto o Observatório de Arecibo, em Porto Rico, divulgaram novas fotos.

A equipe porto-riquenha brincou que a rocha espacial parecia estar em sintonia com as tendências aqui na Terra, usando uma "máscara facial".

Asteroide 52768 (1998 OR2)

O enorme objecto astronómico mede mais de 1,5 quilómetros de diâmetro e é classificado como um asteroide "potencialmente perigoso", pois todas as grandes rochas espaciais que chegam a 7.480.000 quilómetros da Terra recebem essa classificação.

Órbita do asteroide 52768 (1998 OR2)

O sobrevoo oferece aos astrónomos uma chance fantástica de aprender mais sobre a composição do 1998 OR2 à medida que ele passa. Ele também permitirá que se façam medições do planetoide para melhorar a definição do tamanho dos asteroides.

O rastreamento de asteroides gigantes também ajuda os cientistas a criar medidas para defender a Terra contra objectos que podem potencialmente representar um risco real para o nosso planeta.

Fonte: Sputnik News

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Telescópio espacial com "mão" da U.Porto observa o seu primeiro exoplaneta


Depois de três meses de testes bem-sucedidos em órbita, o telescópio espacial CHEOPS conseguiu determinar o diâmetro de um planeta maior do que Júpiter.

Ao fim de três meses de testes em órbita, o telescópio espacial CHEOPS, da Agência Espacial Europeia (ESA), observou a estrela HD 93396, para tentar detetar o trânsito do já conhecido exoplaneta KELT-11b, um “júpiter quente” 30% maior do que Júpiter. A grande precisão dos instrumentos do CHEOPS, em parte desenvolvidos pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), permitiram calcular o diâmetro deste planeta em cerca de 181 600 quilómetros, com uma incerteza a rondar apenas os 2%.

Fazer medições com precisão do diâmetro de exoplanetas, em particular de exoplanetas mais pequenos, é uma das missões mais ambiciosas do CHEOPS. Mas antes de ser declarado apto para cumprir esta tarefa, o pequeno telescópio de 30 centímetros de diâmetro, e desenhado para poder operar em modo quase-automático, teve de passar uma série de testes nos últimos três meses. Alguns dos seus alvos foram estrelas estáveis e com características bem conhecidas, que permitiram aos investigadores do consórcio – do qual o IA faz parte verificar se o satélite tinha a precisão e estabilidade necessária para cumprir esse objetivo.

O certo é que os testes realizados demonstraram não só que a equipa de Terra consegue comandar o satélite apesar do estado de emergência em que se encontram grande parte dos países Europeus, como também que este tem a precisão fotométrica necessária para cumprir os seus objetivos científicos.

“As primeiras medições obtidas servem acima de tudo para mostrar a excelência e o potencial da missão CHEOPS. Estamos certos que nos próximos meses teremos notícias de resultados fantásticos”, refere Nuno Cardoso Santos, líder da linha de investigação em “A deteção e caracterização de outras Terras” do IA e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP),

Imagem artística do trânsito do “Júpiter quente” KELT-11b em frente à 
estrela HD 93396, com respetivo gráfico da diminuição da curva de luz. 
(Crédito: ESA/Airbus/Consórcio CHEOPS)

Expectativas superadas

Foi também a partir do Porto que Susana Barros recebeu os primeiros resultados do CHEOPS. “Estamos todos muito contentes. São melhores do que o esperado!, confessa a investigadora do IA, para quem “isto significa que vamos poder atingir os objetivos da missão: estudar a composição e atmosfera de exoplanetas, e talvez descobrir pela primeira vez exo-luas.”

Sérgio Sousa, outro dos investigadores do IA/U.Porto envolvidos nesta missão, avaliam os resultados agora conhecidos como “apenas um início muito promissor. O tratamento dos dados do satélite, quer do ponto de vista da redução dos dados, quer do ponto de vista da sua análise científica, tem ainda muita margem de progressão. Por isso, e apesar dos resultados serem já fantásticos, ainda esperamos melhorar mais a precisão de medir o tamanho destes exoplanetas.”

Superada que está a primeira faase de “avaliação”, o CHEOPS está agora a transitar da fase de testes para o começo da fase de operações científicas, que deve arrancar até ao final do mês de abril.

Um mundo novo por descobrir

Para já, os investigadores do consórcio já começaram a observar os chamados “alvos científicos iniciais”, uma seleção de estrelas e sistemas planetários que servem de demonstração para o tipo de observações planeadas com este satélite e que incluem, por exemplo a “super-terra quente” 55 Cancri e, cuja superfície terá lagos de lava, ou o “neptuno quente” GJ 436b, que está a perder a sua atmosfera devido à radiação da sua estrela-mãe.

Outro objeto nesta lista de alvos científicos iniciais é uma anã branca, o primeiro alvo do programa de observadores convidados da ESA, que irá proporcionar a investigadores fora do consórcio a oportunidade de usar as capacidades da missão CHEOPS.

Esta é a primeira missão dedicada a observar trânsitos exoplanetários em estrelas onde já se conhecem planetas, em praticamente qualquer direção do céu. Tem a capacidade única de determinar com precisão a dimensão de exoplanetas na gama entre as super terras e os neptunos, para os quais já se conhece a massa.

O CHEOPS irá ainda determinar com precisão o diâmetro de novos exoplanetas descobertos pela próxima geração de instrumentos em observatórios à superfície da Terra ou ainda identificar potenciais alvos cujas atmosferas possam ser caracterizadas por esses instrumentos.

Portugal na linha da frente

O consórcio do CHEOPS é liderado pela Suíça e pela ESA. Conta com a participação de 11 países europeus, sendo que em Portugal a participação científica é liderada pelo IA.

A participação do IA no consórcio do CHEOPS faz parte de uma estratégia mais abrangente para promover a investigação em exoplanetas em Portugal, através da construção, desenvolvimento e definição científica de vários instrumentos e missões espaciais, como o CHEOPS ou o espectógrafo ESPRESSO, já em funcionamento no Observatório do Paranal (ESO).

Esta estratégia irá continuar durante os próximos anos, com o lançamento do telescópio espacial PLATO (ESA), ou a instalação do espectrógrafo HIRES no maior telescópio da próxima geração, o ELT (ESO).

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Tamanho e temperatura: descoberto o planeta mais parecido com a Terra


O Kepler-1649c é um planeta rochoso, cerca de 6% maior que a Terra e orbita uma área “habitável” da sua estrela.

Apesar do telescópio “caça-planetas” Kepler ter sido “reformado” em 2018, os cientistas ainda continuam a analisar os dados das suas descobertas. O Kepler-1649c é considerado o exoplaneta mais parecido com a Terra, seja pelo seu tamanho, apenas cerca de 6% maior, como a sua temperatura. Um estudo publicado no Astrophysical Journal Letters refere que o planeta rochoso orbita uma zona “habitável” da sua estrela, como é citado pela Forbes.

Os cientistas descobriram 4.144 exoplanetas através dos dados captados pelo Kepler, mas o Kepler-1649c é o mais semelhante ao Planeta azul. “É incrível como é que só agora o descobrimos, sete anos depois da recolha de dados do Kepler original ter parado”, destaca Jeff Coughlin, coautor do estudo no Instituto SETI.


Segundo o estudo, este novo planeta encontra-se a 302 anos-luz, na constelação Cygnus. Este orbita uma estrela de tipo M, não visível a partir da Terra, chamada Kepler-1649. A estrela é de massa baixa, também conhecidas como “anãs vermelhas”, facilmente encontradas na Via Láctea. O planeta consegue receber cerca de 75% de luz solar da sua estrela, mesmo que esta seja bem mais pequena que o nosso Sol, e o ciclo é de 19,5 dias.

O documento explica que os primeiros computadores que analisaram os dados classificaram o planeta como um falso positivo. A descoberta aconteceu devido a uma espécie de “double checking” visual, com muitos dos dados a serem conferidos “à mão”. E ironicamente, este planeta que já tinha sido descartado, é agora um dos mais curiosos dos que foram descobertos, reforça um dos especialistas envolvido no projeto.

A importância do planeta refere-se não só pelo seu tamanho, como temperatura, dois fatores importantes para “replicar” as condições de vida como a Terra. Os cientistas referem que existem outros exoplanetas mais próximos da Terra, mas que apenas se assemelham no tamanho, como o TRAPPIST-1f e o Teegarden-c; e outros com temperaturas semelhantes, como o TRAPPIST-1d e o TOI700d. Mas nenhum com os dois fatores como o Kepler-1649c, e ainda considerando que o planeta se encontra numa zona habitável do seu sistema.

A descoberta do planeta dá ainda dicas aos cientistas de que planetas de aspeto terrestre em órbita de estrelas-anãs de tipo M podem ser mais comuns, do que em torno de estrelas maiores. Considerando que existem várias estrelas-anãs espalhadas pela nossa galáxia, há cada vez mais potencial para encontrar planetas rochosos com condições de vida muito semelhantes à Terra. “Este mundo distante e intrigante dá-nos mais esperança de que uma segunda Terra se encontra entre as estrelas, à espera de ser encontrada”, refere Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA.

Relativamente a este novo planeta, o único problema para a existência de vida é a própria estrela-anã na qual orbita. Esta ocasionalmente “explode” em radiação, o que impossibilita o desenvolvimento de vida. O Kepler-1649c vai continuar a ser estudado, considerando que a sua atmosfera ainda é desconhecida e pode haver alterações de temperatura. Para tal vai ser utilizado o telescópio espacial James Webb, para saber se é possível ou não albergar vida.

Fonte: SAPOTek
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