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quarta-feira, 8 de junho de 2022

Botafogo: o Galeão Português que foi o mais poderoso navio da sua época


Foi o mais poderoso navio da sua época em todo o mundo e era um autêntico senhor dos mares. Descubra a fantástica história do Botafogo, o maior galeão português.

Portugal dominou em tempos os mares com os seus imponentes navios, tendo um deles, o “Botafogo”, ficado para a história pelo seu poder de fogo, impressionante para a época. Esta embarcação era um galeão, que se distingue dos restantes navios por ter quatro mastros, de alto bordo, armado em guerra, e que eram frequentemente utilizados para transporte de cargas de alto valor, entre os séculos XVI e XVIII.

O galeão São João Batista, conhecido como o “Botafogo”, foi o navio de guerra mais poderoso do mundo na sua época. Foi construído em 1534, tinha um deslocamento de cerca de 1000 toneladas e estava armado com 366 bocas de fogo de bronze, o que lhe dava um tremendo poder (e lhe deu também o seu nome popular). Este navio destacou-se em inúmeras batalhas, entre elas a conquista de Tunes, em que Carlos V solicitou apoio naval aos portugueses e requisitou especificamente o “Botafogo”.

Nessa batalha, o “Botafogo” foi comandado pelo infante D. Luís, irmão de D. João III e cunhado do imperador Carlos V. Este navio liderou o ataque a Tunes e foi o seu esporão que acabou por quebrar as correntes do porto de La Goleta, permitindo que a armada cristã entrasse na cidade.

Ligado à história e nome do galeão “Botafogo”, está um nobre da cidade de Elvas, João Pereira de Sousa, famoso por ser o responsável pela artilharia do navio. Ficou para a história com a alcunha de “Botafogo”, tendo a alcunha sido incluída no seu apelido e passada aos seus descendentes. Mais tarde, esse nobre estabeleceu-se no Brasil, tendo recebido da Coroa Portuguesa terras junto à Baía de Guanabara, tendo a área ficado igualmente conhecida por “Botafogo”.

Com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, na sequência da primeira invasão francesa a Portugal, o bairro de “Botafogo” mudou radicalmente, passando de um bairro rural ao local preferido dos nobres, que aí construíram as suas residências. É por essa razão que ainda hoje existe um famoso bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro com o nome de “Botafogo”.

Ainda hoje, em alguns lugares da China, perto de Macau, existe uma velha lenda sobre o poderoso navio Botafogo, que voltará do fundo do mar para vingar os comerciantes portugueses assassinados. A Lenda surgiu quando os portugueses derrotaram os temíveis piratas Singh, que eram inimigos do imperador chinês e, como recompensa por esta vitória, o imperador permitiu que os portugueses ocupassem Macau.

Mas apesar de o Botafogo ter sido o mais famoso e o mais poderoso dos galeões portugueses, existiram outros, construídos mais ou menos na mesma época, que em quase nada lhe ficaram atrás: no tamanho, na capacidade de carga e no poder de fogo. Afinal de contas, Portugal tinha um Império vastíssimo e precisava de um conjunto enorme de navios (naus, caravelas e galeões) para proteger as suas possessões e para transportar mercadorias.

Por ironia do destino, muitos dos melhores galões portugueses foram destruídos ao serviço de outro país: a Espanha. Aquando do domínio filipino, a Espanha envolveu-se numa guerra com a Inglaterra e resolveu formar a chamada “Invencível Armada” que era, na sua maioria, constituída por navios portugueses, entre os quais alguns galões. Como é do conhecimento geral, a Armada afinal não foi invencível.


Muitos dos navios portugueses foram destruídos, comprometendo assim seriamente o Império Marítimo Português, que ficou sem forma de defender as suas cidades contra o ataque dos holandeses, por exemplo.

Para suprimir a falta das naus e galões que foram destruídos na guerra da Espanha contra Inglaterra, Portugal construiu 21 novos galeões. Muitos deles desempenharam as suas funções durante bastante tempo. Outros duraram menos de um ano: foram capturados por frotas inimigas ou naufragaram. Dos mais famosos galeões portugueses, destacam-se os seguintes, para além do Botafogo:

Galeão São Paulo: construído em 1589, pesava 500 toneladas e media 50 metros. Teve como “irmãos gémeos” os galões São Filipe, São Bartolomeu, São Pantaleão e São Pedro, todos construídos no mesmo ano. Fez apenas uma viagem até à Índia. Naufragou no regresso a Portugal, provavelmente devido a excesso de carga.

Galeão Santiago: construído em 1602, podia transportar até 300 pessoas e foi incorporado na Carreira das Índias. Numa dessas viagens, já de regresso a Portugal, o galeão parou na Ilha de Santa Helena para abastecer-se de água e comida (como era hábito). Foi surpreendido por navios holandeses e capturado pelos mesmo.

Galeão São Martinho: contruído em 1580, era um navio poderosíssimo e foi o escolhido para comandar a Invencível Armada. Ficou muito danificado durante a batalha mas conseguiu regressar a Portugal, comandando os restantes navios que sobreviveram ao embate. No entanto, nunca mais voltaria a navegar.

Fonte: VortexMag

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Cientistas encontram provas do maior terramoto da história da Humanidade


Uma equipa de arqueólogos encontrou evidências do maior terramoto conhecido da história da Humanidade: com uma magnitude de 9,5, causou um enorme tsunami que levou a população costeira a abandonar o litoral durante mil anos.

O terramoto aconteceu há cerca de 3.800 anos no atual norte do Chile, quando uma rutura de placas tectónicas “levantou” a linha costeira da região.

Segundo o Live Science, o tsunami subsequente foi tão poderoso que criou ondas de até 20 metros de altura, estendeu-se até à Nova Zelândia e atirou enormes pedras centenas de quilómetros para o interior.

Até agora, o maior sismo conhecido era o de Valdivia, que em 1960 atingiu o sul do Chile com um abalo de magnitude entre 9,4 e 9,6, vitimando mortalmente 6 mil pessoas e espalhando maremotos pelo Pacífico. O evento foi provocado por uma rutura de 800 quilómetros de comprimento numa placa tectónica.

O recém-descoberto megaterramoto também foi produzido por uma rutura numa placa tectónica, mas com 1.000 quilómetros de comprimento.

James Goff, geólogo da Universidade de Southampton, e a equipa descobriram evidências do abalo sísmico em depósitos litorais e rochas marinhas encontradas no interior do deserto do Atacama, deslocados pelo tsunami.

Depois de recolherem sedimentos em sete locais de escavação ao longo de 600 quilómetros da costa norte do Chile, os cientistas usaram o método de datação por carbono-14 para estimar a idade das amostras. Segundo a análise, o material foi deslocado para o interior, há pelo menos, 3.800 anos.

A equipa também encontrou antigas estruturas de pedra sob os depósitos do tsunami, que não passam de paredes construídas pelas populações que viviam naquele local. O fenómeno terá deixado a população costeira sem nada, com as comunidades a abandonarem o litoral rumo ao interior do Chile.

Só mil anos depois é que as pessoas voltaram a viver ali.

A descoberta surge num novo artigo científico, publicado este mês na Science Advances.

Fonte: ZAP

terça-feira, 22 de março de 2022

Novo dinossauro português com 130 milhões de anos descoberto no Cabo Espichel


Uma nova espécie de dinossauro, com 130 milhões de anos, foi descoberta no Cabo Espichel, no concelho de Sesimbra, e mostra que a Península Ibérica possuía uma grande diversidade destes animais, revela um estudo divulgado esta quarta-feira.

O fóssil do "novo dinossauro português", como é referido num comunicado da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, está associado aos dinossauros espinossaurídeos. Os paleontólogos chamaram à nova espécie "Iberospinus natarioi".

A descoberta dos restos do animal, classificado como "estranho" remonta a 1999 e é originalmente atribuída ao paleontólogo amador Carlos Natário.

"Foram escavados entre 2004 e 2008, com uma escavação adicional em 2020 que surpreendentemente conseguiu novos ossos", referem no documento os paleontólogos da FCT Octávio Mateus e Dario Estraviz-López.

Agora, novos ossos e uma reexaminação revelaram tratar-se de uma "nova espécie" de dinossauro aquático.

O estudo foi publicado na revista científica PLOS ONE, pelos paleontólogos Octávio Mateus e Darío Estraviz-López, da faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.

"O novo dinossauro foi batizado "Iberospinus natarioi", que significa "espinho ibérico" e também está dedicado ao descobridor, Carlos Natário", indicam os académicos.

Entre outras características, o Iberospinus tem uma configuração da mandíbula considerada única, "com canais internos diferentes e uma ponta da mandíbula reta", em vez de apontar para cima, como acontece em dinossauros semelhantes.

Apesar de pertencer ao grupo dos espinossaurídeos, o 'Iberospinus natarioi' não teria nas costas uma vela como a do "Spinosaurus" e não possuía as adaptações extremas que outros membros do grupo poderiam ter para se movimentarem na água.

De acordo com os cientistas, o "Iberospinus natarioi" é o terceiro espinossaurídeo nomeado na Península Ibérica, após o "Camarillasaurus cirugedae" (inicialmente não reconhecido como um espinossauro) e o "Vallibonaventrix cani".

Este animal junta-se, assim "aos membros mais antigos do grupo", como os descobertos na Grã-Bretanha (incluindo duas espécies recentemente descritas no Sul de Inglaterra e o famoso Baryonyx), aumentando as possibilidades de os espinossaurídeos terem aparecido "pela primeira vez" na Europa Ocidental.

Fionte: JN

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Crânio alongado de Paracas com implante metálico



É um crânio alongado da Cultura de Paracas (700 aC - 200 dC) com um implante metálico feito cirurgicamente, provavelmente após o retorno da batalha, estimado em cerca de 2.000 anos.

O mais impressionante é que a ferida sarou e possivelmente ele viveu muitos anos com aquele implante na cabeça. Não há muitos precedentes para esta peça, já que provavelmente foi o resultado de um "Huaqueo".

O paciente é conhecido por sobreviver ao procedimento com base no osso quebrado ao redor do reparo, pois pode ser visto como estando firmemente fundido ao metal. Foi uma cirurgia bem-sucedida. O metal usado nesta operação é desconhecido. Tradicionalmente, prata e ouro eram usados ​​nesse tipo de procedimento.

Faz parte do acervo do Museum of Osteology - Oklahoma (EUA)

Fonte: Facebook

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

É a "Marinha mais antiga do mundo" e é portuguesa. São já 705 anos


Assinatura de contrato, "em 1317, é vista como o registo e a data da criação formal da Marinha, conferindo-lhe um carácter permanente"

É a "Marinha mais antiga do mundo" e é portuguesa. Numa publicação esta terça-feira colocada nas redes sociais, o ramo das Forças Armadas, que esteve de parabéns, fez questão de recordar um pouco da sua história. Afinal, são já 705 anos.

"No dia 1 de fevereiro de 1317, há precisamente 705 anos, foi celebrado o acordo entre o rei D. Dinis e o genovês Manuel Pessanha para este servir a Armada Portuguesa", começa por se poder ler no post partilhado no Facebook.

A Marinha "existe desde o nascimento do País, há quase novecentos anos, onde, ao longo da sua história, se registam ações de defesa e de proteção desde o início da nacionalidade", é ainda indicado. Contudo, "a assinatura deste contrato, em 1317, é vista como o registo e a data da criação formal da Marinha, conferindo-lhe um carácter permanente".

"Por esse motivo", é revelado, "é considerada a mais antiga do mundo".


Fonte: NM

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

NASA contrata padre para preparar religiões para encontro com alienígenas

O Rev. Dr. Andrew Davison foi um dos 24 especialistas religiosos que participaram de um programa patrocinado pela NASA para avaliar como as religiões reagiriam às notícias de 
que existe vida em mundos além do nosso

Padre britânico aconselhará a NASA sobre o que fazer se vida alienígena for descoberta em outro planeta.

Num movimento um tanto bizarro, a NASA recrutou um padre britânico para preparar os religiosos para a descoberta de vida alienígena enquanto as agências espaciais afirmam estar se aproximando de descobrir evidências de que existe vida fora do planeta Terra, relata The Times.

O reverendo Dr. Andrew Davison, padre e professor de teologia da Universidade de Cambridge, está entre os 24 teólogos que participaram de um programa patrocinado pela NASA no Centro de Investigação Teológica (CTI) da agência espacial da Universidade de Princeton. Os teólogos tentaram avaliar como as principais religiões reagiriam à notícia da descoberta de vida alienígena.

A nomeação ocorre porque o Telescópio Espacial James Webb, de 10 bilhões de dólares da NASA, está programado para ser lançado no dia de Natal.

A nave implementará tecnologia de ponta para examinar cada fase da história cósmica no sistema solar até as galáxias observáveis? mais distantes no início do universo.

O dispositivo, que possui recursos de infravermelho, estudará uma ampla gama de questões científicas para ajudar a humanidade a entender melhor as “origens do universo e o lugar dos humanos nele”.

Um especialista da NASA disse ao The Times: “Podemos levar 100 anos para descobrir a vida. Ou podemos descobrir na próxima semana.”

Davidson busca responder a questões teológicas, como se Deus criou ou não a vida em outras partes do universo, ou se ele enviou um salvador para morrer pelos pecados dos alienígenas.

Outra questão que o padre britânico procura abordar é se descobrir vida extraterrestre exige que as religiões reescrevam toda a história da criação no Génesis.

Davison se candidatou ao papel após debater essas questões com os seus alunos de teologia.

Davison passou um ano académico na Universidade de Princeton em 2016 num programa de 1,1 milhões de dólares, patrocinado pela NASA, chamado: The Societal Implications of Astrobiology (As implicações sociais da astrobiologia).

O chefe do CTI, Will Storrar, disse que a NASA queria ver “estudos sérios sendo publicados em livros e periódicos” abordando a “profunda maravilha, mistério e implicação de encontrar vida microbiana em outro planeta”.

Conforme o livro de Davison, a principal religião do mundo receberia a notícia de uma descoberta alienígena “no seu ritmo”.


Fonte, ler mais AQUI

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Está a ser construída uma caixa negra da Terra na Austrália


É na Tasmânia que vai ficar aquele que pode ser o testemunho para a posteridade da humanidade, se não for possível evitar uma catástrofe, consequência das alterações climáticas. Se não sobrevivermos, quem vier a seguir pode perceber em detalhe o que aconteceu.

A Austrália vai acolher uma caixa negra para registar a forma como lidamos com as alterações climáticas. Inspirada nas caixas negras dos aviões e pensada para, tal como estas, ser indestrutível em caso de acidente, esta “caixa negra da Terra” vai ser colocada na costa ocidental da remota Tasmânia. A construção deve estar concluída durante o próximo ano e envolve vários parceiros, como a Universidade da Tasmânia e a empresa de publicidade BBDO.

Na prática, em questão está uma caixa em aço com 10 metros de comprimento e ligação à internet, que permitirá acompanhar à distância todos os dados que a caixa vai guardando. A internet da caixa poderá também ser partilhada, por Wi-fi, com quem visita o local, mesmo num cenário menos otimista, onde outras ligações de internet já não estiverem disponíveis, prevê a equipa

Outra característica chave da caixa negra da Terra é a capacidade de armazenamento. Para já, com aquilo que a tecnologia permite e que se traduz numa capacidade para armazenar dados por cerca de meio século, a reforçar no futuro. Vão ser registados dados sobre 500 métricas distintas. Incluem-se neste leque informação sobre temperaturas médias, consumo energético global e outros, que serão trabalhados por algoritmos e guardados no dispositivo para a posteridade. A caixa vai ser desenhada para ser indestrutível e aguentar catástrofes naturais. A energia necessária para manter a funcionar os mecanismos internos será solar e térmica.

Segundo a ABC, os promotores do projeto têm planos para adicionar mais algumas funcionalidades à caixa, como a possibilidade de transmitir informação para o espaço, ou integrar um leitor de dados, ativado quando é exposto à luz do sol. Entretanto, enfrentam-se outros desafios, como assegurar pontos de ligação entre a tecnologia usada na caixa e quem possa descobri-la num cenário pós-apocalipse, onde o software usado já não terá suporte.

A caixa negra da Terra vai ser criada para registar dados que podem ajudar no combate às alterações climáticas, mas que serão também um testemunho do impacto das decisões políticas em matéria de ambiente, garantem os promotores.

“A caixa negra da Terra é uma estrutura e um dispositivo que vai gravar cada passo dado pela humanidade em direção, ou para evitar, de uma catástrofe climática”, explica em declarações à Reuters Jim Curtis, diretor criativo da Clemenger BBDO, mentor da ideia.

Segundo o mesmo responsável, a caixa negra será também uma forma de deixar um testemunho para a posterioridade, se a falta de empenho no combate às alterações climáticas nos conduzir à extinção. “Se o pior acontecer e como civilização nos despenharmos em consequência das alterações climáticas, esta caixa indestrutível vai lá estar e vai gravar cada detalhe do que acontecer”, acrescenta o responsável, que vê aqui também uma oportunidade de deixar a outros informação útil para não cometerem os mesmos erros.

Recorde-se que a mais recente cimeira do clima, a COP26 produziu resultados tímidos no compromisso dos países com o combate às alterações climáticas, mesmo com os insistentes alertas dos especialistas em relação à necessidade de ações urgentes.

Fonte: SapoTek

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

"Navio fantasma" encontrado nos Açores há 149 anos


Faz hoje anos de que os Açores foram palco de um dos maiores mistérios da história, que ocorreu algumas milhas náuticas ao largo da ilha de Santa Maria. Alguns já devem conhecer a história, mas para os outros, fica aqui a efeméride. Boas leituras!

"Navio fantasma" encontrado nos Açores há 149 anos

Foi a 5 de Dezembro de 1872 que os Açores foram cenário do que permanece um dos maiores mistérios do mar, o bizarro caso do “Mary Celeste”, encontrado à deriva, sem sinal da tripulação, ao largo de Santa Maria.

A escuna de dois mastros deixou Nova Iorque a 5 de Novembro, com destino a Itália, transportando 1701 barris de álcool comercial. À tripulação de oito marinheiros juntavam-se a mulher e filha do Capitão Briggs.

O navio foi avistado pela última vez a 15 de Novembro pelo veleiro “Dei Gratia”, tendo a última entrada do diário de bordo registado uma posição perto da Baía de São Lourenço, Santa Maria.

Por coincidência, foi também o Dei Gratia que encontrou o Mary Celeste, a cerca de 370 milhas a Leste de Santa Maria. A sua tripulação suspeitou que algo de estranho se passava, pois as velas estavam rasgadas e navegava erraticamente.

Ao abordarem o navio deserto verificaram que embora tivesse alguma água no porão, não estava a afundar-se e tinha condições para navegar.

Uma reserva de mantimentos para seis meses e a valiosa carga estavam intactas, o que a par da ausência de sinais de violência, tornavam um ataque de pirataria ou motim improvável.

Seguiu-se um inquérito pelo almirantado Britânico, que inclusive deslocou alguns membros aos Açores, tendo inquirido a população se tinha visto alguém que se encaixasse na descrição dos marinheiros, mas sem sucesso.

A investigação deixou o destino dos tripulantes do navio em aberto, e desde aí que o nome Mary Celeste se tornou sinónimo de Navio-Fantasma.

Foram inúmeros os que tentaram explicar o mistério com teorias que iam desde monstros marinhos a raptos extra-terrestres, havendo uma abundante escolha de literatura no caso.

O caso inspirou ainda muitas histórias fantásticas: um dos primeiros contos de Sir Arthur Conan Doyle, criador do intemporal Sherlock Holmes, foi ”O testemunho de J. Habakuk Jephson´s”.

O texto era fortemente baseado no caso do Mary Celeste (até o navio chamava-se Marie Céleste) e até foi citado em jornais da época como um documento real. Ainda hoje em dia, muito do que é assumido como facto no incidente é baseado no texto ficcional de Conan Doyle.

Teorias mais recentes oferecem explicações mais plausíveis. Tida como mais aceite é de que uma fuga num barril de álcool (descoberta no inquérito) libertou um intenso cheiro pelo navio.

Temendo uma explosão iminente, os ocupantes abandonaram o navio e como tantos outros náufragos antes e depois deles, perderam-se no mar.

Em Maio de 1873 foram encontrados na costa Sul de Espanha dois botes salva-vidas com seis corpos em avançado estado de decomposição. Um deles tinha uma bandeira americana, que coincidentemente faltava no Mary Celeste.

No entanto, nunca foi confirmada a relação entre estes dois incidentes e, provavelmente, o destino dos tripulantes nunca será descoberto. E assim, o mistério do Mary Celeste continuará a navegar no futuro.

Francisco Cunha (AO 04-12-2011 - atualizado)

Fonte: Facebook

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

“Açores, o Enigma” fala sobre a Arca da Aliança e o Santo Graal


Armando Moreira promete polémica e novas explicações sobre as origens do povoamento dos Açores com a publicação de novo livro

Numa conversa com o autor, natural de Vila Franca do Campo e que já percorreu “vários caminhos” no mundo da cultura, a primeira questão passa naturalmente por perceber a origem deste livro.

“Há dois anos e meio atrás, um pouco antes da pandemia, o António Monteiro e o Zé Manuel, responsáveis pela Associação que hoje faz o Festival de Blues e imensas outras coisas, vieram a São Miguel e pediram-me mais um livro. Disse-lhes que já não conseguia ficcionar mais sobre Colombo, mas garanti que iria pensar. Comecei a analisar os documentos que tinha, inclusivamente alguns que me foram facultados pelo professor Hermano Saraiva e, aos poucos, fui-me apercebendo que existiam assuntos que tinha pesquisado e que se encadeavam uns nos outros. Isso intrigou-me”, começa por confessar.

A história deste livro, baseado em documentação oficial, como garante Armando Moreira, tem como ponto de partida o longínquo ano de 740, tempo em que a Península Ibérica era controlada pelo povo visigodo e pelo Rei Rodoligo. Sabendo da eminência da invasão dos Mouros, o soberano pediu que os seus tesouros fossem retirados de um local que ainda se chamava Portucale.

“Tive acesso a uma lista desses tesouros, sendo que muitos deles foram pilhados das caves do palácio do Rei Salomão e estavam depositados numa pequena igreja em Tomar, que era a sede dos Templários em Portugal. Entre esses artefactos que foram roubados estava a Arca da Aliança e o Santo Graal, seja ele o que for. Consegui essa lista através das pesquisas de Cristóvão Colombo (…) 20 naus carregaram esses artefactos e o último da frota era aquele onde supostamente estaria a Arca da Aliança. Embarcaram com o intuito de ir à procura das Ilhas da Fortuna que na época já estavam perfeitamente referenciadas”, afirma que o autor, que esclarece de seguida que a “ideia de que em 1432 o Infante chegou a Santa Maria e depois, em 1442, a São Miguel é um engano, porque por aqui já tinha passado imensa gente e é isso que o livro desmistifica completamente”, realça.

Voltando ao livro “Açores, o Enigma”, Armando Moreira conta que “à chegada aos Açores e assolados por uma tremenda tempestade, a última nau acaba por divergir para a ilha de Santa Maria, onde naufraga. Os marinheiros que escaparam conseguiram transportá-la por uma falésia e foi depositada na ilha de Santa Maria, curiosamente num sítio onde tem havido imensas convulsões geológicas”, sublinha. Quanto aos restantes marinheiros, “vieram para São Miguel e supostamente trouxeram os outros tesouros, entre os quais o Santo Graal”.
O autor reforça que “tudo isto não é ficção, mas fruto de pesquisas a que anteriormente não tinha dado importância. É um pouco como um puzzle, como um anagrama”, diz.

Ainda sobre a Arca da Aliança e a ilha de Santa Maria, Armando Moreira refere que “semanas depois, quando os marinheiros voltaram ao local onde tinham depositado a Arca da Aliança, tudo à volta estava a secar. A ilha de Santa Maria, para que conste e não há explicação geológica nem científica, metade é estéril e a outra metade é verdejante”.

Admitindo a polémica que poderá envolver este livro, o autor desvenda outro dos temas abordados nesta obra: “Segundo uma teoria defendida por vários cientistas e pesquisadores da religião católica, Jesus Cristo não morreu na crucificação. Tudo aquilo foi tratado e negociado com José de Arimateia, um nobre muito influente que tinha inclusivamente terras na Britânia (actual Grã-Bretnaha) e que era aparentado de Jesus Cristo. Jesus acabou por não morrer, foi retirado da Cruz e o livro conta isso tudo. Quando lá chegaram, José de Arimateia tinha erigido uma igreja em devoção a São Miguel Arcanjo, aquilo a que se chama hoje em dia Glastonbury Tor e onde há dois anos, depois de pesquisas arqueológicas, se provou ter sido habitada por gente de Jerusalém há mais de dois mil anos”. Armando Moreira explica depois que existe, “no Monte de Santa Clara, em Ponta Garça, uma réplica exactamente igual à de Glastonbury, o local onde Jesus Cristo viveu”.

O autor fala ainda de José do Canto, “que era templário e que foi um homem que trouxe coisas maravilhosas para esta ilha, incluindo esta torre que já mencionei”. Para Armando Moreira, “as ficções foram feitas por reis, soberanos e outros políticos do tempo para as usarem a seu belo prazer, nomeadamente para enganar as pessoas e a Igreja Católica é muito fértil nesse tipo de coisas. É uma forma de controlar socialmente as pessoas”.

Ainda segundo Armando Moreira “é muito triste quando muito do conhecimento da civilização acaba por se perder no tempo. Penso que estas questões até foram reveladas no seu tempo, mas muitas delas terão sido proibidas. Acredito que estas coisas sempre estiveram lá e que esperam por um tempo próprio”.

Critica também a forma como se investiga a história dos Açores e lança uma outra questão: “Aqui, investigar a história é ir à história de Gaspar Frutuoso e pouco mais, mas existem outros cronistas da época. Na Torre do Tombo tudo o que é dos Açores está destruído, não há informação e não se percebe porquê. Mas o meu livro di-lo. Isso acontece porque nunca interessou aos reis que as pessoas soubessem algumas coisas e se calhar duas delas são a Arca da Aliança e o Santo Graal”, afirma.

Armando Moreira considera que este livro vem demonstrar a “grande importância histórica” dos Açores, nomeadamente com a “confluência dos navegadores que procuravam mundo e descobriram que ele era redondo. Por aqui passaram todas as civilizações”, destaca. O autor defende ainda que esta obra “dará uma perspectiva completamente diferente dos Açores e um turista que chegar à ilha de São Miguel ou Santa Maria vai saber que aqui poderão estar o Santo Graal ou a Arca da Aliança (...) Os Açores precisam disso e o turismo é o futuro, sempre o disse. As próximas edições do livro vão ter uma tradução bilingue e teremos pessoas, que para além do seu percurso turístico, poderão fazer uma procura por conta própria da existência deste tipo de coisas”.

Armando Moreira admite que a “maior parte das pessoas vão ler este livro e pensar que sou completamente louco, mas outros, vão fazê-lo e reflectir (…) O tempo dirá até que ponto a minha loucura teve alguma importância para os Açores”.

A terminar, o autor de “Açores, o Enigma” afirma ter a consciência de que este “é um livro completamente polémico e sei que há pessoas que vão protestar, mas dar-lhes-á muito que pensar e quando isso acontece, fazemos com que as coisas avancem”.

Luís Lobão

sábado, 4 de setembro de 2021

Mergulhadores afirmam ter encontrado avião dos EUA que caiu em 1945 no Triângulo das Bermudas


Poucos meses depois do fim da Segunda Guerra Mundial, seis aviões-torpedeiros Grumman TBF Avenger voaram sobre o Triângulo das Bermudas, todos desapareceram misteriosamente.

Pesquisadores dos EUA encontraram no Triângulo das Bermudas o que poderiam ser os restos de um avião norte-americano da Segunda Guerra Mundial, informou na terça-feira (31) um vídeo do canal Historia no YouTube.

Segundo o trailer, que relata alguns dos resultados da investigação incluída no documentário, a equipa de biólogos marinhos esteve no fundo do mar, onde encontrou uma asa, a hélice e um motor de duplo eixo, e um sistema de artilharia como um painel de vidro à prova de balas. Encontraram ainda o trem de aterragem "único ao Avenger", diz Laurence Fishburne, o narrador.

O Grumman TBF Avenger é um avião-torpedeiro criado pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, onde teve grande influência. Poucos meses depois do seu fim, em 5 de dezembro de 1945, partiu da Florida, EUA, para um voo de treino, chamado Voo 19, uma esquadrilha de cinco dessas aeronaves. Todos os 14 homens a bordo desapareceram depois que perderam contacto de rádio com o Fort Lauderdale. Horas mais tarde foi enviado um avião de pesquisa, mas ele também desapareceu com os 13 homens a bordo.

No meio da câmara comparando as partes encontradas no fundo do Triângulo das Bermudas e fotos do Avenger, os especialistas entrevistados no vídeo, divulgados por Mike Barnette, biólogo marinho e mergulhador, indicam certeza que se trata de um dos aviões desse incidente. A data num dos computadores portáteis da equipa indica ser 14 de setembro de 2020.

Fishburne expressa esperança que eles conseguiram ao fim de 75 anos verificar se trata realmente de um dos aviões relacionado ao Voo 19.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Descoberto cérebro fossilizado com mais de 310 milhões de anos


Investigadores publicaram um estudo no qual revelam ter encontrado um cérebro de um caranguejo fossilizado com 310 milhões de anos e que se parece bastante com os congéneres que encontramos vivos atualmente

A nova descoberta bate o recorde de cérebro mais antigo e mais bem preservado a ser encontrado. Investigadores encontraram nos EUA o corpo de um caranguejo-ferradura completo e com o cérebro intacto, fossilizado em lamas como as do Folhelho de Burges. As condições de preservação e o método que foi seguido continuam a intrigar os investigadores. As primeiras análises mostram que o cérebro de há milhões de anos é bastante parecido com o que encontramos em caranguejos semelhantes vivos à data presente, provando que existiu pouca evolução.

A descoberta foi feita em depósitos de lama que conseguiram preservar os tecidos moles como películas. Neste ambiente, os tecidos podem também, em raras ocasiões, ser mostrados como uma impressão de partes do sistema nervoso. O processo de fossilização ocorre quando os animais são enterrados numa lama que se transforma em siderite, um mineral que ajuda a preservar o corpo e cria muitos dos detalhes que encontramos nos trilobites ou em impressões de caranguejo, explica a publicação New Atlas.

No caso da descoberta do Euproops danae, os investigadores verificam a existência de um segundo mineral que fez com que o cérebro fosse ‘impresso’ num claro tom branco, em contraste com a rocha negra.

“O sistema nervoso central do fóssil é comparável com o que encontramos nos caranguejos que vivem atualmente e combina com a organização dos nervos dos olhos e apêndices (…) Temos também a mesma abertura central para a passagem do esófago. Isto é bastante assinalável, dada a diversificação morfológica e ecológica que aconteceu neste grupo nos últimos 310 milhões de anos”, conta John Paterson, um dos investigadores envolvidos.

O estudo completo pode ser consultado no jornal científico Geology.

Fonte: EI

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Sonda da NASA captou ruído em Espaço interestelar


A Voyager 1 está a mais de 22 mil milhões de quilómetros de distância da Terra.

Asonda Voyager 1 está agora a viajar em espaço interestelar a uma distância superior a 22 mil milhões de quilómetros da Terra, mas apesar disso, ainda consegue enviar informação para os investigadores da NASA.

Num estudo partilhado na Nature Astronomy, os investigadores da NASA revelam que a Voyager 1 captou um estranho ruído, o qual se acredita pertencer ao plasma emitido pelo Sol do nosso Sistema Solar.

“Independentemente do que o Sol está a fazer, a Voyager está a enviar detalhes. A sonda está a dizer ‘Aqui está a densidade por onde estou a navegar agora. E aqui está agora. E aqui está agora. E aqui está agora’. A Voyager está muito longe e continuará a fazer isto de forma continuada”, comentou um dos autores, Shami Chatterjee, ao Phys.org.

Fonte: NM

quarta-feira, 21 de abril de 2021

2021 – O ano do Grande Reset Mundial


Um Verdadeiro Salto Quântico para a Humanidade!

Aproximamo-nos a passos largos de uma das mais importantes reuniões Mundiais organizada pelo Fórum Económico Mundial (World Economic Forum - WEF). Este ano (2021) decorrerá em Singapura nos próximos dias 13 a 16 de Maio em parceria com os mais importantes Clusters da Economia Mundial e com os mais variados Stakeholders revestindo-se este encontro de uma particular importância uma vez que irão ser abordadas as linhas orientadoras que fazem jus ao seu slogan – The Great Reset e à agenda da Nova Era para as próximas décadas.

Em Junho do ano passado (2020), o Fórum Económico Mundial anunciou num encontro virtual a proposta em questão, como um trabalho conjunto que tem por objectivo criar os alicerces estruturais para um futuro mais justo, sustentável e resiliente. A apresentação foi feita pelo Príncipe Charles de Gales e por Klaus Schwab. O evento contou ainda com a presença e participação do Secretário-Geral da ONU, António Guterres e da Directora Geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva.

“Todos os Países, dos Estados Unidos à China devem participar e todos os Sectores, bem como Tecnologias de Petróleo e Gás devem ser transformados.” - Klaus Schwab (Fundador e Presidente Executivo do Fórum Económico Mundial).

Nesta mudança de Paradigma onde nada será como dantes e onde todos já perceberam que não vão voltar ao “novo normal”, o ano de 2021 ficará conhecido para a História como ano do Grande Reinício Mundial. Entre avanços e recuos de confinamento em confinamento, de vaga em vaga e desde logo, porque os recursos naturais são finitos (não temos dois Planetas para mantermos o actual modo de vida), a actual Pandemia veio por a descoberto todas as fragilidades em que o nosso modelo de desenvolvimento assentava (modelo não Eurítmico), como o fim da perspectiva Filosófica Cartesiana assente numa concepção do mundo, onde o todo é assumido como sendo igual à soma das partes, da lógica linear, sempre redutora e da razão curta, que não tem mais razão de ser.

A actual Pandemia é neste contexto e simultaneamente, uma janela de oportunidade para abrir o caminho para uma Nova Era mais Justa e Perfeita e para uma Sociedade mais Humanista.

“O mundo deve agir conjuntamente e rapidamente para renovar todos os aspectos das nossas sociedades e economias, desde a educação até ao contrato social e às condições de trabalho”. - Klaus Schwab (Fundador e Presidente Executivo do Fórum Económico Mundial).

O Grande Reset representa simbolicamente e na justa medida a verdadeira mudança de Paradigma de dimensão e escala Global. Reset - uma analogia em relação à verdadeira essência e espírito desta Nova Era a 4ª Revolução Industrial (Indústria 4.0 / Digital), como se dentro da actual Matrix onde vivemos, o hardware e o software globais estivessem a dar sinais de incompatibilidade, fadiga e mal funcionamento, sendo os sintomas de tal “falha”, a actual exaustão ambiental, o aumento das desigualdades sociais e económicas, o aumento das doenças mentais, as manifestações sistemáticas nas ruas, um modelo económico predatório assente na competição esgotado em si mesmo, que só cria mais desigualdades entre os Países, empresas e as pessoas e a juntar a tudo isto, uma verdadeira crise de confiança nas instituições e nos seus líderes. A maioria das pessoas sente-se hoje ameaçada pelo conhecimento consciente ou inconsciente de uma alteração iminente nas suas vidas. A perspectiva de que as “verdades” que conheceram durante toda a sua existência possam vir a ser substituídas por outras referências axiomáticas, torna tudo especialmente assustador e difícil. Urge portanto um desligar e religar urgente do Sistema, um verdadeiro Upgrade para a nova realidade desta Matrix!

O que nos propõe o Fórum Económico Mundial com o Grande Reset?

Segundo Klaus Schwab - “Uma coisa ficou clara! Não podemos voltar ao velho normal! Temos de aproveitar esta oportunidade como os nossos Pais e Avós fizeram depois da II Guerra Mundial para reflectir o que correu mal e o que poderemos fazer melhor.”

Resumidamente o que se pretende com o Grande Reset é um plano pós-Covid-19, onde se vão debater as linhas orientadoras fundamentais do que deve servir de base para uma recuperação económica global sustentável, durante as próximas décadas, tendo como base uma abordagem sistémica, onde tudo está interligado como na física quântica e não como no passado, com abordagens simples e lineares. Definiu-se três eixos fundamentais: primeiro - tornar o Mundo mais resiliente, tendo em conta o que podemos vir a enfrentar no futuro, mais Cisnes Negros (eventos raros, imprevisíveis e de grandes proporções, cujas consequências são desconhecidas); segundo - tornar o Mundo mais inclusivo, mais Justo e Perfeito, tendo em conta o aumento insustentável das desigualdades e de pessoas que se sentem excluídas; terceiro e último – a urgência de tornar o Mundo mais verde por causa das rápidas alterações climáticas (aquecimento global) e da finitude dos recursos naturais, visando deste modo evitar uma catástrofe de proporções nunca antes vista num futuro próximo.

A juntar a estes três eixos fundamentais temos a 4ª Revolução Industrial (Indústria 4.0 / Digital), como motor de um conjunto de transformações tecnológicas como a Inteligência Artificial (IA) a Biotecnologia, a Robótica, a Engenharia Genética, a Neurotecnologia, a Nanotecnologia, a Realidade Virtual, a Realidade Virtual Aumentada, que vão trazer as alterações necessárias para esta verdadeira mudança de Paradigma a nível dos mais variados conceitos dados como adquiridos até agora e, da própria percepção da “realidade” que vão ser totalmente alterados.

A automatização industrial vai estar cada vez mais presente nesta nova realidade, como os Sistemas Ciberfísicos, o 5G (Internet das Coisas), o 6G (Smart Cities), os Drones, as Impressoras 3D, a Computação em Nuvem, a Blockchain, a Cibersegurança, CiberIntelligence e Superintelligence.

A recuperação do Ecossistema de Confiança através da Economia do Conhecimento, Circular, do Bem-estar e da Felicidade, o Capitalismo com “Rosto”, Partilhado (Filantrópico), o fim do dinheiro Físico substituído pelo Digital, o novo Conceito de Saúde, o RBI/U – Rendimento Básico Incondicional / Universal, a Educação à distância, o modelo de trabalho sustentável e híbrido (Videoconferências, as Webinars e o Teletrabalho), são alguns dos exemplos de mudança que vieram para ficar.

As empresas que conseguirem passar este difícil teste de resiliência precisam a partir de agora, olhar e analisar atentamente com base numa abordagem sistémica, todos estes pormenores, pois a concepção e objectivo subjacentes não será mais o do lucro pelo lucro, mas sim, como principal objectivo, o impacto que as organizações têm na Sociedade em que estão inseridas. Assim podemos esperar para os próximos anos neste novo Paradigma, através deste The Great Reset uma agenda para esta Nova Era virada para uma Sociedade da Inteligência, da Excelência na diferença e de Cooperação, mais funcional e eficiente, mais sustentável e mais justa ao serviço de todos, onde ninguém deve ficar para trás.

“Não existem ideias prematuras, existem momentos oportunos pelos quais é preciso saber esperar.” Jean Monnet

Vítor Navalho

Psicólogo, membro da OPP - Ordem dos Psicólogos Portugueses e da APA - American Psychological Association

Fonte: Jornal i



sexta-feira, 9 de abril de 2021

O mais antigo mapa 3D da Europa é uma laje com quatro mil anos


Cravado na pedra está o mais antigo mapa tridimensional de uma área geográfica conhecida na Europa. Com uma precisão de 80%, poderá ter servido para marcar a propriedade do território por um príncipe ou um rei entre 1900 a.C. e 1650 a.C.

Uma pedra da Idade do Bronze recentemente descoberta pode ser o mapa tridimensional mais antigo da Europa, defende um grupo de investigadores, de acordo com a BBC. A laje de 2 x 1,5 m, encontrada pela primeira vez em 1900, voltou a ser detetada numa adega de um castelo francês, em 2014.

Os arqueólogos envolvidos na descoberta estudaram os padrões gravados na pedra de há quatro mil anos, e dizem acreditar que as marcas são um mapa de uma área no oeste da região francesa da Bretanha. A placa é assim o mapa 3D mais antigo de uma área conhecida na Europa. O pedaço de rocha, conhecido como Laje de Saint-Bélec, deverá remontar, segundo os especialistas, ao início da Idade do Bronze, entre 1900 a.C. e 1650 a.C.


O artefacto foi descoberto pela primeira vez em 1900, durante as escavações num cemitério pré-histórico em Finistère, no Oeste da Bretanha, pelo arqueólogo local Paul du Chatellier, mas a laje caiu no esquecimento durante mais de um século.

Armazenada há décadas sob um fosso na casa de Paul du Chatellier, a laje acabou por ser encontrada apenas em 2014 numa adega.

O boletim da Sociedade Pré-Histórica Francesa desvela o que fez os arqueólogos suspeitarem de que os desenhos na laje fossem na verdade um mapa. A "presença de motivos repetidos unidos por linhas" na superfície sugeria que tivesse sido representada uma área de Finistère.

Os recortes em relevo formam uma representação 3D do vale do rio Odet. Também são visíveis várias linhas, que simbolizam a rede de rios da área.

A geolocalização demonstra que o território representado na placa tem uma precisão de 80% em relação a uma área de 29 quilómetros ao redor do rio.

"Este é provavelmente o mapa mais antigo de um território que foi identificado. Há vários destes mapas esculpidos em pedra em todo o mundo. Geralmente, são apenas interpretações. Mas esta é a primeira vez que um mapa retrata uma área numa escala específica." As palavras são de Clément Nicolas, da Universidade de Bournemouth, que vinca a importância da descoberta.

Os arqueólogos acreditam que este mapa poderá ter servido para marcar a propriedade do território por um príncipe ou um rei da época.

"Temos a tendência de subestimar o conhecimento geográfico das sociedades do passado." Clément Nicolas reforça que "esta laje é importante porque destaca esse conhecimento cartográfico".

Fonte: TSF

quarta-feira, 3 de março de 2021

Cientistas leem carta selada há 300 anos sem a abrir


Com recurso a raios-X e a um algoritmo foi possível desdobrar virtualmente a carta enviada em 1697 de Lille para Haia.

Uma carta escrita a 31 de julho de 1697 em Lille, França, dobrada de tal forma que se transformou num envelope e ficou efetivamente selada, nunca chegou ao seu destinatário em Haia, nos Países Baixos. Acabou dentro de um baú. Agora, mais de 300 anos depois, os cientistas encontraram uma forma de a ler sem a abrir: graças a um leitor de raios-X altamente sensível e a um algoritmo, conseguiram desdobrar virtualmente a carta.

"Monsieur & cousin", lê-se no início da missiva escrita em francês e enviada por Jacques Sennacques ao primo Pierre Le Pers, um mercador francês que vivia na cidade neerlandesa. O motivo da carta era pedir um certificado da morte de Daniel Le Pers, que teria morrido em dezembro de 1695. Era já a segunda carta que Sennacques enviava com o mesmo pedido, aproveitando para saber novidades sobre a saúde do primo e da sua família.

A técnica de dobrar uma carta de forma a esta transformar-se no seu próprio envelope era algo normal antes de estes se tornarem comuns, a partir de 1830. A técnica é conhecida como letterlocking em inglês, uma junção das palavras letter (carta) e locking (trancar).

A carta que os cientistas agora abriram virtualmente com esta nova técnica faz parte de um conjunto de 577 que estavam num baú que pertencia ao chefe dos correios de Haia, Simon de Brienne, e à sua mulher, que terão ficado por entregar. O baú foi doado ao museu das Comunicações da cidade em 1926 e incluía ainda 2571 cartas abertas. Nessa altura era quem recebia as cartas que pagava pelo serviço e se estas não eram entregues porque o destinatário estava morto ou recusava receber, então ficavam por entregar, segundo a CNN.

Os cientistas dizem que esta técnica poderá servir para ler não só as cartas que estavam no baú de Brienne, mas também os Prize Papers, por exemplo, que inclui centenas de cartas por abrir que foram confiscadas pelos britânicos a navios inimigos entre os séculos XVII e XIX. "A história por vezes resiste ao escrutínio e essa própria resistência merece um estudo paciente", escrevem os autores do artigo, publicado na revista Nature Communications.

Fonte: DN

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Marcelino da Mata. O vírus foi mais forte do que as balas


Dele contava-se que antes de atacar mandava o corneteiro tocar porque não lhe parecia decente atacar um homem desprevenido. A sua vida dava muitos filmes. E confronta Portugal consigo mesmo.

Por Helena Matos

“Eu não fico cá. Ou me mandam para uma zona operacional ou fujo daqui”. Corria o ano de 1964. Marcelino da Mata não aguenta mais a tranquilidade da vida no quartel-general, em Bissau. Na verdade não precisou de fugir do quartel-general de Bissau pois conseguiu ir para Farim, onde em escassos dias convenceu o Tenente-Coronel Agostinho Ferreira a dar-lhe autorização para constituir um grupo de operações especiais.

“Quando me apresentei ao comandante, o Ten-Coronel Agostinho Ferreira, afirmei-lhe querer formar um grupo de operações especiais. Ele não concordou… Então, para mostrar que podia fazer tal actuação, num determinado dia peguei em cinco homens e saí do quartel em direcção a uma base do PAIGC, situada a 3,5 kms de Farim, numa destilaria de aguardente. Atacámos à noite e trouxemos nove presos, carregando 65 armas apreendidas. Às 6 horas da manhã já estava a bater à porta do quarto do comandante, a chamá-lo. Ele não queria aparecer, mas insisti. Quando surgiu, perguntou o que é que eu queria dele. Disse-lhe: “É para mostrar armas”. Ripostou: “E quais são as armas que eu não conheço?”. Respondi: “Estas não conhece, pois são do PAIGC”. Espantado, perguntou-me como tinha sido a actuação. Respondi-lhe: “Olhe! Eu nunca digo como faço as minhas operações. Fui lá, matei alguns e trouxe estes”. Disse ele: “Então deixa os prisioneiros andar com armas?” Retorqui eu: “Não faz mal; então não são homens como nós?!…”

Nos dias seguintes, Marcelino da Mata continuou a levar a cabo o que designava como “suas operações”, operações essas que descreve a Amaro Bernardo quando este o entrevista para o livro “Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros. Guiné”. Até que o inevitável acontece. Uma manhã, o Tenente-Coronel Agostinho Ferreira chamou o 2.º comandante: “Diz lá àquele tipo que pode formar o grupo de operações especiais”. Marcelino da Mata lembra: “Foi a partir daí que formei o grupo Os Roncos”.

Da “Tridente” à “Mar Verde”

Pode parecer estranho, mas a carreira militar de Marcelino da Mata começou por acaso: a 3 de Janeiro de 1960, quem devia ter entrado no CIM-Bolama era um seu irmão. Mas Marcelino foi ao centro de recrutamento informar-se sobre a situação do irmão e já não saiu. Tinha então 19 anos. Inicialmente, a sua principal mais-valia não é a forma como combate mas sim o domínio dos vários dialectos falados na Guiné.

Em 1963 vai para Angola fazer um curso de comandos. Já em 1964, regressa à Guiné a tempo de participar na “Operação Tridente”, que visava expulsar a guerrilha das ilhas da região do Como. Foram dois meses e meio entre pântanos, mato e lodo. Do Como, as tropas portuguesas trouxeram uma vitória — e Marcelino da Mata as suas primeiras cruzes de guerra.

A Torre e Espada vai ganhá-la anos mais tarde por ter resgatado uma companhia que fora aprisionada na zona da fronteira com o Senegal. Marcelino da Mata chefia um grupo de 19 homens que consegue não só enfrentar os guardas do PAIGC mais os soldados senegaleses como ainda levar os soldados portugueses pelos mais de 40 quilómetros que os separavam da Guiné. Diz quem lá esteve que o grupo de Marcelino da Mata não só fez tudo isto como, uma vez colocados os soldados a salvo, ainda voltaram atrás para repelir o PAIGC. Não será a única vez que o seu arrojo o leva a operações fora do território da Guiné.

Na noite de 21 para 22 de Novembro de 1970, Marcelino da Mata é um dos militares portugueses que entram secretamente em Conakry para levar a cabo uma das mais audaciosas e arriscadas operações concebidas pelas forças armadas portuguesas, a “Mar Verde”. O grupo de Marcelino da Mata tem 40 homens e é chefiado pelo alferes Abílio Ferreira. O objectivo deste grupo, designado Oscar na operação Mar Verde, é o quartel da Guarda Republicana, transformado em prisão.

“Seguimos para a porta de armas do quartel e ali demos com três civis que estavam a avisar as sentinelas de que tinham visto um grupo armado em direcção ao quartel. A sentinela fugiu e fechou o portão. Atirei-me de cabeça contra a janela da casa da guarda e matei o sargento com o meu sabre. Dei a volta e abri o portão, mas o alferes foi morto à entrada, com uma rajada na cabeça disparada por uma das sentinelas.” Foi desta forma que Marcelino da Mata recordou o episódio na entrevista que deu a António Luís Marinho e que este incluiu no seu livro “Operação Mar Verde”. Morto o alferes Ferreira, Marcelino da Mata assumiu a liderança do grupo.

O grupo Oscar cumpriu o que se esperava dele. No fim, Marcelino e os seus homens carregaram com o corpo do alferes para o levarem para as embarcações que os reconduziriam à Guiné (a operação “Mar Verde” era uma operação secreta levada a cabo num país estrangeiro, logo era muito reduzido o tempo que os militares portugueses podiam permanecer em Conakry). No caminho para o porto, o carro avariou. Sob o comando de Marcelino da Mata, os homens do grupo Oscar voltam ao quartel, combateram de novo, venceram de novo e arranjaram a viatura que lhes permitiu chegar in extremis ao porto onde as embarcações portuguesas já se preparavam para partir.

“Sou o Marcelino”

Em 1973, Marcelino da Mata constitui Os Vingadores, um grupo de tropas especiais constituído por 18 negros.

Operam com grande autonomia. Fazem operações de grande risco: quatro ou cinco homens entram no Senegal e colocam minas em locais estratégicos, fazem apoio às tropas regulares e marcam presença em operações históricas como a “Ametista Real”. Esta operação com nome de joia teve lugar a 19 de Maio de 1973, o objectivo era a base do PAIGC em Kumbamory, no Senegal. Marcelino da Mata está com seis homens do seu grupo. Combatem, mas sobretudo conseguem fazer ir pelos ares um importante paiol. No fim, Marcelino e o seu grupo carregam às costas com um dos seus que ficou ferido e acabam quase a ser vítimas do fogo amigo – eles eram todos negros e não vestiam fardamento regular pelo que eram frequentemente confundidos com guerrilheiros do PAIGC.

“Sou o Marcelino”– terá gritado para dentro do quartel. Dois meses antes foi também com um “Sou o Marcelino” que se apresentou ao piloto Miguel Pessoa que se ejectara do seu avião atingido por um míssil e que ele e o seu grupo acabavam de resgatar no chamado corredor da morte.

Nos palcos de guerra, Marcelino da Mata não precisava de indicar patente, companhia ou aquartelamento. Bastava-lhe dizer “Sou o Marcelino”.

Quando chega 1974, a sua folha de serviço é impressionante: participou em 2414 operações militares que lhe valeram meia centena de louvores por actos de bravura em combate. Recebeu a Torre e Espada, três Cruzes de Guerra de 1.ª classe, uma de 2.ª e outra de 3.ª. Mas para Marcelino da Mata vai começar um combate bem mais traiçoeiro e doloroso do que qualquer um dos que travou na Guiné.

Salvo pelo estilhaço de granada

Apesar de ter participado em mais de duas mil operações militares, algumas delas muito violentas, Marcelino da Mata nunca foi gravemente ferido. A única vez que precisou de tratamento hospitalar de maior cuidado aconteceu por causa de uma granada, inadvertidamente rebentada por um homem do seu grupo, para mais dentro do quartel. No Hospital de Bissau detectam-lhe um estilhaço alojado junto à rótula. É enviado para Lisboa. Só que entretanto acontecera o 25 de Abril. Há quem veja na transferência de Marcelino da Mata para Lisboa um estratagema do MFA para o manter longe da Guiné e, desse modo, ser facilitada a transferência do poder para o PAIGC. Afinal, uma das grandes preocupações do PAIGC era terem de enfrentar a resistência das três companhias de comandos negros que faziam parte das Forças Armadas portuguesas, mais a mais se estes comandos tivessem a chefiá-los um militar com as características de Marcelino da Mata. Ou, pelo contrário, terá sido a transferência de Marcelino da Mata para Lisboa a forma possível de o salvar do pelotão de fuzilamento que na Guiné “libertada” se estava a tornar o destino dos comandos negros?

Tivesse o ferimento justificado ou não a sua transferência para Lisboa, Marcelino da Mata rapidamente percebe que já não pode voltar à Guiné, pois está proibido de aí entrar pelas novas autoridades. Pior, caso regressasse tinha sérias razões para temer pela sua vida. A Marcelino da Mata chegam informações que confirmam os piores temores sobre o futuro da Guiné: ainda antes da independência daquele território, Marcelino da Mata sabe do fuzilamento de 1.º sargento Zeca Lopes, um dos membros dos Vingadores.

Depois é a vez do tenente Tomás Camará, que ao regressar à Guiné foi preso no aeroporto, levado para Cumeré e fuzilado.

Em Agosto de 1974, o destino trágico de vários destes homens começa a confirmar-se mas não chega a ser notícia. É um facto não nomeável até que se torna um facto consumado. Tão consumado que Otelo Saraiva de Carvalho, para explicar as dificuldades causadas à revolução portuguesa pelo facto de não se terem levado para o Campo Pequeno logo a 25 de Abril de 1974 “algumas centenas ou uns milhares de contra-revolucionários”, não hesita em dar o exemplo do PAIGC que, após a Guiné se ter tornado um país independente, “fuzilou imediatamente e enterrou dezenas, mas dezenas de elementos contra-revolucionários”. “Matararam-nos e enterraram-nos! E não houve uma única linha nos jornais a tratar deste problema!”.

Otelo tinha razão no que respeita aos jornais: as pesadas multas aplicadas pela Comissão Ad-Hoc para o Controlo da Imprensa, Rádio, Televisão, Teatro e Cinema a todas as notícias que dessem uma imagem menos positiva da “libertação das colónias” cortavam pela raiz qualquer veleidade nesta matéria. Note-se, contudo, que a maior parte dos jornalistas partilhava da versão oficial sobre o sucesso daquilo a que chamavam descolonização e nem sequer os preocupava a decisão das autoridades militares da Guiné de suspenderem as reportagens de Roby Amorim unicamente porque estas relatavam a decisão de vários oficiais das Forças Armadas Portuguesas de entregar aquartelamentos ao PAIGC sem aguardar pelas negociações.

Mas se é certo que transferência para Lisboa salvou a vida a Marcelino da Mata também é verdade que esta frase só é absolutamente válida até 17 de Maio de 1975.

Encurralado

A 17 de Maio de 1975, Marcelino da Mata, ouve o seu nome nas notícias que escuta na rádio, em Queluz, onde residia: diziam-no preso. Ao ouvir isto, Marcelino da Mata comete um erro que quase lhe iria a custar vida: resolve apresentar-se naquela que é agora a sua unidade, o Regimento de Comandos n.º 1. Mas logo é levado para o Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa (RALIS).

Marcelino da Mata chega ao quartel símbolo do PREC durante a tarde do dia 17 de Maio. Começam por lhe dar um papel para que escrevesse tudo o que sabia sobre o Exército de Libertação de Portugal (ELP), uma organização terrorista criada em Espanha pelos afectos ao general Spínola. Entretanto cai a noite desse dia 17 de Maio. Pouco depois da meia-noite, Marcelino da Mata começa a ser torturado.

A tortura arrasta-se durante mais de sete horas, ao longo das quais os interrogadores-torturadores vão mudando. Por vezes chamam-se entre si, o que permite a Marcelino da Mata dar nomes aos civis e militares que o interrogam: um furriel chamado Duarte, o capitão Quinhones e dois militantes do MRPP, um tratado por Ribeiro e outro por Jorge. É aliás a este último que Marcelino da Mata diz que o capitão Quinhones ordenou “que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz”. A estes nomes há ainda que juntar o de Leal de Almeida. Marcelino da Mata conhecia Leal de Almeida da Guiné. Ora, em 1975, o tenente-coronel Leal de Almeida estava em Lisboa, mais precisamente no RALIS. O que fazia nesse quartel o antigo instrutor de comandos na Guiné? Era comandante.

Marcelino da Mata repetiu não só que Leal de Almeida esteve presente enquanto ele foi torturado, como que o então comandante do RALIS desempenhou um papel activo nessas sessões de tortura. No depoimento que Alpoim Galvão transcreve em “De Conakry ao MDLP”, Marcelino da Mata afirma que nessa madrugada de 18 de Maio de 1975 Leal de Almeida “disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados, e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem iss.”. (Leal de Almeida, tal como Quinhones, negam ter participado na tortura a Marcelino da Mata, e aos outros detidos no âmbito desta operação.)

O que acontece com Marcelino da Mata entre 17 e 19 de Maio de 1975 é um dos episódios mais perturbantes do PREC. Não apenas porque se recorre à tortura – o que está longe de ser caso raro nesse período – mas também, e sobretudo, por aquilo que o seu caso (e o dos outros elementos detidos no âmbito desta operação desencadeada pelo MRPP) revela sobre o que acontecia dentro dos quartéis. E como as Forças Armadas tinham entrado num processo quase suicida. Não por acaso, muitas das perguntas feitas a Marcelino da Mata incidiam precisamente sobre as ligações que o comandante do Regimento de Comandos n.º 1, Jaime Neves, teria ao ELP. Sabe-se que o nome de Salgueiro Maia foi também apontado por alguns dos interrogados como fazendo parte da rede conspirativa reaccionária.

Na noite de 19 de Maio de 1975, Marcelino da Mata foi levado para a prisão de Caxias, onde foi mantido em regime de incomunicabilidade durante meses. Em Outubro é posto em liberdade. Vai para Espanha. Trabalha numa oficina. Viaja clandestinamente à Guiné. Regressa finalmente a Portugal depois do 25 de Novembro. Correm histórias sobre a vingança que prometeu levar a cabo entre aqueles que o torturaram e também sobre a sua enredada vida familiar. É graduado em tenente-coronel. Às vezes, nas entrevistas que vai dando, acerta contas com alguns militares de Abril. Como? Lembra-lhes como se comportaram em África. Marcelino da Mata nem sempre é exacto nos números — na “Mar Verde” matou 94 homens, como diziam as chefias, ou quase o dobro, como ele argumentava? No paiol de Kumbamory destruiu 130 toneladas de armamento, como relatou, ou “apenas” 90, como defendia Almeida Bruno, o militar que chefiou esta operação? Mas nunca lhe apontaram uma falha nos relatos que faz sobre as operações em que participou. Muito menos lhe respondem quando ele recordava histórias de cobardia e incompetência que muitos queriam esquecer.

Agora que a Covid o levou, esta quinta-feira, dia 11, esperemos que nesse algures onde chegou lhe tenham reservado um lugar à medida do seu temperamento. Convém não esquecer que há sempre a possibilidade de o ouvir dizer de novo: “Eu não fico cá. Ou me mandam para uma zona operacional ou fujo daqui”.

OBSERVADOR(Lisboa) – 12.02.2021

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