OS DEMOCRATAS E POLITICOS PORTUGUESES, SOMENTE ESTÃO NOS CARGOS PARA SERVIREM OS SEUS INTERESSES PESSOAIS E NÃO OS INTERESSES DO SEU PAIS POR ISSO ESTAMOS NO ABISMO DEVIAM RECEBER O ORDENADO MÍNIMO E JÁ ERAM MUITO BEM PAGOS...
Quando António Borges achava que um secretário de Estado não conseguia viver com 3500 euros
António Borges é especialista em frases infelizes Em 2004, numa entrevista ao Expresso foram várias de rajada. Uma delas relacionada com a sua mais recente "boutade" de que "diminuir salários não é uma política é uma urgência", que mereceu críticas do PCP ao CDS. Vale a pena recordar.
Perguntava-lhe a jornalista da revista Ùnica do Expresso sobre os salários dos políticos. Borges respondia: "a política tem de permitir aos políticos ter uma vida razoável. Não consigo perceber como é que alguém com o estatuto de um secretário de Estado consegue viver com os ordenados que eles vivem".
Estamos a falar dos melhores do país não é?
"Está a partir de um standard muito elevado", questiona a jornalista. Borges responde: "Claro que podemos dizer que a maior parte dos portugueses não tem isso. Mas estamos a falar dos melhores do país, não é? De pessoas que se não estivessem no governo estariam com um certo nível de vida e têm de certeza responsabilidades que não são compatíveis com ordenado de três mil ou três mil e quinhentos euros. Têm de fazer um sacrifício brutal."
A jornalista pergunta ainda: "Os políticos deviam ganhar mais? Não tenho dúvida nenhuma.", diz Borges. Ainda acrescenta: "A grande maioria das pessoas que está nas empresas não pode ir para o Governo. Veja-se este escândalo pateta do tipo do BCP que foi para a Direcção-Geral dos Impostos-ele foi receber o mesmo e foi um escândalo! Está tudo dito, não é?" (alusão ao caso do hoje ministro da Saúde Paulo Macedo, convidado por Manuela Ferreira Leite para Director-Geral dos Impostos com o vencimento que tinha anteriormente no BCP, cerca de 25 mil euros por mês).
De dinheiro estamos conversados. Só não se percebe como é que Passos Coelho convida um homem com esta falta de sensibilidade política para "ministro sombra" das privatizações. Ainda para mais há a suspeita de que Borges só não foi para o governo "tout cort" por não conseguir viver com o salário de ministro (na entrevista de 2004, diz que como ministro ganharia "vinte vezes menos" que no sector privado).
Hoje, com o cargo de coordenador das privatizações, Borges acumula funções privadas. Está, por exemplo, no Conselho de administração da Jerónimo Martins (ainda que muitos considerem que este tipo de cargos são incompatíveis com a função pública que exerce ao lado de Passos Coelho).
Inspiração de Passos com Singapura é borgiana
Mas voltemos à entrevista. A jornalista pergunta-lhe sobre a "importância económica da democracia" . Borges responde: "Não há regime melhor do que a ditadura iluminada. Se houvesse um príncipe perfeito conseguiríamos maravilhas do país. Veja-se o caso de Singapura. Ou Portugal no tempo do Rei D. João II. Mas isso é extremamente raro.O problema da ditadura é que em 90 por cento dos casos não é assim, e não há maneira de corrigir." (do mal ao menos)
"Também estamos conversados. Claro que há uma palavra mágica na entrevista de Borges que não passa despercebida: Singapura. Há um mês, na Feira do Livro, Passos Coelho disse que estava a ler um "livro muito interessante" do ex- Presidente de Singapura S. R. Nathan "a propósito da transformação que Singapura fez ao longo de todos estes anos". Uma inspiração, certamente, borgiana. E perigosa. Singapura é um tigre asiático muito pouco democrata, um país com eleições duvidosas, sem imprensa livre e direitos laborais limitados. Quem se mete com Borges, pode sair chamuscado.

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