A crise econômica obriga os políticos europeus a proceder em à busca de novas vias conducentes a um rápido aumento de receitas orçamentais. A introdução de novos impostos, a redução da idade de aposentadoria e as campanhas de privatizações não conseguem preencher as lacunas financeiras existentes.
Como é natural, na arena política têm vindo a surgir líderes dispostos a sugerir as suas propostas quanto à distribuição da carga financeira e fiscal entre os países europeus que corresponda aos princípios da "equidade" e da "justiça histórica". Inspirados pelo exemplo de políticos gregos a exigirem à RFA o pagamento das reparações pela Segunda Guerra Mundial, alguns políticos romenos também decidiram recordar à Alemanha umas dívidas suas que sobram da época do Terceiro Reich. O senador Ioan Ghişe proncunciou-se pela tomada de medidas visando à devolução da divida alemã.
A imprensa romena refere que, segundo dados do Banco Nacional da Romênia, para o dia 31 de agosto de 1944, a "dívida romena" da Alemanha nazista se estimava em um bilhão de marcos (RM), equivalente a 16,5 bilhões de dólares americanos.
Apesar de o senador Ioan Ghi fazer parte da coligação governante, seria pouco provável que o Gabinete, chefiado por Victor Ponta, aceitasse passos concretos no sentido de reivindicar esta dívida. Uma das causas disso terá sido um evidente receio de ver estragadas as relações com a RFA.
O primeiro-ministro romeno não teria interesse em agravar os contactos com a Alemanha que se solidarizou com o Presidente Traian Băsescu na luta política interna contra o governo de coligação.
Por outro lado, é difícil identificar as alavancas reais que estejam à disposição do Estado romeno e que possam ajudar a receber a dívida pretendida. Ao abrigo do Tratado de Paz, assinado pela Romênia após a Segunda Guerra Mundial, Bucareste se renuncia às exigências financeiras no seu relacionamento com a Alemanha.
Se, ao fim e ao cabo, Bucareste insistir no pagamento de 16 mil milhões de dólares, terá poucas chances de obter o êxito nessa causa. Não se trata apenas da soma desejada e de objetivos interesseiros de políticos romenos. Reconhecendo o facto da dívida, a RFA teria criado um precedente perigoso a ser aproveitado por outros Estados comunitários.
Além disso, deve-se levar em conta o fato de as polémicas em torno de reparações e dívidas herdadas da Segunda Guerra Mundial estarem a constituir um terreno ideal para o surgimento e o alvoroço de ânimos nacionalistas. As especulações à volta da memória histórica e de disputas ou exigências recíprocas não poderão, pelo visto, melhorar o quadro financeiro dos países europeus que passam por sérias dificuldades econômicas.
Fonte: Voz da Russia

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