08 Outubro 2012 [Opinião]
Existem pessoas que, considerando-se perfeitos, tendem a culpabilizar tudo e todos pelos seus insucessos.
É o aluno que chumba e culpa o professor. É o condutor que atropela um peão numa passadeira e culpa o peão. É o homicida que atribui ao falecido a intenção de morrer. É o burlão que atribui a culpa ao burlado, pela sua néscia ingenuidade. É o político que oculta a sua incapacidade e incompetência culpando a oposição, a população, a conjuntura, o clima, etc.
Querem fazer-nos acreditar de que as culpas e responsabilidades pela situação em que nos colocaram, são colectivas, e que a dívida privada é também responsável pela desgraça do país. Acredito que possa ter uma quota-parte mas, talvez por ignorância, parece-me que ao contrário do que se passa com a dívida pública, na dívida privada existe um activo, geralmente de valor superior ao passivo, que o compensa e garante.
Posso estar erradíssimo mas custa-me a acreditar que a maioria da população viva do crédito, que os bancos o tenham dado sem qualquer garantia e que seja por isso que o país entrou em bancarrota.
Devem existir causas bem mais fundas, mas nunca a culpa será da má política, dos maus políticos, dos partidos, da incompetência e da corrupção.
É, e será, dos funcionários públicos, dos pensionistas, da RTP, dos professores, dos juízes, dos médicos, dos engenheiros, dos enfermeiros, dos militares, das polícias, dos escrivães, dos carteiros, dos músicos, dos pintores, dos intelectuais, etc.
A existência de excedentes de funcionários públicos, de funcionários na RTP, de professores, de militares e de polícias, não espanta. Mas não são culpados de terem sido admitidos. Quem lá os colocou, insensatamente, é que deveria ser responsabilizado pelo desvario.
Mas o pior, a meu ver, não estará só nos excedentes que, melhor ou pior, nos prestam serviço, nos informam, nos ensinam e nos defendem. O pior, dizia, são os incontáveis assessores, chefes de gabinete, secretárias, funcionários, contínuos, motoristas, etc., lá colocados pelos partidos, competindo e ocupando os lugares dos funcionários de profissão, admitidos por concurso e com experiência no exercício das suas funções. São os inúmeros meninos e meninas, admitidos sem critério, sem concursos e tantas vezes sem curriculum e sem trabalho, com a esfarrapada capa da “confiança politica”, que se espojam nos diversos lugares da administração, sempre com chorudos vencimentos e inexplicáveis regalias.
Tudo isto não se refere apenas ao Governo Central ou Regionais. São as Autarquias, as Juntas de Freguesia, as Empresas Públicas, as Empresas Municipais, os Institutos Públicos, as Altas Autoridades para qualquer-coisa, os Provedores de ilusões, as Fundações de vaidades, os Observatórios de nada, as Comissões de faz-de-conta, etc.
Os pomposamente chamados Parlamentos, Nacional e Regionais - digo isto de pé e de costas flectidas - sem ideias e sem conhecimentos, transformaram-se num teatro de desilusões e numa arena de defesa dos interesses dos partidos. Pelos seus conhecimentos e pela sua crença, mais se assemelham a uma turbulenta Assembleia de Moradores ou uma melindrosa reunião de Catequistas, com a dimensão de um congresso do PC chinês. Com as prerrogativas condizentes. As do PC chinês, obviamente. Não as dos Catequistas, coitados, que só terão algum lucro no Além, o que para um Deputado - interesseiro e prático - é totalmente inaceitável. Para o Deputado o pagamento é feito cá em baixo, em dinheiro vivo, a tempo e horas. E tem fortes razões para suspeitar que no Além não lhe irão pagar subsídio de deslocação, ajudas de custo e despesas de representação…
São também os incontáveis automóveis de luxo atribuídos aos governantes, Autarcas e Deputados, Empresas Públicas, Banco de Portugal, Tribunal Constitucional, Ex-Presidentes, etc,. Os numerosos autocarros e carrinhas atribuídos a Autarquias, Juntas de Freguesia, Associações, Clubes de Futebol, não se sabe porquê nem para quê.
Os partidos foram a maior burla que nos trouxe o 25 de Abril. Sem ideologia, sem quadros e com falsos profissionais, propõem-se governar (?) o País, à custa de falsas promessas, delírios de grandiosidade e profissões de honestidade e competência. E, desgraçadamente, conseguem! Com os resultados que se conhecem.
Também eles são, obrigatória e generosamente, subsidiados pela plebe, como se pode avaliar pelas sedes apalaçadas, os carros de luxo, os numerosos funcionários, as deslocações, etc. Porque não deixar à militância o subsídio ao seu partido, esse sim voluntário e democraticíssimo? Dir-me-ão que isso seria abrir a porta ao subsídio ilegal. Mas os subsídios ilegais não são, ao que se diz, o que agora se passa, à socapa? Legalizem-nos, tornem-nos transparentes e claros e se houver favorecimentos e prevaricação a Justiça que os esclareça. Não nos obriguem, esfarrapados plebeus, já bastante castigados, a mais este imposto oculto, destinado apenas a beneficiar e satisfazer uns quantos “nobres” que nos destroem.
Juntemos a tudo isto os investimentos grandiosos e improdutivos, próprios de países ricos, que, invariável e impunemente, derrapam nos seus custos - auto-estradas, estádios de futebol, SCUTS, Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Portas do Mar, Auditórios e Pavilhões Multiusos em cada freguesia, etc.,.
Juntemos também a distribuição indiscriminada de subsídios - às bandas de música, aos grupos folclóricos, aos clubes de futebol, às marchas, às paradas, às festas, às viagens, às comezainas, aos investimentos privados inviáveis, aos pseudo estudantes, aos cripto trabalhadores – e também a falta de rigor ou de fiscalização dos subsídios de doença, desemprego e RSI, todos eles promotores da fraude e do ócio. Isso que importa. Compram votos!
Como se tudo isto não bastasse acrescentem-se os obscenos ordenados, reformas e regalias, dos detentores e ex-detentores de cargos políticos (Presidentes da República, Assembleias, Banco de Portugal, Empresas Públicas, governantes, Deputados, Autarcas, etc.,etc,) conseguidos, de forma fulgurante, no pouco tempo em que lá trabalharam. Para além das escandalosas excepções aos sacrifícios que nos são impostos.
Quem nos convenceu que éramos ricos como Cresos? Os funcionários públicos? Os pensionistas?
Quem, na mira do voto, enganou a plebe, afirmando que uma vez libertos do espartilho salazarista, se nos iriam abrir as portas dum imenso paraíso de riquezas, facilidades e direitos, sem trabalhar, sem aprender e sem obrigações? Os professores? Os comerciantes?
Quem se aproveitou e beneficiou, com total impunidade, dos imensos recursos que nos proporcionou a CEE? Os militares? Os polícias?
Quem se “stalinizou”, tratando-nos como mujiques, obrigados a entregar grande parte do nosso rendimento, através de omnipotentes comissários e nos reduziu a uma repulsiva penúria? Os médicos? Os advogados? Os engenheiros?
Não o fizeram para o progresso e bem-estar do país, mas apenas para manter incólumes os intoleráveis devaneios e privilégios duma nomenklatura delirante.
Trabalhar é cansativo? O Estado reduz. O Ensino é custoso? Simplifica-se. Os exames difíceis? Acabe-se com eles. O cidadão não quer trabalhar? O Estado subsidia. O cidadão é condenado? Alivia-se-lhe a pena. S. Ex.ª é ladrão? Fecha-se em casa, emigra, esquece-se.
Seria fundamental, a meu ver, uma Escola Superior de Administração Pública, onde se formassem os quadros do Estado. Profissionalizando-os e despartidarizando-os, aumentando assim a sua eficácia, reduzida, hoje em dia, a meros critérios economicistas de emergência (não se sabe por culpa de quem, mas desconfia-se), a razões de oportunidade politica ou, ainda pior, aos meros interesses dos partidos instalados.
Não é com “universidadezecas de verão” que se formam os quadros que tanto necessitamos. Elas são, apenas, mais um pretexto para uma confraternização de amigos, uma paródia de fim-de-semana e mais uns comes e bebes.
Façam-se as muitas contas de multiplicar que eu não sei fazer. Some-se tudo e veremos onde, como e quanto se poderia ter economizado e se esbanjou.
Paira no ar um intolerável cheiro fétido. Entre o estrume e a carne putrefacta.
É o aluno que chumba e culpa o professor. É o condutor que atropela um peão numa passadeira e culpa o peão. É o homicida que atribui ao falecido a intenção de morrer. É o burlão que atribui a culpa ao burlado, pela sua néscia ingenuidade. É o político que oculta a sua incapacidade e incompetência culpando a oposição, a população, a conjuntura, o clima, etc.
Querem fazer-nos acreditar de que as culpas e responsabilidades pela situação em que nos colocaram, são colectivas, e que a dívida privada é também responsável pela desgraça do país. Acredito que possa ter uma quota-parte mas, talvez por ignorância, parece-me que ao contrário do que se passa com a dívida pública, na dívida privada existe um activo, geralmente de valor superior ao passivo, que o compensa e garante.
Posso estar erradíssimo mas custa-me a acreditar que a maioria da população viva do crédito, que os bancos o tenham dado sem qualquer garantia e que seja por isso que o país entrou em bancarrota.
Devem existir causas bem mais fundas, mas nunca a culpa será da má política, dos maus políticos, dos partidos, da incompetência e da corrupção.
É, e será, dos funcionários públicos, dos pensionistas, da RTP, dos professores, dos juízes, dos médicos, dos engenheiros, dos enfermeiros, dos militares, das polícias, dos escrivães, dos carteiros, dos músicos, dos pintores, dos intelectuais, etc.
A existência de excedentes de funcionários públicos, de funcionários na RTP, de professores, de militares e de polícias, não espanta. Mas não são culpados de terem sido admitidos. Quem lá os colocou, insensatamente, é que deveria ser responsabilizado pelo desvario.
Mas o pior, a meu ver, não estará só nos excedentes que, melhor ou pior, nos prestam serviço, nos informam, nos ensinam e nos defendem. O pior, dizia, são os incontáveis assessores, chefes de gabinete, secretárias, funcionários, contínuos, motoristas, etc., lá colocados pelos partidos, competindo e ocupando os lugares dos funcionários de profissão, admitidos por concurso e com experiência no exercício das suas funções. São os inúmeros meninos e meninas, admitidos sem critério, sem concursos e tantas vezes sem curriculum e sem trabalho, com a esfarrapada capa da “confiança politica”, que se espojam nos diversos lugares da administração, sempre com chorudos vencimentos e inexplicáveis regalias.
Tudo isto não se refere apenas ao Governo Central ou Regionais. São as Autarquias, as Juntas de Freguesia, as Empresas Públicas, as Empresas Municipais, os Institutos Públicos, as Altas Autoridades para qualquer-coisa, os Provedores de ilusões, as Fundações de vaidades, os Observatórios de nada, as Comissões de faz-de-conta, etc.
Os pomposamente chamados Parlamentos, Nacional e Regionais - digo isto de pé e de costas flectidas - sem ideias e sem conhecimentos, transformaram-se num teatro de desilusões e numa arena de defesa dos interesses dos partidos. Pelos seus conhecimentos e pela sua crença, mais se assemelham a uma turbulenta Assembleia de Moradores ou uma melindrosa reunião de Catequistas, com a dimensão de um congresso do PC chinês. Com as prerrogativas condizentes. As do PC chinês, obviamente. Não as dos Catequistas, coitados, que só terão algum lucro no Além, o que para um Deputado - interesseiro e prático - é totalmente inaceitável. Para o Deputado o pagamento é feito cá em baixo, em dinheiro vivo, a tempo e horas. E tem fortes razões para suspeitar que no Além não lhe irão pagar subsídio de deslocação, ajudas de custo e despesas de representação…
São também os incontáveis automóveis de luxo atribuídos aos governantes, Autarcas e Deputados, Empresas Públicas, Banco de Portugal, Tribunal Constitucional, Ex-Presidentes, etc,. Os numerosos autocarros e carrinhas atribuídos a Autarquias, Juntas de Freguesia, Associações, Clubes de Futebol, não se sabe porquê nem para quê.
Os partidos foram a maior burla que nos trouxe o 25 de Abril. Sem ideologia, sem quadros e com falsos profissionais, propõem-se governar (?) o País, à custa de falsas promessas, delírios de grandiosidade e profissões de honestidade e competência. E, desgraçadamente, conseguem! Com os resultados que se conhecem.
Também eles são, obrigatória e generosamente, subsidiados pela plebe, como se pode avaliar pelas sedes apalaçadas, os carros de luxo, os numerosos funcionários, as deslocações, etc. Porque não deixar à militância o subsídio ao seu partido, esse sim voluntário e democraticíssimo? Dir-me-ão que isso seria abrir a porta ao subsídio ilegal. Mas os subsídios ilegais não são, ao que se diz, o que agora se passa, à socapa? Legalizem-nos, tornem-nos transparentes e claros e se houver favorecimentos e prevaricação a Justiça que os esclareça. Não nos obriguem, esfarrapados plebeus, já bastante castigados, a mais este imposto oculto, destinado apenas a beneficiar e satisfazer uns quantos “nobres” que nos destroem.
Juntemos a tudo isto os investimentos grandiosos e improdutivos, próprios de países ricos, que, invariável e impunemente, derrapam nos seus custos - auto-estradas, estádios de futebol, SCUTS, Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Portas do Mar, Auditórios e Pavilhões Multiusos em cada freguesia, etc.,.
Juntemos também a distribuição indiscriminada de subsídios - às bandas de música, aos grupos folclóricos, aos clubes de futebol, às marchas, às paradas, às festas, às viagens, às comezainas, aos investimentos privados inviáveis, aos pseudo estudantes, aos cripto trabalhadores – e também a falta de rigor ou de fiscalização dos subsídios de doença, desemprego e RSI, todos eles promotores da fraude e do ócio. Isso que importa. Compram votos!
Como se tudo isto não bastasse acrescentem-se os obscenos ordenados, reformas e regalias, dos detentores e ex-detentores de cargos políticos (Presidentes da República, Assembleias, Banco de Portugal, Empresas Públicas, governantes, Deputados, Autarcas, etc.,etc,) conseguidos, de forma fulgurante, no pouco tempo em que lá trabalharam. Para além das escandalosas excepções aos sacrifícios que nos são impostos.
Quem nos convenceu que éramos ricos como Cresos? Os funcionários públicos? Os pensionistas?
Quem, na mira do voto, enganou a plebe, afirmando que uma vez libertos do espartilho salazarista, se nos iriam abrir as portas dum imenso paraíso de riquezas, facilidades e direitos, sem trabalhar, sem aprender e sem obrigações? Os professores? Os comerciantes?
Quem se aproveitou e beneficiou, com total impunidade, dos imensos recursos que nos proporcionou a CEE? Os militares? Os polícias?
Quem se “stalinizou”, tratando-nos como mujiques, obrigados a entregar grande parte do nosso rendimento, através de omnipotentes comissários e nos reduziu a uma repulsiva penúria? Os médicos? Os advogados? Os engenheiros?
Não o fizeram para o progresso e bem-estar do país, mas apenas para manter incólumes os intoleráveis devaneios e privilégios duma nomenklatura delirante.
Trabalhar é cansativo? O Estado reduz. O Ensino é custoso? Simplifica-se. Os exames difíceis? Acabe-se com eles. O cidadão não quer trabalhar? O Estado subsidia. O cidadão é condenado? Alivia-se-lhe a pena. S. Ex.ª é ladrão? Fecha-se em casa, emigra, esquece-se.
Seria fundamental, a meu ver, uma Escola Superior de Administração Pública, onde se formassem os quadros do Estado. Profissionalizando-os e despartidarizando-os, aumentando assim a sua eficácia, reduzida, hoje em dia, a meros critérios economicistas de emergência (não se sabe por culpa de quem, mas desconfia-se), a razões de oportunidade politica ou, ainda pior, aos meros interesses dos partidos instalados.
Não é com “universidadezecas de verão” que se formam os quadros que tanto necessitamos. Elas são, apenas, mais um pretexto para uma confraternização de amigos, uma paródia de fim-de-semana e mais uns comes e bebes.
Façam-se as muitas contas de multiplicar que eu não sei fazer. Some-se tudo e veremos onde, como e quanto se poderia ter economizado e se esbanjou.
Paira no ar um intolerável cheiro fétido. Entre o estrume e a carne putrefacta.
Autor: Carlos Falcão Afonso
Fonte: Correio dos Açores
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Claro como Água… A Verdade Incomoda…
ACORDEM… ABREM OS OLHOS…

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