O lançamento do foguetão norte-coreano Unha-3, efetuado a 12 de dezembro, se tornou a notícia número um. Para o segundo plano passou até a informação de os EUA terem enviado pela terceira vez o veículo não tripulado experimental X-37B (no âmbito da missão OTV-3, sigla inglesa, o que significa Orbital Test Vehicle, ou seja, engenho orbital experimental).
Não se sabe nada sobre o objetivo do voo nem de sua duração.
Deixado de lado motivações políticas e econômicas, constate-se que o lançamento de um satélite assinala um grande sucesso para qualquer país. No entanto, o satélite Kwangmyŏngsŏng-3, lançado em 12 de dezembro, já se tornou o terceiro da série, segundo asseveram os mass média da Coreia do Norte. Os primeiros dois foram enviados para o espaço em agosto de 2008 e abril de 2009. Mas como então os satélites não foram descobertos em órbita, o evento não despertou elevado interesse. Desta feita, o comando das tropas espaciais dos EUA (NORAD) confirmou o fato de lançamento. A altura da órbita em que se encontra o engenho constitui 500-580 km e o período de rotação - 95,5 minutos.
Trata-se, pois, da segunda tentativa de enviar o Kwangmyŏngsŏng-3 para a órbita circunterrestre. A primeira não teve êxito: o foguetão se desagregou na região do Mar Amarelo. Lembre-se que, naquela altura, os jornalistas de vários países, apesar de terem sido convidados, não puderam assistir ao lançamento. Desta vez também houve uma incógnita - a um dia do lançamento, foram divulgadas informações de o foguete poder ser retirado da plataforma devido a falhas técnicas.
Não se conhece até hoje os objetivos exatos colocados perante a missão do Kwangmyŏngsŏng-3 que, segundo fontes oficiais norte-coreanas, desempenha as funções de satélite responsável pela sondagem da Terra à distância. Presentemente, funciona em regime normal, embora restem algumas semanas antes de ser posto em serviço definitivo. Peritos dos EUA receiam ter sido perdido o controle sobre este engenho, se bem que tal hipótese possa carecer de fundamento na falta de informações exaustivas.
A reação da comunidade mundial ao evento tem variado desde a condenação rígida da Coreia do Norte pela violência da Resolução do CS da ONU até as avaliações mais ponderadas e menos negativas. Segundo estas últimas, o lançamento não significa ainda que o país disponha de um arsenal de meios que sejam capazes de pôr em causa a segurança de outros Estados. Há quem diga tratar-se de uma chantagem para se aproveitar da ajuda humanitária.
Existe mais um aspeto psicológico. Há 50 anos, o primeiro satélite artificial da Terra não foi lançado pelo país indicado - os EUA. Foi a URSS que o fez, sendo na altura, no parecer de muitos, um país atrasado em termos econômicos e tecnológicos. Alguma coisa semelhante está acontecendo agora na Península da Coreia, embora em escala menor. Ao passo que o lançamento do foguetão norte-coreano KSLV continua sendo adiado (não foi divulgada uma data exata do lançamento agendado inicialmente para os finais de outubro), a Coreia do Norte acabou por concretizar os seus desígnios pretendidos desde há muito.
Claro que um lançamento não pode ser equiparado à implementação de um programa espacial de longo prazo. Entretanto, o MRE da Coreia do Norte anunciou a intenção de prosseguir o programa de utilização pacífica do espaço cósmico, prevendo novas missões do gênero.
Enquanto isso, há já dois dias que na órbita permanece o veículo não tripulado dos EUA, X-37B cujas funções e tarefas também constituem uma grande incógnita. De notar que este engenho já tinha sido enviado para o espaço e se encontrou lá num período entre os meses de abril e dezembro de 2010 nos quadros da primeira missão OTV. Deste modo, foi demonstrada a possibilidade da segunda utilização do aparelho, prevista pelo respectivo programa. O engenho foi lançado por meio do portador Atlas V 501 a partir da base aérea no cabo Canaveral. A duração do voo do X-37B não foi revelada. Sabe-se que o seu antecessor permaneceu na órbita 15 meses, ou seja, seis meses mais do que era planejado.
Fonte: Voz da Rússia

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