sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Fim do Mundo: valha-nos o Bill

Enquanto diferentes tipos de seitas de maior ou menor dimensão se dedicam às suas histerias e apelam às pessoas a enfrentarem no dia 21 de dezembro o fim inevitável de tudo o que existe, alguns outros, pelo contrário, fazem tudo para o evitar.

Assim, no dia 8 de dezembro, o ator russo Nikita Djigurda vestiu um kilt escocês e dançou em plena Praça Vermelha o sucesso techno sul-coreano Gangnam Style. Com essa dança, o ator, segundo afirmação do próprio, cancelou o fim do mundo. Outras pessoas noutros países se preparam para a data fatídica de diferentes formas de acordo com a sua fantasia e suas capacidades financeiras.
Pela análise da correspondência nos sites sociais se verifica que em Moscou, e nas outras grandes metrópoles da Rússia, as pessoas estão a marcar folgas, e mesmo miniférias, e departamentos inteiros para o dia 21 de dezembro. Os mais assustadiços pedem o pagamento dos seus ordenados na véspera do fim do mundo. Muitos habitantes das megalópoles armazenam munições, no caso de terem armas, e preparam as suas casas de campo para passar uma hibernação compulsiva: enchem as despensas de conservas, massas, arroz e água potável.
Na Internet russa têm aparecido muitas ofertas urgentes de venda de geradores diesel compactos e de aparelhos de aquecimento que trabalham com qualquer tipo de combustível (desde ramos e folhas caídas a fraldas usadas e trapos velhos). Se encontram anúncios publicitários da venda de maletas de emergência que apresentam, bem arrumado, tudo o que irá fazer falta para sobreviver na hora H. Também ainda há tempo para encomendar mini-cabazes Comemoremos o Fim do Mundo que incluem um kit de emergência, velas, fósforos, duas latas de conservas, um garrafão de água potável e uma garrafa de vodka. Esses conjuntos, expostos nas vitrines de alguns estabelecimentos comerciais, já se tornaram objeto de conflitos legais entre os comerciantes e os representantes das autoridades: de acordo com a lei russa, as bebidas alcoólicas só podem ser comercializadas com a respetiva licença, independentemente do fim do mundo.
Mas há muito mais pessoas levianas entre os russos. Analisando os portais dos restaurantes, verificamos que a maioria dos restaurantes, bares, estabelecimentos de diversão noturna, casas de boliche e outras, mais populares já quase não têm mesas livres para 21 de dezembro. As agências de viagens não ficam atrás da restauração na propaganda dos seus serviços, oferecendo as condições mais confortáveis e seguras para comemorar o fim do mundo.
Os cientistas, por seu lado, cansados de desmentir a tradição do calendário dos antigos maias aos olhos do moderno cidadão comum , tentam descobrir as verdadeiras razões para o fim do mundo. Galina Ershova, diretora do Centro de Estudos Mesoamericanos Knorozov, por exemplo, explicou numa entrevista à Voz da Rússia:
“Todas estas conversas acerca do fim do mundo não passam de mais uma forma de extorquir dinheiro a uma população ignorante. Isso nem sequer pode ser chamado de uma teoria porque uma teoria pressupõe um estudo científico, é apenas mais um exemplo de charlatanismo. O calendário maia não apresenta quaisquer previsões ou prognósticos sobre o fim do mundo. Se trata de uma placa de pedra com datas do calendário entalhadas ligadas, mais provavelmente, ao movimento da Lua. Mas não apresenta qualquer texto ou qualquer profecia.”
A histeria, e por vezes até a euforia, envolvendo a data de 21 de dezembro em todo o mundo, não tem absolutamente qualquer fundamento, considera o jornalista francês Alain Cirou, autor do livro O Fim do Mundo não terá lugar. Na sua entrevista à Voz da Rússia, ele afirmou:
“Esta é uma história velha como o mundo. Na sociedade sempre existiu a ideia de fim do mundo. Se fizermos as contas, percebemos que o fim do mundo previsto para 21 de dezembro de 2012 é já o 183 desde o fim do Império Romano. É verdade que também podemos dizer que esta é a primeira ideia apocalíptica do mundo das altas tecnologias e de um mundo globalizado. Se quiserem participar no processo do fim do nosso planeta, poderão fazê-lo juntando a sua pedrinha ao monte de pedras que cairão sobre as nossas cabeças a 21 de dezembro de 2012.”
Entretanto, quem melhor se preparou para o fim do mundo foi Bill Gates, assim como os seus companheiros da corporação Monsanto e da Fundação Rockfeller. Eles inauguraram num dos pontos mais setentrionais da Noruega, no Arquipélago de Svalbard, um banco global de sementes. Hoje, essa reserva mantém em condições especiais ao abrigo das catástrofes naturais e tecnológicas cerca de 270 000 espécimenes de sementes de plantas de cultivo: trigo, arroz, milho e outras. As instalações de elevada tecnologia, segundo afirmam os seus criadores, têm a capacidade de conservar o seu precioso conteúdo durante 10 000 anos. Não se sabe, por enquanto, se Bill Gates tenciona passar o dia 21 de dezembro em Svalbard, mas por nossa parte nós recomendamos não perder dinheiro na compra de bunkers no campo, maletas de emergência ou geradores diesel. É melhor se dedicarem às compras de Natal e Ano Novo, desde que sigam os restantes acontecimentos pelos nossos noticiários.

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