AFP
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Poderão humanos dentro de alguns anos voar ao redor de Marte e voltar felizmente à Terra? Na opinião de peritos, inclusive russos, esta ideia é utópica. Tal iniciativa foi apresentada recentemente pelo primeiro turista espacial, Dennis Tito.
O multimilionário tenciona criar uma fundação privada para colher o montante necessário – de 1 a 2 bilhões de dólares, volume inferior ao preço da sonda Curiosity. A missão continuará 501 dias e o lançamento está previsto para janeiro de 2018. O projeto prevê uma tripulação composta por um casal.
Embora Tito utilize como base uma nave já existente Dragon, será necessário resolver inúmeros problemas técnicos, médicos e de outra índole, afirmam cientistas. Deverá ser confirmada não apenas alta segurança da nave em condições de voo interplanetário, mas também cogitado o sistema de manutenção da vitalidade dos tripulantes, o funcionamento da instalação propulsora. Não está claro como irão trabalhar sistemas de comunicação e de comando da nave em campos potentes de partículas galaxiais. Comenta Vladislav Petrov, chefe da seção Garantia de Segurança Radiativa de Voos Espaciais do Instituto de Problemas Médico-Biológicos:
“Antes de enviar uma missão tripulada, é necessário lançar uma nave em regime automático e não obrigatoriamente para um voo ao redor de Marte, mas numa trajetória que permita ver como os sistemas da nave funcionam em condições próximas de um voo para Marte. Poderia ser uma trajetória muito alta ao redor da Lua e da Terra. A nave experimental deve ser sujeita durante um longo período ao efeito de radiação, tal como no voo real para Marte. É absolutamente irreal fazer tudo isso em quatro anos.”
Como se afirma, os tripulantes serão bem protegidos contra a radiação com uma camada de água e de detritos humanos de 40 cm de espessura. Será segura esta proteção em condições de voos interplanetários? Nas palavras de Vladislav Petrov, não há por enquanto normativos de segurança radiativa. Sua elaboração levará anos, mas as pessoas não podem voar para o espaço distante sem uma base científica.
Ao mesmo tempo, peritos russos não tencionam comparar a próxima missão rumo a Marte e outra conquista espacial da humanidade – o pouso de naves Apollo na Lua de há 40 anos. O projeto Apollo foi preparado durante muitos anos, embora um voo para a Lua continuasse apenas 7-8 dias. Os componentes e sistemas de naves eram pouco diferentes dos utilizados em órbitas próximas da Terra. Diferentemente dos planos de Tito, o programa lunar não foi aventureiro, diz Oleg Mukhin, vice-presidente da Federação de Cosmonáutica de São Petersburgo:
“É necessário entender claramente que também queríamos voar para a Lua. Até foi desenvolvida uma sonda de descida, que hoje se expõe na nossa cidade. Foi construído um foguetão pelo gabinete de projeção de Korolyov, que teve quatro lançamentos mas sem sucesso. Até voos das primeiras naves Soyuz, quando cosmonautas passavam através do espaço de um aparelho para outro, foram efetuados no quadro do programa lunar.”
Os autores da missão de Tito afirmam que o projeto não será realizado enquanto não for provada sua segurança. Vários momentos diminuem os possíveis riscos. Em 2018, terá lugar um alinhamento cômodo de Marte e da Terra, que se repetirá só em 2031. Será possível utilizar uma órbita muito simples sem manobras com propulsor e perdas de combustível e o prazo da missão teoricamente mínimos. Não será necessário pousar no planeta. Os sistemas de manutenção da vitalidade serão os mesmos que se utilizam na EEI. A principal preocupação de Dennis Tito é o montante que será preciso pagar aos cônjuges voluntários. Com certeza, menos de um bilhão de dólares. Entretanto, o casal já está escolhido. O próprio Tito não duvida que conseguirá preparar a missão. “Não posso esperar até 2031, tenho 72 anos”, diz.
Fonte: Voz da Rússia
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