Cientistas britânicos determinaram, pela primeira vez, a cor de um planeta extra-solar, que se revelou ser azul celeste. Essa descoberta irá ajudar a desvendar o mistério dos planetas de uma classe especial: os gigantes gasosos, os chamados Júpiteres Quentes. Eles são chamados de "quentes" porque giram a pouca distância das suas estrelas.
O planeta, conhecido pela sigla HD 189733 b, foi descoberto em 2005. Ele pertence a um sistema cuja estrela está a 63 anos-luz do Sol. Devido à proximidade do seu sol, o ano local tem uma duração de apenas dois dias.
O ambiente por lá é verdadeiramente infernal: no lado iluminado a temperatura atinge os 1.000ºC, e é provável que ele seja dominado por tempestades e que tenha chuvas de vidro sob a forma de gotículas de compostos de silício, os silicatos, que saturam as suas nuvens. Os britânicos admitem que seja a presença de silicatos a determinar a cor do próprio planeta.
Como se descobriu que ele era azul celeste? Os cientistas realizaram uma análise espectral da radiação da estrela quando esta ocultava o planeta. A intensidade dos espectros verde e vermelho não se alterou, mas no espectro azul baixou ligeiramente. Esse método é muito usado pelos astrónomos, diz Alexander Rodin, colaborador do Instituto de Estudos Espaciais da Academia de Ciências Russa:
"Esse é um dos métodos mais eficazes em que o planeta oculta a luz da estrela e o observador vê o espectro tanto da estrela, como do planeta. Quando o planeta fica oculto pela estrela, só se vê o espectro da estrela. Assim, com a ajuda de medições rigorosas, podemos avaliar por alto o espectro do próprio planeta."
Mas recordemos os planetas-gigantes Urano e Neptuno: eles são azuis. As suas atmosferas frias não contêm silicatos, apesar de eles estarem provavelmente presentes no núcleo. Alexander Rodin duvida que haja uma relação direta entre a cor e a composição química:
"Tudo indica que a cor azul celeste tenha a mesma natureza que na Terra, quando esta é vista a partir do espaço. Isso é a dispersão que não depende da composição da atmosfera. Pela cor é mais fácil determinar a densidade da atmosfera. É possível que a densidade atmosférica sobre a camada nebulosa do planeta HD 189733 b é aproximadamente igual à da Terra."
Uma radiação fraca de um planeta extra-solar é muito difícil de distinguir da própria estrela. A uma grande distância elas se confundem e por isso se torna difícil determinar a cor do planeta. Á medida que esse método se vá aperfeiçoando não é de excluir que se descubram planetas extra-solares de outras tonalidades, como por exemplo o verde, que não iria necessariamente indicar a existência de uma biosfera, explica o astrónomo Vladimir Surdin da Universidade Estatal de Moscovo:
"É pouco provável que a vida noutros planetas seja estruturada da mesma forma que na Terra. Mesmo na Terra nem todas as plantas são verdes. Penso que a descoberta de um planeta "verde" não iria só por si revelar que ele tem vida própria e árvores iguais às nossas, com folhas verdes. É necessário um estudo mais aprofundado acerca da presença de água, de oxigénio, talvez de metano, para podermos falar de vida."
Os astrônomos costumavam ser da opinião que a habitabilidade de um planeta deveria ser considerada não pela sua cor em geral, mas pela linha verde do seu espectro. Se pensava que essa linha estava associada à presença de oxigênio livre na atmosfera, ou seja, seria a melhor prova da existência da fotossíntese e de vida. Mas mais tarde ela foi descoberta no espectro de Vênus, que não é habitável.
O fato de um Júpiter Quente não ser habitável não suscita dúvidas a ninguém, mas, ao descobrir a sua cor azulada, os cientistas avançaram um bocadinho no entendimento dos planetas dessa classe. "Nós estamos lentamente a desenhar o quadro complexo desse planeta exótico", dizem os britânicos. "Agora nós acrescentámos mais um traço."
Fonte: Voz da Rússia
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