O sorteio do Mundial-2014 suscitou quase tantas teorias da conspiração como o assassínio de John F. Kennedy. Todas apresentam falhas, mas são um sucesso nas redes sociais. Saiba onde acaba a verdade e começa a ficção nas três que se tornaram mais virais na internet.
1) O tweet de véspera que acertou no grupo da Argentina
Uma conta de Twitter com o sugestivo nome de Brasil 2014 Fraude(clique para aceder) e com um histórico de apenas nove mensagens – todas com data de 5 de Dezembro, véspera do sorteio – publicou que a Itália iria parar ao Pote 2, como veio a acontecer, e que a Argentina ficaria no Grupo F com o Irão, a Nigéria e a Bósnia, como também se verificou.
Verdade: As supostas previsões estão correctas.
Ficção: É possível criar uma conta de Twitter e no minuto seguinte, quando ainda ninguém a segue, escrever todos os resultados possíveis de um jogo de futebol ainda não disputado, todos os candidatos ao Oscar de melhor actor ou todas as combinações de um grupo do Mundial. Após ser conhecido o resultado, apagam-se os palpites errados e, voilà, ficam apenas os acertados para todo o mundo ver. Outra opção é criar múltiplas contas e no fim deixar apenas aquela que conseguir ‘prever o futuro’.
2) O vídeo do sorteio
Um vídeo posto a circular no YouTube, e que o SOL publicou na terça-feira (clique no link para ver), acusa Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, de nunca mostrar para as câmaras o acto de tirar das ‘bolinhas’ os papéis com os nomes das selecções sorteadas. O autor sugere que o dirigente tinha em cima da mesa à sua frente, fora do ângulo captado pelas câmaras, os papéis com o nome das várias selecções e que, ao baixar as mãos para um ângulo morto, os trocava para formar os grupos à medida da conveniência da FIFA.
O vídeo tenta ainda mostrar que os papéis exibidos por Valcke não enrolavam quando eram largados, o que, segundo o autor, indicia que não saíram das bolas e estavam apenas esticados em cima da mesa, à frente do secretário-geral. Lembra ainda o vídeo que a actriz Fernanda Lima, que ajudou Valcke com os papéis que indicavam a posição de cada equipa no grupo, abria sempre as ‘bolinhas’ à vista de todos.
Verdade: Jérôme Valcke repetiu o mesmo gesto em todas as selecções sorteadas. Nem por uma vez foi possível ver, nas imagens em directo, todo o movimento de retirar o papel de dentro das ‘bolinhas’. Em todas houve sempre um instante em que as câmaras deixaram de conseguir filmar as mãos de Valcke, tapadas pela mesa. Os papéis não enrolavam todos como seria de esperar, assim que largados. Fernanda Lima não escondia as mãos.
Ficção: Por vezes o movimento ‘invisível’ de Valcke era tão rápido (clique no link para o vídeo do sorteio) que seria impossível trocar um papel por outro. Havia mais nove pessoas no palco, que teriam de ser cúmplices. A FIFA alega que existiam sete câmaras a filmar o sorteio, inclusive uma por cima de Valcke, e que o realizador escolhia o ângulo que queria a cada momento (o de cima nunca apareceu nos nossos ecrãs). Vários papéis enrolaram quando Valcke os largou.
3) Os apresentadores que teriam sido rejeitados por não quererem fazer parte da fraude
Um texto publicado num fórum, que se tornou viral nas redes sociais, (clique no link para ler) alega que o actor Lázaro Ramos afirmou: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu no sorteio da Copa do Mundo de 2014, ficariam enojadas”. Segundo esta teoria, o actor teria sido escolhido para apresentar o sorteio se tivesse aceitado um suborno de 70 mil dólares para participar na fraude e o caso está a ser investigado “por jornais de todo o mundo”, como o Wall Street Journal of Americas. O texto diz ainda que Lázaro Ramos, assim como a actriz Camila Pitanga, que também teria recusado entrar no esquema, foram assediadas para o efeito num encontro em que participou o executivo da Nike Ronald Rhovald.
Verdade: Nada a assinalar.
Ficção: Lázaro Ramos nunca disse a frase que lhe é atribuída, muito parecida com aquela que foi também indevidamente posta na boca de Leonardo, jogador da selecção do Brasil, noutra teoria da conspiração sobre o Mundial de 1998 (clique no link para a ler na íntegra). Ronald Rhovald, o suposto executivo da Nike, é um nome inventado nessa mesma teoria. E o jornal Wall Street Journal of Americas não existe.
Fonte: Sol
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