quinta-feira, 31 de julho de 2014

Investigadores desenvolvem teia de aranha sintética


Por esta, nem o Homem-Aranha esperava. A produção de teias de aranha em laboratório é já uma realidade para investigadores brasileiros, que, no futuro, podem também fazê-las crescer em plantas.

A pesquisa foi desenvolvida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, e liderada pelo investigador Elíbio Rech. Ele explica que a teia de aranha é um produto com alta aplicabilidade comercial, e a forma como pode ser produzida define o conceito de sustentabilidade e uso racional da biodiversidade.

«Já não precisamos de entrar na floresta para apanhar aranhas. Deslocamo-nos às propriedades, apanhamos alguns poucos organismos, retiramos o que for preciso e nunca mais voltamos. Conseguimos produzir teias sintéticas. Este é o caminho real de sustentabilidade, usar a tecnologia para que não tenha que devastar a floresta para isolar um determinado composto», disse o pesquisador.

Rech conta o caso da artemisina, produzida pela planta artemísia, um forte componente contra a malária. «Foi feita uma avaliação e começaram a produzir em larga escala, mas foi economicamente inviável porque precisava de áreas enormes. Então, usando a engenharia genética, um grupo da Califórnia produziu em levedura e o composto foi lançado por uma empresa farmacêutica no ano passado. Um produto contra a malária, que veio de uma planta, mas que passa a prescindir da planta, é tudo sintético.»

A pesquisa da Embrapa começou em 2003 com prospecções na Amazónia, na mata atlântica e no cerrado em busca de aranhas que produzem fibras e com o mapeamento genético das glândulas que produzem as proteínas para dar origem à seda da teia.

A criação em laboratório das proteínas da aranha é feita pela bactéria Escherichia coli. O passo seguinte consiste na extracção das proteínas. Para isso, a massa de bactérias E. coli é diluída em meio líquido e as proteínas de teia de aranha são resgatadas com uma sequência de ADN específica. Com o auxílio de uma seringa especial que simula a espirineta (órgão da aranha que expele a teia), os investigadores vão libertando e enrolando a fibra.

É um material novo que tem duas características, flexibilidade e resistência, e também é biodegradável. Tem uma característica física que permite um melhor desempenho para tudo.

Pode ser usado na produção de tecidos, em fios para sutura, para quem tem alergia ao nylon, por exemplo, e também em nanopartículas para o endereçamento preciso de drogas e medicamentos no corpo humano.

Também tem uso em composições metálicas e plásticas para placas e peças de aviões e para os cascos de navios.

Além das inúmeras aplicações e benefícios para o desenvolvimento de diversos sectores da economia, o facto de os estudos serem baseados em aranhas brasileiras permite agregar valor à biodiversidade nacional.

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