quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Físicos procuram realidade além de matéria, energia, espaço e tempo

Físicos procuram realidade além de matéria, energia, espaço e tempo

Embora provavelmente não tivesse a intenção de provocar alto tão chocante, Nicolau Copérnico, num tratado do século XVI, deu origem à ideia de que os seres humanos não ocupam um lugar especial no céu. Quase 500 anos depois, passamos a ver-nos apenas a mais num planeta a orbitar em torno de uma estrela no universo que chamamos de lar. E este pode ser apenas um dos muitos universos.

Apesar dos sucessivos rebaixamentos, continuamos confiantes de que o nosso bando de primatas dispõe do que é necessário para entender o cosmos. É quase dado como certo que tudo, da física à biologia, passando pela mente, resume-se, afinal de contas, a quatro conceitos fundamentais: matéria e energia interagindo numa arena de espaço e tempo.

Mas alguns cépticos desconfiam que esteja a faltar uma peça essencial. Não há razão para crer que, neste século em particular, o Homo sapiens já tenha juntado todas as peças necessárias para uma teoria de tudo. Ao deslocar a humanidade de uma posição privilegiada, o princípio copernicano aplica-se não apenas a onde estamos no espaço, mas também ao tempo.

Desde que foi publicado, em 2012, «Mind and Cosmos», do filósofo Thomas Nagel, tem causado muita polémica. Nagel rejeita a ideia de que o universo resume-se a matéria e a forças físicas. Também duvida de que as leis de evolução possam ter produzido algo tão excepcional como a vida senciente.

Nagel, que é ateu, acredita que as respostas ainda podem ser encontradas através da ciência, mas somente se esta for expandida. «Os seres humanos são viciados na esperança de um acerto de contas final», escreveu, «mas a humanidade intelectual exige que resistamos à tentação de pressupor que o tipo de ferramentas que temos agora são, em princípio, suficientes para entender o universo como um todo».

Nagel considera surpreendente que o cérebro humano tenha desenvolvido uma ciência e uma matemática tão em sintonia com o cosmos, o que torna possível prever e explicar tantas coisas. Os neurocientistas acreditam que tais faculdades mentais de alguma forma decorrem da sinalização eléctrica dos neurónios. Mas ninguém conseguiu chegar perto da explicação de como isso ocorre. Isso, como propõe Nagel, pode exigir outra revolução: mostrar que a mente, em conjunto com a matéria e a energia, é «um princípio fundamental da natureza» - e que vivemos num universo preparado para «gerar seres capazes de compreendê-lo. Em vez de ser uma série de mutações aleatórias, a evolução teria uma direcção, talvez até mesmo de propósito.

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