sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Técnica que deixa corpo transparente facilita diagnósticos

Técnica que deixa corpo transparente facilita diagnósticos

Cientistas desenvolveram uma forma de fazer um corpo inteiro ficar transparente. Numa pesquisa publicada na revista Cell, a equipa, que estuda roedores, descreve uma técnica que mantém os tecidos intactos, mas permite que as partes-chave do corpo e ligações internas possam ser vistas.

Os cientistas dizem que a técnica pode ajudar a visualizar como órgãos separados interagem e apontar o caminho para uma nova geração de tratamentos. O método também pode ser utilizado para detectar a propagação de vírus e cancros em tecidos humanos.

Há um século os cientistas têm estado a tentar elevar a transparência de órgãos opacos. Mas a maioria das técnicas danificava tecidos, o que interrompeu testes mais aprofundados.

As moléculas de lipídio (gordura) presentes nas células do corpo distorcem os raios de luz, o que deixa os tecidos opacos. Até hoje, os processos usados para dissolver essas moléculas privavam os órgãos de elemento-chave para o seu suporte estrutural, o que resultava numa massa amorfa de material.

Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia dizem ter conseguido atingir o sonho dos biólogos.

Com base em trabalhos anteriores a equipa desenvolveu uma técnica com três estágios:

Primeiro, uma malha macia feita de uma espécie de plástico dá suporte para os tecidos. Em seguida, um detergente molecular é administrado na corrente sanguínea, dissolvendo lipídios e tornando os órgãos transparentes. Corantes de rastreamento e de marcação de moléculas específicas podem ser adicionados à infusão para destacar as conexões mais importantes.

Usando este método em roedores, os pesquisadores conseguiram tornar rins inteiros, corações, pulmões e intestinos transparentes dentro de três dias, e todo o corpo dentro de duas semanas.

O teste do procedimento em pacientes com cancro permitiu que os cientistas visualizassem o alcance da disseminação da doença.

A pesquisa foi realizada em ratos sacrificados e amostras de tecido humano tiradas durante operações, mas ainda não foi aplicada a organismos vivos.

Os cientistas afirmam que a técnica pode ter diversos usos futuros, desde o mapeamento do caminho de fibras nervosas do cérebro para o resto do corpo ao rastreamento dos locais onde diferentes vírus se escondem nos tecidos.

A equipa, agora, está a colaborar com outros cientistas para examinar o tecido cerebral de pessoas com deficiências cognitivas. Ao comparar essas amostras com outras saudáveis, os cientistas querem identificar diferenças nunca antes vistas nos padrões celulares.

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