terça-feira, 16 de setembro de 2014

Aquecer a ponta de uma esferográfica fá-la funcionar. Mas porquê?

Aquecer a ponta de uma esferográfica fá-la funcionar. Mas porquê?

Os tablets e os smartphones estão cada vez mais presentes, mas ainda não fizeram com que se abandonasse de vez as esferográficas. Mas até mesmo essa tecnologia, que hoje parece simples, pode falhar nas horas mais impróprias. Quando isso ocorre, a reacção de todos é praticamente a mesma: esfregar o objecto entre as mãos, rabiscar numa folha em branco ou até aquecer a ponta com um isqueiro. Será que essas manobras têm fundamento?

Antes de tudo, é preciso lembrar que a caneta esferográfica é um tubo de tinta com uma esfera que permite ao líquido fluir de forma controlada. Não parece grande feito, mas saiba que essa invenção facilitou bastante a vida das pessoas, que se irritavam, sempre, com os borrões e manchas nos dedos causados pelas canetas-tinteiro.

Foi justamente essa agonia que fez o jornalista húngaro László Biró (1899-1985) pensar em algo mais prático para escrever. Há diversas teorias sobre a sua fonte de inspiração: segundo alguns relatos, o "insight" teria surgido ao ver uma bola passar por uma poça de água e desenhar uma linha no chão. Outros dizem que a ideia veio a partir da observação das rotativas do jornal em que trabalhava, em Budapeste.

O facto é que, depois de várias tentativas, Lászlo e o seu irmão, o químico György, chegaram à primeira versão da caneta esferográfica em 1938. Com a Segunda Guerra Mundial, a família decidiu fugir para a Argentina, onde abriu uma pequena fábrica. Em 1943, o jornalista recebeu a patente da invenção, que foi celebrada pela Força Aérea - a caneta tornara possível escrever durante os voos.

O húngaro acabou por vender a patente para o francês Marcel Bich (1914-1994), proprietário da internacionalmente conhecida Bic, que lucrou bastante com o pequeno objecto, lançado com uma versão reduzida do seu sobrenome em 1950. Segundo o jornal alemão Deutsche Welle, as primeiras canetas esferográficas foram vendidas nos Estados Unidos por mais de oito dólares a unidade.

Conforme deslizamos a esfera sobre o papel, a gravidade força a tinta a sair. Além de funcionar como uma espécie de «pré-tampa», impedindo que o líquido seque, a ponta arredondada distribui o pigmento de forma uniforme. Apesar de tudo, as canetas às vezes teimam em não funcionar, mesmo quando ainda se vê bastante tinta no tubo.

O truque de esfregar a caneta ou aquecê-la com o isqueiro no caso de falhas tem fundamento, na opinião de Marcelo Knobel, do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): «Quanto maior a temperatura, menor a viscosidade da tinta, por isso esta tende a fluir melhor quando aquecida. Além disso, o calor expande os materiais e, portanto, ajuda a esfera a mover-se», explica.

Já a Bic não confirma a veracidade da estratégia, popularizada em vídeos e textos na Internet. «Caso a falha de uma determinada caneta se dê por tinta cristalizada ao redor da esfera, o facto de esfregar a ponta pode quebrar esses cristais e fazer com que a caneta volte a escrever. Noutros tipos de problema, o facto de esfregar não tem nenhum efeito».
O design da caneta mais famosa do mundo também traz à tona outros conceitos de física: pode não ter reparado, mas existe um pequeno orifício lateralmente que exerce uma função importante. Segundo o site internacional da Bic, este serve para igualar a pressão atmosférica dentro e fora da caneta, evitando fugas a altitudes elevadas.

«Num avião, por exemplo, a diferença de pressão poderia fazer a caneta estourar». É pelo mesmo motivo que sentimos uma dor terrível no ouvido quando a aeronave aterra e estamos constipados, ou seja, com os orifícios «entupidos».

Outro buraco que passa despercebido por muita gente é o que existe na ponta da tampa da Bic. Este, segundo a empresa, foi implementado para que o produto se adequasse às normas de segurança. No caso de alguém, sem querer, engolir a peça, o orifício garantiria a passagem de ar e impediria que sufocasse. Algo que ninguém deve testar para saber se funciona.

Fonte: DD

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