"Nunca regressarei", diz Ângela, de 19 anos, que fugiu da família para se casar com um guerrilheiro do Estado Islâmico, também ele português. Jornal holandês "De Telegraaf", que conseguiu falar com a portuguesa por telefone, retoma a história que o Expresso já contou.
"Nunca fui tão feliz", garante Ângela - ou Umm, como é conhecida na Síria. A jovem portuguesa de 19 anos que, em agosto, fugiu para a Síria para se juntar à Jihad contactou esta semana, por telefone, o jornal holandês "De Telegraaf". O que pretendia era explicar porque trocou a Holanda, o país onde vivia com a mãe e a meia-irmã, pela Jihad, na Síria.
A jovem lamenta o facto de ter fugido sem se despedir - por ter medo de ser detida pela polícia -, mas continua certa da escolha que fez. "Estou aqui pela minha fé", conta, acrescentando: "Aqui não sou alvo de olhares estranhos por causa da minha burqa".
A portuguesa garante que não odeia o local onde vivia, em Soesterbeg, nos arredores de Utrech, mas considera que os valores do islamismo se enquadram melhor nos seus. "Aqui não sou criticada por estrangeiros ou insultada. É fácil viver de acordo com o Corão e o Sunnah [depois do Alcorão, é a fonte da lei islâmica]."
Filha de um casal alentejano que emigrou para a Holanda, Ângela fugiu há poucas semanas para Menbij, no nordeste da Síria e junto à fronteira turca, para se juntar ao seu noivo, Fábio (ou Abdu), de 22 anos, português que combate no exército dos jihadistas.
"Somos tratadas como princesas", conta ao jornal holandês. "Antes, eu nunca imaginaria que este homem me trataria tão bem", acrescenta, falando do noivo - e agora marido - que conheceu pelo Facebook. À família, diz que Fábio não se alistou no exército jihadista. Contudo, como o Expresso noticiou a 30 de agosto , Fábio foi identificado pelos serviços de informação portugueses como pertencendo a uma brigada do autoproclamado Estado Islâmico, que integra apenas combatentes ocidentais.
"Nunca voltarei, nem que me ofereçam milhões"
Ângela sustenta que viver na Síria é mais seguro do que a generalidade das pessoas pensam. Garante que vive um dia-a-dia normal, prosseguindo com as aulas de Islão no país (de acordo com informações da família), estando integrada num grupo de holandeses e belgas em Menbij. Levou inclusive consigo, da Holanda, alguns ingredientes: molho de amendoim (para fazer "patatje oorlog", batatas fritas que levam também maionese, ketchup e cebola), doces holandeses e especiarias para cozinhar.
"Não ouvi uma só bomba desde que aqui cheguei", conta ao "De Telegraaf". Não foi isso, no entanto, que disse ao Expresso. "É verdade que às vezes cai uma bomba, mas não se sente medo. E se a bomba tiver escrito o nosso nome, tornamo-nos mártires, Insha'Allah."
Já a família não tem a mesma certeza, revelando a sua preocupação. A irmã mais nova apenas esta semana soube que a irmã não teria ido apenas fazer uma viagem, mas que tinha ido viver "para um país onde todos são como a Ângela". E a mãe continua a enfatizar que a "porta está sempre aberta para ela". Mas não será fácil convencê-la: "Nunca voltarei, mesmo que me ofereçam milhões", conta ao "De Telegraaf". "Estou aqui pela minha fé. Escolhi viver sob um Estado Islâmico."
Fonte: Expresso
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