| Marissa Mayer, diretora executiva da Yahoo!, acompanhada pelo marido, Zach Bogue |
O gigante da Internet Yahoo disse, esta quinta-feira, ter recebido "ameaças" por parte da administração norte-americana para cooperar e entregar os dados do utilizadores no âmbito do programa de vigilância PRISM da Agência de Segurança Nacional.
"Tivemos que lutar a cada passo para evitar as tentativas de vigilância por parte do Governo dos Estados Unidos. A determinado momento, o Governo ameaçou impor-nos uma multa diária de 250 mil dólares (193 mil euros) se recusássemos obedecer", escreveu o chefe de Assuntos Jurídicos da Yahoo, Ron Bell, no blogue da empresa.
Os factos remontam a 2007, quando a Administração norte-americana alterou uma lei para poder solicitar informação sobre os utilizadores dos serviços "online", um pedido que a Yahoo considerou "inconstitucional", pelo se negou a fornecer as informações e recorreu ao tribunal especial incumbido de avaliar os pedidos de escutas feitos pelas agências de serviços secretos envolvendo cidadãos estrangeiros suspeitos de espionagem ou terrorismo (Foreign Intelligence Surveillance Court - FISC).
A Yahoo, que durante esse período diz ter recebido "ameaças" por parte da administração norte-americana, perdeu o caso e viu-se obrigada a partilhar os dados pedidos. Contudo, de acordo com Ron Bell, concentrou esforços para fazer com que o arquivo do caso fosse desclassificado, de modo a que os holofotes se voltassem para a investigação às pressões exercidas pelo Governo, o que finalmente acabaria por conseguir.
Segundo Bell, o FISC já tirou o carimbo de informação "classificada" das 1500 páginas sobre o caso, estando a Yahoo a trabalhar para que estas passem a estar disponíveis para consulta pública.
O programa PRISM da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla original), cuja existência foi conhecida com as revelações do ex-analista da agência Edward Snowden em 2013, prevê que as empresas tecnológicas sejam obrigadas a partilhar com o Governo informações sobre os seus utilizadores.
Além da Yahoo, outros gigantes norte-americanos facultaram informação à NSA no âmbito do PRISM, incluindo a Google, o Facebook, a Apple, o AOL e a Microsoft.
"Levamos a segurança pública muito sério, mas também estamos comprometidos com a proteção dos dados dos nossos utilizadores. Continuaremos a enfrentar aqueles pedidos e leis que consideramos ilegais, pouco claras ou exageradas", concluiu Bell.
Fonte: JN
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