sábado, 11 de novembro de 2017

Cientistas testam micróbios, cavernas e dragões de Komodo para evitar o “apocalipse dos antibióticos”


A batalha dos cientistas contra as bactérias super-resistentes, face à crescente ineficácia dos antibióticos existentes, vira-se para fontes inusitadas, como os dragões de Komodo ou as formigas cortadeiras da Amazónia.

Nos últimos anos, tem aumentado o número de casos de bactérias super-resistentes, bem como a incapacidade de os antibióticos responderem com sucesso a esses casos.

Uma realidade a que não é alheio o excesso de uso deste tipo de medicamentos, de tal forma que a Direcção Geral de Saúde e o Infarmed já alertaram os portugueses para tomarem menos antibióticos.

Os cientistas procuram resolver o dilema, apostando em novas fontes na tentativa da criação de novos antibióticos, tirando partido das tecnologias mais avançadas.

Assim, há investigadores a testar micróbios retirados de cavernas e do sangue de dragões de Komodo, explica à BBC o bacteriologista Tim Jinks, especialista em infecções resistentes a medicamentos da Wellcome Trust, organização norte-americana que apoia o desenvolvimento de antibióticos.

Segundo estes cientistas temerários, com efeito, os dragões que vivem na ilha de Komodo poderão ter no sangue uma substância que pode tratar infecções.

Outra fonte de pesquisa são as formigas cortadeiras da Amazónia, refere Jinks, notando que “é fácil encontrar agentes químicos que matam bactérias”. “O desafio maior é descobrir e desenvolver substâncias que não sejam tóxicas para os seres humanos”, constata.

Desinvestimento das farmacêuticas

O especialista realça que o processo de desenvolvimento de um antibiótico pode levar “de 10 a 20 anos”, desde o “momento da descoberta até à obtenção do medicamento”. Ora, o processo requer um elevado financiamento e uma longa espera, pelo que não se apresenta interessante para a indústria farmacêutica.

Este cenário leva a uma carência de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sublinha Jenkins, lembrando que se passaram “décadas sem que novas classes de antibióticos fossem criadas”.

Recentemente, foi notícia que cientistas estão a tentar produzir medicamentos em ovos de galinhas geneticamente modificadas, através da técnica CRISPR, que permite a edição de genes, com o intuito de os tornar mais baratos para os doentes.

Assim, o sangue de dragões de Komodo ou formigas não soam alternativas assim tão estranhas – sobretudo se considerarmos que o objectivo é combater um eventual “apocalipse dos antibióticos”, um possível cenário num futuro próximo, em que “não haja antibióticos eficazes”, admite Jenkins.

Mais mortes do que o cancro em 2050

“Bactérias mortais resistentes à penicilina – ou aos mais de cem antibióticos desenvolvidos nos últimos 90 anos – são responsáveis pela morte de 700 mil pessoas anualmente. Se nada mudar, o número de óbitos pode chegar a 10 milhões por ano até 2050“, alerta o especialista da Wellcome Trust.

“As bactérias super-resistentes podem causar mais mortes do que o cancro em 2050, – se nada for feito”, reforça Tim Jinks.

“O mais preocupante”, diz Jinks, é que “desde 1962 que não há nenhuma descobertade classes de antibióticos para combater as super-bactérias resistentes do tipo gram-negativas”, que provocam doenças tão graves como a pneumonia ou infecções sanguíneas.

Há, por outro lado, casos crescentes de bactérias multiresistentes em doenças como gonorreia ou simples intoxicações alimentares.

Tudo isto exige “um esforço conjunto da indústria e dos governos para avançar nos testes de medicamentos promissores” e para os colocar rapidamente no mercado, conclui Jenkins.

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