segunda-feira, 28 de maio de 2018

Um único fóssil pode ter mudado tudo o que sabemos sobre a Pangeia

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O fóssil de um pequeno mamífero com quase 130 milhões de anos pode ter revelado que a divisão do super-continente Pangeia pode ter acontecido mais lentamente do que os cientistas pensavam.

O crânio do pequeno mamífero com quase 130 milhões de anos, encontrado no Utah, nos Estados Unidos, revelou um novo grupo de mamíferos semelhantes aos répteis que existiram na América do Norte, avança o Science Alert.

“Tendo em conta a improvável descoberta deste crânio quase completo, agora reconhecemos um novo grupo cosmopolita de parentes de mamíferos primitivos”, afirma Adam Huttenlocker, autor do estudo e investigador na Universidade do Sul da Califórnia.

A nova espécie foi batizada de Cifelliodon wahkarmoosuch em honra do famoso paleontólogo norte-americano Richard Cifelli e da palavra da tribo Ute para “gato amarelo”.

Os investigadores estimam que esta espécie pesava cerca de um quilo e tinha provavelmente o tamanho de uma lebre, o que na altura era considerado um “gigante”, e tinha dentes parecidos com os dos morcegos.

Os gigantes bulbos olfatórios indicam que o animal tinha um grande olfato mas as pequenas cavidades no crânio onde se encontravam os olhos mostram que não tinha uma boa visão nem conseguia distinguir as cores. Possivelmente, era um animal noturno e dependia do sentido do olfato para encontrar comida, explica Huttenlocker.

“O crânio é uma descoberta extremamente rara numa vasta região com fósseis do interior ocidental, onde as mais de 150 espécies de mamíferos e percursores de mamíferos similares a répteis estão representados sobretudo por dentes e maxilas isoladas”, explica o paleontólogo e coautor do estudo James Kirkland.

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Cifelliodon wahkarmoosuch

Os investigadores colocaram esta espécie dentro de um grupo chamado Haramiyida. A maioria dos fósseis deste grupo pertenciam ao período Triássico e Jurássico da Europa, Gronelândia e Ásia. Mas este é o primeiro encontrado na América do Norte.

Assim, o fóssil agora descoberto enfatiza que estes ‘haramiyidans’ e alguns outros grupos de vertebrados existiram globalmente durante a transição do Jurássico-Cretácico, o que significa que os corredores para a migração através das massas terrestres do chamado super-continente Pangeia permaneceram intactos no Cretácico Inferior.

Da Pangea ao presente, passando por Gondwana

“Durante muito tempo, pensámos que os primeiros mamíferos do Cretácico (entre 145 e 66 milhões de anos atrás) eram anatomicamente similares e não ecologicamente diversos”, explica Huttenlocker.

“Esta descoberta e outras reforçam a teoria de que, mesmo antes do surgimento dos mamíferos modernos, os seus parentes antigos exploravam nichos especializados: insetívoros, herbívoros, carnívoros, nadadores e planadores. Basicamente, ocupavam uma variedade de nichos que vemos que ocupam nos dias de hoje”.

De acordo com as teorias iniciais, Pangeia começou a dividir-se há cerca de 225 a 200 milhões de anos.

O novo estudo, publicado na revista Nature, sugere que a divisão deste super-continente demorou cerca de 15 milhões de anos a mais do que se pensava.

Fonte: ZAP

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