quarta-feira, 29 de agosto de 2018

ARQUIVO OVNI: Balão meteorológico (?) na origem de um relatório histórico

Base das Lajes 1943/1946
Um primeiro caso de observação aérea «anómala», protagonizada por pessoal da USAF nos Açores, remonta a 31 de outubro de 1948 e o respetivo relatório oficial foi endereçado a vários organismos, como a base aérea de Wright Patterson, Instalaria no Oblo, quartel-general do Comando de Material da Força Aérea e uma das mais complexas da história daquela arma. A sua história está ligada ao desenvolvimento de testes aeronáuticos, desde os irmãos Wright à era espacial. 

(…) 

O aludido relatório da base açoriana, dando conta deste primeiro «incidente» notificado no arquipélago, se­guiu assim o circuito institucional estabelecido já à época, ou seja, as instâncias das «secretas» militares, como os serviços de Inteligência da USAF, em Washington, D. C., e outros departamentos ligados ao estudo das tecnologias aeronáuticas de ponta, como Wright Parterson. 

O ofício faz referência à diretiva do estado-maior da USAF, de 6 de fevereiro de 1948, sobre os flying discs (discos voadores), e reúne as declarações, recolhi­das a 5 de novembro, de três testemunhas, todas elas militares norte-americanos da base das Lajes: 

«O sargento Joseph J. Barnett disse ter visto, no dia 31 de outubro, cerca das 02h30 “um objeto cir­cular achatado, deslocando-se em movimentos ondula­tórios rumo a norte a uma velocidade aproximada de 250 quilómetros/hora”. O objeto era amarelo-pálido ou alaranjado diferente da luz azulada esbranquiçada das estrelas, mantendo a altitude até desaparecer atrás das nuvens». Barnett observou o objeto entre três e cinco minutos. Mão foi detetado nenhum rasto de vapor nem ouvido qualquer som. 

O soldado Robert R. Anderson, por sua vez, afirmou ter sido o sargento Barnett a chamar-lhe a atenção para um objeto que ele descreveu como circular, de cor laranja e que lhe pareceu maior do que uma estrela movendo-se para norte a uma altitude de 600 a 900 metros acima das nuvens. O objeto balançou-se para trás e depois para diante na mesma direção mantendo a velocidade até desa­parecer atrás de uma nuvem. Para a terceira testemunha, o soldado Theodor Fias o objeto assemelhava-se a «uma lâmpada movendo-se para cima e para a frente a uma velocidade estimada de 50 quilómetros/hora. Era branco com manchas amareladas e manteve a altitude inicial». 

Em suma, na opinião da USAF, o objeto avistado teria sido um balão meteorológico que refletiu a sua pró­pria luz. Os registos da Meteorologia dessa data revela­ram que um engenho desse tipo havia sido lançado no dia 31 de outubro, cerca das 22h50. O relatório mostra­va ainda as condições atmosféricas, a visibilidade e a direção dos ventos, fracos de sudoeste. 

Base das Lajes 1960
Mais do que a explicação deste caso — solução plausível —, a referência ao seu tratamento pretende tão só ilustrar as atitudes protocolares por parte das autori­dades militares dos EUA, instaladas nos Açores, perante potenciais ameaças ao seu controlo do tráfego aéreo Atlântico. O alcance destas reações deverá ser sempre avaliado no quadro da conjuntura político-estratégica das décadas de 1950 e 1960, no auge da Guerra Fria.

Fonte: Livro Ficheiros Secretos à Portuguesa, de Joaquim Fernandes

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