sábado, 6 de julho de 2019

As baratas estão a tornar-se “quase impossíveis” de matar


As baratas estão cada vez mais resistentes aos inseticidas. Um estudo recente sugere que estes animais podem desenvolver resistência dentro de uma única geração.

As baratas-germânicas (Blattella germanica), comuns nas áreas urbanas e rurais, estão a evoluir de tal forma que se estão a tornar cada vez mais resistentes a inseticidas e produtos químicos aos quais nunca foram expostas, tornando-se quase impossíveis de matar.

Num artigo científico, recentemente publicado na Scientific Reports, os cientistas concluíram que a Blattella germanica evoluiu e desenvolveu imunidade a novos venenos. Segundo os especialistas, estas pragas podem mesmo desenvolver resistência dentro de uma única geração.

Além disso, estes insetos desenvolveram resistência cruzada, o que significa que ganharam tolerância a uma substância geralmente tóxica apenas por meio de contacto com um tipo semelhante de inseticida.

“Não fazíamos ideia de que algo assim poderia acontecer tão rápido”, disse em comunicado o co-autor do estudo, Michael Scharf, do Departamento de Entomologia da Universidade Purdue, nos Estados Unidos. “Em apenas uma geração, a resistência pode aumentar quatro a seis vezes”.

“Baratas que desenvolvem resistência a múltiplas classes de inseticidas de uma só vez vão tornar o controlo das pragas quase impossível, se usarmos apenas produtos químicos”, completou ainda o especialista, citado pelo IFL Science.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas testaram diferentes tratamentos com três inseticidas: abamectina, ácido bórico e tiametoxam. Numa primeira experiência, os investigadores intercalaram três inseticidas diferentes durante três meses. Chegado ao fim o primeiro trimestre, repetiram a ordem durante mais três meses.

Na segunda experiência, usaram dois inseticidas de classes diferentes durante seis meses e, na última experiência, escolheram minuciosamente um inseticida para o qual as baratas tinham baixa resistência inicial.

Independentemente do químico usado, os investigadores não conseguiram reduzir o tamanho da população de baratas. Aliás, no tratamento no qual usaram um único inseticida, as populações cresceram cerca de 10%, à medida que os animais começaram a desenvolver resistência.

Com dois inseticidas, as populações de baratas aumentaram, enquanto que no tratamento com três frentes os cientistas conseguiram manter o número de baratas, sempre incapazes de o reduzir.

Depois, em laboratório, a equipa responsável pela investigação confirmou as suas suspeitas: uma parte considerável das baratas e dos seus descendentes tornaram-seimunes a uma classe particular de inseticidas.

As baratas têm um ciclo reprodutivo de três meses, durante o qual podem ter até 50 descendentes. Os cálculos da equipa sugerem que se uma pequena percentagem de insetos for resistente a um inseticida, uma população pode crescer em poucos meses.

Não é por acaso que esta espécie de inseto é odiada pela maioria das pessoas. As baratas são portadoras de dezenas de patogénicos, como E. coli e salmonela, assim como alergénios, que provocam asma. Como vivem exclusivamente em ambientes humanos, correm o risco de serem vetores de doenças.

O mais recente estudo sugere, por isso, que os humanos devem ser sábios o suficiente para contornar os perigos de uma praga de baratas, combinando tratamentos químicos com armadilhas, melhorando o saneamento e não dependendo apenas de inseticidas.

“Baratas que desenvolvem resistência a múltiplas classes de inseticidas de uma só vez vão tornar o controlo de pragas quase impossível apenas com produtos químicos”, rematou Scharf.

Fonte: ZAP

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