segunda-feira, 15 de julho de 2019

Manuscrito cristão mais antigo do mundo é descoberto na Suíça


A carta P.Bas. 2.43, escrita por um membro da elite provincial romana, é 40-50 anos mais antiga que os outros textos cristãos conhecidos.

Um dos papiros da colecção da Universidade de Basileia (Suíça) é o manuscrito cristão mais antigo que se conhece, afirmou essa entidade num comunicado com referência a uma monografia escrita este mês pela professora de História Antiga Sabine Huebner.

Trata-se de um papiro que provém do povoado de Theadephia, localizado no centro de Egipto. Ele contém uma carta escrita por Arrianus, membro da elite provincial romana, ao seu irmão Paulus na qual ele conta como vão as coisas na sua família e pede para lhe enviar um bom molho de peixe.

O que chamou a atenção dos investigadores é a forma de expressão que aparece na última linha do texto: "Rezo ao Senhor para que tudo esteja bem contigo."
"O uso desta abreviatura, conhecida neste contexto como "nomen sacrum", não deixa lugar para dúvidas sobre as crenças cristãs do remetente. É uma forma exclusivamente cristã que se conhece dos manuscritos do Novo Testamento", explicou Huebner.

Para além disso, a professora pensa que o nome do destinatário é "extremamente raro" para aquela época, indicando que os pais de Arrianus e Paulus, fazendeiros e funcionários públicos, também seriam cristãos.

De acordo com o comunicado, o manuscrito contraria o conceito de acordo com o qual os primeiros cristãos "eram retratados como excêntricos que se refugiavam do mundo e eram ameaçados por perseguição". Pelo contrário, mostra que algumas famílias cristãs ocupavam cargos importantes na província romana de Egipto já no início do século III d.C.

Uma análise meticulosa do documento permitiu a Huebner afirmar o texto teria sido elaborado na década de 230, se tornando assim no manuscrito conhecido mais antigo escrito por um cristão. De facto, o papiro é 40 a 50 anos mais antigo que o resto das cartas cristãs conhecidas, indica o mesmo comunicado.

O P.Bas. 2.43 é guardado na Universidade de Basileia junto com outros 64 papiros egípcios. Ele faz parte do chamado ‘arquivo Heroninos’, um dos maiores desta época, que contém cerca de 1.000 papiros.

Fonte: Sputnik News

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