quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Pelo menos 170 planetas 'rebeldes' são descobertos vagando em nossa galáxia


Um grupo de cientistas da Universidade de Burdeos detectou até 170 exoplanetas errantes numa região de formação estelar na Via-Láctea, localizada a 420 anos-luz de distância, nas constelações de Escorpião e Ophiuchus.

Estes planetas "rebeldes" que vagam livremente por conta própria são difíceis de serem observados devido à falta de uma estrela-mãe que os ilumine.

Por este motivo, os pesquisadores afirmam ter identificado pelo menos 70, porém, poderia se tratar de até 170 objetos do tamanho de Júpiter, considerado o maior número já descoberto de uma vez.

Os astrónomos não conseguiram precisar no seu estudo, publicado na revista Nature, o número exato devido às incertezas relacionadas com a suposta idade da região e a massa dos objetos.
Entre 70 e 170 planetas flutuando livremente (vagantes) foram descobertos numa associação estelar próxima ao Sol, muito mais do que o esperado. Núria Miret-Roig.

No estudo foram utilizados quase 20 anos de dados astronómicos, que acumulam 80 mil imagens de campo amplo de diversos grandes observatórios, para medir a luz de todos os membros da associação numa ampla gama de longitudes de ondas ópticas e de infravermelho próximo, combinando estes dados com medições de como parecem se mover pelo céu.

"É um desafio, pois se trata de dados muito grandes: tivemos de lidar com bilhões de detecções", comentou Hervé Bouy, astrónomo do Laboratório de Astrofísica de Burdeos e líder da pesquisa.

A técnica utilizada para este estudo foi de grande ajuda, já que os métodos tradicionais de detecção de exoplanetas rebeldes com microlente dependem dos alinhamentos casuais entre o objeto e uma estrela de fundo não relacionada.

O problema das microlentes é que tendem a captar eventos únicos, o que pode fazer com que o planeta rebelde não seja visto novamente.

No entanto, a equipa de cientistas recorreu a câmaras de grandes telescópios supondo que alguns destes exoplanetas, ao terem se formado há apenas alguns milhões de anos, ainda estão suficientemente quentes para brilhar e podem ser sensíveis às lentes destas câmaras.

"Medimos os pequenos movimentos, as cores e as luminosidades de dezenas de milhões de fontes numa grande zona do céu [...]. Estas medições permitiram-nos identificar com segurança os objetos mais débeis desta região", explicou Miret-Roig, astrónoma da Universidade de Burdeos e coautora do estudo.

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