Uma equipa de astrónomos encontrou, pela primeira vez, um tipo de estrela gigante vermelha que sofreu uma dramática perda de peso.
Os astrónomos já suspeitavam da existência de gigantes vermelhas – estrelas no fim do ciclo de evolução estelar – “em miniatura” e, recentemente, conseguiram confirmar a sua existência.
“Fomos extremamente sortudos em encontrar cerca de 40 gigantes vermelhas ‘em miniatura’, escondidas num mar de estrelas normais”, disse Yaguang Li, autor principal do estudo, citado pelo EurekAlert.
A equipa da Universidade de Sidney conseguiu este feito depois de ter analisado dados de arquivo do telescópio espacial Kepler, que deixou de estar em funcionamento em 2018.
Durante o seu período de operação, o observatório ficou apontado para a constelação Cygnus, recolhendo medidas da variação de brilho em dezenas de milhares de estrelas gigantes vermelhas.
Para determinar as propriedades, os autores trabalharam com a asterosismologia, o estudo das vibrações estelares. As ondas de rádio revelam informações que vão além da temperatura da superfície e luminosidade das estrelas.
“As ondas penetram o interior estelar e dão-nos informações sobre outra dimensão”, explicou Li, acrescentando que a equipa conseguiu, assim, determinar as etapas evolutivas, massas e tamanho das estrelas. Contudo, durante a investigação, encontraram algo estranho: duas delas eram de tipos diferentes do comum.
Um desses tipos incluía gigantes vermelhas com até 0,7 massa solar. Considerando o tamanho típico de uma gigante vermelha, que pode chegar a 8 massas solares, os cientistas acreditam haver duas possíveis explicações para este reduzido tamanho: a gradual perda de massa (que seria impossível, já que o processo levaria muito tempo), ou um vizinho (provavelmente, uma anã branca) a roubar a massa da vizinha.
Já o segundo tipo identificado envolvia estrelas com massa e brilho menores do que o apresentado pelos modelos dos cientistas.
Estas estrelas são extremamente raras (só foram encontradas sete) e a falta de explicação para a perda de massa por processos físicos normais levou os astrónomos a concluir que deve haver alguma companhia oculta a roubar a massa das estrelas.
O artigo científico foi publicado, no dia 14 de abril, na Nature Astronomy.
Fonte: ZAP

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