Há teorias de conspiração para tudo. Há quem acredite que o homem nunca esteve na Lua e que foi Stanley Kubrick quem filmou os vídeos das missões Apollo. Mas também há quem defenda que não só andámos na Lua como trouxemos provas da existência de bases alienígenas. Em que é que ficamos?
Faça a experiência. Abra o Google e escreva: "Nunca fomos à Lua." Em 0,32 segundos o motor de busca apresenta quase 3 milhões (2 840 000) de resultados. Agora tire o nunca. "Fomos à Lua." Apenas 774 mil. Não pretendendo ser um estudo científico, esta experiência mostra apenas que na internet é mais fácil encontrar teorias da conspiração do que informação sobre as missões Apollo (credibilidade à parte, claro). Depois de muito navegar por fóruns obscuros, fizemos uma lista dos principais argumentos usados pelos apologistas da fraude.
A bandeira americana balouça ao vento
A teoria da conspiração Na Lua não há vento, ok? E durante a transmissão televisiva da missão Apollo 11, quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin plantam a bandeira americana, ela balouça ao sabor do vento. Quem é que a NASA quer enganar?
A explicação da NASA Ilusão óptica. A aparência enrugada da bandeira - que foi muito bem embrulhada até chegar à Lua -, associada às sombras visíveis nas imagens, cria a ilusão de que a bandeira se mexe, o que não é verdade. Se se sobrepuser uma série de fotografias, vê--se que a bandeira está imóvel.
Sombras em todas as direcções
A teoria da conspiração À Lua, a única luz que chega é a do Sol. Logo, as sombras deviam ser todas paralelas. E o que não falta são imagens de sobra com ângulos diferentes. Se isto não é obra de vários holofotes num estúdio, é o quê?
A explicação da NASA O solo na Lua é irregular, o que causa deformações nas sombras projectadas, tal como aconteceria numa montanha cheia de neve. As lentes usadas, grandes angulares, também causam distorções. Tão simples quanto isso.
Céu sem estrelas
A teoria da conspiração Onde é que estão as estrelas? Se não há nuvens na Lua - porque não tem atmosfera -, então as estrelas são sempre visíveis. Como é que em todos os vídeos e todas as imagens não há uma estrela sequer para amostra?
A explicação da NASA As câmaras estavam preparadas para exposição de luz do dia e nunca conseguiriam registar pontos tão fracos de luz. Mesmo as mais brilhantes são difíceis de ver durante o dia lunar. E lembrem-se que os próprios Armstrong e Aldrin disseram numa conferência de imprensa que, de facto, não se lembravam de ver estrelas enquanto estiveram na superfície da Lua. E, convenhamos, acham mesmo que nos esqueceríamos de um pormenor tão importante como pôr estrelas no céu se estivéssemos a falsificar fotos?
Falta de cratera onde o módulo lunar pousou
A teoria da conspiração Se a Águia tivesse mesmo pousado, haveria uma cratera no local onde alunou. Nas imagens, o módulo lunar parece ter sido ali colocado com cuidado. Em contrapartida, as pegadas dos astronautas vêem-se claramente.
A explicação da NASA Há várias explicações possíveis. Na Lua, devido à baixa gravidade, o módulo lunar precisaria de muito menos impulso do que na Terra e o seu peso também seria muito menor lá em cima do que cá em baixo. Por outro lado, a superfície é de rocha sólida e dificilmente a alunagem deixaria uma cratera, da mesma forma que quando um avião aterra não deixa buracos nas pistas dos aeroportos.
A pedra com um C
A teoria da conspiração Uma pedra com um C desenhado? Parece óbvio que era um adereço e que alguém se esqueceu de deixar a marca virada para baixo quando preparou o cenário.
A explicação da NASA Pode ser de facto uma fraude. Um engraçadinho, durante a revelação dos filmes, terá acrescentado o C como piada. Mas também pode ser simplesmente um cabelo, ou outro tipo de impureza, que se colou a algum sítio durante o processo de revelação e deixou a marca na fotografia.
As miras nas fotos
A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO Como é que a bandeira americana, um rover lunar e outros objectos aparecem debaixo das miras técnicas? Claro que, se as fotografias foram editadas em estúdio, um técnico mais distraído pode ter-se esquecido deste pormenor.
A EXPLICAÇÃO DA NASA Se íamos criar fotos da Lua para que é que íamos precisar das miras? Elas serviam para ajudar os astronautas com as escalas e as direcções. O que acontece é que a sobreexposição fez com que alguns objectos brancos vazassem para as áreas escuras do filme. Também aparecem algumas cruzes e miras tortas, mas isso é porque as imagens sofreram rotações e cortes para respeitar critérios estéticos.
Os fundos iguais
A teoria da conspiração Fotografias que foram tiradas alegadamente a milhas de distância quando sobrepostas têm um fundo exactamente igual. Parece que a NASA quis poupar dinheiro quando desenhou os cenários.
A explicação da NASA As imagens não eram iguais, apenas parecidas. Em muitas fotos vêem-se montanhas no fundo, que estão a muitos quilómetros de distância. Como não há atmosfera para escurecer os objectos distantes, torna-se difícil perceber a distância e a escala dos acidentes geográficos.
Alienígenas na lua? A sério?
Buzz Aldrin e Gene Cernan, astronautas da Apollo 11 e da Apollo 17, a primeira e a última missões tripuladas a irem à Lua, tiveram encontros imediatos de terceiro grau. Será? A revelação de Aldrin é antiga e, no início deste mês, o astronauta voltou à carga. “Vi uma luz pela janela [da Apollo 11] que parecia mover-se na nossa direcção”, contou numa entrevista ao “The Telegraph”. “Há muitas explicações possíveis. Pode ter sido o foguetão de que nos separámos ou até os quatro painéis que se moveram quando retirámos a sonda espacial do foguetão.” No caso de Cernan, há um vídeo no YouTube do momento em que ele vê um objecto voador não identificado. O áudio não mente e mostra bem a surpresa do astronauta ao ver algo surpreendente no céu. As comunicações entre ele e Houston foram usadas pelos Daft Punk no início do seu videoclip “Contact”. Em 2013, um vídeo captado pela sonda chinesa Changé-2 também revela o que parecem ser as ruínas de uma base alienígena. Mas, tal como em tantas outras imagens, a explicação pode ser a mais simples: os nossos olhos vêem aquilo que querem ver.
As provas de que estivemos na Lua
Rochas lunares
As seis missões tripuladas do programa Apollo trouxeram da Lua 382 quilos de rochas lunares. As missões não tripuladas soviéticas Luna, 326 gramas. A diferença é abissal e mostra, só pela quantidade, que seria impossível trazê-las para a Terra só com missões robóticas. A tecnologia actual permite transportar cerca de 150 gramas de cada vez, o que equivaleria a mais de 3 mil idas à Lua para conseguir uma quantidade equivalente à que a NASA tem armazenada. Além disso, há rochas lunares que pesam vários quilos, impossíveis de transportar numa sonda. Mas há mais: as amostras americanas e soviéticas não têm vestígios de humidade, o que significa que não foram expostas à nossa atmosfera. Se fossem fragmentos de meteoritos caídos em terra ou no mar, não só estariam contaminadas por gases e humidade, como teriam de apresentar uma crosta queimada, resultado das altas temperaturas a que seriam submetidas ao entrar na nossa atmosfera.
Os espelhos retroreflectores
Quem gosta da “Teoria do Big Bang”, já viu os físicos, protagonistas da série de comédia, fazerem a experiência no topo de um edifício norte-americano. Sheldon, Raj, Howard e Leonard apontam um laser à Lua. Ele atinge os espelhos retroreflectores deixados pela Apollo 11 e a estrutura prateada – um grande painel de dois metros cravejado com 100 espelhos apontados para a Terra – envia o laser de volta. O telescópio que envia o sinal recebe-o de volta e está provado que o homem andou na Lua. Apesar de ser ficção, na vida real o modus operandi é exactamente este. E esta é a única experiência científica do programa Apollo ainda a decorrer e que permite, com tremenda precisão, calcular a distância exacta entre a Terra e a Lua.
Com João Paulo Rego
Com João Paulo Rego
Fonte: Jornali
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