Os zombies estão na cultura popular há bastante tempo. Nas últimas décadas, o conceito de um morto que volta misteriosamente à vida para devorar as pessoas propagou-se por praticamente todas as formas de media que existem – cinema, televisão, jogos, livros, entre outros. Uma característica que se tornou sinónimo de zombie é a aparente necessidade de se alimentar do cérebro de pessoas vivas. Mas por que é que esta ideia está tão intrinsecamente ligada a esses seres, e de onde é que vem?
Parecia fácil responder esta questão, já que todos os filmes/livros/programas de televisão que envolvem zombies têm em comum exatamente o mesmo ponto de partida: a obra-prima de George A. Romero, «A Noite dos Mortos-Vivos». É verdade que os zombies já apareciam em várias formas de arte e entretenimento antes do lançamento deste filme em 1968, mas mesmo assim a obra de Romero é amplamente considerada como a responsável por apresentar o conceito moderno de zimbie ao mundo, e quase todas as formas mediáticas que envolvem estes seres baseiam-se naquele filme.
Apesar de Romero ser lembrado como a fonte inspiradora dos zombies desengonçados que comem carne humana, estes seres na verdade não comem cérebros em nenhum dos seis filmes de Romero sobre o tema. O próprio realizador não tem a menor ideia de onde é que essa ideia surgiu. Inclusive, numa entrevista à Vanity Fair em 2010, Romero falou sobre o assunto sem rodeios: «Quando eu dou autógrafos, as pessoas pedem-me para escrever ‘Comendo cérebros’! Eu não sei o que isso quer dizer. Eu nunca fiz um zombie comer cérebros. Mas isso tornou-se numa espécie de referência.»
Romero explicou que os seus zombies comiam carne humana, mas ele diz que nunca parou para pensar no motivo pelo qual eles fazem isso, e até fez uma piada a explorar a ideia de se, como ele mesmo falou, «eles [os zombies] fazem cocó?».
Em 1985, bem depois do filme de Romero, foi lançado «A Volta dos Mortos-Vivos» nos cinemas. Este filme foi responsável por popularizar a ideia de zombies que comem cérebros: eles até dizem «Mioooolos» enquanto andam.
O título parece indicar que este filme também foi feito por Romero, mas na verdade não teve qualquer envolvimento dele. Depois do lançamento de «A Noite dos Mortos-Vivos», em 1968, Romero e o co-autor John Russo separaram-se, mas fizeram um acordo: Russo ficaria com os direitos sobre o sufixo «Mortos-Vivos», enquanto Romero aceitaria usar «dos Mortos» nos próximos títulos.
Russo colaborou com a criação do «A Noite dos Mortos-Vivos», mas «A Volta dos Mortos-Vivos» não é considerada parte da série «dos Mortos» oficial, pois há muitas discrepâncias entre os zombies de ambos os filmes. Enquanto os zombies dos filmes de Romero podem ser «mortos», de certa maneira, destruindo o cérebro, os de Russo são efetivamente imortais, sobrevivendo mesmo depois de serem decapitados ou queimados.
Mas por é que os zombies se alimentam de cérebros? O mais perto que chegamos de uma explicação oficial é uma citação do argumentista e realizador de «A Volta dos Mortos-Vivos», Dan O’Bannon. Ele sugere que os zombies sentiam a necessidade de se alimentar de cérebros de vivos porque, de alguma forma, isto fá-los-ia se sentir melhor, diminuindo as dores os seus corpos em decomposição.
Fãs ávidos do género tentaram desenvolver esta explicação, afirmando que os zombies comem cérebros e vísceras pelos seus elevados níveis de serotonina – uma substância que age no cérebro e ajuda a melhorar o humor, quase como uma droga. Os comentários oficiais sobre o filme fazem alusão a isso, mas não chegam a confirmar esta teoria.
Fonte: DD
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