sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Pela primeira vez, uma população inteira foi eliminada por edição de ADN


Portadores de doenças como o dengue e a malária, os mosquitos são a causa de milhões de mortes todos os anos. Uma investigação conseguiu exterminar uma população destes insetos através da manipulação genética.

A nova investigação publicada a 24 de setembro na revista “Nature Biotechnology”, mostrou que a partir de uma técnica de engenharia genética conhecida como gene drive, os mosquitos podem ser coisa do passado.

Isto, claro, se a comunidade científica estiver disposta a alterar, permanentemente o nosso ecossistema. Através do gene drive, os investigadores introduziram uma alteração no organismo do mosquito que, em seguida, se propaga para os descendentes.

Usando esta técnica de manipulação genética, os pesquisadores do Imperial College London exterminaram uma população aprisionada de Anopheles gambie, uma espécie de mosquito portador do vírus da malária na África subsariana. No estudo, os investigadores utilizaram o CRISPR para modificar o gene responsável pela determinação do sexo em 150 mosquitos macho.

A alteração tornou o sexo masculino predominante e a ideia seria impedir a população de mosquitos de criar fêmeas, o que levaria ao colapso da espécie.

Os investigadores introduziram estes 150 mosquitos alterados na população de 450 machos e fêmeas para que se reproduzissem em conjunto. A modificação genética funcionou, produzindo gerações subsequentes de fêmeas que apresentavam características masculinas ao não conseguirem morder e pôr ovos.

A partir da oitava geração da população, nenhum fêmea nasceu, pondo fim a esta era de mosquitos aprisionados no laboratório. Esta foi a primeira vez que cientistas viram uma modificação genética exterminar por completo uma população inteira.

Contudo, para se descobrir se esta modificação genética causaria ou não efeitos colaterais indesejados, seria necessário fazer a experiência fora do ambiente controlado que o laboratório propicia. E, segundo Andrea Crisanti, a principal investigadora da pesquisa, tal ação só será possível daqui a cinco ou dez anos.

Fonte: ZAP

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