terça-feira, 4 de junho de 2019

Cientistas argentinos encontram na Antárctida restos de 'parente de Nessie'


Um grupo de paleontólogos argentinos descobriu os restos do que seria até agora o elasmossauro "mais pesado do mundo", um exemplar extinto pertencente a uma família de enormes répteis marinhos que habitavam a Terra pouco antes da extinção em massa dos dinossauros.

José O'Gorman, da Universidade Nacional de La Plata e o autor principal da investigação, afirmou à agência CTyS, que a recuperação dos segmentos ósseos foi possível depois de décadas de sucessivas campanhas do Instituto Antárctico Argentino e do Museu de La Plata (MLP) na ilha de Seymour, localizada no extremo norte da península Antárctida. As escavações terminaram em 2017, porém, os resultados só foram publicados há pouco na revista Cretaceous Research.
Fósseis de réptil gigante foram encontrados na Antárctida. Com uma massa corporal maior que 12 toneladas, isso duplica em tamanho a maioria dos répteis de sua família conhecidos até agora

De acordo com o paleontólogo, foram achadas partes da coluna vertebral, barbatanas dianteiras e traseiras, além de vários elementos da cintura escapular.

Estima-se que o elasmossauro encontrado medisse entre 11 e 12 metros e pesasse entre 10 e 13 toneladas. "É nitidamente maior que os que conhecíamos até agora e que pesavam entre cinco e seis toneladas", detalhou.

Especialistas analisaram a dieta do bicho e descobriram uma possível causa do seu enorme tamanho. Com base nas evidências existentes sobre os aristonectinos – uma subfamília com o pescoço mais curto, as vértebras mais robustas e o crânio maior – é possível que os elasmossauros abrissem a boca para caçar num único movimento a maior quantidade possível de pequenos animais, de uma forma semelhante à das baleias.

"As baleias aproveitam uma rugosidade que têm no palato para pegar micropláncton, enquanto consideramos que os aristonectinos usavam sua bateria de dentes como uma espécie de armadilha, em que ficava presa uma grande quantidade de animais, e expulsavam a água", explicou O'Gorman.

Marcelo Reguero, investigador do Instituto Antárctico Argentino e do MLP, afirmou que o achado é datado possivelmente do final da era do Cretáceo, marcada pela extinção de muitas espécies, há aproximadamente 65 milhões de anos. O'Gorman destacou que este exemplar pode ter vivido "há uns 30.000 anos", período que considera "muito próximo" ao desaparecimento maciço, o que demonstra que o ambiente marinho da Antárctida "continuava suportando animais de grande porte".

Fonte: Sputnik News

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