quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Incrível técnica astronómica permitiu descobrir a galáxia mais antiga do Universo


Desde que o Telescópio Espacial Hubble foi lançado, em abril de 1990, os astrónomos têm conseguido observar melhor o espaço. Quanto mais olham, mais conseguem visualizar o passado e entender como era o Universo há mil milhões de anos.

Recentemente um grupo internacional de astrónomos identificou uma galáxia em espiral localizada a 11 mil milhões de anos-luz daqui, com a ajuda do Telescópio Gemini North, no Havai, nos Estados Unidos.

Graças à recente tecnologia que combinou lentes gravitacionais e espectrografia, os cientistas conseguiram ver um objeto que existia há apenas 2.6 mil milhões de anos depois do Big Bang, o que torna essa galáxia, conhecia como A1689B11, a galáxia espiral mais distante já identificada.

Um artigo científico sobre a descoberta foi publicado na revista The Astrophysical Journal, com o título “A mais antiga galáxia em espiral”. Os cientistas são da Universidade de tecnologia de Swinburne, na Austrália, do ASTRO 3D, também na Austrália, da Universidade de Lyon, em França, Universidade de Princeton, nos EUA e o Instituto Racah de Física, em Israel.


A técnica de lentes gravitacionais tem sido importante para astrónomos, e envolve usar grandes objetos, como um aglomerado de galáxias, para torcer e magnificar a luz de uma galáxia localizada atrás dela.

Na imagem acima, a galáxia A1689B11 está atrás de um aglomerado massivo de galáxias que atuam como se fossem um tipo de lente, produzindo duas imagens magnificadas da galáxia em espiral em diferentes posições no céu.

“Essa técnica permite-nos estudar galáxias antigas em alta resolução com detalhes sem precedentes. Nós conseguimos ver 11 mil milhões de anos atráso e testemunhar diretamente a formação da primeira galáxia espiral primitiva”, diz Tiantian Yuan, o cientista principal em nota de imprensa.

A equipa utilizou o telescópio Gemini para verificar a estrutura e a natureza do espiral. Graças à esta descoberta, astrónomos agora têm pistas extra sobre como as galáxias adquirem a forma que hoje é familiar para nós.

Com base no esquema de classificação do famoso astrónomo Edwin Hubble, as galáxias são divididas em três classes amplas, com base nos formatos: elíptico, lenticular e espiral – sendo que há uma quarta classe reservada para galáxias com formatos irregulares.

De acordo com este esquema, as galáxias começam como estruturas elípticas antes de se tornarem espiraladas, lenticulares ou irregulares. Assim, a descoberta de uma galáxia espiralada tão antiga é muito importante para determinar quando e como as primeiras galáxias passaram de elípticas para suas formas modernas.

“Estudar espirais antigas como a A1689B11 é a chave para aceder ao mistério de como e quando as sequências de Hubble emergem. Galáxias em espiral são excecionalmente raras no início do Universo, e essa descoberta abre a porta para investigações de como as galáxias mudam de caóticas e turbulentas para discos tranquilos como o da nossa Via Láctea”, diz o co-autor da pesquisa, Renyue Cen, da Universidade de Princeton.

A pesquisa também revelou outras informações curiosas: a galáxia está a formar estrelas 20 vezes mais rápido do que as galáxias atuais, “tão rápido como galáxias jovens de massas semelhantes do início do Universo. Porém, ao contrário de outras galáxias da mesma época, a A1689B11 tem um disco fino em rotação calma, com pouca turbulência. Esse tipo de turbulência nunca foi visto nessa época do Universo!”, diz Yuan.

Agora a equipa quer descobrir quando é que os braços em espiral se formaram, o que poderia servir como um divisor de águas entre galáxias elípticas antigas e galáxias modernas com formato espiralado, lenticular ou irregular. Os cientistas esperam utilizar dados recolhidos pelo Telescópio Espacial James Webb, que será lançado em 2019.

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